Nem um post de fim de ano. Muito menos um post
revelador. Vou falar de algo que vocês já sabem ou já notaram de alguma
forma em suas vidas.
Sabem quando dá aquela vontade de escrever
algo para você mesmo? Pois é, quis escrever este texto pra mim e
compartilhar com vocês porque assim as coisas ficam mais amenas. Pra
mim.
Enquanto eu aproveitava um dia das minhas férias pra fazer uma limpeza no meu armário das bagunças, já que em alguns meses estarei de mudança, tive essa vontade de me escrever.
Devo dizer que é impressionante a minha capacidade de guardar papéis em grande quantidade. Destruí toneladas de contas, anotações e bobagens.
Olhei as caixas com lembranças antigas e notei que eu tinha o hábito (inútil) de fazer listas de pessoas. A lista dos amigos de faculdade, dos colegas de trabalho, da escola de inglês, e por aí vaí. Tudo com nome, email e telefone. É, eu não sabia utilizar muito bem as maravilhas da internet. Mas não é sobre a minha falta de habilidade com a tecnologia que eu quero falar. Quero, na verdade, registrar quão surpreendente é perceber que muitas coisas e muitas pessoas já não me dizem mais nada. Elas tiveram um tempo exato na minha vida: o tempo do curso, da experiência de trabalho, de me ensinar alguma coisa ou de aprender comigo.
Enquanto eu aproveitava um dia das minhas férias pra fazer uma limpeza no meu armário das bagunças, já que em alguns meses estarei de mudança, tive essa vontade de me escrever.
Devo dizer que é impressionante a minha capacidade de guardar papéis em grande quantidade. Destruí toneladas de contas, anotações e bobagens.
Olhei as caixas com lembranças antigas e notei que eu tinha o hábito (inútil) de fazer listas de pessoas. A lista dos amigos de faculdade, dos colegas de trabalho, da escola de inglês, e por aí vaí. Tudo com nome, email e telefone. É, eu não sabia utilizar muito bem as maravilhas da internet. Mas não é sobre a minha falta de habilidade com a tecnologia que eu quero falar. Quero, na verdade, registrar quão surpreendente é perceber que muitas coisas e muitas pessoas já não me dizem mais nada. Elas tiveram um tempo exato na minha vida: o tempo do curso, da experiência de trabalho, de me ensinar alguma coisa ou de aprender comigo.
Separando os papéis, fui lembrando de momentos vividos e das pessoas que foram importantes para mim naqueles períodos. Algumas dessas pessoas eu tive vontade de procurar novamente. Usando toda a minha habilidade tecnológica atual, abri o Facebook e comecei a procurá-las e fiquei feliz quando a busca me dava exatamente quem eu procurava.
Na
hora, quis adicioná-las pra retomar o contato, mas eu não conseguia
clicar no botão <adicionar aos amigos>. Por que? Porque eu parei 2
segundos pra pensar, o que não é um hábito meu, confesso, e cheguei à conclusão
de que hoje elas não fazem mais parte da minha vida e que não há mais
espaço para elas. Elas pertencem à minha história, sim. Tenho lembranças
ótimas e gosto delas, sim. Mas elas estão no meu passado e não
precisam me aceitar como amiga (virtual) só para fazer volume no número
de amigos. Então rasguei os papéis e os contatos e os emails. E elas
continuaram a ser uma lembrança.
Essas pessoas de quem eu estou falando não são somente homens ou casos clínicos, não.
Essas pessoas de quem eu estou falando não são somente homens ou casos clínicos, não.
Se bem que eu cheguei a procurar um namoradinho da
faculdade e me assustei quando eu vi a foto dele com os TRÊS filhos no
parquinho. Gente, deu tempo de ter TRÊS filhos? É, deu. Eu é que não
quis até o momento ter nenhum, não é? Mas isso deve ser assunto para o
próximo post.
Bem, mas no meio dessas pessoas estavam amigos, amigas, colegas de trabalho e de faculdade, e gente que eu achava que ficaria para sempre comigo. Mas a vida, que gosta tanto de brincar com a gente, não deixou. Então era hora de enfrentar todas essas perdas e praticar o desapego.
Para me ajudar, coloquei minhas músicas preferidas no modo aleatório. Logo tocou High and Dry, do Radiohead, que, por incrível que pareça, não me faz lembrar de um caso clínico, mas de uma ex-amiga. Depois veio Silent Lucidity, que me lembrou alguém que ficou na minha vida por vários anos e que desapareceu da mesma forma que as palavras quando voam com o vento. E então veio Happiness is a warm gun, que eu amo tanto e que nos últimos meses eu passei a associar com alguém que eu amei (amei?) muito e saiu da minha vida por minha culpa.
E por culpa também fiquei furiosa comigo por ficar associando músicas a pessoas. Porque eu não sou uma pessoa saudável como vocês que quando ouvem uma música que lembra alguém sentem aquela saudade, mas querem ouvir mil vezes a música. Não. Eu sofro horrores sempre que ouço os primeiros acordes e sinto um mal-estar que não é só psicológico, não. Daí o que eu faço? Passo a evitar a música.
Bem, mas no meio dessa confusão de papéis e recordações, me lembrei de uma conversa que tive com a Brid. Falávamos justamente sobre esse meu sofrimento descomunal com as músicas e ela, sabiamente, me deu uma bofetada:
- Lee, as músicas são maiores do que as lembranças. Você não pode deixar que uma lembrança ruim seja mais importante do que a própria poesia contida na letra.
E foi a essa frase da Brid que eu me apeguei. Continuei rasgando os papéis e ouvindo as MINHAS músicas. As músicas que ninguém pode tomar de mim por causa de uma lembrança, de uma saudade ou de uma dor. E cantei as minhas músicas, me divertindo com elas, como se depois de muito tempo elas voltassem de viagem e me dessem um abraço cheio de carinho, voltando pra minha vida.
Agora, meu armário tem um espaço enorme. E é com esse espaço que eu quero começar 2012.
Um ano novo muito lindo pra vocês, queridos leitores!
Beijos,
Lee ;-)
Bem, mas no meio dessas pessoas estavam amigos, amigas, colegas de trabalho e de faculdade, e gente que eu achava que ficaria para sempre comigo. Mas a vida, que gosta tanto de brincar com a gente, não deixou. Então era hora de enfrentar todas essas perdas e praticar o desapego.
Para me ajudar, coloquei minhas músicas preferidas no modo aleatório. Logo tocou High and Dry, do Radiohead, que, por incrível que pareça, não me faz lembrar de um caso clínico, mas de uma ex-amiga. Depois veio Silent Lucidity, que me lembrou alguém que ficou na minha vida por vários anos e que desapareceu da mesma forma que as palavras quando voam com o vento. E então veio Happiness is a warm gun, que eu amo tanto e que nos últimos meses eu passei a associar com alguém que eu amei (amei?) muito e saiu da minha vida por minha culpa.
E por culpa também fiquei furiosa comigo por ficar associando músicas a pessoas. Porque eu não sou uma pessoa saudável como vocês que quando ouvem uma música que lembra alguém sentem aquela saudade, mas querem ouvir mil vezes a música. Não. Eu sofro horrores sempre que ouço os primeiros acordes e sinto um mal-estar que não é só psicológico, não. Daí o que eu faço? Passo a evitar a música.
Bem, mas no meio dessa confusão de papéis e recordações, me lembrei de uma conversa que tive com a Brid. Falávamos justamente sobre esse meu sofrimento descomunal com as músicas e ela, sabiamente, me deu uma bofetada:
- Lee, as músicas são maiores do que as lembranças. Você não pode deixar que uma lembrança ruim seja mais importante do que a própria poesia contida na letra.
E foi a essa frase da Brid que eu me apeguei. Continuei rasgando os papéis e ouvindo as MINHAS músicas. As músicas que ninguém pode tomar de mim por causa de uma lembrança, de uma saudade ou de uma dor. E cantei as minhas músicas, me divertindo com elas, como se depois de muito tempo elas voltassem de viagem e me dessem um abraço cheio de carinho, voltando pra minha vida.
Agora, meu armário tem um espaço enorme. E é com esse espaço que eu quero começar 2012.
Um ano novo muito lindo pra vocês, queridos leitores!
Beijos,
Lee ;-)