Alguém aqui já foi preterido na vida de outra pessoa? Não vale ser preterido por motivos graves, do tipo, ser stalker, ligar na casa do cara/moça as 3 da manhã dizendo que ama ou cozinhando o coelho dela em banho maria – me refiro a ser preterido sem ter feito nada, simplesmente por ser "inapropriada". Bem, pessoas são inapropriadas e eu descobri que sou. Não me perguntem a razão, eu simplesmente sou.
Tendo eu, sido preterida por ser inapropriada (não sei se esse seria o termo exato, mas de qualquer forma, foi o mais cabível até o momento), resolvi falar com a pessoa mais inapropriada que eu conheci na vida, um ex-namorado que eu preteri da minha vida por razões mais do que justas (que hoje nem acho assim tão graves). Além do pacote básico "Traição/Filhadaputagem/Canalhice", ele ainda me disse que não tinha vocação para ser bom pai, sequer bom marido. Eu, nos meus 21 anos, achei aquilo perturbador e decidi tocar a vida. Continuamos amigos, ele é um músico explêndido, bom colega, companheiro de bourbon, mas continua o mesmo. Inapropriado. Eu o classifiquei assim e olhe como são as coisas: hoje em dia, a inapropriada, sou eu.
Marcamos um encontro, depois de quase um ano sem nos vermos, no mesmo bar onde eu fui vê-lo no dia em que ele me disse todas as verdades que eu precisava ouvir (e a gente sempre precisa ouvi-las, para poder tocar a vida) para considerá-lo inapropriado e, após pedir um mojito de Sagatiba, comecei o diálogo com a esclarecedora e estimável frase:
- Eu não sirvo para ninguém. Só sei bagunçar a vida dos outros, é só o que eu sei fazer.
E é tão somente o que eu sei fazer, acho.
Eu não sei exatamente o que eu faço ou tenho de errado, mas eu nunca consegui ter essa força, esse ânimo, essa altividade de me fazer presente de forma concreta na vida de alguém. Eu sempre preferi que as pessoas se concretizasem na minha vida, sem cobranças, sem obrigações, sem pedidos incoerentes, sem amarras. Só que hoje em dia, eu acho que falhei. Perdi todas as batalhas e ainda fui considerada inapropriada. Inadequada, por ser livre demais e dar aos outros a liberdade de escolher estar comigo apenas por opção.
A sociedade nos impõe valores. Estes valores são absorvidos por nós. E a insutentável leveza do ser se torna pesada. Torna-se impossível carregar um fardo tão leve. Eu me tornei uma insustentável leveza.
Eu não desisti de ser leve, eu ainda sou. Não há forma de mudar esta minha característica.
Eu apenas desisti de tentar ser apropriada, porque eu nunca serei. Talvez eu nunca consiga ser boa esposa, nem boa mãe e me dói no fundo da alma dizer isso. Mas eu sei que eu consigo ser leve. Minha leveza, pode não agradar a todos, pode não ser suficiente para alguns e pode ser inapropriada para a maioria, mas eu escolhi ser leve e é assim que serei.
Leve e apaixonada por Monty Python. Sempre.