Hoje, excepcionalmente, vocês lerão um relato não meu, nem da Lee e sim da nossa leitora e amiga Camila. Ela conta aqui sua história (uma delas, acredito) e tenho certeza que muita gente vai se identificar. Cer-te-za. Se você também tem uma história boa para nos contar, envie para drabridgetjones@gmail.com ou para draleeholloway@gmail.com. Uma vez por mês, postaremos uma história de vocês para que fique claro que nesta vida TODO MUNDO é para-raio de doido.
E os meninos, por favor, não se acanhem. Enviem também suas histórias. Não importa seu credo, sua cor, sua orientação sexual, seu time de futebol ou seu fetiche favorito. Tem espaço para todo mundo!
E comentem muito no post da Cá. Tenho certeza que ela vai adorar responder a todos.
Quem quiser segui-la no Twitter é só clicar aqui! Ela atende por @camicap.
O caso do Doido Mentiroso
Caso clínico:
Homem, 24 anos, alto, moreno, estudante de administração. Fomos apresentados em um jogo de futebol, pois éramos aficionados pelo mesmo time. Naquele dia, conversamos pouco e nos despedimos com a promessa de “nos vermos por aí”.
Porém, na mesma semana, o Doido me achou no Orkut. Começamos a conversar mais, nos encontramos em outros jogos e logo estávamos saindo. Ele era do tipo que faz piada de absolutamente tudo sem ser inconveniente e eu adorava isso. Eu, uma moça ingênua de dezenove anos, me divertia deveras.
Foi o Doido Mentiroso que me apresentou várias bandas que eu não conhecia. Foi ele que me induziu ao vício dos seriados americanos. Foi ele que me ensinou muitas coisas. Tudo era motivo para passarmos horas conversando e encontrando pontos em comum. Isso é piegas, eu sei, mas àquela altura eu já estava apaixonada e dali em diante era ladeira abaixo.
O Doido Mentiroso parecia corresponder o que eu sentia. Volta e meia surgiam mensagens declarando saudade ou exigindo um encontro. Mas sempre há um “até que”, e nessa história isso não demorou a chegar.
Estávamos namorando há um tempo quando, de repente, o Doido Mentiroso muda completamente. Assim, da água para o vinho. Começou a desmarcar encontros, dar desculpas do tipo “tenho que trabalhar até mais tarde” e mentir. Eu, sempre muito atenta, logo percebi que havia algo errado. Tentei conversar, mas o Doido sempre arrumava uma desculpa diferente – ele começou a me evitar completamente.
Foi então que um dia, após ter desmarcado um encontro pela 18ª vez, ele pediu para que eu entrasse no MSN, pois “precisávamos conversar”. Previ que daquela conversa não sairia boa coisa, mas mesmo assim resolvi acatar o pedido. O diálogo começou e não demorou muito para que minhas suspeitas fossem confirmadas.
Doido Mentiroso: Você sabe por que eu pedi para você entrar no MSN, né?
Eu: Sei.
Doido Mentiroso: Então, Cá, você sabe que eu gosto muito de você, mas em setembro eu estou indo passar minhas férias na França e acho injusto deixar você aqui.
O que o Doido não mencionou na conversa – e é extremamente importante citar aqui – é que ele passaria somente quinze dias na França. É relevante também dizer que estávamos em março quando essa conversa aconteceu.
Vou passar quinze dias na França. Estamos em março, mas viajarei em setembro. Acho injusto te deixar aqui. Ok.
Claro que eu não caí nessa conversa fiada. Apesar de apaixonada, eu não havia sido acometida pela passio stupidi (paixão estúpida) e conseguia perceber claramente que ele queria terminar, mas não havia encontrado um motivo plausível. Fingi compreender tudo o que o Doido me dizia e não esbocei reação alguma.
Seja grosso comigo, esqueça meu aniversário, não queira me ver, mas não minta para mim. Nunca, jamais, never. Não pense em me enganar. Não se fie em sua incrível habilidade de maquiar mentiras, porque eu descubro e é pior. Se há algo que eu não suporto é mentira. Como posso confiar em alguém que não tem coragem para me dizer a verdade?
O que se esperar de uma garota de dezenove anos? Fiquei arrasada. Desliguei o computador e chorei horrores sentada no quarto escuro. O sentimento de abandono era muito maior do que a indignação pelo o que havia acontecido. Durante algum tempo ele havia sido a melhor coisa que poderia ter acontecido em minha vida, mas ser rejeitada daquela maneira doía mais que tudo.
A confirmação de minhas suspeitas quanto às inverdades contadas pelo Doido Mentiroso veio meses após o término, quando descobri que ele estava com outra, a mesma garota que se tornaria esposa dele um ano depois.
Diagnóstico:
Mentira Deslavada (MD) desencadeada por uma crise de Babaquice Incurável (BI), Falta de Tato (FT) e Covardia Crônica (CC).
Tratamento aplicado:
O tratamento só seria efetivo se aplicado em mim. Excluí qualquer possibilidade de contato. Apaguei de redes sociais, deletei número da agenda, evitei contato com amigos em comum. Resumindo, sumi do mapa. Litros de lágrimas e doses alcoólicas depois, tudo foi superado. Quando o encontrei na rua em outra oportunidade, mantive minha classe e só permiti small talk. Ele deveria ser esquecido e realmente foi.
Para ler ouvindo: Blue Eyes Blue, do mestre Eric Clapton.