terça-feira, 20 de setembro de 2011

O caso do Doido Intolerante - Um post "Desabafo"

Sexo.

Cada um de nós, começou a praticá-lo em algum momento da vida, alguns mais tardiamente, outros precocemente. A vida sexual de cada um é uma propridade intrasferível e não há como generalizar ou julgar alguém pelo seu comportamento entre quatro paredes. A conduta sexual de cada pessoa é única. Fim da história.

Quando começamos a escrever um blog sobre os nossos relacionamentos, achamos que seria muito tranquilo falarmos de nossas vidas sexuais, já que por uma razão natural, as experiências sexuais fizeram parte destas relações. Somos adultos, não somos?

Sexo sempre foi um assunto muito natural para mim e, como crescemos juntas, partilhando das mesmas dúvidas, dos mesmos dilemas e às vezes, dos mesmos gostos, também sempre foi um assunto muito natural para a Lee. Fetiches, climas, momentos, posições, formas de encontrar o prazer e proporcioná-lo à pessoa que está junto da gente – essas coisas todas – sempre foram assuntos que nunca nos causaram constrangimento nenhum, afinal, é a felicidade amorosa da gente que está em jogo e, na minha opinião, o sexo tem um peso gigantesco no quesito "fazer dar certo" das relações amorosas.

Ontem, recebemos o seguinte comentário num post antigo:

(Clique aqui para ler o comentário e o post- trata-se do ULTIMO comentário da pagina, com a data de ontem)

Lógico que vocês podem dizer que não tem nada demais, que é só provocação, que deveríamos ignorar e tal, mas eu sinceramente fiquei bem triste por saber que existem pessoas deste tipo, com esta mentalidade pequenina e toda esta limitação.

Sim, sexo tem de ser especial e é especial para mim. Não é pelo fato de não ser ortodoxo que não é especial. Não é pelo fato de não ser com o "grande amor da minha vida" (se é que isso existe) que não é especial. Não é pelo fato de não ter lágrimas pos-coito que não é especial. Não é pelo fato de não ter pétalas de rosas nos lençóis que não é especial. Não é pelo fato de não ser com a sua esposa/namorada/noiva que não é especial.

Eu posso dizer aqui, com toda a propriedade (e tenho certeza de que a Lee compartilha da minha opinião), que cada "relação-prazerosa-sem-fins-reprodutivos" das quais fiz parte (tenham sido elas, ortodoxas ou não) foram especiais. A razão disto, é que cada uma delas foi (e ainda é) uma busca. Uma busca pela felicidade e pelo prazer pleno.

Não quero aqui ser panfletária. Sei que a maioria arrasadora das pessoas que nos lêem tem uma mentalidade aberta e tranquila com relação a qualquer tipo de amor, qualquer forma de encontrar a satisfação, mas eu precisava desabafar. Fico indignada quando alguém age pelo impulso da intolerância, sem conhecer as argumentações do lado atacado.

Eu respeito quem acha que "sexo especial" é aquele, básico, datado, rotineiro, com fins específicos, com uma pessoa em especial, afinal, eu também tenho meus momentos alencarianos. Eu também já desejei alguém mais que tudo e o sexo com ela seria considerado mais do que especial. Mas somos humanos e como humanos, somos diferentes uns dos outros. Cada um tem uma forma de achar cada coisa especial e o que é especial para mim, não é para o outro, por mais que sejamos parecidos em personalidade.

O comentarista anônimo, que se identificou como "Jota", disse que a Lee deve achar tudo "normal", inclusive sexo. Bem, nós achamos mesmo. Normal, natural, bonito, algumas vezes maluquinho, outras vezes engraçado, outras picante, e muitas vezes, fetichento também!

Adoramos a forma como o ser humano lida com suas fantasias, é fascinante! E, a cada nova experiência, achamos cada vez mais compensador. Fica aí uma dica valiosa para o Jota: Ver o sexo de forma natural, faz bem para a vida e praticá-lo com mais frequência, faz com que cada dia ele se torne mais e mais especial, natural e inerente.

É engraçado, pois a priori, eu achei que ele estaria achando a atitude de rejeitar o "Doido Fetichista", brochante (Leia o post em questão AQUI), mas depois, percebemos que ele achou brochante, a atitude da Lee de ter ficado a noite toda com os sapatos, obedecendo ao fetiche. Nas duas versões, é definitivamente um caso de indignação, pois como eu disse, ninguém é obrigado a ser como os outros ou aceitar algo que não lhe dê prazer. Assim como gostar do Van Gogh, não é um fator excludente para que eu não goste de Delacroix. Gosto dos dois. Talvez não com a mesma paixão, mas todos temos preferências, não?

E assim, a vida continua – cada dia mais saborosa, porque as diferenças fazem toda a diferença. E as novas experiências e sensações são os elementos que me fazem acordar a cada manhã.

Nota das Autoras: Desculpem a todos por este desabafo. Acho que eu precisava disso, aliás nós duas precisávamos, afinal, estamos aqui já faz alguns anos, interagindo quase todas as semanase adorando cada comentário, seja ele concordando ou não com nossas atitudes. Mas é complicado ler um comentário ofensivo, julgador e de mau gosto, por mais que estejamos expostas a isso. Quem discordar, tem todo o direito de se manifestar, respeitaremos todas as opiniões, e quem concordar também.

Agradecemos a todos aqueles que nos lêem e nos divulgam em seus twitters, facebooks, blogs e que tornam a experiência de escrever este blog cada dia mais estimulante.

Um beijo a todos!

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

O caso da Doida sem Pinô Noar

Olá, seus lindos!




Dei uma passadinha por aqui para avisar que hoje não tem post, mas é por um motivo muito nobre! Eu escrevi o post no notebook do meu pai (em minha casa) e "misqueci" completamente de enviar por e-mail, passar para o pen drive ou qualquer outra solução prática e óbvia. Podem me chamar do que quiserem, já que ando numa vibe doida, em que acho que devo ser punida (ui!) por todos os males do universo.




Toda esta distração tem uma razão, sempre tem. No meu caso, chama-se "falta de álcool". Sim, estou em abstinência alcoólica e só Deus e a Santa Madonna Ciconne podem me julgar pelos meus atos neste período.




Não é promessa religiosa, não é recomendação médica, não é regime. É tentativa de conquistar um equilíbrio mental, minha gente. Tava foda, com o perdão da palavra.




Estou passando por um período meio sabático e pretendo tirar todas as conclusões vitais para uma vida amorosa sadia, completamente sóbria. Nada de fitoterápicos, nada de absinto, nada de ervas medicinais.




Amanhã, estarei aqui, com o post da semana e espero que todos vocês compareçam para prestigia-lo, comentá-lo e divulgá-lo. É uma história recente, então já podem esperar uma dose de nostalgia nele, afinal, ando nostálgica até a raiz do terceiro molar que eu ainda conservo em minha boca cheia de dentes.




De quaqlquer forma, agradeço a todos pelo carinho nos e-mails! Vocês são todos uns lindos mesmo! Algumas pessoas, escreveram perguntando o desfecho do meu caso com o "Doido Remanescente (Clique Aqui e Leia)" e várias delas estão até torcendo por um final feliz. Fiquei über emocionada com a participação de vocês e agradeço cada um que se dispôs a entrar em contato. Este carinho é incrível! Prometo escrever um post com o desfecho, sim. Assim que tiver um desfecho, porque né? Tô toda desviada dos caminhos do bem. Oremos!




Um beijo e até amanhã!


domingo, 11 de setembro de 2011

O caso do doido inglês

Para aqueles leitores que andam cansados dos seus doidos e sonham em se mudar para Londres com o objetivo de, enfim, conhecer uma pessoa normal, contarei esta história da nossa amiga, Dra. Bennet.

Caso clínico:

Homem, 35 anos, alto, loiro e inglês. Morava com os pais e tinha um emprego razoável em Londres. Nunca casou.
A história de Dra. Bennet com esse doido pode ser dividida em três partes, já que havia um oceano separando os dois e um período de 10 anos do início até o fim dela.


Parte 1

Começou em 2000, quando Dra. Bennet foi a Londres para um intercâmbio.

Foram 6 meses de livros, pints de Guinness e gente nova na vida da nossa amiga. Apesar de ter conhecido alguns homens, nenhum interessou verdadeiramente Dra. Bennet.

Até que na última semana em Londres, ela conheceu o doido inglês. Saíram com alguns amigos para jantar, conversaram, e já naquela noite ficaram encantados um pelo outro. Só que Dra. Bennet tinha de voltar para o Brasil. Damn it.


Parte 2

Eles conseguiram manter contato graças à internet. Conversavam frequentemente. E  foi nesses bate-papos que Dra. Bennet percebeu que o humor do doido inglês oscilava bastante sem motivo aparente. Até que um dia, sem mais nem menos, ele a excluiu do Messenger e não respondia e-mails. Ficaram dois anos sem se falar.

Dois anos depois, ele mandou um email a ela, pedindo que retomassem o contato, explicando por que havia sumido. Segundo ele, tinha ficado com medo de que a relação deles se tornasse séria demais.

Ficaram mais alguns anos mantendo esse relacionamento (de amizade? de amizade colorida? de banho-maria para uma futura relação? who knows?). O doido vivia dizendo que esperava ansioso pelo dia em que eles pudessem se ver novamente, o que, inevitavelmente, acabava sensibilizando até a mais centrada e realista das mulheres.

Parte 3

Em 2010, Dra. Bennet resolveu voltar a Londres para morar e tentar começar uma nova fase na sua vida. Como mudanças sempre demandam tempo, ela e o doido só puderam marcar um encontro alguns dias depois. Mas para quem havia esperado 10 anos, o que seriam mais algumas horas, não é?

O reencontro foi muito bom. Ele foi gentil e carinhoso. Levou Dra. Bennet para que ela conhecesse a família e a apresentou a alguns amigos. Passearam por Londres e se divertiram juntos.

Só que, talvez por se achar irresistível demais, ele continuava com aquele medo de que a relação deles ficasse séria demais!?! E sempre perguntava à Dra. Bennet se ela estava apaixonada por ele!?! Parece que ele achava que nossa amiga tinha ido a Londres só por causa dele, o que não é verdade.

Ela tinha interesse nele, sim, mas sempre foi bastante racional com relação a esta história. Sabia que ele era um doido complicado, justamente pela variação de humor e de comportamento com relação a ela. Então, não, ela não estava querendo começar um namoro só porque compartilhavam, finalmente, o mesmo espaço físico.  E ela estava em Londres. Tanta coisa pra fazer em Londres, não é?

Mas, de acordo com o raciocínio dele, ela o queria. Queria muito. E ele tinha medo de relacionamento sério. Muito medo. Então o que ele fazia? Nos encontros com Dra. Bennet, ele era carinhoso. No entanto, sumia por alguns dias e fazia questão de mostrar que não estava disponível o tempo todo, nem mesmo como amigo para ajudá-la a resolver algumas pendências da mudança.

Além disso, o doido era um tanto devagar no sentido da pegada. Talvez pela educação, pelo desejo de não desrespeitar nossa amiga, pela oscilação de humor ou pela falta de habilidade (who knows?), ele só tentou ir além dos beijos depois de alguns encontros.

Foram para a casa dele e tiveram, depois de 10 anos, a primeira noite juntos. Quer dizer, não foi bem uma noite juntos. Vamos aos fatos.

Segundo Dra. Bennet, foi tudo bem rápido. Mas, né? Primeira vez juntos, tinha toda aquela ansiedade, expectativa e, daí, pronto, acabou.

Depois que o sexo acaba, o que geralmente acontece? Tem aqueles que começam uma conversa despretensiosa enquanto permanecem abraçados. Tem aqueles que acendem um cigarro. Tem quem sai correndo pra tomar banho (isso é horrível, mas nos filmes isso acontece muito). E tem quem resolve estragar tudo com uma frase sem contexto:

Doido Inglês: Pra mim, você é como uma irmã mais velha.

Nem preciso explicar a indignação de Dra. Bennet quando ouviu isso. Todas nós ficaríamos chocadas ao sermos comparadas com uma irmã após 10 anos de relacionamento virtual nada fraternal e de uns minutos de sexo.

Só que Dra. Bennet nem teve muito tempo para digerir essa frase. Logo em seguida, ele virou pra nossa amiga e disse, levantando da cama e se arrumando:

Doido Inglês: Vista-se.

Sim, ele mandou Dra. Bennet se vestir, como se ele tivesse acabado de conhecê-la no pub da esquina.

Que tipo de homem trata mulher dessa forma? Que tipo de homem utiliza esse combo “você parece minha irmã + vista-se” depois do sexo? OK, são apenas perguntas retóricas que não precisam ser respondidas.

Shit happens.

Diagnóstico: 
Língua Frouxa (LF) desencadeada por um quadro crônico de Falta de Tato (FT),  Grosseria Congênita (GC) e Deficiência de Sensibilidade (DS). Além de Transtorno Bipolar (TB) e Arrogância Degenerativa (AD). 

Tratamento aplicado:
Dra. Bennet ainda encontrou o doido inglês mais algumas vezes depois daquela noite, já que, infelizmente, moravam no mesmo bairro e o encontro era inevitável. Mas ela manteve certo distanciamento porque viu  que ele não era nenhum lord inglês. Muito menos um Mr. Darcy (aqui).

Anotações posteriores:
A vida não está fácil nem em Londres. Dra. Bennet acabou voltando para o Brasil alguns meses depois. Antes de retornar, jogou aquela história de 10 anos no rio Tamisa.

O doido? O doido a excluiu do Messenger enquanto ela ainda estava lá. E torcemos para que tenha se afogado no Tamisa também.


*****

Para ler, ouvindo “Turning tables”, Adele (aqui).

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

O caso do Doido Remanescente

Post longo, já aviso.



É sabido que sou uma garota de sorte, mas a sorte é relativa, já diria o poeta Albert Einstein, num rompante de inspiração. Tenho algumas peculiaridades na vida, que as vezes fazem com que eu acredite que talvez a melhor coisa a fazer seja esperar até os 40 anos, mudar-me para o Sri Lanka e morrer sozinha, imaginando como teria sido a minha vida ao lado de algum doido que já tenha tido alguma chance de ficar comigo. Prova disso é que todas as vezes que, por algum motivo grave ou estúpido, eu termino com algum doido (ou ele termina comigo, não importa muito a ordem dos fatores), num átimo, eles aparecem casados (com outra moça, que fique claro), e pelo menos 2 filhos (desta outra moça, obviamente). É como se eu inspirasse nos rapazes uma vontade insana e descontrolada de constituir família, mas não comigo.



Com este doido, a coisa aconteceu de uma forma meio complicada. Nós nos gostávamos, mas por um lapso do destino, a família dele achou que eu não servia (sou boa moça, acreditem – o lance foi bem mais profundo e eu teria que ficar uns três dias aqui contando todos os pormenores do negócio) tivemos que terminar. Eu me lembro que chorei de raiva por uns 20 dias, depois tomei uma Cibalena e toquei a vida porque, né? O tempo urge, e comigo não é diferente.



Não deu outra, uns quatro meses depois, ele estava se casando (com toda pompa e estilo) com uma moça que provavelmente a mãe dele (e toda a família) aprovava, mais uns meses depois ele já era pai de um menino e algum tempo mais tarde, já tinha tido mais três. Fiquei feliz por ele, agradeci a fofoca, já que nessas horas, é só o que se pode fazer, e continuei minha vida, caminhando, cantando e seguindo a canção, que eu ganho mais (ou não, depende do ponto de vista – seguir a canção não tem dado muito lucro ultimamente).



Depois disso, encontrei-me com ele em duas ocasiões, troquei cumprimentos educados (porque sou fina e não guardo rancor de quem me espezinhou e jogou na minha cara toda a minha inépcia em ser boa esposa e boa mãe – não que isso tenha acontecido de fato, falei por falar) e me mantive no salto agulha meia-pata, já que meço 1,60m e preciso de artifícios para alcançar os metriointenta do povo por aí.



Eis que a vida é uma caixa de bombons sortidos, Forest Gump já confirmara isso anos atrás, e eu precisei de vinho emergencial, numa madrugada destas. Rumei para o único supermercado 24h que eu conhecia, mais próximo da minha residência. Estava eu de calça de pijamas, Crocs, camiseta do Laranja Mecânica (que pelo estado, poderia-se dizer que era original da época do lançamento do filme), cabelos presos num rabo-de-cavalo ao estilo "Jeanie é um Gênio" e meus óculos reserva (que segundo a Lee, pertenceram ao Woody Allen).



Quando estou chegando na parte de "Snacks e Porcarias", dou de cara com quem? Sheldon Cooper? Alice Cooper? Winnie Cooper? Não. Doido Remanescente (é assim que vou chamá-lo), com tênis de cooper, bermuda cargo com 500 mil bolsos, camiseta pólo e cabelo inexistente (ou quase). Estava bonito, apesar da calvície (que eu particularmente gosto, não MIM julguem).



Apesar de eu tentar me esconde atrás de um pacote de Doritos Família sabor Natural, ele deve ter reconhecido a camiseta (só pode ter sido, já que o Crocs era novo) pois gritou lá do outro lado da sessão, perto da gôndola de Pringles:



Doido Remanescente: BRIDGET (ele me chamou pelo meu nome inteiro, o composto, que quase ninguém sabe)? É você?



Eu: Oh, oi! – neste momento, eu coloquei o Doritos gigante de volta na prateleira, afinal, não queria que ele pensasse que virei uma destas solteironas malucas que vai ao supermercado de madrugada saciar seus vícios de solteirona maluca – Tudo bem com você?



Doido Remanescente: Tudo, e com você? – neste momento ele colocou de volta as três embalagens de Pringles que ele levava nas mãos, imagino que tenha sido para que eu não pensasse que ele alimentasse os quatro filhos com batatas assadas sabor Barbecue.



Eu: Tudo. Como você está? – era para ser uma destas perguntas retóricas.



Doido Remanescente: Separado.



Eu, nesta hora, já emendei com a pergunta que viria depois automaticamente, nem reparei no que ele tinha respondido.



Eu: E as crianças? – depois, pensando bem, percebi que esta pergunta, na sequencia havia ficado um tanto quanto ridícula, mas enfim, vou fazer o quê?



Doido Remanescente: Com a mãe.



(Silêncio).



Eu: Não, não – percebendo a merda que eu tinha perguntado – quero dizer, como elas estão?



Doido Remanescente: Estão bem. Dormindo, eu imagino.



Eu: É, é hora de criança dormir, mesmo. – e ri. Eu ri, nervosamente. Merda, merda, merda!



Doido Remanescente: Você está ótima. Casou?



Nesta hora, eu pensei em dizer "sim, casei e vivo feliz numa casa com cerca branca, um filho loirinho de bochechas rosadas e um marido que acorda todos os dias com hálito de Close-up Ice Mint", mas só consegui mover a cabeça negativamente e pensar no Crocs azul marinho que eu vestia. Como é que eu poderia estar casada e feliz com um Crocs azul marinho e um Cabernê Sovinhon de 15 reais na cestinha do supermercado as 2:45 da manhã de uma terça-feira?



Doido Remanescente: Eu... posso te ligar um dia para gente conversar? – ele disparou sem que eu tivesse tempo de pensar em nada elaborado.



Eu: Não sei.



Doido Remanescente: Poderia ser agora se você puder.



Pensei em dizer a ele que eu tinha um namorado franco-germâncico me esperando em casa, mas lembrei-me que a única coisa que me esperava em casa era uma biografia não-autorizada do pintor Rubens e um filme islandês sem legendas chamado "O casamento da Noite Branca" (alguém já viu?).



Eu: Posso.



Fomos para uma padaria ali perto e ficamos conversando até o pãozinho do dia sair (afinal, trabalhamos). Ele pediu para que eu tirasse os óculos, rimos do meu corte de cabelo assimétrico, comemos bruschetta (eu disse BRUSCHETTA, gracta!), e falamos da vida. Falamos de como lidamos com a separação (minha e dele) e ele me contou como estava lidando com a recente separação. Parecia triste com o fim. Também parecia feliz com o recomeço. Parecia confuso com o presente, arrependido pelo passado e assustado com o futuro. Parecia tão humano, tão frágil. Pediu-me desculpas pela forma como tudo tinha terminado entre nós, anos atrás. Desculpas pela mãe dele, pelo jeito dele, pelas coisas que ele poderia ter me dito, mas não disse, por ter achado melhor não dizer nada mesmo.



Senti-me estranha. Senti-me feliz e culpada por me sentir feliz. Fiquei triste com a separação dele e triste com a nossa separação, num passado distante, quase apagado, mas compreendi que algumas coisas são inevitáveis e estas coisas acontecem com algum objetivo misterioso mas só descobrimos qual é este tal objetivo, anos depois. Relações terminam, ficam os legados, ficam os herdeiros, ficam as marcas e tempos depois esvaem-se as mágoas, ficando apenas as lições.



Ele e eu, nunca teria dado certo, eu pensei. Mesmo porque, ele não gosta de Monty Python.



Para ler ouvindo High and Dry do Radiohead.



Nota da Autora: Novamente estamos com dificuldades de divulgar os posts pelo Twitter, então, se você acha que merecemos (please!), por favor deêm aquela mão amiga (ui!) e divulguem para nós. Ficaremos eternamente gractas e quando precisarem de divulgação também, é só pedir que faremos um jabá todo especial.
Update: A gata do mês, Vanessa nos deu um selinho e eu nem sei exatamente como se faz para retribuir este carinho tão legal (porque né? sou destas que não entendem muito bem de etiqueta virtual). O selo chama-se "Este blog eu recomendo". A forma mais delicada e justa que encontrei de retribuir é divulgando o blog dela aqui. Corram lá: Fragmentos e Inquietações - Vanessa, tentei comentar lá, mas não consegui!