Acontece que tenho uma família meio musical e entre os aspirantes ao sucesso da família Jones, está minha irmã, que faz algumas estripulias no violino. Como toda musicista, ela tem muitos amigos músicos e certa vez, ela cismou de me apresentar dois amigos que tocavam violino em orquestra.
Os dois eram lindos, mas um deles era de boa família, já tinha morado na Rússia, falava 5 idiomas, era maestro, tocava além do violino, piano, era cavalheiro e parecia muito respeitador. O outro era um tanto petulante, tinha ar de superior, nem era tão bonito assim e era suplente do suplente do suplente na Orquestra da UNICAMP.
Adivinhem qual deles gostou de mim?
Acertou quem disse "o primeiro", perfeito e encantador.
Adivinhem de qual deles eu gostei?
É, isso mesmo. Gostei do tranqueira. Lógico!
Como não sou boba nem nada (muito menos ele), combinamos de eu ir assistir uma de suas apresentações e logo após o concerto, eu daria (êpa!) umas voltas com ele pela cidade. Tudo sucedeu-se na mais perfeita ordem e método. Começamos a namorar firme.
(Adoro esta expressão: "Namorar Firme". Sempre fico imaginando o que seria "Namorar Mole" ou "Namorar Frouxo").
Conheci mãe, pai, cachorro, terapeuta e todos os níveis de pessoas que devemos conhecer quando estamos num "Namoro Firme". Ele conheceu meu afilhado, o que já é o máximo de intimidade que um cara vai conseguir comigo no quesito "infiltração familiar". Sou destas que odeiam dar explicações na hora de justificar porque a relação não deu certo, principalmente porque elas nunca dão (e meus parentes são bem futriqueiros).
Ele era atencioso, carinhoso, educado, inteligente e inclusive aquela petulância toda do começo deu lugar a uma pessoa extraordinária. Extraordinariamente retórico, quero dizer. Tinha o dom da oratória em todos os poros daquele corpo alvo mais que a neve, livre de pêlos e impurezas. Ele sempre tinha justificativas plausíveis para ausências, explicações totalmente factíveis para todo o tipo de falha. E era aí que morava o perigo, já que eu, ingênua, nunca desconfiei de nada.
Músicos viajam. Marinheiros viajam. Qual deles tem um amor em cada porto? Exato, meu músico!
Descobri da forma mais clichê possível: fazendo uma surpresa numa cidade pequena do interior de São Paulo. Fui ver sua apresentação, achando que ele ficaria com lágrimas nos olhos. Lêdo engano. Lá, ele tinha uma tal de Luisa, tão encantadora quanto a de Chico Buarque. Eu a descobri por acaso, sentada ao lado de minha adorável cunhada (irmã do Doido) e depois de mãos dadas com o Doido Violinista, na coxia do anfiteatro, logo após o brilhante concerto (esta frase foi carregada de sarcasmo. Obrigada pela compreensão.).
Depois disso, descobri todas as outras. Uma no Pará, uma no Espírito Santo (bendita seja), uma em Santa Catarina e várias (sim várias) nas cidades próximas à Campinas. Nem perguntem como eu as descobri, nem perguntem!
DIAGNÓSTICO: Mal de Músico – os músicos que me desculpem, acho ótimo, mas né? Toda vez que eu tento dar uma chance a algum exemplar da categoria, acabo me estrepando. Antes eu achava que o problema era eu, mas com o tempo, percebi que isso é uma espécie de comportamento padrão. Algum de vocês tem explicação (ou até justificativa) para isso? Não vale me xingar! Aceito conselhos também, já que minhas estatísticas no ítem "Fazer Dar Certo" não estão lá muito favoráveis. Não vale dizer que eu deveria ter escolhido o outro músico, esta indagação eu me faço todos os dias!
TRATAMENTO EFETUADO: Terminei com o rapaz logo após descobrir a primeira, sem escândalo, sem discurso e sem choro. Até amiga dele eu concordei em ser. Logo depois quando descobri as outras, dei toda a importância que o caso deveria ter e quis saber "makeporraéessaseufilhodumaputa"? Ele tentou usar o dom da retórica. Tentou, mas acho que neste dia, eu estava mais Aristotélica do que ele e devo ter falado sem parar por umas duas horas, mais impropérios do que eu conheço em Língua Portuguesa (e não são poucos, sou über versada em impropérios). Sem julgamentos, ok? Afinal, eu estava puta (ui!). Beeeem puta (êpa!).
O moço, uns dois anos depois (esta história tem um certo tempo) tentou engatar (ui!) uma amizade. Cedi, já que tal e qual Mark Zuckerberg, Didi e Roberto Carlos, "eu quero ter um milhão de amigos". Mas só por isso!
Continuamos com a campanha: "Ajude a divulgar o Sou pára-raio de Doido e ganhe uma viagem a Acapulco com o Chapolin". É só nos divulgar no seu Twitter, Facebook, cabeleLÊro AND comentar aqui no post mesmo! Lembrando que eu dei um jeitinho de responder todos os comentários durante meu expediente, porque sou destas, subversivas!Também queria dizer que tem sido complicado postar na segunda-feira, mas estou aqui, firme e forte, na terça. Verei uma forma de voltar a postar nas segundas!
P. S.: Gostaria muito de receber o CD novo do Kaiser Chiefs por e-mail, já que não tenho como fuçar aqui no "siviço" e estou com vontade de ouvir hoje. Quem tiver como me mandar (pelo menos uma musiquinha), eu agradeço. Mandem para drabridgetjones@gmail.com
