Em primeiro lugar, gostaria muito de agradecer a todos aqueles que continuam vindo aqui e comentando fielmente. Este carinho me deixa extremamente orgulhosa e muito feliz. Motiva, sabe? É uma pena que eu não possa mais responder a todos os comentários pois aqui na empresa não é mais permitido o acesso aos blogs, mas eu leio todos em tempo real (recebo tudo no outlook, porque sou destas, que acham sempre um jeitinho de burlar o sistema ditatorial imposto no "siviço").
Dito isto, vamos ao caso:
CASO CLINICO: Homem, 26 ou 27 anos na época, alvíssimo, incisivo superior esquerdo levemente proeminente, cabelos castanhos claros, lisinhos, porém escassos (o que não quer dizer nada – adoro!), olhos castanhos claros e lábios finos. Estudante de Filosofia e ao mesmo tempo de Publicidade (não MIM julguem, eu tenho karma cíclico com publicitários, esta é a verdade).
Conhecemos-nos num barzinho perto da faculdade. Nunca fomos apresentados, mas o fato de frequentarmos o mesmo bar fez com que começássemos a nos cumprimentar, depois a nos despedir e por acaso, após muitos "ois" e "tchaus", ficamos amigos. Ele gostava de cinema alemão (me fez assistir "Anatomia" umas 15 vezes), Rimbaud, lia Kierkegaard e usava All Star de cano alto. Ele era um tanto egocêntrico e de vez em quando soltava frases sem contexto algum, mas eu achava aquilo charmoso. Admitam, no auge do "amor romântico" a gente acha tudo charmoso. Até a frieira do caboclo acaba sendo um "charme a mais". Ah, os seres humanos e suas atitudes ridículas! O amor é ridículo. Todas as cartas de amor são ridículas. Mas enfim, voltando...
Conhecemos-nos num barzinho perto da faculdade. Nunca fomos apresentados, mas o fato de frequentarmos o mesmo bar fez com que começássemos a nos cumprimentar, depois a nos despedir e por acaso, após muitos "ois" e "tchaus", ficamos amigos. Ele gostava de cinema alemão (me fez assistir "Anatomia" umas 15 vezes), Rimbaud, lia Kierkegaard e usava All Star de cano alto. Ele era um tanto egocêntrico e de vez em quando soltava frases sem contexto algum, mas eu achava aquilo charmoso. Admitam, no auge do "amor romântico" a gente acha tudo charmoso. Até a frieira do caboclo acaba sendo um "charme a mais". Ah, os seres humanos e suas atitudes ridículas! O amor é ridículo. Todas as cartas de amor são ridículas. Mas enfim, voltando...
Começamos a sair. Tínhamos amigos em comum e dali para frente acabamos juntando as turmas. Demorou mais de um mês para que acontecesse a nossa "prima nocte". Foi bom. Não foi espetacular, mas também não posso dizer que foi tedioso. Lembro-me de ter acordado no meio da noite e deparar-me com ele me olhando dormir, o que achei atencioso e encantador. De qualquer forma, eu estava numa daquelas fases "moderninhas". Decidimos manter o negócio em segredo para "evitar o constrangimento", afinal, ele já tinha "tranformado o rascunho em arte-final" de muitas amiguinhas da turma dele e eu também já tinha dado minhas paqueradas no meio do meu pessoal, afinal, não sou santa nem nada.
Foi comum acordo. Combinamos segredo. Segredo é, para mim, um conceito muito objetivo. Não se conta a ninguém. Não se comenta. Toma-se cuidado com as informações repassadas. SE-GRE-DO!
Foi comum acordo. Combinamos segredo. Segredo é, para mim, um conceito muito objetivo. Não se conta a ninguém. Não se comenta. Toma-se cuidado com as informações repassadas. SE-GRE-DO!
Eis que na primeira semana que nos vimos em meio a turma toda (minha e dele), no meio de acalorada discussão onde todo mundo falava mal do Nizan Guanaes (era só deixar rolar, certo?), ele pára tudo, pede silêncio e diz em voz alta, para todos, como num discurso de Natal da Família Bauducco:
- Ela ronca. Ela ronca enquanto dorme. E chuta. Não dá para dormir ao lado dela. Ela ronca e chuta. (apontando para mim, com a cabeça)
Calada estava. Calada fiquei.
DIAGNÓSTICO: Bocarras Abertutibus (B.A) com uma leve tendência para Comediante Engraçadão. Esta tendência ainda não está catalogada nas doenças psiquiátricas graves, mas deveria.
TRATAMENTO EFETUADO: Após longo período de silêncio sepulcral, a "turminha" começou a rir. Eu disse:
- Como você sabe? Alguém te contou? Porque se alguém contou, essa pessoa é extremamente indiscreta. Em vez de falar das minhas qualidades, citar pormenores sem a mínima importância. Publicitários não fazem isso!
Calado ele estava. Calado ficou.
Sei que depois disso, ficamos um bom tempo sem falar um com o outro. Dei uma segunda chance, que rendeu um relacionamento aberto e tranquilo por quase um ano. O bom, é que depois disso, ele se tornou até discreto demais, a ponto de eu nem notar mais a presença dele, ocasionando no fim da relação, mas não da amizade. Acontece, né?
Nota da autora: Algumas pessoas divulgaram o post anterior (um beijo pra todos!) em seus facebooks! Vieram muitas visitas de lá, então gostaria muito de agradecê-los. Vocês são todos especialíssimos!