segunda-feira, 30 de maio de 2011

O Caso do Doido Bocaberta


Em primeiro lugar, gostaria muito de agradecer a todos aqueles que continuam vindo aqui e comentando fielmente. Este carinho me deixa extremamente orgulhosa e muito feliz. Motiva, sabe? É uma pena que eu não possa mais responder a todos os comentários pois aqui na empresa não é mais permitido o acesso aos blogs, mas eu leio todos em tempo real (recebo tudo no outlook, porque sou destas, que acham sempre um jeitinho de burlar o sistema ditatorial imposto no "siviço").
Dito isto, vamos ao caso:

CASO CLINICO: Homem, 26 ou 27 anos na época, alvíssimo, incisivo superior esquerdo levemente proeminente, cabelos castanhos claros, lisinhos, porém escassos (o que não quer dizer nada – adoro!), olhos castanhos claros e lábios finos. Estudante de Filosofia e ao mesmo tempo de Publicidade (não MIM julguem, eu tenho karma cíclico com publicitários, esta é a verdade).
Conhecemos-nos num barzinho perto da faculdade. Nunca fomos apresentados, mas o fato de frequentarmos o mesmo bar fez com que começássemos a nos cumprimentar, depois a nos despedir e por acaso, após muitos "ois" e "tchaus", ficamos amigos. Ele gostava de cinema alemão (me fez assistir "Anatomia" umas 15 vezes), Rimbaud, lia Kierkegaard e usava All Star de cano alto. Ele era um tanto egocêntrico e de vez em quando soltava frases sem contexto algum, mas eu achava aquilo charmoso. Admitam, no auge do "amor romântico" a gente acha tudo charmoso. Até a frieira do caboclo acaba sendo um "charme a mais". Ah, os seres humanos e suas atitudes ridículas! O amor é ridículo. Todas as cartas de amor são ridículas. Mas enfim, voltando...

Começamos a sair. Tínhamos amigos em comum e dali para frente acabamos juntando as turmas. Demorou mais de um mês para que acontecesse a nossa "prima nocte". Foi bom. Não foi espetacular, mas também não posso dizer que foi tedioso. Lembro-me de ter acordado no meio da noite e deparar-me com ele me olhando dormir, o que achei atencioso e encantador. De qualquer forma, eu estava numa daquelas fases "moderninhas". Decidimos manter o negócio em segredo para "evitar o constrangimento", afinal, ele já tinha "tranformado o rascunho em arte-final" de muitas amiguinhas da turma dele e eu também já tinha dado minhas paqueradas no meio do meu pessoal, afinal, não sou santa nem nada.
Foi comum acordo. Combinamos segredo. Segredo é, para mim, um conceito muito objetivo. Não se conta a ninguém. Não se comenta. Toma-se cuidado com as informações repassadas. SE-GRE-DO!

Eis que na primeira semana que nos vimos em meio a turma toda (minha e dele), no meio de acalorada discussão onde todo mundo falava mal do Nizan Guanaes (era só deixar rolar, certo?), ele pára tudo, pede silêncio e diz em voz alta, para todos, como num discurso de Natal da Família Bauducco:

- Ela ronca. Ela ronca enquanto dorme. E chuta. Não dá para dormir ao lado dela. Ela ronca e chuta. (apontando para mim, com a cabeça)

Calada estava. Calada fiquei.

DIAGNÓSTICO: Bocarras Abertutibus (B.A) com uma leve tendência para Comediante Engraçadão. Esta tendência ainda não está catalogada nas doenças psiquiátricas graves, mas deveria.

TRATAMENTO EFETUADO: Após longo período de silêncio sepulcral, a "turminha" começou a rir. Eu disse:

- Como você sabe? Alguém te contou? Porque se alguém contou, essa pessoa é extremamente indiscreta. Em vez de falar das minhas qualidades, citar pormenores sem a mínima importância. Publicitários não fazem isso!

Calado ele estava. Calado ficou.

Sei que depois disso, ficamos um bom tempo sem falar um com o outro. Dei uma segunda chance, que rendeu um relacionamento aberto e tranquilo por quase um ano. O bom, é que depois disso, ele se tornou até discreto demais, a ponto de eu nem notar mais a presença dele, ocasionando no fim da relação, mas não da amizade. Acontece, né?

Nota da autora: Algumas pessoas divulgaram o post anterior (um beijo pra todos!) em seus facebooks! Vieram muitas visitas de lá, então gostaria muito de agradecê-los. Vocês são todos especialíssimos!

segunda-feira, 23 de maio de 2011

O caso do Doido Compartilhador

Eu me apaixono o tempo todo. Adoro estar apaixonada e sempre achei que para curar paixões mal resolvidas, só mesmo outra paixão ainda mais mal resolvida, para que possamos ocupar nossas mentes com novos problemas. Não, óbvio que essa não é uma forma nem saudável, nem madura, nem racional de pensar, mas poxa, ou eu sou racional, ou eu estou apaixonada. As duas coisas, já é demais para mim. Quanto a maturidade, nem vou comentar nada.


É por isso que numa destas andanças da minha vida, deparei-me com este doido. O "Doido Compartilhador".
CASO CLÍNICO: Homem, 1,90m de altura (já repararam que adoro escalar picos? Eu disse PICOS!), cabelos castanhos, olhos também castanhos, na época, estudante de jornalismo numa faculdade bacanuda, filho de pais bacanudos e metido a bacanudão.
Ele e eu nos conhecemos numa "Quermesse" bacanuda, destas que só vai gente reeckah (estávamos lá pois eu morava perto da igreja e conhecia de vista, o padre organizador)! Eu estava com a minha turminha (incluindo Lee, que se me lembro bem, estava tentando pescar um Rolex na barraca de pescaria) e ele estava perto da barraca de Quentão (a mãe dele era uma das madames bacanudas que ajudavam o tal padre bacanudo que eu conhecia de vista), quando veio falar comigo. Juro que fiquei encabulada, pois eu não o estava paquerando. Eu estava sem óculos e, como boa míope, faço aquele olhar 43 quando estou tentando focalizar algo. Eu tentava "ler" o que estava escrito na barraca em que ele estava perto, mas ele deve ter interpretado como um olhar "te quero muito, gato!", tomou coragem e veio. Faceiro e Confiante.
Admito aqui que o rapaz era bonito (de perto enxergo bem, sou um lince!), tinha bons dentes, uns olhos de um castanho açambarcante (um beijo, Milton Ribeiro, seu lindo!) e eu tive que ar atenção ao que ele dizia. Ok, agora eu não lembro o que ele dizia, mas eu dei atenção. Beijamos ali mesmo (não MIM julguem), trocamos telefones (os corretos, diga-se de passagem – afinal, quem é que nunca deu um telefone inventado na hora de se despedir do moçoilo/moçoila da noite?) e começamos a sair regularmente.
Adivinhem o que aconteceu? Apaixonei-me. Que milagre, não?
Estávamos sempre juntos, eu, as vezes ia esperá-lo em frente à Faculdade Bacanuda, comecei a conhecer os amigos dele, frequentar eventos em que ele ia com os tais amigos e tudo o mais que um casal normal geralmente faz. Não éramos namorados, nem "ficantes oficiais". Éramos "companhias" um do outro, um posto que eu ocupava com dignidade, já que nunca fui de pressionar ninguém a assumir nada, e estávamos bem daquele jeito.
As vezes, achamos que tudo vai bem na nossa vida, não é amiguinhos? Lêdo engano.
Um certo dia, vem de uma cidade pequena do interior do Paraná, um primo do rapaz. O moço era educado, tímido, e eu, como toda boa anfitriã, fui educada, polida e atenciosa – nada além disso, juro pelo Van Gogh original que eu ainda hei de adquirir! Fazia uma semana que o tal primo estava lá, saía conosco, ia ao boliche conosco, ao cinema conosco e eu não ligava, afinal era primo do Doido Compartilhador e ele (o doido) era muito ligado à família. Até que numa hora em que eu e Doido Compartilhador estávamos sozinhos, ele diz as palavras mais surreais que já ouvi na vida:
- O meu primo gostou muito de você. Ele perguntou se eu não me importava dele te dar uns beijos antes de ir embora, só para sentir seu gosto (sic). Eu não vejo problemas. Você quer?

Não. Vê. Problemas.
Incrédula estava, incrédula fiquei.
DIAGNÓSTICO: Indefinido.
TRATAMENTO EFETUADO: Perguntei se ele estava falando sério. Ele respondeu que sim. Agradeci pelos elogios (sim, ele me elogiou e disse que "não culpava o primo de ter se sentido atraído"), mas não, eu não queria. E também achava melhor não nos vermos mais. Assim mesmo, com este sangue-frio que eu até hoje não sei de onde tirei naquele momento.
Ele tentou me procurar algumas vezes, ligou, tentou apelar para a Lee (o que as vezes funciona), mas não teve jeito. Afinal, fantasias sexuais doidinhas, perversões e coisas não-ortodoxas até me atraem. Mas ser emprestada como uma mercadoria completamente "consumível e retornável" não dá, né?
E tenho dito.
Nota: Não tenho como divulgar o post, então quem puder (e quiser) por favor, divulguem em seus "Twitters".
Nota 2: Meu contato (drabridgetjones@gmail.com) continua o mesmo, sim. E o da Lee (draleeholloway@gmail.com) também. Respondemos tudo, mesmo que demore um pouquinho!
Nota 3: Hoje não tem o "Para ler ouvindo", pois eu não posso linkar nada do Youtube. Mas eu leria ouvindo Dio. Ouvi Dio o fim de semana inteiro.



sexta-feira, 13 de maio de 2011

O caso da Insustentável Leveza do Ser

Eu não sei o que dizer.



Poderia tentar explicar a ausência dizendo que os dias estavam corridos, que os doidos estavam escassos, que a vida andava uma loucura, mas definitivamente não eram esses os casos, apesar dos dias estarem sim, corridos, os doidos estarem mais lúcidos e a vida estar um loucura.


Não vou conseguir explicar com palavras, apesar das palavras serem as minhas maiores aliadas. Não vou conseguir, de verdade, então vou apenas fazer alguns apontamentos que considero necessários, sem me preocupar muito com a ordenação destas idéias, afinal estas idéias não estão em ordem na minha cabeça (ainda).

Em tempo: pessoas adultas são responsáveis pelos seus próprios sentimentos. Eu sou adulta.


Sou responsável por cada poro do meu corpo que se arrepia com determinado estímulo, ainda que este estímulo seja involuntário, o que parece contraditório a priori, mas não é. Essa sensação me faz humana. Essa sensação me faz viva.

Eu sou responsável pelos amores que tive, pelos beijos que eu roubei, pelas músicas que dediquei, pelas loucuras que cometi por amor, pelas paixões que despertei e pelas que despertaram em mim. Sou responsável por cada um destes episódios. O peso desta responsabilidade não é suave.

Todos nós carregamos este peso. Nenhum de nós sabe conviver com a "insustentável leveza do ser". Esta "leveza" é confortável no começo, mas num determinado momento, ela fica incômoda e é como se estivéssemos sentindo falta de algo. Exatamente como quando esquecemos o guarda-chuva em algum lugar e nos damos conta quando começa a garoar. Escolhas que fizemos que nos dão a sensação de leveza, mas que depois nos fazem sentir falta da responsabilidade (aquela, pesada) que teríamos se tivéssemos optado por algo menos simples.



Eu me dei conta, ontem a tarde, que conviver com este peso nos mantém conscientes. O peso da responsabilidade das direções que tomamos, em todos os campos. No livro do Kundera, está escrito que a vida é uma espécie de esboço de um quadro que nunca será considerado uma obra terminada. A vida é um rascunho definitivo, onde não se pode começar de novo e tentar mais uma vez, recomeçando do nada. É preciso sempre reaproveitar o esboço.



Este blog é minha válvula de escape. É onde eu brinco com a minha própria desgraça, é onde eu faço piada da minha inépcia amorosa, é onde eu rio com o que um dia me fez chorar. Este blog é o meu esboço. É onde eu ordeno as idéias de forma cômica, porque é como eu sei me expressar. Um amigo certa vez me disse que eu ria e chorava com a mesma intensidade. Não sei se ele tem razão, mas acho que é mais ou menos isso, sim.


É por isso que eu preciso compartilhar estas tentativas com vocês. Não sei se alguém ainda nos lê, afinal, já faz bastante tempo. Vou retomar daqui e não sei se vou agradar, mas preciso retomar. Preciso.




Nós não bloqueamos o blog, apenas tivemos que fechá-lo por um tempo para que pudéssemos colocar algumas coisas em ordem, ténicamente falando mesmo, já que havia alguns textos aqui que considerávamos "desnecessários". Estes textos foram extirpados sem dó.

Espero de todo o coração que a Lee também decida voltar a postar, mas acreditem, os dias dela andam muito corridos, os doidos andam mais lúcidos e a vida anda uma loucura...



Nota da Autora: Sim, Milan Kundera mudou a minha vida. Mas não pensem que estou pseudoculteando e tal e coisa. Estou crescendo (eu acho).



Para ler ouvindo Beethoven (AQUI). E para ninguém dizer que eu ando melancólica, eu aconselho ver o filme "A Insustentável Leveza do Ser" (Trechinho AQUI), que como todo bom filme da Juliette Binoche está repleto de cenas boas de relações-prazerosas-sem-fins-reprodutivos.