domingo, 23 de janeiro de 2011

O caso do doido sabidão

Caso clínico:
Homem, 28 anos, psicólogo e chato. Falei dele há um mês. É o meu doido stalker da vez (aqui). Pra quem achou que ele descobriria o blog depois de ter encontrado meu Orkut e meu Facebook, digo que não tive mais notícias dele. Mas o pouco contato anterior me rendeu mais este post.
Além de psicólogo, ele também era metido a escritor e me indicava sempre alguma leitura interessante do tipo O que é a metafísica?, do Heidegger. Acho que se ele soubesse que eu adoro Nick Hornby ficaria até com nojinho de mim. Porque ele era destes pedantes que só leem coisas “profundas”.
Ele começava as conversas dizendo, por exemplo, que tinha acabado de ver um documentário de 3h30 sobre bancos. É, sobre bancos. E me passava links do documentário no You Tube pra eu assistir também. Eu nunca assistia, mas sempre tecia comentários. Devo agradecê-lo por isso, pois foi com ele que aprimorei minha habilidade de falar sobre coisas que não li ou vi. Agradeço também ao Google pela mãozinha (ui).
A nerdice dele também o fazia me recomendar sites científicos. Sinceramente, não sei se ele fazia tudo isso pra me impressionar, mas ele conseguiu com que eu o rotulasse de pedante rapidamente. Desprezo gente que quer mostrar conhecimento, erudição e superioridade intelectual.
Bem, mas tinha um detalhe bem importante nas nossas conversas: ele não gostava de digitar. Então enquanto ele falava no microfone, eu teclava. Não recomendo isso pra ninguém, viu? Cansa horrores. Enquanto a pessoa está emendando um assunto no outro, você ainda está comentando o tópico anterior!
Mas é inútil eu ficar escrevendo aqui como era o papo com ele, pois nenhuma descrição daria conta de mostrar quão chato e sabidão ele era. Então vou ilustrar com um fato verídico pra vocês terem uma ideia.
A grande obsessão dele era falar de religião. Ele me perguntou umas quinze vezes qual era a minha crença, se eu acreditava que Jesus havia existido, se achava que Deus era a natureza, se eu já tinha lido o livro sagrado e tals. Gente, parei minha leitura da Bíblia quando cheguei em Êxodos! Isso porque pulei várias partes repetitivas do Gênesis. Respeito muito quem leu tudo e sabe toda a história, viu? Mas, sinceramente, eu não consegui ir adiante.
Só que ele não era devoto, fanático ou praticante de qualquer coisa. Ele tinha ESTUDADO a Bíblia. E o estudo dele não se baseava somente na Bíblia em português. Mas também na versão alemã e na inglesa! Tá? Chupem essa manga, lidem com isso.
Bom, daí um dia, do nada, logo depois que eu disse que tinha ido ao médico, ele me perguntou:
- Você já ouviu falar do óleo de unção?

Errr
... Oi? Eu não tinha ouvido falar nisso e também não estava muito interessada. Se vocês sabem realmente do que ele estava falando, peço desculpas pela minha ignorância. Mas eu só queria conversar sobre amenidades, checar se ele era um cara pegável, falar umas bobagenzinhas e ver se era possível um encontro real!
Aguentei firme. E ele falou desse óleo, que aparece em não sei que parte da Bíblia e cura todas as enfermidades do mundo. E que esse óleo é feito a partir da maconha e que os homens que escreveram a Bíblia tentaram mascarar isso, mas que a raiz da palavra, igual nas três versões da Bíblia que ele estudou, denuncia que o treco é feito da maconha e que... ZZZZzzzzzzzzzZZZZZZZZzzzzz...
Sério, ele falou uns 40 minutos sobre esse incrível óleo, que ao meu ver só se compara ao Emplasto Brás Cubas, da obra de Machado de Assis. E enquanto ele falava no microfone, eu fazia minha unha, assistia à novela das 8 e, vez ou outra, digitava algo como “poxa, não sabia disso”, “que incrível”, “quem diria que a maconha era a solução de tudo”, “que estudo interessante você fez”, e por aí vai.
Até que meu saco estourou e eu resolvi fingir que o MSN estava com problemas. Derrubei a chamada de voz. Ele tentou reconectar. E eu derrubei de novo, de novo, de novo. Mas acabei ficando com dó do desespero dele pra estabelecer a chamada e concluir a tese sobre o óleo de maconha, porque na minha janela aparecia o seguinte:
9/09/9999 21:45:06 Chamando DOIDO SABIDÃO... Encerrar Chamada (Alt+Q)
9/09/9999 21:45:10 Você cancelou a chamada.
9/09/9999 21:45:15 Chamando DOIDO SABIDÃO... Encerrar Chamada (Alt+Q)
9/09/9999 21:45:20 Você cancelou a chamada.
É, fiquei com dó e resolvi deixá-lo concluir. Ele falava empolgadíssimo sobre o óleo emaconhado e eu fazia minhas sobrancelhas. Ficaram perfeitas. Mas quando eu esquecia de dar um feedback sobre o que ele estava falando, ele me perguntava:
- Você está prestando atenção?

Diagnóstico:

Ai, gente, claro que eu não estava prestando atenção! Depois de quase uma hora falando do óleo de unção, fiquei com preguiça dele. Não consigo ser tão profunda e intelectual assim nos primeiros contatos com os doidos. Antes de qualquer coisa, quero ter certeza de que existe uma atração física mesmo. Não adianta nada o cara ser um grande conhecedor de assuntos científicos se ele não tem a pegada que eu gosto, beijos.
Por diversas vezes, achei que ele estava sob o efeito da tão falada Cannabis, viu? Mas por todo o histórico clínico, cheguei à conclusão de que ele sofria de Ideia Fixa (ID), Chatice Científica (CC) e de Pedantismo Adquirido em decorrência de Nerdice Descontrolada (PAND).
Tratamento aplicado:

Depois de eu me fazer de louca, como contei no post anterior, fingi que meu computador estava com sérios problemas e estava rejeitando o MSN. Traduzindo, apliquei o tratamento: bloquear e sumir. Está surtindo efeito até agora.
*************
Para ler ouvindo: Legalize it, com o Bob Marley. Brincadeira. Fiquem com Travis, The fear (aqui), que eu tenho ouvido no repeat. ;-)

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Um caso destes, que acontecem todo dia.


Você já teve que renunciar um sentimento por causa das circustâncias? Esquecer alguém, romper um contato ou coisa do tipo?

Eu já.

É difícil, é complicado, é doloroso, mas nunca ninguém morreu disso. Depois passa, a gente segue a vida, conhece outras pessoas e continua. Aquele amor (ou o que tenha sido) que foi renunciado, sublimado, colocado para baixo do tapete, vira uma simples lembrança (às vezes não tão simples) que acompanha a nossa vida, mas não acompanha os acontecimentos frenéticos dela. Torna-se apenas uma nostálgica gravura, pendurada na parede das recordações.

Tentamos substituir aquela gravura antiga por algo mais recente, mais moderno, mais alegre, porém, só trocamos a gravura de lugar, para que ela não fique numa posição tão visível para nós. Tentamos, mas ela permanece ali. Na parede das recordações.

Um certo dia, encontramos o quadro perfeito para figurar o centro da nossa sala. Aquele gigante, para ser pendurado em cima da lareira (isso pode ter parecido brega, mas eu não sou decoradora de interiores, certo? Certo.). E aí, todas as outras gravuras são realocadas (algumas até descartadas), de forma que a pintura principal fique ali, disposta de forma harmoniosa, em conjunto com todo o resto. Quase não sobrou espaço, mas aquela nostálgica gravura permanece ali.

Eu tenho esta gravura.

Não tenho o quadro principal, não sei ainda a disposição de todas as obras na minha parede de recordações, não faço idéia de como eu vou alocá-las todas. Mas ela vai sempre permanecer ali. É minha única certeza.

Nota da Autora: Não é um texto convencional aqui do blog. Mas eu precisava postá-lo. Não é longo, não é profundo, nem tem nenhuma pretensão. Mas eu precisava. E compartilhar isso com vocês todos é um presente.
Para ler ouvindo: Wish you were here do Pink Floyd. Tem um motivo muito especial para ser esta música (e os espertinhos que vierem dizer que é uma musica "política", já fiquem sabendo que eu sei disso).
Aproveitando aqui tb para tratar de um assunto sério. O Dr. Alexandre Koga, fala lá no blog dele sobre um assunto importantíssimo e queríamos dar o nosso apoio: Inclusão de Deficientes no CIOSP (Congresso Internacional De Odontologia de São Paulo). Confiram aqui e manifestem tb seu apoio.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

O caso do Doido Covarde


Nem vou perguntar como vocês passaram de final de ano, porque já deu (ui), né? Meu feriadão foi destes, regado a sol, praia, Banana Boat e uma bebida estranha mas deliciosa chamada "Meladinha". Recomendo. Sõ não me sentia muito a vontade para pedir ao moço do quiosque para me dar uma "meladinha" no capricho, então eu pedia para a irmã dele, a Lurdinha! Beijo, Lu!

Este caso clínico é longo e exige método para ler, viu? Já aviso.

CASO CLINICO: Homem, alto, grande, másculo, gigante (deu para sacar que ele era Extra Large, né?), cabelos castanhos claros, olhos castanhos, pele alva mais que a neve (com sardas nos ombros) e dentes no lugar. Não eram perfeitos, mas quem o é? Lembro das mãos do rapaz. Pareciam raquetes de Squash. Ai, ai...

Mas, voltando, ele e eu nos conhecemos no aniversário do meu primo. Ele era irmão de uma amiga. Estudava engenharia, gostava de música e naquele dia, estava com uma camiseta dos Strokes. Sabe-se que eu sou um tanto quanto fanática por Strokes, então puxei conversa e a coisa foi instantânea. Falamos sobre música, falamos sobre filmes, falamos sobre bebidas, falamos sobre carros e, até que enfim, ele falou sobre um segundo encontro.

Topei, lógico.

Dia seguinte, e no outro e no outro e no outro. Estávamos namorando. Éramos jovens, felizes, queríamos mudar o mundo, queríamos 5 filhos adotados, queríamos dois labradores, uma casa no campo do tamanho ideal, queríamos que a autoestima do outro fosse baixa e que ele ficasse careca e perdesse os dentes da frente para nenhuma mulher olhar para ele, essas coisas que a gente quer quando está apaixonado. Até que ele decide me apresentar para a mãe dele.

Apresentar para a mãe.

Estas palavras pareceram muito singelas no momento. Senti-me importante. Por mais que a gente fuja de compromissos sérios, tem sempre aquele que parece legal e perfeito e que você simplesmente aceita sem medo. Entra sem alarde e é tudo bem tranquilo. Minha relação com esse doido era assim. Uma das poucas vezes que eu acreditei ter encontrado a pessoa certa. Como sempre, eu estava errada.

Dia marcado, hora marcada, estávamos lá, na casa do Doido, para pegar sua mãe (dele) e leva-la para jantar. Tudo aconteceu nesta ordem:

1) Ela e eu, após apresentações informais (era como ele tinha dito que seria), tivemos um rápido e implícito "desentendimento" sobre quem sentaria no banco da frente. Não houve palavras, mas as duas tentaram abrir a porta da frente. Ela, solícita (e de bom senso), cedeu-me o regalo. Agora imaginem: eu sentadona no banco de trás enquanto meu namorado "Édipo" dirige ao lado de sua mãe "Jocasta".

2) Meu namorado Doido, com toda sua genialidade, sugeriu que fôssemos comer num restaurante específico. O problema é que como este meu Doido morava com a mãe, nós "frequentávamos" uma Bat Caverna muito próxima ao tal restaurante e naquela semana já tínhamos ido lá (tanto na Bat Caverna quanto no tal restaurante) umas... sete vezes (era domingo). Lógico que a frequência das minhas visitas ao tal estabelecimento não é relevante, mas acontece que eu na hora disse: "Ah, não! Vamos no Sbrubbles Gourmet!" E fomos. Mas eu não sabia que aquele era o restaurante preferido da véia, digo...da mãe do moço.

3) Na hora de ir embora "Eu vou sentar na frente II – A saga continua". Ela quase me empurrou quando o manobrista abriu a porta. Sorri. Apenas sorri.

Não foi um jantar tenso, apesar de tudo. Tudo correu bem, inclusive.

Dias depois ele terminou comigo.

Cada um para o seu lado, ele alegou estar cansado, provas, sou-muito-jovem-para-me-envolver-assim e blábláblá. Não costumo questionar a decisão alheia, aceitei e fui seguir minha vida. Óbvio que fiquei bem mal. A Lee lembra que eu chorava quando ouvia Strokes. Bem patético. Mas ele nunca soube e é isso que importa, não é mesmo, minha gente? Sofrer com dignidade é para poucos, fica a dica.

Só que ele continuava me procurando e a gente meio que saía escondido (/Kelly Key). Eu não saquei de início, mas achava estranho ele não me levar mais no tal restaurante, a gente só sair altas horas da noite, não nos vermos nos sábados. Ele alegava que não queria namorar e eu, apaixonada, aceitava. Uma hora ele ia se dar conta que "a vida não era só baderna" e tal.

Certa feita, a irmã dele (lembram-se que ele era irmão de uma amiga?), me falou, ingenuamente:

- Pena você e o Fulano não poderem ficar juntos, mas minha mãe é f#%&a! Ela te odeia! E o pior é que ele gosta pra caramba de você!

DIAGNÓSTICO: Cagão. CAGÃO! Covarde, cagão!

TRATAMENTO EFETUADO: Gente, eu nunca chorei tanto de ódio em toda a minha vida. Depois, peguei nojo dele. Juro, era asco mesmo! Saí pela última vez para dizer o quanto eu o achava ridículo, e nunca mais nos falamos. Nunca peguei tanto nojo de alguém de forma tão instantânea.

Podem me dizer que eu fui exagerada, que ele merecia uma chance, opiniões são opiniões. Eu também já fui covarde, mas quando gostei de alguém de verdade, eu fugia no meio da noite para ver um certo doido (Doido Pioneiro) tocar num bar todas as madrugadas de quarta. Sou destas. Ou era.

De qualquer forma, ensinou-me algo. Ser dissimulada ao conhecer futuras sogras.

Para ler ouvindo "Whatever Happened" do Strokes.

Feliz 2011 para todo mundo.

PS: Quem puder nos divulgar no Twitter, agradecemos. Mas só divulgue se gostar, combinado?