Caso clínico:
Homem, 28 anos, psicólogo e chato. Falei dele há um mês. É o meu doido stalker da vez (aqui). Pra quem achou que ele descobriria o blog depois de ter encontrado meu Orkut e meu Facebook, digo que não tive mais notícias dele. Mas o pouco contato anterior me rendeu mais este post.
Além de psicólogo, ele também era metido a escritor e me indicava sempre alguma leitura interessante do tipo O que é a metafísica?, do Heidegger. Acho que se ele soubesse que eu adoro Nick Hornby ficaria até com nojinho de mim. Porque ele era destes pedantes que só leem coisas “profundas”.
Ele começava as conversas dizendo, por exemplo, que tinha acabado de ver um documentário de 3h30 sobre bancos. É, sobre bancos. E me passava links do documentário no You Tube pra eu assistir também. Eu nunca assistia, mas sempre tecia comentários. Devo agradecê-lo por isso, pois foi com ele que aprimorei minha habilidade de falar sobre coisas que não li ou vi. Agradeço também ao Google pela mãozinha (ui).
A nerdice dele também o fazia me recomendar sites científicos. Sinceramente, não sei se ele fazia tudo isso pra me impressionar, mas ele conseguiu com que eu o rotulasse de pedante rapidamente. Desprezo gente que quer mostrar conhecimento, erudição e superioridade intelectual.
Bem, mas tinha um detalhe bem importante nas nossas conversas: ele não gostava de digitar. Então enquanto ele falava no microfone, eu teclava. Não recomendo isso pra ninguém, viu? Cansa horrores. Enquanto a pessoa está emendando um assunto no outro, você ainda está comentando o tópico anterior!
Mas é inútil eu ficar escrevendo aqui como era o papo com ele, pois nenhuma descrição daria conta de mostrar quão chato e sabidão ele era. Então vou ilustrar com um fato verídico pra vocês terem uma ideia.
A grande obsessão dele era falar de religião. Ele me perguntou umas quinze vezes qual era a minha crença, se eu acreditava que Jesus havia existido, se achava que Deus era a natureza, se eu já tinha lido o livro sagrado e tals. Gente, parei minha leitura da Bíblia quando cheguei em Êxodos! Isso porque pulei várias partes repetitivas do Gênesis. Respeito muito quem leu tudo e sabe toda a história, viu? Mas, sinceramente, eu não consegui ir adiante.
Só que ele não era devoto, fanático ou praticante de qualquer coisa. Ele tinha ESTUDADO a Bíblia. E o estudo dele não se baseava somente na Bíblia em português. Mas também na versão alemã e na inglesa! Tá? Chupem essa manga, lidem com isso.
Bom, daí um dia, do nada, logo depois que eu disse que tinha ido ao médico, ele me perguntou:
- Você já ouviu falar do óleo de unção?
Errr... Oi? Eu não tinha ouvido falar nisso e também não estava muito interessada. Se vocês sabem realmente do que ele estava falando, peço desculpas pela minha ignorância. Mas eu só queria conversar sobre amenidades, checar se ele era um cara pegável, falar umas bobagenzinhas e ver se era possível um encontro real!
Aguentei firme. E ele falou desse óleo, que aparece em não sei que parte da Bíblia e cura todas as enfermidades do mundo. E que esse óleo é feito a partir da maconha e que os homens que escreveram a Bíblia tentaram mascarar isso, mas que a raiz da palavra, igual nas três versões da Bíblia que ele estudou, denuncia que o treco é feito da maconha e que... ZZZZzzzzzzzzzZZZZZZZZzzzzz...
Sério, ele falou uns 40 minutos sobre esse incrível óleo, que ao meu ver só se compara ao Emplasto Brás Cubas, da obra de Machado de Assis. E enquanto ele falava no microfone, eu fazia minha unha, assistia à novela das 8 e, vez ou outra, digitava algo como “poxa, não sabia disso”, “que incrível”, “quem diria que a maconha era a solução de tudo”, “que estudo interessante você fez”, e por aí vai.
Até que meu saco estourou e eu resolvi fingir que o MSN estava com problemas. Derrubei a chamada de voz. Ele tentou reconectar. E eu derrubei de novo, de novo, de novo. Mas acabei ficando com dó do desespero dele pra estabelecer a chamada e concluir a tese sobre o óleo de maconha, porque na minha janela aparecia o seguinte:
9/09/9999 21:45:06 Chamando DOIDO SABIDÃO... Encerrar Chamada (Alt+Q)
9/09/9999 21:45:10 Você cancelou a chamada.
9/09/9999 21:45:15 Chamando DOIDO SABIDÃO... Encerrar Chamada (Alt+Q)
9/09/9999 21:45:20 Você cancelou a chamada.
É, fiquei com dó e resolvi deixá-lo concluir. Ele falava empolgadíssimo sobre o óleo emaconhado e eu fazia minhas sobrancelhas. Ficaram perfeitas. Mas quando eu esquecia de dar um feedback sobre o que ele estava falando, ele me perguntava:
- Você está prestando atenção?
Diagnóstico:
Ai, gente, claro que eu não estava prestando atenção! Depois de quase uma hora falando do óleo de unção, fiquei com preguiça dele. Não consigo ser tão profunda e intelectual assim nos primeiros contatos com os doidos. Antes de qualquer coisa, quero ter certeza de que existe uma atração física mesmo. Não adianta nada o cara ser um grande conhecedor de assuntos científicos se ele não tem a pegada que eu gosto, beijos.
Por diversas vezes, achei que ele estava sob o efeito da tão falada Cannabis, viu? Mas por todo o histórico clínico, cheguei à conclusão de que ele sofria de Ideia Fixa (ID), Chatice Científica (CC) e de Pedantismo Adquirido em decorrência de Nerdice Descontrolada (PAND).
Tratamento aplicado:
Depois de eu me fazer de louca, como contei no post anterior, fingi que meu computador estava com sérios problemas e estava rejeitando o MSN. Traduzindo, apliquei o tratamento: bloquear e sumir. Está surtindo efeito até agora.
*************
Para ler ouvindo: Legalize it, com o Bob Marley. Brincadeira. Fiquem com Travis, The fear (aqui), que eu tenho ouvido no repeat. ;-)
Homem, 28 anos, psicólogo e chato. Falei dele há um mês. É o meu doido stalker da vez (aqui). Pra quem achou que ele descobriria o blog depois de ter encontrado meu Orkut e meu Facebook, digo que não tive mais notícias dele. Mas o pouco contato anterior me rendeu mais este post.
Além de psicólogo, ele também era metido a escritor e me indicava sempre alguma leitura interessante do tipo O que é a metafísica?, do Heidegger. Acho que se ele soubesse que eu adoro Nick Hornby ficaria até com nojinho de mim. Porque ele era destes pedantes que só leem coisas “profundas”.
Ele começava as conversas dizendo, por exemplo, que tinha acabado de ver um documentário de 3h30 sobre bancos. É, sobre bancos. E me passava links do documentário no You Tube pra eu assistir também. Eu nunca assistia, mas sempre tecia comentários. Devo agradecê-lo por isso, pois foi com ele que aprimorei minha habilidade de falar sobre coisas que não li ou vi. Agradeço também ao Google pela mãozinha (ui).
A nerdice dele também o fazia me recomendar sites científicos. Sinceramente, não sei se ele fazia tudo isso pra me impressionar, mas ele conseguiu com que eu o rotulasse de pedante rapidamente. Desprezo gente que quer mostrar conhecimento, erudição e superioridade intelectual.
Bem, mas tinha um detalhe bem importante nas nossas conversas: ele não gostava de digitar. Então enquanto ele falava no microfone, eu teclava. Não recomendo isso pra ninguém, viu? Cansa horrores. Enquanto a pessoa está emendando um assunto no outro, você ainda está comentando o tópico anterior!
Mas é inútil eu ficar escrevendo aqui como era o papo com ele, pois nenhuma descrição daria conta de mostrar quão chato e sabidão ele era. Então vou ilustrar com um fato verídico pra vocês terem uma ideia.
A grande obsessão dele era falar de religião. Ele me perguntou umas quinze vezes qual era a minha crença, se eu acreditava que Jesus havia existido, se achava que Deus era a natureza, se eu já tinha lido o livro sagrado e tals. Gente, parei minha leitura da Bíblia quando cheguei em Êxodos! Isso porque pulei várias partes repetitivas do Gênesis. Respeito muito quem leu tudo e sabe toda a história, viu? Mas, sinceramente, eu não consegui ir adiante.
Só que ele não era devoto, fanático ou praticante de qualquer coisa. Ele tinha ESTUDADO a Bíblia. E o estudo dele não se baseava somente na Bíblia em português. Mas também na versão alemã e na inglesa! Tá? Chupem essa manga, lidem com isso.
Bom, daí um dia, do nada, logo depois que eu disse que tinha ido ao médico, ele me perguntou:
- Você já ouviu falar do óleo de unção?
Errr... Oi? Eu não tinha ouvido falar nisso e também não estava muito interessada. Se vocês sabem realmente do que ele estava falando, peço desculpas pela minha ignorância. Mas eu só queria conversar sobre amenidades, checar se ele era um cara pegável, falar umas bobagenzinhas e ver se era possível um encontro real!
Aguentei firme. E ele falou desse óleo, que aparece em não sei que parte da Bíblia e cura todas as enfermidades do mundo. E que esse óleo é feito a partir da maconha e que os homens que escreveram a Bíblia tentaram mascarar isso, mas que a raiz da palavra, igual nas três versões da Bíblia que ele estudou, denuncia que o treco é feito da maconha e que... ZZZZzzzzzzzzzZZZZZZZZzzzzz...
Sério, ele falou uns 40 minutos sobre esse incrível óleo, que ao meu ver só se compara ao Emplasto Brás Cubas, da obra de Machado de Assis. E enquanto ele falava no microfone, eu fazia minha unha, assistia à novela das 8 e, vez ou outra, digitava algo como “poxa, não sabia disso”, “que incrível”, “quem diria que a maconha era a solução de tudo”, “que estudo interessante você fez”, e por aí vai.
Até que meu saco estourou e eu resolvi fingir que o MSN estava com problemas. Derrubei a chamada de voz. Ele tentou reconectar. E eu derrubei de novo, de novo, de novo. Mas acabei ficando com dó do desespero dele pra estabelecer a chamada e concluir a tese sobre o óleo de maconha, porque na minha janela aparecia o seguinte:
9/09/9999 21:45:06 Chamando DOIDO SABIDÃO... Encerrar Chamada (Alt+Q)
9/09/9999 21:45:10 Você cancelou a chamada.
9/09/9999 21:45:15 Chamando DOIDO SABIDÃO... Encerrar Chamada (Alt+Q)
9/09/9999 21:45:20 Você cancelou a chamada.
É, fiquei com dó e resolvi deixá-lo concluir. Ele falava empolgadíssimo sobre o óleo emaconhado e eu fazia minhas sobrancelhas. Ficaram perfeitas. Mas quando eu esquecia de dar um feedback sobre o que ele estava falando, ele me perguntava:
- Você está prestando atenção?
Diagnóstico:
Ai, gente, claro que eu não estava prestando atenção! Depois de quase uma hora falando do óleo de unção, fiquei com preguiça dele. Não consigo ser tão profunda e intelectual assim nos primeiros contatos com os doidos. Antes de qualquer coisa, quero ter certeza de que existe uma atração física mesmo. Não adianta nada o cara ser um grande conhecedor de assuntos científicos se ele não tem a pegada que eu gosto, beijos.
Por diversas vezes, achei que ele estava sob o efeito da tão falada Cannabis, viu? Mas por todo o histórico clínico, cheguei à conclusão de que ele sofria de Ideia Fixa (ID), Chatice Científica (CC) e de Pedantismo Adquirido em decorrência de Nerdice Descontrolada (PAND).
Tratamento aplicado:
Depois de eu me fazer de louca, como contei no post anterior, fingi que meu computador estava com sérios problemas e estava rejeitando o MSN. Traduzindo, apliquei o tratamento: bloquear e sumir. Está surtindo efeito até agora.
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Para ler ouvindo: Legalize it, com o Bob Marley. Brincadeira. Fiquem com Travis, The fear (aqui), que eu tenho ouvido no repeat. ;-)