terça-feira, 29 de novembro de 2011

O caso da doida Inapropriada

Alguém aqui já foi preterido na vida de outra pessoa? Não vale ser preterido por motivos graves, do tipo, ser stalker, ligar na casa do cara/moça as 3 da manhã dizendo que ama ou cozinhando o coelho dela em banho maria – me refiro a ser preterido sem ter feito nada, simplesmente por ser "inapropriada". Bem, pessoas são inapropriadas e eu descobri que sou. Não me perguntem a razão, eu simplesmente sou.



Tendo eu, sido preterida por ser inapropriada (não sei se esse seria o termo exato, mas de qualquer forma, foi o mais cabível até o momento), resolvi falar com a pessoa mais inapropriada que eu conheci na vida, um ex-namorado que eu preteri da minha vida por razões mais do que justas (que hoje nem acho assim tão graves). Além do pacote básico "Traição/Filhadaputagem/Canalhice", ele ainda me disse que não tinha vocação para ser bom pai, sequer bom marido. Eu, nos meus 21 anos, achei aquilo perturbador e decidi tocar a vida. Continuamos amigos, ele é um músico explêndido, bom colega, companheiro de bourbon, mas continua o mesmo. Inapropriado. Eu o classifiquei assim e olhe como são as coisas: hoje em dia, a inapropriada, sou eu.



Marcamos um encontro, depois de quase um ano sem nos vermos, no mesmo bar onde eu fui vê-lo no dia em que ele me disse todas as verdades que eu precisava ouvir (e a gente sempre precisa ouvi-las, para poder tocar a vida) para considerá-lo inapropriado e, após pedir um mojito de Sagatiba, comecei o diálogo com a esclarecedora e estimável frase:



- Eu não sirvo para ninguém. Só sei bagunçar a vida dos outros, é só o que eu sei fazer.



E é tão somente o que eu sei fazer, acho.



Eu não sei exatamente o que eu faço ou tenho de errado, mas eu nunca consegui ter essa força, esse ânimo, essa altividade de me fazer presente de forma concreta na vida de alguém. Eu sempre preferi que as pessoas se concretizasem na minha vida, sem cobranças, sem obrigações, sem pedidos incoerentes, sem amarras. Só que hoje em dia, eu acho que falhei. Perdi todas as batalhas e ainda fui considerada inapropriada. Inadequada, por ser livre demais e dar aos outros a liberdade de escolher estar comigo apenas por opção.



A sociedade nos impõe valores. Estes valores são absorvidos por nós. E a insutentável leveza do ser se torna pesada. Torna-se impossível carregar um fardo tão leve. Eu me tornei uma insustentável leveza.



Eu não desisti de ser leve, eu ainda sou. Não há forma de mudar esta minha característica.



Eu apenas desisti de tentar ser apropriada, porque eu nunca serei. Talvez eu nunca consiga ser boa esposa, nem boa mãe e me dói no fundo da alma dizer isso. Mas eu sei que eu consigo ser leve. Minha leveza, pode não agradar a todos, pode não ser suficiente para alguns e pode ser inapropriada para a maioria, mas eu escolhi ser leve e é assim que serei.



Leve e apaixonada por Monty Python. Sempre.

24 psicanalistas diagnosticaram:

Fabiana disse...

Eu sempre "pequei" pelo problema oposto. Venho tentando dar uma suavizada nas tintas desde que eu comecei a fazer terapia.

Os dois são problemáticos, difícil é chegar num meio termo bacana.

Beijo da @fabiruiva

Cecilia disse...

Nossa, me vi no seu texto.
Também me considero leve...mas um dia alguém encontrará em você não uma leveza insustentável, mas a leveza suficiente e necessária. Neste momento você cessará suas dúvidas e não se sentirá inapropriada, porém exata e precisa.

Keep your faith (if you you want it, of course)!

Camila disse...

Brid, Brid, sempre mindentifico contigo.

Eu também percebi que sou inadequada, mas ainda tento lutar contra essa descoberta. Quando era mais nova, tentava me adequar aos outros e nunca conseguia.

Mas é preciso que alguém te mostre isso. Precisa ouvir e perceber que você simplesmente não se encaixa no padrão e é por isso que talvez nunca possa fazer o que as ordinary people fazem. Cada dia eu me convenço mais de que talvez eu nunca tenha uma vida comum, que segue um padrão.

Ontem mesmo eu estava ouvindo Alanis e coloquei Pressure Over Cappuccino no repeat. Ela diz:

"You may never be or have a husband
You may never have or hold a child
You will learn to lose everything
We are temporary arrangements".

É isso que eu ainda preciso aprender.

Bjo, Dotôra. :)

BanMartins disse...

Um dos melhores textos, praticamente impossível não se identificar. Machadão brilharia os olhos com texto tão bem escrito.

Érica disse...

Muito me identifiquei.
Já ouvi que eu preciso mudar, mas não sei...
Não que eu seja incapaz de fazer mudanças ou de tentar me ajustar. Eu poderia fazer alguns ajustes, mas não concordo em mudar aquilo que eu sou em essência. Porque é isso que me faz ser quem eu sou. E de um jeito torto, mesmo levando na cara sempre, eu tenho orgulho de ser quem eu sou. =)

Um beijo de alguém totalmente inapropriada (pra tudo na vida)

Pri Dias disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Pri Dias disse...

E seja leve, desde que assim sendo se sinta bem consigo mesma.
E seja leve, desde que assim sendo você seja feliz !
Isso no final das contas é o que importa =)

Gaudio disse...

Oi Brid,

Gostaria de ter propriedade de poder te ajudar com alguns conselhos, mas infelizmente eu não tenho 1% da sua experiência de vida (não estou te chamando de velha, hein?), então fica um pouco difícil ajudar em algo. :( Well, here goes nothing.

O que eu achei esquisito é que você se pautou, no texto, com os olhos da sociedade se chamando de inadequada, quando na verdade queria dizer independente. Fiquei triste com isso, porque você aos poucos está abandonando a maior qualidade que você tem em troca de uma aceitação.

Qualidade, acredito eu, que te levou a conhecer mais pessoas, ter mais experiências que uma pessoa “adequada” e te deu uma personalidade incrível.

Porém o que mais me intrigou foi que você elencou o doido “pacote básico” como mais inadequado (aqui com uma conotação mais triste, porque aliou independência com rejeição), por ele ser, na época, mais solto de amarras que você e agora depois de todo esse tempo você se considerou a mais “inadequada”. Não se considere inadequada.

Acho que aqui você olhou para o passado e só lembrou as coisas ruins que você achou que te tornaram uma “inadequada”. Da próxima vez que você fizer isso, tente se lembrar das coisas boas também. Lembre-se das coisas boas que te tornaram uma pessoa melhor.

De qualquer forma Brid, não seja tão perfeccionista consigo, tampouco com os seus doidos. Todos temos os nossos defeitos, mas saber lidar com eles é que nos permite caminhar na vida.

De resto, espero que um McAvoy apareça na sua vida!

Se cuide!

Gaudio disse...

PS: "preterido por motivos graves, do tipo, ser stalker, ligar na casa do cara/moça as 3 da manhã dizendo que ama"

"mojito de sagatcheeeeba"

Até nos posts mais tristes você arranca um sorriso da gente. ;)

Lee Holloway disse...

Então sejamos leves, Brid! Pagamos um preço (alto, eu sei) por tanta leveza e tanta inadequação, mas essa vida "apropriada" que a maioria leva é tão sem graça perto da gente! É ou não é? :D

E, sim, eu me refiro na primeira pessoal do plural pq vc sabe que eu tb sou altamente inapropriada. Devo ter nascido com uma marca de *DANGER* na testa.

Seu texto foi tão sincero que uma lagriminha brotou aqui quando li:

"Eu não sei exatamente o que eu faço ou tenho de errado, mas eu nunca consegui ter essa força, esse ânimo, essa altividade de me fazer presente de forma concreta na vida de alguém. Eu sempre preferi que as pessoas se concretizasem na minha vida, sem cobranças, sem obrigações, sem pedidos incoerentes, sem amarras."

Também não sei forçar barra. Gosto que as coisas sejam naturais. Mas parece que os outros sempre preferem esse tipo de mulher que se impõe, que domina o dia, a noite e cada minuto da vida deles. E, sinceramente, tenho nojinho de homem que se deixa dominar assim.

Talvez eles sejam totalmente inapropriados pra gente tb. Quer saber? Fuck them all. >.<

Muá, saudades infinitas, te amo!

Poly disse...

Sabe Brid, li o seu texto depois de constatar, passando por mais uma situação, que eu sou inapropriada. Já tentei me adequar e nunca consigo. Fazer o que né? Aceitar que sou assim deve ser o melhor a fazer.
bjos

Gusta Fernandes disse...

Brid, acho que seu post de hoje está sendo, na minha opinião, o mais tenso para ser comentado.

Não te considero inapropriada, sou capaz de ir além e dizer que, você está longe de ser denominada assim.

Inapropriados são aqueles que querem forçar um relacionamento a qualquer custo (stalker). Se fazer presente na vida de alguém pra ser notado não é é uma coisa verdadeira, espontaneidade é o que há.
Um relacionamento que realmente vale a pena, é aquele sem forçação.

Desde que leio seu blog (olha que faz tempooooooooooooo) acho sua forma de ver a vida e de ver seus relacionamentos, tão leve (menos no O caso do Fim - Doido Whatever, onde você me chorar, e isso não tem perdão) que é invejável!

Olha, inadequado é quem fez você pensar que você é assim! Sagatiba aflora pensamentos assim, e doidos inapropriados também... isso não te pertence.


CAMPANHA: Viva a vida sem amarras! EU ADOTEI!!!

Continue do jeito que você é. Leve, independente e feliz!!!

grande beijo!

Noh Gomes disse...

Eu sou apropriada pra vida que euzinha escolhi para mim, nada a mais e nem a menos, foi a minha escolha, a leveza do ser, do meu.

Noh

Beijos Belezokaaaaa

Renato disse...

Aha!!! Voce e um numero primo, so se divide por um ou por voce mesma!!!

Mas nao se preocupe...

" among prime numbers, there are some that are even more special. Mathematicians call them twin primes: pairs of prime numbers that are close to each other, almost neighbors, but between them there is always an even number that prevents them from truly touching. (...) If you have the patience to go on counting, you discover that these pairs gradually become rarer. You encounter increasingly isolated primes, lost in that silent, measured space made only of ciphers, and you develop a distressing presentiment that the pairs encountered up until that point were accidental, that solitude is the true destiny. Then, just when you're about to surrender, when you no longer have the desire to go on counting, you come across another pair of twins, clutching each other tightly." (The solitude of prime numbers - livro excelente)

Beijao,
Renato

Lekkerding. disse...

You should never bother to pay attention to society. It doesn't know what it is doing half of the time - and it kinda passes the other half telling people what to do, just to sort out if there's a proper way to live this life.

Society is a crack whore with mommy issues. Don't waste your time on it.

Mônica Lopes disse...

Adoro o modo divertido e descontraido que você escreve.
Faz um simples texto ficar gostoso e com um gostinho de queo mais.
Parabéns
Beijos.

Luck® disse...

Ai, fiquei um pouco tocado. Paraceu-me uma tarde de outono num final de filme qualquer.

Que é isso! Do modo como escreve bem e coloca a situação, não dá... Apenas não dá para ser apática na vida de todo mundo. Portanto, há sim, alguém esperando "aí fora".

Basta terminar esse processo (se já não o terminou). Deixe o bourbon de lado e o conselheiro da filhadaputagem, pois ele pode ser ótimo, mas pra aconselhar outras coisas. Mude de tom, digo!

É claro que é preciso querer se dedicar minimamente a alguém, né? Senão torna-se utilitarismo (o outro se torna uma "coisa"), mas é claro que há pessoas que saberão dar significado à sua forma de gostar e não considerar você "inapropriada".

Gostar de gostar não mantém relação, creio. É preciso gostar de alguém.

Claro, se isso for PROPRIAMENTE o que você busca.

Mu disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Lisa disse...

Sei bem como você se sente...

Josyê disse...

Tirando aquelas razões que vc citou no começo, acredito que a gente pode não ser inapropriada pra determinados grupos de pessoas, mas certamente sempre haverá um outro grupo que nos achará super apropriadas. Mas ou menos como aquela coisa do que seria do branco se todos gostassem de verde, e por aí vai.

Manu disse...

Brid, não se preocupe em ser INAPROPRIADA, eu mesma ganhei essa tarja de um Doido dos meus, e sabe o que eu fiz, assim como você: refleti e cheguei a conclusão de que adoro ser INAPROPRIADA, pois todos os meus erros e MUITOS ACERTOS, me colocaram hoje onde eu estou .... e eu gosto tanto.

Parabens pelo comentario do RENATO.

bjs
Manu

Dayne Dantas disse...

'Eu sempre preferi que as pessoas se concretizasem na minha vida, sem cobranças, sem obrigações, sem pedidos incoerentes, sem amarras.'

Eu já fui assim, daí um carinha incomum, um mulecote como a gente costuma chamar aqui, me deixou apaixonada e fez o pedir pra ficar.
Perco pelo excesso, não mais pela falta.

Mu disse...

m

Kah Fontinele disse...

"Eu não sei exatamente o que eu faço ou tenho de errado, mas eu nunca consegui ter essa força, esse ânimo, essa altividade de me fazer presente de forma concreta na vida de alguém. Eu sempre preferi que as pessoas se concretizasem na minha vida, sem cobranças, sem obrigações, sem pedidos incoerentes, sem amarras. "
Talvez esse tenha sido meu erro até hoje, pois minha "independencia geral" é sempre apontada em algum momento em alguma relação.

Meo, como eu amo ler essa hst...Brid e Lee Vcs são maravilhosas.