Post longo, já aviso.
É sabido que sou uma garota de sorte, mas a sorte é relativa, já diria o poeta Albert Einstein, num rompante de inspiração. Tenho algumas peculiaridades na vida, que as vezes fazem com que eu acredite que talvez a melhor coisa a fazer seja esperar até os 40 anos, mudar-me para o Sri Lanka e morrer sozinha, imaginando como teria sido a minha vida ao lado de algum doido que já tenha tido alguma chance de ficar comigo. Prova disso é que todas as vezes que, por algum motivo grave ou estúpido, eu termino com algum doido (ou ele termina comigo, não importa muito a ordem dos fatores), num átimo, eles aparecem casados (com outra moça, que fique claro), e pelo menos 2 filhos (desta outra moça, obviamente). É como se eu inspirasse nos rapazes uma vontade insana e descontrolada de constituir família, mas não comigo.
Com este doido, a coisa aconteceu de uma forma meio complicada. Nós nos gostávamos, mas por um lapso do destino, a família dele achou que eu não servia (sou boa moça, acreditem – o lance foi bem mais profundo e eu teria que ficar uns três dias aqui contando todos os pormenores do negócio) tivemos que terminar. Eu me lembro que chorei de raiva por uns 20 dias, depois tomei uma Cibalena e toquei a vida porque, né? O tempo urge, e comigo não é diferente.
Não deu outra, uns quatro meses depois, ele estava se casando (com toda pompa e estilo) com uma moça que provavelmente a mãe dele (e toda a família) aprovava, mais uns meses depois ele já era pai de um menino e algum tempo mais tarde, já tinha tido mais três. Fiquei feliz por ele, agradeci a fofoca, já que nessas horas, é só o que se pode fazer, e continuei minha vida, caminhando, cantando e seguindo a canção, que eu ganho mais (ou não, depende do ponto de vista – seguir a canção não tem dado muito lucro ultimamente).
Depois disso, encontrei-me com ele em duas ocasiões, troquei cumprimentos educados (porque sou fina e não guardo rancor de quem me espezinhou e jogou na minha cara toda a minha inépcia em ser boa esposa e boa mãe – não que isso tenha acontecido de fato, falei por falar) e me mantive no salto agulha meia-pata, já que meço 1,60m e preciso de artifícios para alcançar os metriointenta do povo por aí.
Eis que a vida é uma caixa de bombons sortidos, Forest Gump já confirmara isso anos atrás, e eu precisei de vinho emergencial, numa madrugada destas. Rumei para o único supermercado 24h que eu conhecia, mais próximo da minha residência. Estava eu de calça de pijamas, Crocs, camiseta do Laranja Mecânica (que pelo estado, poderia-se dizer que era original da época do lançamento do filme), cabelos presos num rabo-de-cavalo ao estilo "Jeanie é um Gênio" e meus óculos reserva (que segundo a Lee, pertenceram ao Woody Allen).
Quando estou chegando na parte de "Snacks e Porcarias", dou de cara com quem? Sheldon Cooper? Alice Cooper? Winnie Cooper? Não. Doido Remanescente (é assim que vou chamá-lo), com tênis de cooper, bermuda cargo com 500 mil bolsos, camiseta pólo e cabelo inexistente (ou quase). Estava bonito, apesar da calvície (que eu particularmente gosto, não MIM julguem).
Apesar de eu tentar me esconde atrás de um pacote de Doritos Família sabor Natural, ele deve ter reconhecido a camiseta (só pode ter sido, já que o Crocs era novo) pois gritou lá do outro lado da sessão, perto da gôndola de Pringles:
Doido Remanescente: BRIDGET (ele me chamou pelo meu nome inteiro, o composto, que quase ninguém sabe)? É você?
Eu: Oh, oi! – neste momento, eu coloquei o Doritos gigante de volta na prateleira, afinal, não queria que ele pensasse que virei uma destas solteironas malucas que vai ao supermercado de madrugada saciar seus vícios de solteirona maluca – Tudo bem com você?
Doido Remanescente: Tudo, e com você? – neste momento ele colocou de volta as três embalagens de Pringles que ele levava nas mãos, imagino que tenha sido para que eu não pensasse que ele alimentasse os quatro filhos com batatas assadas sabor Barbecue.
Eu: Tudo. Como você está? – era para ser uma destas perguntas retóricas.
Doido Remanescente: Separado.
Eu, nesta hora, já emendei com a pergunta que viria depois automaticamente, nem reparei no que ele tinha respondido.
Eu: E as crianças? – depois, pensando bem, percebi que esta pergunta, na sequencia havia ficado um tanto quanto ridícula, mas enfim, vou fazer o quê?
Doido Remanescente: Com a mãe.
(Silêncio).
Eu: Não, não – percebendo a merda que eu tinha perguntado – quero dizer, como elas estão?
Doido Remanescente: Estão bem. Dormindo, eu imagino.
Eu: É, é hora de criança dormir, mesmo. – e ri. Eu ri, nervosamente. Merda, merda, merda!
Doido Remanescente: Você está ótima. Casou?
Nesta hora, eu pensei em dizer "sim, casei e vivo feliz numa casa com cerca branca, um filho loirinho de bochechas rosadas e um marido que acorda todos os dias com hálito de Close-up Ice Mint", mas só consegui mover a cabeça negativamente e pensar no Crocs azul marinho que eu vestia. Como é que eu poderia estar casada e feliz com um Crocs azul marinho e um Cabernê Sovinhon de 15 reais na cestinha do supermercado as 2:45 da manhã de uma terça-feira?
Doido Remanescente: Eu... posso te ligar um dia para gente conversar? – ele disparou sem que eu tivesse tempo de pensar em nada elaborado.
Eu: Não sei.
Doido Remanescente: Poderia ser agora se você puder.
Pensei em dizer a ele que eu tinha um namorado franco-germâncico me esperando em casa, mas lembrei-me que a única coisa que me esperava em casa era uma biografia não-autorizada do pintor Rubens e um filme islandês sem legendas chamado "O casamento da Noite Branca" (alguém já viu?).
Eu: Posso.
Fomos para uma padaria ali perto e ficamos conversando até o pãozinho do dia sair (afinal, trabalhamos). Ele pediu para que eu tirasse os óculos, rimos do meu corte de cabelo assimétrico, comemos bruschetta (eu disse BRUSCHETTA, gracta!), e falamos da vida. Falamos de como lidamos com a separação (minha e dele) e ele me contou como estava lidando com a recente separação. Parecia triste com o fim. Também parecia feliz com o recomeço. Parecia confuso com o presente, arrependido pelo passado e assustado com o futuro. Parecia tão humano, tão frágil. Pediu-me desculpas pela forma como tudo tinha terminado entre nós, anos atrás. Desculpas pela mãe dele, pelo jeito dele, pelas coisas que ele poderia ter me dito, mas não disse, por ter achado melhor não dizer nada mesmo.
Senti-me estranha. Senti-me feliz e culpada por me sentir feliz. Fiquei triste com a separação dele e triste com a nossa separação, num passado distante, quase apagado, mas compreendi que algumas coisas são inevitáveis e estas coisas acontecem com algum objetivo misterioso mas só descobrimos qual é este tal objetivo, anos depois. Relações terminam, ficam os legados, ficam os herdeiros, ficam as marcas e tempos depois esvaem-se as mágoas, ficando apenas as lições.
Ele e eu, nunca teria dado certo, eu pensei. Mesmo porque, ele não gosta de Monty Python.
Para ler ouvindo High and Dry do Radiohead.
Nota da Autora: Novamente estamos com dificuldades de divulgar os posts pelo Twitter, então, se você acha que merecemos (please!), por favor deêm aquela mão amiga (ui!) e divulguem para nós. Ficaremos eternamente gractas e quando precisarem de divulgação também, é só pedir que faremos um jabá todo especial.
Update: A gata do mês, Vanessa nos deu um selinho e eu nem sei exatamente como se faz para retribuir este carinho tão legal (porque né? sou destas que não entendem muito bem de etiqueta virtual). O selo chama-se "Este blog eu recomendo". A forma mais delicada e justa que encontrei de retribuir é divulgando o blog dela aqui. Corram lá: Fragmentos e Inquietações - Vanessa, tentei comentar lá, mas não consegui!
27 psicanalistas diagnosticaram:
Brid
Lindo texto, o blog está cada dia mais maduro, parabéns para vcs.
Adorei o post! Senti no ar um cheirinho de quase recomeço... :)
Beijo
nunca vi o filme, mas achei a legenda... :P
A Luciana colocou um ponto ótimo! Não acho que está perdendo humor, seus textos estão mais maduros =) Deve ser isso!
O post vai num ritmo "crescendo".. eu achei que ia culminar em uma tragédia hahaha Mas foi muito bom!
Estamos sujeitos a reencontros com as pessoas que um dia dividiram escovas de dentes..
Eu ainda acho meio engraçado algumas coisas, tipo: "Já te vi pelada, pare de frescuras comigo!"
Mas acho que depende, depende de como a relação ficou, como a relação era, como a relação terminou..
Continue!
Legal vocês terem sentado pra conversar e ele ter te pedido desculpa.
Por falar nisso, também encontrei o doido que eu namorei por quase seis anos com a nova namorada. Foi estranho, mas não sei explicar por que. Não sinto mais nada por ele... Talvez tenha achado esquisito o fato de eu ter terminado o namoro e continuar sozinha e ele, que era o apaixonadíssimo, já estar em outra.
Ai Brid, adoro as suas conclusões no final do post. E espero que de fato um dia eu compreenda tbm q certas coisas foram melhor serem do jeito q foi, aliás, tenho um "mimimi sentimental" complexo pra contar pra vocês, que entendem bem a cabeça dos doidos. =)
Brid, a Luciana disse que o blog está mais maduro, mas a cada post que eu leio aqui (e olha que eu leio o blog há muito tempo!) eu acho que quem amadureceu na verdade foi você. ;)
Beijo
LU: Obrigada, gata! Fico feliz que tenha gostado. Acho q estou cada dia mais reflexiva. Ou meus doidos estão amadurecendo também. Tomara!
VANESSA: Recomeço? Ele e eu. Acho que não. Quase certeza que não. Mas, nunca dá pra dizer, "desta gua não beberei".
DARKANGEL: Cê jura? Me passa! drabridgetjones@gmail.com
TOSHI: Esta coisa de ter tido intimidades com a pessoa e depois virar amigo, é meio "oddy" mesmo, mas acontece. O cotidiano é esquisito. Toamra que vc e a Lu estejam certos e eu esteja mesmo amadurecendo, pq mais infantil do q eu ja sou, é difícil, viu?
MULHERZINHA SIM: Estas coisas acontecem. E eu acho q os meninos tem uma facilidade maior em "tocar pra frente" (sem trocadilhos). Nós, mesmo depois q superamos, acabamos pensando melhor qdo vamos entrar de novo numa relação.
JOSYE: Nós entendemos os doidos? Jô, eu vou morrer e não vou entender os doidos. Mas estamos às ordens. Se precisar, drabridgetjones@gmail.com
DANI: Ah, Dani, como eu adoraria estar mais madura! Fico muito feliz qdo eu percebo que as pessoas q nos acompanham, percebem as sutis diferenças no nosso jeito de abordar nossas relações com os doidos que nos cercam. E fico feliz também em tê-la sempre aqui. Um grande beijo!
Quem dera eu poder me esconder atrás de um Doritos tam. Família GG cada vez que reencontro um doido na rua. Ou atacá-lo com uma garrafa de vinho, tanto faz.
Gente, já falei que amo o Sou para-raio? É, eu amo. As histórias das nossas queridas e gabaritadas doutoras me fazem rir, chorar (emotivo, problem?), ter vontade de ir ao mercado 24 horas de madrugada e (me internem, estou louco) rever doidos. Barrigudos e desdentados? Vai saber, né?
E acho super válido dizer que me senti usando as Crocs azuis. As da minha mãe são assim.
Bjo, gente! ;)
Gurias, tem selo meu para voc~es lá no blog: http://fragmentoseinquietacoes.blogspot.com/
Beijo
Nunca se esqueça que, uma vez Flamengo, sempre Flamengo, uma vez filhote de mamis, sempre filhote de mamis ... =)
RAFA: Seu lindo! Fico muito feliz que vc tenha se manifstado aqui, pq né? Opinião abalizada, trabalhamos! E a sua é über abalizada (com S? Com Z? ai, que dúvida!). Volte sempre. Mas sempre MESMO! Um beijo.
VAN: Adorei o selinho, inclusive updatei (isso existe?) lá na página inicial. Mas não consegui comentar lá no seu blog com meu login do google. Pq será?
MARIANA: Gata, vc tem TODA a razão. Sensatez, a gente vê por aqui. Sensatez, teu nome é Mariana!
Você é muito corajosa de sair de casa de madrugada de terça para ir em um supermercado. Sério! Eu não teria essa coragem. Nesse horário estou deitada vendo tv e tentando dormir (já que só consigo dormir com a tv ligada).
E reencontrar ex-namorados é estranho. Nunca sabe-se o que falar e por isso muito fogem. Aliás, entendo muito de fugir. Enfim.
Beijos
Brid, sua linda!
Arrepiei aqui heim.Sensação de entendimento nada paga.Eu pelo menos levaria o acontecido como uma explicação que a vida fica devendo,e quando chega...Mesmo que anos depois, alivia a alma.
E não adianta,ver o ex é na maioria das vezes com a pior roupa,no pior momento,em situações estranhas.O que dá um consolo,é que normalmente a pessoa também tá nessa vibe tensa e todos relaxam,conversam e a vida dá o troco da nota de 100 que tava devendo.
Texto lindão,digno de uma coluna na ZH aqui no Sul.
:*
Gostei do post.
No final eu me perguntei se não passou pela sua cabeça o que teria acontecido caso ele tivesse casado com você. Se vocês teriam se separado, e seria você a divorciada com 3 filhos, ou teriam tido mais sorte e estariam juntos. Eu me perguntaria.
Então... qual é seu nome composto mesmo?? Rsss
Adoro o blog, adoro vocês! E concordo com as meninas que disseram que o blog e você estão mais maduros.
Dessas coisas que vão e vem. Não entendo nada a respeito, mas adimito que as vezes parece algum filme... Islandes, sem legendas... ahehaehaehaehaehaeha
Mas po Brid, coitada das crianças...
Quando fico sabendo que até as criaturas mais bizarras com que me relacionei conseguiram casar e ter filhos fico aliviada! Acho que não tenho vocação para criar minha propria familia.
Não sou dessas que sonham com um principe para o resto da vida... Não sei se quero beijar a mesma boca pelo resto da minha vida...
Mas não julgo quem consegue esta proeza.
Melhor só, do que estar acompanhada de um doido forever...
KAH: Adorei seu comment. "O troco da nota de 100 que a vida fica devendo pra gente" já virou um jargão aqui, viu? Um beijo!
PRI DIAS: Gata, admito que eu, desde q nos separamos, anos tras, nunca mais pensei nele, só para não tr que imaginar como teria sido se tivéssemos ficado juntos. Uma coisa, eu garanto. Não teríamos quatro (sim, são quatro) filhos e eu teria feito tudo para fazê-lo feliz. Se eu fosse a divorciada agora, seria sabendo que não houve remédio e seguiria tranquila, torcendo para que ele fosse feliz tb neste recomeço.
DANIELA: Er... mu nome composto? É formado pelo nome mais simples do mundo e outro não tão simples. Qual é a música, maestro Zezinho, com 5 notas? E obrigada, viu? Queria eu, de fato estar realmente mais madura. Será?
LUIZ: O filme islandes é muito bom, eu recomendo. "O casamento da noite branca" é sensível, um pouco confuso e tremendamente simbólico. Só não entendi o lance das crianças. Pq coitadas?
LISA: Seu comentário me deixou pensativa ad eternum, sabe? Eu sou meio assim tb e fico sempre pensando se os caras q se relacionam comigo não acabam sentindo esta vibe e partindo para relações em que existe um sntimento seguro. Eu só queria mesmo um doido que gostasse de Monty Python.
Posts mais maduros..afinal o tempo não para!!achei muito legal vcs terem converssado, qria conversar c o meu ex tb..afinal foram 5 anos e dentre alguns terminos e voltas..o fim foi pelo telefone de ambas as partes!!feio né?!eu qria um reencontro para um papo legal!!!mas acho q só sou eu que quero! =(
Eu não vejo graça na maior parte dos programas de humor. Não suporto piada óbvia nem gente metida a engraçada.
Mas eu ri com seu post em diversos momentos.
Brid, eu queria conseguir escrever assim como vc. Com ironia, com observações inteligentes e trollando minha própria inépcia. Seu tipo de humor é sutil, inteligente e verdadeiramente engraçado. Convença-se disso.
Quanto ao post, concordo com o que disseram aqui. Você está mais madura e sabendo lidar melhor com seus relacionamentos. E eu te invejo por isso. Espero um dia conseguir também. ;-)
Beijo, te amo.
E não é que já tive um doido remanescente tmb!!!
Fiquei um tempinho com o doido, nada serio, coisa de adolescente, e depois passamos 3 anos sem nos ver e do nada vejo ele na rua, apareceu na minha casa, conversamos e só. Depois ele me inventa de querer casar comigo!!! CASAR, vê se pode.
Mas até que foi bom, dar uma olhada no passado, lembrar de como eu era, e hoje lendo teu post eu me lembrei disso e do doido.
Massa como aqui a gente começa rindo pra terminar refletindo. Oh, blog bom...
"Não deu outra, uns quatro meses depois, ele estava se casando".
QUATRO meses, minha gente. É de chorar de ódio. u.u'
O final também me surpreendeu. Achei que rolaria alguma [outra] loucura... :)
Não é um doido que eu ache que valha a pena, sei lá, ceder a pressão da família por "n" motivos é covardia.
O ponto auge do post foi você no mercado comprando vinho e besteiras para acompanhamento. Me vejo nessa situação sempre, só que comprando heineken e stella artois e doritos nacho... acho digno, solteiro mas, digno.
'Apesar de eu tentar me esconde atrás de um pacote de Doritos Família sabor Natural, ele deve ter reconhecido a camiseta (só pode ter sido, já que o Crocs era novo) ...'
Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk!
Caraca, ri demais, mas ó, é muito triste terminar com quem nos marca, meu Deus como é.
Post grande? Que maravilha.
Para ser sincera eu não curto recomeço, talvez por nunca ter tido uma segunda chance que tenha valido a pena mas... baratas albinas existem, mesmo que eu nunca tenha visto.
Seu blog é ótimo!!!
bjk :*
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