domingo, 11 de setembro de 2011

O caso do doido inglês

Para aqueles leitores que andam cansados dos seus doidos e sonham em se mudar para Londres com o objetivo de, enfim, conhecer uma pessoa normal, contarei esta história da nossa amiga, Dra. Bennet.

Caso clínico:

Homem, 35 anos, alto, loiro e inglês. Morava com os pais e tinha um emprego razoável em Londres. Nunca casou.
A história de Dra. Bennet com esse doido pode ser dividida em três partes, já que havia um oceano separando os dois e um período de 10 anos do início até o fim dela.


Parte 1

Começou em 2000, quando Dra. Bennet foi a Londres para um intercâmbio.

Foram 6 meses de livros, pints de Guinness e gente nova na vida da nossa amiga. Apesar de ter conhecido alguns homens, nenhum interessou verdadeiramente Dra. Bennet.

Até que na última semana em Londres, ela conheceu o doido inglês. Saíram com alguns amigos para jantar, conversaram, e já naquela noite ficaram encantados um pelo outro. Só que Dra. Bennet tinha de voltar para o Brasil. Damn it.


Parte 2

Eles conseguiram manter contato graças à internet. Conversavam frequentemente. E  foi nesses bate-papos que Dra. Bennet percebeu que o humor do doido inglês oscilava bastante sem motivo aparente. Até que um dia, sem mais nem menos, ele a excluiu do Messenger e não respondia e-mails. Ficaram dois anos sem se falar.

Dois anos depois, ele mandou um email a ela, pedindo que retomassem o contato, explicando por que havia sumido. Segundo ele, tinha ficado com medo de que a relação deles se tornasse séria demais.

Ficaram mais alguns anos mantendo esse relacionamento (de amizade? de amizade colorida? de banho-maria para uma futura relação? who knows?). O doido vivia dizendo que esperava ansioso pelo dia em que eles pudessem se ver novamente, o que, inevitavelmente, acabava sensibilizando até a mais centrada e realista das mulheres.

Parte 3

Em 2010, Dra. Bennet resolveu voltar a Londres para morar e tentar começar uma nova fase na sua vida. Como mudanças sempre demandam tempo, ela e o doido só puderam marcar um encontro alguns dias depois. Mas para quem havia esperado 10 anos, o que seriam mais algumas horas, não é?

O reencontro foi muito bom. Ele foi gentil e carinhoso. Levou Dra. Bennet para que ela conhecesse a família e a apresentou a alguns amigos. Passearam por Londres e se divertiram juntos.

Só que, talvez por se achar irresistível demais, ele continuava com aquele medo de que a relação deles ficasse séria demais!?! E sempre perguntava à Dra. Bennet se ela estava apaixonada por ele!?! Parece que ele achava que nossa amiga tinha ido a Londres só por causa dele, o que não é verdade.

Ela tinha interesse nele, sim, mas sempre foi bastante racional com relação a esta história. Sabia que ele era um doido complicado, justamente pela variação de humor e de comportamento com relação a ela. Então, não, ela não estava querendo começar um namoro só porque compartilhavam, finalmente, o mesmo espaço físico.  E ela estava em Londres. Tanta coisa pra fazer em Londres, não é?

Mas, de acordo com o raciocínio dele, ela o queria. Queria muito. E ele tinha medo de relacionamento sério. Muito medo. Então o que ele fazia? Nos encontros com Dra. Bennet, ele era carinhoso. No entanto, sumia por alguns dias e fazia questão de mostrar que não estava disponível o tempo todo, nem mesmo como amigo para ajudá-la a resolver algumas pendências da mudança.

Além disso, o doido era um tanto devagar no sentido da pegada. Talvez pela educação, pelo desejo de não desrespeitar nossa amiga, pela oscilação de humor ou pela falta de habilidade (who knows?), ele só tentou ir além dos beijos depois de alguns encontros.

Foram para a casa dele e tiveram, depois de 10 anos, a primeira noite juntos. Quer dizer, não foi bem uma noite juntos. Vamos aos fatos.

Segundo Dra. Bennet, foi tudo bem rápido. Mas, né? Primeira vez juntos, tinha toda aquela ansiedade, expectativa e, daí, pronto, acabou.

Depois que o sexo acaba, o que geralmente acontece? Tem aqueles que começam uma conversa despretensiosa enquanto permanecem abraçados. Tem aqueles que acendem um cigarro. Tem quem sai correndo pra tomar banho (isso é horrível, mas nos filmes isso acontece muito). E tem quem resolve estragar tudo com uma frase sem contexto:

Doido Inglês: Pra mim, você é como uma irmã mais velha.

Nem preciso explicar a indignação de Dra. Bennet quando ouviu isso. Todas nós ficaríamos chocadas ao sermos comparadas com uma irmã após 10 anos de relacionamento virtual nada fraternal e de uns minutos de sexo.

Só que Dra. Bennet nem teve muito tempo para digerir essa frase. Logo em seguida, ele virou pra nossa amiga e disse, levantando da cama e se arrumando:

Doido Inglês: Vista-se.

Sim, ele mandou Dra. Bennet se vestir, como se ele tivesse acabado de conhecê-la no pub da esquina.

Que tipo de homem trata mulher dessa forma? Que tipo de homem utiliza esse combo “você parece minha irmã + vista-se” depois do sexo? OK, são apenas perguntas retóricas que não precisam ser respondidas.

Shit happens.

Diagnóstico: 
Língua Frouxa (LF) desencadeada por um quadro crônico de Falta de Tato (FT),  Grosseria Congênita (GC) e Deficiência de Sensibilidade (DS). Além de Transtorno Bipolar (TB) e Arrogância Degenerativa (AD). 

Tratamento aplicado:
Dra. Bennet ainda encontrou o doido inglês mais algumas vezes depois daquela noite, já que, infelizmente, moravam no mesmo bairro e o encontro era inevitável. Mas ela manteve certo distanciamento porque viu  que ele não era nenhum lord inglês. Muito menos um Mr. Darcy (aqui).

Anotações posteriores:
A vida não está fácil nem em Londres. Dra. Bennet acabou voltando para o Brasil alguns meses depois. Antes de retornar, jogou aquela história de 10 anos no rio Tamisa.

O doido? O doido a excluiu do Messenger enquanto ela ainda estava lá. E torcemos para que tenha se afogado no Tamisa também.


*****

Para ler, ouvindo “Turning tables”, Adele (aqui).

19 psicanalistas diagnosticaram:

Káh disse...

Mel Dels...Até o House no auge de sua personalidade inglesa consegue ser mais sensato,polido e querido que esse ser vivo ae.

Tem mais que morrer afogado no Tâmisa.Poxa amigo DEZ ANOS de história e tu - desculpa a palavra meninas- caga ela em definitivo em minutos com poucas palavras.
Ê dom pra avacalhar com tudo e ser froxo.


Dra. Bennet perdeu nada demais não viu.Se livrou de um exu caverinha dos brabos.

beeeijos

Bridget Jones disse...

Eu conhço esta história muito bem, desde o comecinho, contada pela prórpia boa de Dra. Bennet. Óbvio que ouvi tudo de boca aberta, entre o chocada e o ensandecida de raiva, afinal, eu torcia muito pelos dois.

Mas é fato que as vezes, nos enganamos.

Não é o caso de Dra Bennet, é o caso do doido inglês. Ele se enganou quando imaginou ser tão irresistivel e fabuloso, e deixou que uma historia deliciosa não acontecesse.

Azar o dele.

Nós, fazemos isso sempre. Deixamos que o medo faça com quem a gente "se poupe" de muita coisa boa e divertida na nossa vida.

Josyê disse...

Era de se esperar um desfecho desses, o cara dava sinais de que era estranho desde o começo, né? Mas pq será que ele tinha tanto medo de relacionamento? Eu hein...rs
Meu sonho é conhecer Londres, mas uma coisa sempre me intrigou: será que os homens ingleses são quentes?
Em tempo, dependendo da cia, eu sou dessas que após o sexo saio correndo pra tomar banho,rs.(não tem a ver com nojinho, ou algo assim, mas pura falta de ficar agarradinha mesmo após o sexo, Insensibilidade ON?)

Renan Mendes disse...

Son of a bitch!
Afogado no rio Tamisa é pouco, mas já ajuda.
Enfim, melhor ela procurar um brasileirinho por aqui mesmo que vale mais a pena.

Andrea disse...

"ele não era nenhum lord inglês"
EXATAMENTE o que eu pensei depois do "vista-se". :)

Ai gente, ele tinha é que vir pro Brasil e morrer afogado no Tietê!

Rafa Kusznievicz disse...

Gente, se alguém souber do paradeiro deste doido que sofre com tanta comorbidade, peçam que vá até a Tavistock. Lá poderão tratar do juízo dessa criatura. Porque né? Tá avariado. E como disse a Andrea, "Tietê nele!".

Diane Lorde disse...

Caramba, bota doido nisto!
Pior é sair do Brasil e dar de cara com doido inglês né?!rsrsr

Lee Holloway disse...

KÁH:

Verdade. Até o House seria mais sensível. Tem gente que tem dom pra estragar o humor dos outros.

Beijinho!

Lee Holloway disse...

BRID:

Tanta gente com medo, não é? Azar o deles. >.<

Muá!

Lee Holloway disse...

JOSYÊ:

Jura que vc larga o cara na cama e corre pro chuveiro pra não ter que ficar de conchinha sem vontade? rs

Achei tendência. ;)

Beijo!

Lee Holloway disse...

RENAN:

Pelo menos a gente já tá acostumado com a malemolência brasileira, né? :D

Lee Holloway disse...

ANDREA:

Uma morte lenta e com muito futum!

Lee Holloway disse...

RAFA:

Tavistock? Uia. Anotado e recomendado como tratamento!

Lee Holloway disse...

DIANE:

Da próxima vez, Dra. Bennet irá a Barcelona para evitar esse (des)encontro em Londres.

DE TUDO UM POUCO disse...

Fiquei um tempinho sem passar por aqui e estava já com saudades! Pois é...e eu achando que homem doidão e bipolar era mais frequente no Brasil,mais precisamente no Rio de Janeiro! Tá difícil,mulherada! Adorei a história e aguardo vocês no meu blog! Beijos!

Ana Ferraz disse...

À medida que ia lendo, eu ia fazendo fácies de indignação. Mas o doido desde o começo foi dando indícios de transtornos.
Muito azar dar de cara com um doido desses em Londres. Mas enfim, doido há em todo canto, não é mesmo? E pra quem é para-raio então... putz!
Beijos!

Lekkerding. disse...

Este ser não era inglês! Imagine, não existem ingleses estúpidos.

Gusta Fernandes disse...

FUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUU...

"um homem ter medo de um relacionamento sério" leia-se agora "um homem que quer sexo e não quer nada além disso"

Bem ou mal, ela pode não ter ido até Londres por ele, mas manter contato com ele por 10 anos, alimentando algum tipo de "cor" além da amizade é FaiL.

O cara é um babaca. FATO!

Beijos!

Dayne Dantas disse...

Além do pqp e do Diagnóstico:
Língua Frouxa (LF) desencadeada por um quadro crônico de Falta de Tato (FT), Grosseria Congênita (GC) e Deficiência de Sensibilidade (DS). Além de Transtorno Bipolar (TB) e Arrogância Degenerativa (AD), o que eu tenho a dizer é: Que ele morra arrependido, que corra atrás dela e que ela arrume um HOMEM e seja feliz.