terça-feira, 26 de julho de 2011

O caso da doida "Cabernê Sovinhon Merlô" (ou The Amy Winehouse's Post)

Will You Still Love Me Tomorrow?*


Quem nunca pensou nesta frase, atire a primeira taça de Merlô Sovinhon Cabernê na cara do garçon. Naquele momento em que você conquista e é conquistado, todas as etapas da coisa já foram ultrapassadas com sucesso, inclusive a bendita da prima cópula. Você olha para a pessoa ao seu lado (muitas vezes, ela está dormindo, mas os apaixonados não dormem na prima nocte – os apaixonados fingem dormir para poder olhar o outro dormindo depois) e pensa: "você ainda vai gostar de mim amanhã?".


Tonight with words unspoken
You said that I'm the only one
But will my heart be broken
When the night meets the morning sun?

Quem nunca? Eu, já.

My Tears Dry On Their Own


Essa coisa de lágrimas secarem sozinhas é um tanto dramático, não é mesmo? Mas faz a gente acreditar que chorar de novo nem vai ser tão ruim. Elas secam por si só, elas voltam a cair, num ciclo infinito de altos e baixos. Amor é isso. Paixão é isso. Frustração é isso. Raiva é isso. E qual é o amor que não tem paixão, frustração e raiva? Apatia não é amor. Calmaria não é amor. Amor é movimento. Movimento, as vezes, nos faz cair. E quando caímos (tal e qual eternas crianças emocionais que sempre seremos), choramos. Mas as lágrimas, ah, as lágrimas secam sozinhas.


He walks away
The sun goes down,
He takes the day but I'm grown
And in your way
My deep shade
My tears dry on their own

Quem nunca? Eu, já.

Love Is a Losing Game


Olha, esta eu me recuso. Se esta música fosse minha, seria autobiográfica.

Why do I wish I never played
Oh, what a mess we made
And now the final frame
Love is a losing game

Quem nunca? Eu, já! Eu já, muitas vezes.

You Know I’m No Good


Ninguém é bonzinho. O problema é que todas as vezes em que eu aviso dos danos que eu causo, é porque eu realmente desejo que comprem o pacote todo.


I cheated myself
Like I knew I would
I told you I was trouble
You know that I'm no good

Quem nunca? Eu já.


Não, isso não é uma homenáge a trois. Isso é um lamento. Todos somos um pouquinho Amy. Sem fazer nenhuma apologia a nenhum tipo de hábito torpe ou pouco saudável, todo mundo um dia, já foi um pouco Amy, já ficou triste como Amy, já xingou como Amy, já amou como Amy. Ainda que nem gostem da música dela. Amy representa extremos. O que pode ser bom, quando descarregamos o que temos em excesso, mas também pode ser destrutivo. Excessos e Extremos, assim mesmo, com maiúscula.


E agora, quando eu cantar o refrão de "Back to Black", provavelmente eu vou sentir um gostinho de vinho barato, misturado com lamento. Amy embalou minhas tristezas, não só as que envolveram bebida alcoólica, cigarros e lágrimas, porque nem sempre envolvem (só de vez em quando, já que ninguém é de ferro, quanto mais, eu). Amy embalou minhas tristezas secas, com sua voz gigante.

Cheers.

P.S.: Peço desculpas por não colocar os links do Youtube, mas aqui no meu "siviço" é bloqueado. Mas coloquei os links das letras e o site disponibiliza os vídeos, certo? Certo!

* Esta música foi gravada originalmente por Carole King. Está na trilha sonora de "Bridget Jones - No Limite da Razão", onde eu a ouvi pela primeira vez.

16 psicanalistas diagnosticaram:

Ge disse...

a primeira vez que eu ouvi Amy foi na época em que pela primeira vez meu coração despedaçou-se sem eu poder fazer nada a respeito. a coisa foi tão funda que, depois de ter saído da UTI, eu não conseguia escutar mais. aí, nos últimos tempos, consegui! descobri que as lágrimas secam sozinhas mesmo. sempre. saudades, né? sempre.

Vanessa disse...

"Apatia não é amor. Calmaria não é amor. Amor é movimento. Movimento, as vezes, nos faz cair".
Adorei o post e principalmente essa parte acima. Amy era louca, sem dúvida. Era intensa. Mas quem de nós não tem dessas loucuras, dessas intensidades? Quem ama tem ;)
Beijos

Mu disse...

É Brid,vc como sempre sabendo falar o que estou sentindo...
Obrigado...
Vou marcar umas sessões de análise c vc...rs...
bjao!

Tahiana disse...

Post perfeito Brid, amo essa música! beijos

Renan Mendes disse...

Pelo menos Amy deixou as músicas, né? Vai fazer falta, porque ela não passou em branco. :)

Juzitass disse...

Adoreiii o post
"Apatia não é amor." (simples assim..tao bom seria se todos entendessem isso)

Lee Holloway disse...

Quem nunca? Eu já.

Faço parte desse lamento também. Amy era tão verdadeira e tão real, que virou motivo de chacota. As pessoas não estão preparadas pra lidar com isso. Lamento pela doença, pelo fim e por ela não ter encontrado paz nem na música.

Agora... Eu sempre, sempre vou lembrar daquele virundum, Brid:

"We only said goodbye with words,
I GOT A HEART ATTACK"

Até o virumdum é muito Amy! :D

Beijos!

Lee Holloway disse...

Ah, e preciso dizer que achei lindo isso:

"Calmaria não é amor. Amor é movimento."

Quando a calmaria toma conta, é preciso mudar. Mas poucos têm a coragem.

Beijocas!

Paulo disse...

Nossa, quem nunca?? Você bem sabe que já fiz cada loucura, hehehe...

Vou sentir falta da minha maluca predileta... tantos momentos Amy na minha vida!

disse...

"Todos somos um pouquinho Amy." - lindo!
Acho que algumas pessoas que estão 'xingando' e falando mal dela não têm coragem de assumir que também têm seus excessos, seus exageros, que também ultrapassam os limites e perdem a razão... Uma pena, sinceramente: dói viver assim, mas prefiro toda a intensidade a la Winehouse a passar a vida toda de forma amena, calminha, sem graça...
Lindo o post!

Ju disse...

Amei o post...

E essa música me tocava ainda mais fundo porque a primeira vez que eu ouvi (a versão da Carole King), foi num episódio de Anos Incríveis...

http://www.youtube.com/watch?v=aXj8B-nGFjk

Beijos! :)

Dayne Dantas disse...

Brid, que texto foi esse, cara?
Citei várias frases no twitter, se não se importa... (perguntar depois que faz é mole, né?)

Uma tristeza sem fim pela partida da Amy, meu Deus. Até parece que a gente era íntima, haha.

'E quando caímos (tal e qual eternas crianças emocionais que sempre seremos), choramos. Mas as lágrimas, ah, as lágrimas secam sozinhas.'

PERFEITO.
Tô por aqui, sempre =*

Lola disse...

Amei o post!
Geralmente eu passo,leio,memato de rir, mas vc já tem tantoscomentários interessantes que acabo deixando para a próxima.
Mas dessa não,né?!
Valeu pelo post. Amo o blog todinho!
beijos

Renata A. disse...

Primeira visita, encantada com o blog.
Achei por bem recomendar a vocês a leitura desse aqui http://tantoscliches.blogspot.com/, igualmente direcionado a nós, mulheres eternamente à beira de um ataque de nervos (fatores endógenos ou exógenos).
Beijos!

Gusta Fernandes disse...

Amy era tão autentica, nossa... os extremos dela sempre me fascinaram.
Fiquei bobo com o texto por que me inclui em todas essas letras e vendo por esse lado é tão mais fácil entende-la e dizer, quem nunca foi Amy? Eu já.

Marina Peppers disse...

Também sou muito fã da Amy. Você imagina o quanto fiquei triste quando ela se foi... ainda mais por ter sido no meu aniversário. Me arrependo muito por não ter ido ao seu show.
Ela embalou muitas choradeiras minhas. A última então...