quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Um caso destes, que acontecem todo dia.


Você já teve que renunciar um sentimento por causa das circustâncias? Esquecer alguém, romper um contato ou coisa do tipo?

Eu já.

É difícil, é complicado, é doloroso, mas nunca ninguém morreu disso. Depois passa, a gente segue a vida, conhece outras pessoas e continua. Aquele amor (ou o que tenha sido) que foi renunciado, sublimado, colocado para baixo do tapete, vira uma simples lembrança (às vezes não tão simples) que acompanha a nossa vida, mas não acompanha os acontecimentos frenéticos dela. Torna-se apenas uma nostálgica gravura, pendurada na parede das recordações.

Tentamos substituir aquela gravura antiga por algo mais recente, mais moderno, mais alegre, porém, só trocamos a gravura de lugar, para que ela não fique numa posição tão visível para nós. Tentamos, mas ela permanece ali. Na parede das recordações.

Um certo dia, encontramos o quadro perfeito para figurar o centro da nossa sala. Aquele gigante, para ser pendurado em cima da lareira (isso pode ter parecido brega, mas eu não sou decoradora de interiores, certo? Certo.). E aí, todas as outras gravuras são realocadas (algumas até descartadas), de forma que a pintura principal fique ali, disposta de forma harmoniosa, em conjunto com todo o resto. Quase não sobrou espaço, mas aquela nostálgica gravura permanece ali.

Eu tenho esta gravura.

Não tenho o quadro principal, não sei ainda a disposição de todas as obras na minha parede de recordações, não faço idéia de como eu vou alocá-las todas. Mas ela vai sempre permanecer ali. É minha única certeza.

Nota da Autora: Não é um texto convencional aqui do blog. Mas eu precisava postá-lo. Não é longo, não é profundo, nem tem nenhuma pretensão. Mas eu precisava. E compartilhar isso com vocês todos é um presente.
Para ler ouvindo: Wish you were here do Pink Floyd. Tem um motivo muito especial para ser esta música (e os espertinhos que vierem dizer que é uma musica "política", já fiquem sabendo que eu sei disso).
Aproveitando aqui tb para tratar de um assunto sério. O Dr. Alexandre Koga, fala lá no blog dele sobre um assunto importantíssimo e queríamos dar o nosso apoio: Inclusão de Deficientes no CIOSP (Congresso Internacional De Odontologia de São Paulo). Confiram aqui e manifestem tb seu apoio.

38 psicanalistas diagnosticaram:

Anônimo disse...

dentista, hein?

Gusta Fernandes disse...

Argh... as vezes da vontade de o quadro pequeno no espaço reservado da sala maior. Eu queria muito voltar no tempo e acertar algumas coisas que ficaram por dizer.

Tá... eu também tenho um quadro nostálgico na minha galeria! E a pior parte é sentir falta.

Adorei o texto, simplesmente PERFEITO!

beijos!

Lekkerding. disse...

Tem uma música do Weepies que traduz isso, chamada "World Spins Madly On". Ando ouvindo demais...

Bridget Jones disse...

ANONIMO: ?

GUSTA FERNANDES: Obrigada, Gu! Acho que todo mundo tem um destes na galeria.

LEKKERDING: Caramba, a musica é perfeita mesmo, gata! Arrepiei, viu?

Ban Martins disse...

Gostei do post de hoje Brid!
Uma analogia e tanto! Pena que muitos deles não podemos simplesmente colocar à venda ou se livrar definitivamente.

Beijos
Ban

Na Estrada disse...

Melhor analogia ever!
Sei bem o que é ter esse quadro...

Bridget Jones disse...

BAN: Puxa, que bom que gostou. Eu não sou muito boa em analogias, mas...tentei!

NA ESTRADA: Acho que todos nós sabemos! Todos nós!

nada complicada disse...

Eu tinha uma gravura dessas, nem era lá essas coisas, era mal feita e de péssimo gosto, mas sabe como é??? coisa de artista kkkkk... no fundo eu esperava que minha gravura ainda se tornasse meu quadro principal, até que percebi que minha vida era bem decorada demais para colocar uma coisa dessas no centro das atenções.

Adorei o texto, espero que sua gravura valha a pena (se não, espero que vc consiga se livrar dela e que encontre um quadro bem bonito para sua lareira ;))

bjinhos

Bridget Jones disse...

NADA COMPLICADA: Caramba, teu comentario foi surpreendente. Vc pegou o exato espírito da coisa. Era exatamente isso q eu queria dizer, linda! Um beijo.

Manuela disse...

É. Já conheceu alguma pintura que, só de encarar, você sente a dor do pintor?
Esse é meu quadro. Ele dói e eu queria tirar da sala, mas já faz parte dela, né? :(

Marco disse...

Sei bem o que é isso, amiga. Mas cada quadro tem o espaço que merece. Mas ele fica melhor ou pior dependendo da moldura que a gente usa nele. Guarde suas melhores molduras para os que realmente merecem e o cantinho do corredor pros que se encaixarem no local. Bjs.

Ortociakoga disse...

Parabéns pelo texto!Ouvindo "Wish you were here" junto então! Nem se fala!

Obrigado mesmo pela ajuda no seu post! Quero dizer que esta situação foi contornada, e que a APCD vai disponibilizar uma cadeira motorizada para Dra Juliana! Chega a ser um absurdo o maior Congresso de Odontologia das Américas não ter acesso aos próprios profissionais de saúde cadeirantes. Bjos Dra!

Edu Deruki disse...

Nossa! Nossa! Nunca eu tinha pensado em comparar esses amores "descartados" com figuras ou quadros. Já pensei em livros em uma estante onde a gente sempre coloca os que já leu e não foram tão bons assim nas prateleiras de baixo; e os atuais e os bons ao alcance das mãos.

Bonito Brid, quem sabe um dia sua lareira fique tão brega quando você descreve... Ou que você faça um curso de decoração... Vai precisar, se for assim. HAHAHAHAHA

Muito fofo o texto, inesperado pelo que é de costume no blog. Não tão cômico como a maioria, não tão trágico quanto alguns poucos, mas mesmo assim bonito!

Muitos beijos!

Ana disse...

Acompanho o blog há muito tempo (muito mesmo), por muitas vezes me vi em algumas situações que foram descritas aqui, mas nunca comentei. Talvez por nunca ter achado um texto que eu me identificasse tanto.
Suas palavras fazem sentido pra mim. Tenho uma gravura destas comigo, bem escondida, longe dos olhos e do coração. Volta e meia, eu a encontro, paro instantes pra contemplá-la e volto a escondê-la. Sabe-se lá porque. Minto, sei exatamente o porquê de escondê-la.

Excelente texto! Como sempre!

Anônimo disse...

Então,
É até difíl comentar... Tenho uma gravura destas. O pior é que conheci minha gravura depois de dizer sim a outra e automaticamente não a todos os demais.

@camicap disse...

Acho que o problema é quando a gravura te impede de seguir adiante. Sempre que eu quero arriscar, a imagem reaparece na mente. It's hard.

Como te disse no Twitter uma vez, super me identifico. =)

Aline T.H. disse...

Gata, te abraço. A besta da gravura fica lá, parada, empoeirada, suja, mas se chover, a filha da puta tá lá, inteira, e a chuva leva a sujeira toda.

Te abraço, te entendo e digo mais: como sagitarianas que somos, teremos milhares de gravuras. Mas esta bendita (?) nunca sairá da galeria. Nos resta conviver com ela...

Beijos. Aos milhões.

Fabiana disse...

Como eu já falei no twitter essa é uma situação que eu compreendo bem. Eu tenho uma "gravura" dessas.

Os anos passam e a gravura vai perdendo importancia, com as cores menos brilhantes aos meus olhos. Mas ela está lá e de vez em quando dá um jeitinho de eu me lembrar dela.

Eu adoraria dizer q eu me esqueci dela completamente mas seria uma mentira gigante. O que posso dizer é que eu tô tentando ! :)

Beijo,
@fabiruiva

Jaque disse...

Brid, você colocou em palavras o sentimento de muita gente. Todo mundo tem uma gravura dessas. A analogia foi perfeita. Assim como a trilha sonora. Wish you were here pode ser política, mas não deixa de ser uma das minhas favoritas.

Beijão!

Kah Fontinele disse...

Coisa de louco a analogia foi perfeita.
O pior de tudo é que HOJE eu voltei atras e coloquei a gravura no lugar principal,mesmo sabendo que é só uma mera gravura.É grave doutor?!
É preciso pensar,re-pensar e pensar de novo.
Belíssimo texto.Por isso eu amo esse canto aqui!!

elaininha disse...

Quem não tem a gravura nostálgica?!?! A minha estou tentando tirar ela de foco, tô fazendo uma força danada, a sensação que eu tenho é que pra onde olho, a vejo!!! Mas estou esperando a gravura perfeita!
E o texto, é profundo sim! um beijo, amo vcs!!!!

Inconstante disse...

Sinto falta do "mau-humor negro" da minha gravura, mas preferi deixá-lo bem lá no fundo do baú das coisas que não servem mais...

andreia disse...

Nossa, esses últimos dias tenho pensado nisso...
Em especial numa gravura, que de tempos em tempos ocupa um lugar de destaque...
Uma gravura que está no canto, mas que almeja o lugar acima da lareira.
Adorei o texto!

Dd. Navarro disse...

Xiii... cuidado que poeira "ataca a renite"...kkkk!!!
Adorei o texto, beijocas!

Josyê disse...

Saudades meninas!! Estou experimentando isso agora, encontrei alguém muito especial, q gostou de mim do jeito q sou, e tem muuito a ver com o q gosto num homem, mas pôde ser meu por poucas horas, a ex pediu p voltar, e ele nao resistiu, e esta voltando p ela...será q é assim msmo gente? Tão dificil ser feliz no amor?

Carol disse...

Como diria Tati Bernardi: "Minha maior tristeza é que todo novo amor que eu arrumo vem sempre com algum velho amor tão longo e bonito. E eu sofro porque com pouco tempo não consigo ser melhor que o muito tempo. E de sofrer assim e enlouquecer assim, nunca dou tempo de ser muito para esses amores porque estrago antes". Fica só a recordação e o vazio de não saber o que fazer com o retrato não pendurado na parede.
Brid, sensancional. Sempre.

Cecília B. disse...

Não sei a história política de 'wish you were here', pensei que fosse só pro Syd Barret ><
Adorei a metáfora dos quadros ^^

Dani Antunes disse...

Lindíssimo post. Congrats, Brid!
Li no dia que foi publicado, mas só agora pude comentar!

;*

luciana disse...

O amor nem sempre é suficiente.
E um dia vc conhece uma pessoa legal, que quer estar com vc sempre, que quer dividir uma vida com vc, e aí, um tempo depois você descobre que aquele quadro passa a ser apenas uma lembrança agridoce. Sem querer passamos a ver mais friamente o relacionamento e perceber que nem tudo eram rosas, que a pessoa que preenchia este espaço era apenas 50% do que imaginávamos, e os outros 50% foram apenas fruto da louca vontade de estar junto e da nossa tendência à estar sempre querendo algo que nem sabemos o que é.
Funcionou para mim tirar ele do centro de tudo, e colocar outras prioridades na minha vida, hoje sou casada e tenho um filho lindo, e sou feliz, pq cansa sofrer, e a vida continua quer a gente queira ou não.
Ele ainda está lá, mas agora já deixo a poeira cobrir-lo sem me sentir culpada.
Boa sorte, no final o que vale é a experiência e não deixe o passado nublar o presente...a hora de ser feliz é agora!

Dayne Dantas disse...

'porém, só trocamos a gravura de lugar, para que ela não fique numa posição tão visível para nós.'

Nem sei o que dizer além disso.
Fostes direto ao ponto.

Tatiana BR disse...

eu tinha um quadro assim e acabei doando ele hehehe, a melhor coisa é se livrar de quem não agrega nada pra gente!

...EU disse...

Menina, minha gravura também permanece lá... e Choqueee quando eu ouço wish you were here só o que me passa pela cabeça e a figura lá pendurada, torta e já sem muita combinação com o fundo... Mas de certa forma não consigo arranca-la e joga-la fora de uma vez...
Lindo texto...
Me fez ter saudades de tempos bons...
Beijos beijos gurias... estão demais os novos casos!!!

Amanda na terceira margem do rio disse...

Adorei o texto e a metáfora. Eu sempre pensei na música futuros amantes quando lembrava do amor que deixa de ser vivido, pois nessa música há um trecho q fala: "futuros amantes quiçá se amarão sem saber com o amor que eu um dia deixei pra vc". Aí eu sempre imagino q algum casal enamorado está vivendo e usando esse amor q eu tive q reprimir... Sei lá, cada um com suas comparações...

Amanda na terceira margem do rio disse...

Gostei tanto do seu texto q gostaria de saber se posso publicá-lo no meu blog, citando, é claro, as devidas referêNCIAS.

Gostei de saber q tem tanta gente q como nós desistiu de uma história de amor.

Vanessa disse...

Nossa, achei esse texto simplesmente perfeito. Parabéns!!!Principalmente pra mim, doida por Sex and the City.... Este texto traz à tona a memória de "n" pessoas que conhecemos e que por algum motivo, ficam na saudade... Porém, valem a pena só de relembrá-los ... momentos que eu costumo dizer: se pudesse congelar....:)

Amanda na terceira margem do rio disse...

Muito Obrigada por autorizar. E sim, pode deixar que assim q eu publicar avisarei pelo seu blog.
Ps.: Passei a semana inteira ouvindo a musica do Nirvana....
Ela é msm linda!

Amanda na terceira margem do rio disse...

Pronto, nasceu a margarida, digo, nasceu a postagem. Preferi esperar o carnaval passar pois ninguém lê nada no tal período. Pode divulgar e dar uma olhada.
http://umacancaoedipiana.blogspot.com/2011/03/ola-hoje-eu-trouxe-um-texto-de-uma.html

Amanda na terceira margem do rio disse...

PARABÉNS!! EM MENOS DE UMA SEMANA SEU TEXTO SE TORNOU O MAIS LIDO. PARABÉNS E SUCESSO.
BJS