segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

O caso de outro doido stalker

Caso clínico:

Homem, 28 anos, psicólogo, olhos e cabelos castanhos. Nariz e dentes bem feitos. Chato e entrão, daqueles que tentam ganhar intimidade de um jeito forçado.

Eu já contei aqui que eu tenho um perfil fake no Orkut. Tá, Orkut é muito, muito last season, mas ainda serve pra algumas coisas. Ou não serve, sei lá, nem acesso mais mesmo.

O fato é que ainda mantenho um perfil fetichento por lá e vez ou outra aparece um doido querendo fazer amizádji. Numa dessas vezes, conheci um rapaz que se dizia dominador e que gostaria de "estabelecer um contato comigo, me conhecer melhor e me mostrar que eu só preciso de um dono bem autoritário para que eu seja uma submissa de verdade". Ma oe... Sempre o mesmo papinho mole desse pessoalzinho fetichista.

Adicionei o moço pra ver até onde ia essa conversa de machão e acabei descobrindo que ele tinha feito a mesma faculdade que eu e na mesma época. Fucei todo o perfil dele e até que ele não me era estranho. Devo ter esbarrado com ele algumas vezes nos corredores da faculdade e devo ter achado o moço bonitinho.

Mas no perfil dele tinha uma foto que eu não esquecerei jamais. Nem a Brid, porque, é claro, compartilhei a imagem com ela. Primeiro plano da foto: ele, de óculos, super galãzinho. Fundo da foto: uma parede toda mal pintada, cheia de mofo, um rodo (!) e um armário Itatiaia (!!) véio, mas véio mesmo. Com a porta meio caindo.

Gente, foto é uma coisa MUITO importante. E tem gente que não tem o mínimo senso estético. E tem foto que me broxa total. Exemplos: foto no espelho do banheiro (principalmente de balada, pra mostrar que é descolado), foto dentro do carro (pra mostrar que tem um), foto na academia (pra mostrar que é bombado), foto em transporte público coletivo - ônibus, trem, metrô etc (só pode ser pra mostrar que é pobre, PÁBRE mesmo).

Bem, daí quando eu vi essa foto vexatória dele, num cenário que mais parecia um ferro-velho, todo o “encanto”, que já não era grande, sumiu. Mas continuei a conversa pelo MSN por conta da faculdade e por lembrar vagamente dele e tals. Juro que eu não tinha nenhum interesse nele.

As conversas no MSN renderam tanto que ele será tema de outros posts por aqui. Ele estava numa vibe de tentar me conquistar e eu super querendo achar mais um caso clínico pra contar pra vocês. Só que eu, não percebendo que o cara tinha um comportamento estranho e gostava de fazer mil perguntas, acabei passando algumas informações sobre minha vida pessoal. Burrice minha, eu sei. Mas eu pensei que eu estava fazendo amizádji mesmo.

Só percebi a besteira que fiz quando, uns dias depois, recebi um pedido de amizade, do Orkut, no meu email. NO MEU EMAIL PESSOAL. NO MEU ORKUT PESSOAL. E eu surtei porque o feladaputa teve a pachorra, a cara de pau, de ficar me procurando em todas as comunidades da nossa faculdade (que não são poucas). E ele só sabia meu primeiro nome. VACO, mil vezes VACO.

E Orkut pessoal é aquela merda, né? Pelas tuas comunidades e amigos, o cara consegue saber até que tipo de depilação você faz.

Gente, eu estava namorando! E meu namorado não sabia que eu tinha um perfil fake fetichento no Orkut! Daí como quem tem cu tem medo, eu saí deletando minhas comunidades. Apaguei a que tinha o sobrenome da minha família, a que chamava Todo *Lucas* (insira aqui o nome do meu namorado) é lindo, apagando tudo que é informação pessoal e que levasse o maluco ao perfil do meu namorado. E, claro, deixei o pedido de amizádji no limbo. Não cliquei nem no sim nem no não.

Horas depois, entrei no MSN pra falar com o doido. Tentei fingir naturalidade. Mas daí o maluco começou a perguntar qual era o meu sobrenome. Pra quê? Eu disse que era, sei lá, Goldschimidt (o sobrenome de solteira da minha tatatatatataravó). Mas ele, não contente em me deixar encafifada, fez a pergunta que desencadeou meu pânico:

- Qual é o nome do teu namorado?

Pra quê, Jeová? Por que saber o nome do meu namorado? Não respondi, claro, e na mesma hora liguei para o namorado. Inventei um desculpa horrível e pedi pra ele trancar o Orkut dele. Ele trancou. Ufa. Sem fazer perguntas. Ufa (2).

Bloqueei o maluco no MSN e torci pra ele sumir. Dez dias depois ele me manda um email perguntando se estava tudo bem e se eu ainda tinha interesse em ter um dono (oi?). Então inventei que eu estava passando por um momento muito ruim e reafirmei pela 49ª vez que eu não estava procurando nada, nem aquela Tele Sena da década passada que podia estar premiada.

Uma semana depois, recebi no meu outro email pessoal um pedido de amizádji. NO FACEBOOK! Mas como?!? Como ele me achou se não tem meu email pessoal e meu sobrenome não é Goldschimidt??? Indignada, mandei um email perguntando de que maneira ele me encontrou. Por que, né? Também queria conhecer essas estratégias de detetive que deixam as minhas no chinelo. Mas ele apenas respondeu dizendo que não tinha percebido que havia me adicionado e que eu era muito misteriosa.

Porra, o cara me conhece por causa de um perfil fetichento, que quase ninguém sabe que existe, fica fazendo insinuações que eu quero um dono (oi?), pergunta o nome do meu namorado, tenta entrar na minha vida, fuçando meus perfis em redes sociais sem a minha permissão e sem o meu conhecimento. E eu sou misteriosa?

Não mandei mais nenhum email, só que há dois dias ele me perguntou por que eu tinha apagado o meu Tumblr de imagens pornoeróticas, que estava linkado no meu perfil fetichento do Orkut.

Diagnóstico:

Stalker. Entrão. Folgado. Chato. Síndrome de Intimus Amigus Coloridus que Quer Estragar o Namoro Alheio (SIACQENA). Sei lá, foi isso o que eu pensei. Pode até ser coisa da minha cabeça, mas, gente, fiquei com medo de verdade de esse maluco atrapalhar minha vida.

Tratamento:

No momento, estou aplicando um tratamento meio arriscado. Estou me fazendo de louca também. Eu disse que apaguei o Tumblr porque o mau momento que estou vivendo me fez repensar a vida, e a igreja que ando frequentando está me ajudando muito a colocar a cabeça no lugar. Logo, estou me afastando das coisas que me levam para o caminho do mal.

Por enquanto, ele não deu mais nenhum sinal de vida, mas é cedo pra comemorar. Vamos torcer pra ele ter cansado de tentar ser meu amigão.

***

Para ler ouvindo: Walking after you, do Foo Fighters (aqui). É uma música fofa e, felizmente, ela me lembra outra pessoa.

*****

Queridos,

Brid e eu viajaremos neste fim de ano. \o/

Então, posts novos só depois que esse período de festas passar e a gente voltar à triste realidade.

Bom Natal pra quem gosta dessas coisas de Natal.

E um 2011 leendo, leendo pra todos vocês!

;-)

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

O caso do Doido Jornalista


Nem vou me desculpar mais pelo atraso na postagem porque isto já está virando um hábito, não é mesmo? Mas gostaria que todos entendessem o quanto tem sido difícil parar para escrever, sabiam? Nunca vi um Fim de Ano tão corrido. O de vocês também está assim?

Mesmo assim, perdão, gente!

De qualquer forma, conto com a compreensão e paciência e peço humildemente que continuem sempre nos visitando, divulgando, e comentando. Isso motiva, viu?

E por falar em compreensão, amor, Balas Juquinha e Conguinha com cheirinho, lembrei-me de um doido da época da faculdade (meu quórum é praticamente todo montado com "caras da faculdade" – já que passei metade da minha vida lá – e "amigos dos meus primos". Aliás, eu já sugeri para minha tia abrir uma agência matrimonial. Ela está perdendo uma grana violenta reservando seus serviços à minha pessoa. Mesmo porque, eu já cheguei a conclusão que sou um caso perdido.

CASO CLÍNICO: Homem, 26 anos (na época), estudante de Jornalismo, 1, 90m., olhos e cabelos (fartos) castanhos, não era lindo, mas tinha um dom: Prosódia. Digamos que além de ser extremamente divertido (no começo), ele deve ter tido aulas de retórica com o Platão ou o Sócrates.

Nós nos conhecemos por intermédio de um amigo. Imaginem que numa mesa de bar com dezoito pessoas aproximadamente, ficamos só nós dois conversando individualmente até que os dezoito dizimaram-se em "Ele e eu", cerca de 5 horas depois de muito papo de revistinha. Sabem como é, o esquema Eduardo e Mônica: escola, cinema, sexo dos anjos, e televisão.

Tal e qual Eduardo e Mônica, trocamos telefones, depois telefonamos e decidimos nos encontrar. Tirando o fato dele falar mais do que eu, estava tudo tranquilo. Dirigia maravilhosamente bem, o que no meu ranking de pontos significa bastante. Foi me buscar em casa e não se atrasou, o que significava "interesse" (se bem que se o rapaz não for te pegar na sua casa, é melhor que ele seja lindo, sensual, forte, inteligente e bom de cama, viu? Fica a dica.).

"Pegamos afeto" e começamos o que eu chamaria de namoro, não fosse eu tão apavorada com este termo.

O fato é que ele era chato.

Não tô dizendo chatinho, daqueles que um dia ou outro aparecem com um CD do Richard Clayderman ou do Ray Connif para vocês dois ouvirem juntinhos (sim, pessoas, já tive um caso destes). É chato num nível Professional Advanced.

Certa feita, ele e o namorado da Lee na época (tenho pena dos namorados da Lee todas as vezes que eu os brindo com amizades forçadas de meus doidos!) estavam vendo TV na minha casa. Acreditem ou não, eles ficaram vendo o "Canal do Boi" por uns 40 minutos e meu Doido Jornalista estava "comentando" o evento. O namorado da Lee estava tão apoplético que acho que nem teve coragem de pedir para mudar de canal ou sair da sala. Mas, óbvio que ele contou esta história nas nossas rodinhas de amigos até o dia em que a Lee resolveu coloca-lo para correr, o que achei bem feito.

Doido Jornalista, além de chato começou a se mostrar arrogante, pedante, grosseiro e egocêntrico. Até aí tudo bem, mas a coisa ficou chata quando eu percebi que a história toda se estendia até mim. Ser tudo isso com a humanidade e me fazer passar vergonha, belezêra! Mas começar a ser arrogante com a minha pessoa e fazer com que eu tivesse vontade de morrer de tédio e me enforcar com o fio dental após o jantar... bem aí já era demais.

Eu achava excitante no começo quando ele falava de coisas legais (ele era bem viajado e tal), comidas exóticas do Sri Lanka, vinhos Pinô Noar Veuve Cliquô Xardonei e tal. Mas depois aquilo me fazia querer tomar vinho Natal com a Lee no portão da casa dela em copos de plástico descartável. Juro, gente – cansa!

Ficamos juntos por 6 meses, oito dias e nove horas.

Motivo: Sexo. Não era bom – era ótimo. E Deus me fez assim - fraca da carne.

DIAGNÓSTICO: Síndrome de Narciso, Chaticis Cronicuum (CC) e falta do que fazer, né? Porque "Canal do Boi" para quem nem sabe o que é um sítio, é de fato muita falta de vida para tomar conta! Se bobear, ele assistia "Leilão de Jóias" também. Eu não duvido.

TRATAMENTO EFETUADO: Um dia eu encontrei um rapazinho legal, que adorava saber coisas de mim, me achava linda e repetia isso o tempo todo, gostava de vinho Natal e de ser agradável. Troquei sem piedade, afinal, substituição é o novo preto nos dias de hoje. Não que seja um hábito (será?), mas é sempre bom saber que o mundo tá cheio de gente. Obrigada, deus!

Para ler ouvindo: Walk Away do Franz Ferdinand. Porque eu nunca me canso do Franz Ferdinand. E porque eu adorei "the sound of him walking away".