De volta.
Lee e eu pensamos muito no que poderia ser um bom post de retorno e são tantas histórias, que sinceramente, não dá para dizer qual é a melhor para figurar aqui, nesta re-estréia (com hifen? sem hífen? tantas indagações!). Não sei se perdi a mão, se perdi o humor, se amadureci ou se fiquei ainda mais infantil. Ciumenta, ainda sou. Talvez, ainda mais (porém descobri os Florais de Bach e a Yoga "Ragatanga" – recomendo!). Aprendi que atirar no amigo de paintball a 2 metros de distancia pode machucar. E aprendi que não sermos totalmente sinceros com as pessoas que amamos pode machucar também... Até mais.
Dito isto, enquanto Lee e eu falávamos de doidos da faculdade (eles figurarão aqui em peso, lembramos de vários), eu me recordei de Doido Esquecido.
CASO CLÍNICO: Homem, caucasiano, 23 anos (na época), loiro, olhos de cor indefinida, um metro e noventa (porque sou destas baixinhas que não se fazem de rogadas), futuro arquiteto. Ele era bonito, tenho que admitir, e lembro-me que a Lee o apelidou de "Thor", a despeito da loirice e dos cabelos num corte um tanto quanto "He-Man" (ela tentou chama-lo de He-Man, mas não deixei. Fechamos com "Thor" depois de muita discussão).
Festa na FAU (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo) com bandinha, futuros arquitetos, vinho barato, muitas marias, muitas joanas e nesta particularmente, muitas meninas da Letras. Lee já havia se "enturmado" com um lindo rapaz com camiseta do Seu Madruga (que apelidei de "Racha Cuca") e eu estava sentada num daqueles bancos gelados do pátio da faculdade. Quando decidi me levantar (pois minha bunda já estava dormente), Doido Esquecido chega até mim e diz:
Doido Esquecido: Você é de que faculdade?
Eu: Letras.
Doido Esquecido: Eu tenho chance com uma menina de Letras?
Eu: Depende. Você sabe escrever seu nome direitinho? Sem errar?
Doido Esquecido: O primeiro nome sim. Mas o sobrenome eu ainda dou uma "coladinha". Sou filho de poloneses.
Espirituoso. Não é que eu estava facinha (eu estava), mas adoro esta coisa de ter respostas tão debochadas quanto minhas perguntas. Isso é raro e valioso, meninos.
Depois disso, conversamos sobre "cachorros" (é, o repertório de espirituosidade do rapaz não era assim tão vasto), e ele falou: "Vou te beijar, pode ser?" eu fiz que sim com a cabeça e ele se encarregou de fazer o resto. Eu, por minha vez, fui receptiva e cordata.
(Pausa Investigativa I): Eu percebi que de vez em quando ele tinha uns "tiques" com a cabeça, sabem? Eu achei que era para tirar o cabelo do olho e tal (Fim da Pausa Investigativa I).
Nos despedimos, mas trocamos telefones e mantivemos contato durante toda aquela semana e na outra, mas nossos horários não batiam (estranho porque estudávamos no MESMO horário e ele não trabalhava), então não nos vimos mais.
(Pausa Investigativa II ou "Eu deveria ter desconfiado"): Nestas conversas telefônicas, ele as vezes dizia frases meio desconexas. Não sei se era culpa da Maria ou da Joana, só sei que uma vez ele falou: "Sabia que eu não lembro do seu rosto? Eu sei que você é gatinha, porque eu não sou míope, mas não faço ideia de como seja seu rosto!" – muito sensível, muito galante, como vocês perceberam. (Fim da Pausa Investigativa II)
Até que uma nova festa na FAU foi divulgada. Liguei para ele (sim, eu fiz a mendiga – não me julguem, ok?) e perguntei se ele ia. Ele, me deu uma desculpinha de que o irmão gêmeo estava com escarlatina e disse que não iria, no que eu disse que também não estaria lá. Sou destas, solidárias com a escarlatina alheia.
Lee, que estava de caso (um belo caso, inclusive – vale post) com o "Racha Cuca", tinha que ir a qualquer custo, mas não queria aparecer lá sozinha para não "dar bandeira". O que uma amiga faz nestas horas? No meu caso, eu fiz o sacrifício de matar a aula de Latim V (na qual fui reprovada 3 vezes, vale lembrar), e ir até a tal festinha.
Chegando lá, o moço com a camiseta do Seu Madruga, agora vestia uma do Cauby Peixoto on Acid (ou seria do filme "O que terá acontecido a Baby Jane?") e foi logo atrás (opa!) de Lee, que sem a menor cerimônia me largou desamparada, jogada aos leões e aos garotos com mullets. Avisto de longe o Doido Esquecido. Ele vem até mim. Tenho certeza que ele me reconheceu e está feliz em me ver por ali. Chega perto, sorri e dispara:
- Oi, você é de que faculdade?
DIAGNÓSTICO: TDA (Transtorno de Déficit de Atenção), CP (Cara de Pau), LAE (Laricus ad Eternum), AP (Alzheimer Precoce) e CPC (Complexo de Principe da Cinderela) – vocês também nunca desconfiaram do tal do príncipe que precisava experimentar o sapato no pé da moça? Como assim? Ele não lembrava da cara dela? Sempre achei que este príncipe usava anfetaminas ou coisa assim.
TRATAMENTO EFETUADO: Fiz a minha mais singela cara de cu e fiquei olhando para ele. Achei que ele ia me perguntar se eu era muda, mas antes dele entrar neste aspecto, eu sorri. Só para ter certeza se ele me reconheceria, com meus 60 dentes (são de fato grandes, leitores). Ele olhou de novo, com aqueles olhos de ressaca (/Capitu) e esperou a resposta. Respondi:
- Sou da Letras, mas você não tem chance nenhuma comigo, (nome do Doido)!
Ele, idioticamente rebateu: "Você sabe meu nome?"
Nisso, decidi que ele era um caso perdido. Fui embora sem explicações. E aprendi que, nem sempre os rapazes estão interessados em continuar a "ficadinha" quando dão telefone deles e te ligam. E que é muito mais válido, um míope de óculos, bem nerd, do que um Thor laricado com tique nervoso.
Fica o conselho.
Para ler ouvindo: "Hello" do Lionel Richie. Ela (a moça do clipe que vc pode ver AQUI), não conseguia ver (era cega) e até que fez uma escultura boa do Lionel. O Doido em questão, ainda que tendo apalpado (ui!) o meu rosto insistivamente, não seria capaz de me descrever para um retrato-falado, sequer para um amigo, só para dizer: "Ta vendo aquela loira, ali? Catei!". É, leitores. Dureza!
Post Scriptum: O doido, acreditem ou não, me ligou de volta algumas vezes, mas eu não atendi. Até hoje, não sei se ele lembrou de mim depois ou se queria continuar a jogar conversa fora por telefone... ou se ele era mesmo meio doido.