Este é um texto de devaneios. Leiam esses pensamentos confusos cientes disso.
Caso clínico:
Homem, trinta e poucos anos. Já passou por aqui algumas vezes, mas minha autocensura me impede de identificá-lo novamente. Sim, eu tenho vergonha de ele ainda estar presente na minha vida depois de ter dito tantas vezes que a história havia acabado.
Fiquei meses sem falar com ele. Até que um dia meu celular tocou e eu atendi sem ver quem era. Quando ouvi a voz, meu coração saiu do peito por alguns segundos. Conversamos longamente sobre assuntos que tinham ficado pendentes. Ele falou coisas que fizeram com que algumas lágrimas insistentes brotassem. Tive a impressão de que ele também chorava entre uma frase e outra. Rimos de uns mal-entendidos que só são possíveis graças à internet e depois de alguns minutos eu já não o odiava mais. E se fosse só não odiá-lo mais, eu estaria aliviada e este post nem existiria.
No dia seguinte à conversa, eu já tinha aquela estranha sensação de nunca ter odiado o doido. Passei a me questionar por que eu tinha me afastado, já que ele era tão legal comigo e entendia tão bem meus momentos de insanidade.
Acho que já disse por aqui que eu nunca substituo pessoas. Vou acumulando meus doidos, deixando-os escondidos lá no fundo da caixinha de lembranças. Quando eles resolvem aparecer, eu vou tirando cada momento bom e deixando na caixinha do momento presente. Os acontecimentos ruins eu não guardo e talvez por isso meu sentimento de raiva seja tão passageiro e tão fácil de ser transformado em um sentimento bom. E isso, sinceramente, acho que não é nada bom.
Assim, cada “não” que eu recebi dele, cada decepção que eu vivi e cada minuto de espera por algo que nunca aconteceu foram pensamentos que diminuíram após aquela conversa ao telefone. E relevar tudo isso por causa de alguns minutos de conversa, pra mim, é muito maluco. Eu me assusto com essa facilidade que eu tenho de esquecer. Não só de esquecer, mas de reviver uma coisa em que eu não acreditava mais. E, inevitavelmente, após a conversa, eu tive um rompante de querer fazer dar certo um caso que já tinha sido dado como perdido e arquivado.
Conversando com um amigo, eu me dei conta do tipo de comportamento desse doido. Meu amigo disse algo que me fez pensar muito: “você sabe que essas pessoas psico são extremamente carismáticas e manipuladoras, né?” Sim, eu sei que isso acontece, mas apesar de esse meu doido ter realmente alguns problemas, eu nunca associei a maneira encantadora de falar comigo com o fato de ele ser dodói da cabeça. Seria uma associação muito simples se eu não gostasse do doido, mas gostando dele tudo fica muito mais complicado. Sempre quis acreditar que ele me amava e que as fantasias que tínhamos juntos seriam vividas um dia. Nunca cheguei a pensar realmente que o discurso carismático dele era fruto de um problema sério.
Como meu amigo disse, o Doido Manipulador deste post, com seu discurso carismático, me seduz com uma fantasia, com uma ideia que ele ama, mas que ele nunca viveu. Pior: com uma ideia que eu também amava e que ele nunca me deixou viver.
Diagnóstico:
Manipulação Carismática (MC) resultante de Doença Mental Não Totalmente Diagnosticada (DMNTD).
Tratamento recomendado para Dra. Lee:
Em vez de acreditar no discurso do Doido Manipulador “eu te amo e peço, por favor, pra você me deixar te fazer bem pelo menos uma vez”, eu deveria acreditar no sonho que tive, em que ele me dizia que não sabia gostar de ninguém. Pensando assim, tudo faria mais sentido neste momento.
Não entrar na loucura dele de novo, é o que as pessoas que me querem bem recomendam.
Além do mais, não sou psico nem doente como ele. Errr... Sou?
[to be continued]
Anotações posteriores:
O amigo que me deu um chacoalhão essa semana não deve ler este blog. De qualquer forma, se estiver lendo, peço desculpas por usar nossa conversa neste post. Mas ela foi importante pra mim e eu precisava falar sobre isso hoje. ;-)
************
Para ler ouvindo “Outsiders” (aqui), do Franz Ferdinand, que tocou aqui em São Paulo na semana passada. O vídeo não é da apresentação no Via Funchal porque nós não tivemos condições físicas de gravar nada. No entanto, o show com a Brid, a Dolores Haze, dois amigos anônimos e o queridíssimo Paulo, do blog Num cantinho escuro (aqui) foi incrível!
UPDATE:
Caso clínico:
Homem, trinta e poucos anos. Já passou por aqui algumas vezes, mas minha autocensura me impede de identificá-lo novamente. Sim, eu tenho vergonha de ele ainda estar presente na minha vida depois de ter dito tantas vezes que a história havia acabado.
Fiquei meses sem falar com ele. Até que um dia meu celular tocou e eu atendi sem ver quem era. Quando ouvi a voz, meu coração saiu do peito por alguns segundos. Conversamos longamente sobre assuntos que tinham ficado pendentes. Ele falou coisas que fizeram com que algumas lágrimas insistentes brotassem. Tive a impressão de que ele também chorava entre uma frase e outra. Rimos de uns mal-entendidos que só são possíveis graças à internet e depois de alguns minutos eu já não o odiava mais. E se fosse só não odiá-lo mais, eu estaria aliviada e este post nem existiria.
No dia seguinte à conversa, eu já tinha aquela estranha sensação de nunca ter odiado o doido. Passei a me questionar por que eu tinha me afastado, já que ele era tão legal comigo e entendia tão bem meus momentos de insanidade.
Acho que já disse por aqui que eu nunca substituo pessoas. Vou acumulando meus doidos, deixando-os escondidos lá no fundo da caixinha de lembranças. Quando eles resolvem aparecer, eu vou tirando cada momento bom e deixando na caixinha do momento presente. Os acontecimentos ruins eu não guardo e talvez por isso meu sentimento de raiva seja tão passageiro e tão fácil de ser transformado em um sentimento bom. E isso, sinceramente, acho que não é nada bom.
Assim, cada “não” que eu recebi dele, cada decepção que eu vivi e cada minuto de espera por algo que nunca aconteceu foram pensamentos que diminuíram após aquela conversa ao telefone. E relevar tudo isso por causa de alguns minutos de conversa, pra mim, é muito maluco. Eu me assusto com essa facilidade que eu tenho de esquecer. Não só de esquecer, mas de reviver uma coisa em que eu não acreditava mais. E, inevitavelmente, após a conversa, eu tive um rompante de querer fazer dar certo um caso que já tinha sido dado como perdido e arquivado.
Conversando com um amigo, eu me dei conta do tipo de comportamento desse doido. Meu amigo disse algo que me fez pensar muito: “você sabe que essas pessoas psico são extremamente carismáticas e manipuladoras, né?” Sim, eu sei que isso acontece, mas apesar de esse meu doido ter realmente alguns problemas, eu nunca associei a maneira encantadora de falar comigo com o fato de ele ser dodói da cabeça. Seria uma associação muito simples se eu não gostasse do doido, mas gostando dele tudo fica muito mais complicado. Sempre quis acreditar que ele me amava e que as fantasias que tínhamos juntos seriam vividas um dia. Nunca cheguei a pensar realmente que o discurso carismático dele era fruto de um problema sério.
Como meu amigo disse, o Doido Manipulador deste post, com seu discurso carismático, me seduz com uma fantasia, com uma ideia que ele ama, mas que ele nunca viveu. Pior: com uma ideia que eu também amava e que ele nunca me deixou viver.
Diagnóstico:
Manipulação Carismática (MC) resultante de Doença Mental Não Totalmente Diagnosticada (DMNTD).
Tratamento recomendado para Dra. Lee:
Em vez de acreditar no discurso do Doido Manipulador “eu te amo e peço, por favor, pra você me deixar te fazer bem pelo menos uma vez”, eu deveria acreditar no sonho que tive, em que ele me dizia que não sabia gostar de ninguém. Pensando assim, tudo faria mais sentido neste momento.
Não entrar na loucura dele de novo, é o que as pessoas que me querem bem recomendam.
Além do mais, não sou psico nem doente como ele. Errr... Sou?
[to be continued]
Anotações posteriores:
O amigo que me deu um chacoalhão essa semana não deve ler este blog. De qualquer forma, se estiver lendo, peço desculpas por usar nossa conversa neste post. Mas ela foi importante pra mim e eu precisava falar sobre isso hoje. ;-)
************
Para ler ouvindo “Outsiders” (aqui), do Franz Ferdinand, que tocou aqui em São Paulo na semana passada. O vídeo não é da apresentação no Via Funchal porque nós não tivemos condições físicas de gravar nada. No entanto, o show com a Brid, a Dolores Haze, dois amigos anônimos e o queridíssimo Paulo, do blog Num cantinho escuro (aqui) foi incrível!
UPDATE:
Aos que me perguntaram de Mr. Holloway (até mesmo por e-mail!), acho que devo esclarecer que a história com ele foi suspensa sem previsão de retorno. Muitas coisas aconteceram nos últimos meses e, no momento, não estamos juntos. Não, não estou feliz por isso. Ainda mais porque tenho uma parcela de culpa por esse término. Até pensei em escrever esta semana sobre ele, mas achei que o término da Brid (post da semana passada) com outro término meu seria carga dramática demais neste blog que tem o inuito de ser uma maneira divertida de enxergar nossas historias. Juro que quando eu conseguir escrever de uma maneira menos emotiva, conto pra vocês o que aconteceu.