domingo, 7 de março de 2010

O caso do doido stalker

Caso clínico:
Homem, 32 anos, publicitário, moreno, baixinho e com uma bela barba eternamente por fazer. Eu o conheci na universidade quando ele começou a cursar Grego Clássico. Embora ele fosse pequenino, aqui poderia entrar aquele clichê básico “ah, ele era de fato um deus grego” devido a sua beleza e ao seu garbo.
Ele tinha, então, o requisito básico para eu me apaixonar (=baixa estatura). E foi o que aconteceu. Encarnei no rapaz, virei um encosto. Hoje, revendo as coisas que eu fiz pra me aproximar dele, fico com vergonha porque eu praticamente o perseguia. Não, não era “praticamente”. Eu o perseguia de fato, pois eu tinha técnicas pra isso. Eu cruzava informações de amigos, de Orkut, de blog e da minha intuição (já disse que minha intuição é incrível?) e, assim, eu conhecia a rotina dele, o que acontecia de diferente em sua vida e os seus gostos. Mulheres que nunca fizeram isso: podem começar a me enxovalhar.
Mas por mais que eu me esforçasse pra estar presente na vida dele, ser uma pessoa legal e disponível, ele nunca me deu nenhum tipo de feedback para que eu acreditasse que ele tinha interesse em mim. Então, depois de alguns meses como stalker, eu colei os caquinhos da minha dignidade e desisti.
Tempos depois, por coincidência, nós nos inscrevemos numa disciplina do curso de Ciências Sociais e retomamos o contato nas aulas. Ele ainda era baixinho e bonito, mas eu já nem o achava tão interessante como antes. Talvez porque na mesma época eu tenha conhecido meu caso clínico mais antigo (aqui) e dali em diante eu passei a pensar somente nesse outro baixinho.
Porém, o doido da faculdade começou a me procurar insistentemente e a me convidar para tomar um vinho, ouvir um CD e dormir no apartamento dele. Eu nem o condeno por ter sido tão direto, já que na época em que eu o perseguia era exatamente isso o que eu queria.
Bem, mas eu recusava todo e qualquer convite do doido com bastante elegância para que fossemos amiguenhos (leia-se: para deixá-lo em stand-by para qualquer situação emergencial). Porém, a insistência dele começou a ficar estranha e a presença dele na minha vida a não se limitar mais à universidade.
Eu o encontrava, “coincidentemente”, quando eu saía do trabalho, no parque onde eu caminhava nos fins de semana, no cinema, no meu restaurante japa favorito, na balada mais underground (a palavra “underground” é last season?) de São Paulo. Nossas vidas viraram uma grande coincidência!
Além disso, eu recebia diariamente ligações, que eu não conseguia identificar, de pessoas mudas. Ao mesmo tempo, ele deixava emails e recados identificados no meu Orkut (alguém conhece um uso saudável para o Orkut?). E tudo isso começou a me aborrecer de verdade. Além de me encher o saco, ele começou a me assustar. Vocês não achariam que ele era um maníaco? Ou só eu tenho esses pensamentos dramáticos?
Diagnóstico:
Talvez a intenção dele tenha sido me dar uma lição pelo meu comportamento de doida stalker quando nos conhecemos. Se foi isso o que aconteceu, ele foi elegante o suficiente pra não me contar. Mas eu adoraria dizer pra ele que a técnica dele pra afastar doidas funcionou comigo! Ha!
De qualquer forma, ainda acho que ele era um stalker. Maníaco. Insano. Eu até poderia pegar leve, dizendo que ele só estava gostando realmente da minha companhia e insistindo um pouco para que eu saísse com ele. Mas encontrá-lo, do nada, num canto escuro da balada underground me deixou realmente com medo.
Tratamento aplicado:
Liguei para ele e marquei uma cerveja num lugar bastante movimentado. Muita gente, muita luz, muita segurança.
Ele ficou um tanto assustado quando comecei a falar da perseguição dele. (Oi? Será que não era evidente que eu ia perceber as coincidências ridículas?). Ele se desculpou, mas saiu do bar jurando pela mãe que os encontros eram casuais mesmo.
Depois dessa conversa, eu o encontrei ainda diversas vezes nas aulas. Ele me olhava com cara de desconfiado, e eu com cara de vítima. Mas nem nos aproximávamos muito. Achei melhor assim.
Anotações posteriores:
Uma amiga, que ainda tem contato com ele, contou que ele perguntou esses dias sobre mim e meu namorado. Queria saber se tínhamos casado e tal. Minha amiga, sabendo do histórico do rapaz, respondeu: “Sim, ela casou e o marido é da máfia italiana. Da M-Á-F-I-A!”
Amo meus amigos.
Para ler ouvindo The Strokes, com Take it or leave it (aqui). Ok, o vídeo é do programa do Letterman (blé), mas eles estão leendos.

42 psicanalistas diagnosticaram:

Paulo disse...

Ninguém merece um stalker... já tive o meu, já encarnei o stalker também... aliás, quem nunca fez isso na vida???

E não, orkut não tem outra função que não seja matar a curiosidade alheia, hehehe!


beijo!

Laélia...(LaaH) disse...

bom... ele nao tava fazendo por querer... senao teria ja invadido se ap com a historia de que amigo do vizinho e tal... bom.. eu faria...!!kkkk

Vanilla disse...

Ai, depois do doido quietinho, doido stalker rs ...
Morri de rir e o arremate foi perfeito: “Sim, ela casou e o marido é da máfia italiana. Da M-Á-F-I-A!”

Máfia kkkk

Ótimo ler isso no finalzinho da noite de domingo, e considerando que amanhã é feriado pra mim, rs, e nosso dia neh (das supermulheres)!
Beijos queridas e boa semana p/ nós.

Bridget Jones disse...

Ameega!

Cheguei agora na repartição e o que eu vejo? A história do seu stalker universitário que eu tanto amo (a história, não o stalker)! Vamos aos apontamentos? Vamos!

1. Ele, apesar de pouco desenvolvido "estaturalmente", era de fato gatíssimo, gente. Era gato e tinha um amigo ruivinho q eu era fissurada. Eu o chamava carinhosamente de "galego" (o ruivinho), mas... opa, fugi do foco. Voltando.

2. Esta caçada ao rapaz, deu a nossa amiga Lee o apelido de ORKUTETIVE. Ela virou uma ninja em Orkut. Consegui rastrear até as amizades mais longinquas das outras pessoas por aí e descobria coisas (e coincidencias) que até deus duvidaria. Os serviços de Lee eram muito úteis, eu tenho que admitir.

3. Eu não sou stalker. Pelo contrário. Se eu estou interessada no indivíduo, eu paro de investigar. Caso contrário, eu passo raiva, pq o que tem de menininha fazendo as vezes da fã numero 1 nos Orkut's da vida não tá escrito no gibi (/gíria idosa).

4. A amiga que ainda tem contato com o doido, não sou eu. Mas agora q a lee lembrou dela, vou perguntar se ela sabe notícias do ruivinho galego...

beijovamostalkearalguembonito!

8 de março de 2010 08:12

RaH disse...

Olá, queridas!
estou passando pra desejar um feliz dia das mulheres para nós!
Mas na verdade, quem disse que nosso dia é o 8 de março?
Todo dia é dia...!
haha!

=D

BeijO

(depois volto com calma pra ler o caso do doido stalker, pois passei rapidinho)

Mulher Paraense disse...

**Feliz dia das mulheres**
Bom dia meninas!
Passado de homem é que nem cozinha de boteco, melhor não conhecer...

bjsbjs

nada complicada disse...

Olá meninas!!! eu morro de medo de gente me perseguindo, minha mãe é ainda pior que eu, ela sempre acha que quando meus ex casos querem voltar a ser atuais é porque eles são psicopatas... ela fala tão sério que às vezes tenho medo dela tbm rsrsrs...
Adorei o caso
bjocas

Loo disse...

conheço tanto ... meus pais foram viajar, vamos ouvir um Cd, tomar um vinho, conversa vai, conversa vem

Dolores Haze disse...

Tá... confesso q saí correndo atrás de um doido no corredor da faculdade. Ele ia me deixar falando sozinha e eu fui atrás pra continuar a conversa. Eu já fui uma stalker, agora estou sóbria a 3 dias... rsrsrs.

Luiz disse...

"Eu o perseguia de fato, pois eu tinha técnicas pra isso. Eu cruzava informações de amigos, de Orkut, de blog e da minha intuição (já disse que minha intuição é incrível?) e, assim, eu conhecia a rotina dele, o que acontecia de diferente em sua vida e os seus gostos."

Puta que pariu!! Estou sendo seguido!!! O.O

naotavaassim disse...

Hahaha!! Fiquei imaginando o pequeno rapaz brotando do escuro na balada, ou surgindo do balcão do restaurante, vestido de sushi man...

Incrível... Hahaha

studiophotoarte disse...

Rs estou aqui rindo ,,,rs rs
Conheci seu blog agora, aquelas coisas de navegando e chegando, rs
Adorei, vou voltar com certeza.
Posso?
bjs
sandra

Lee Holloway disse...

PAULO: acho que todo mundo tem um pouquinho de stalker, né?

O Orkut me matou tantas curiosidades que eu peguei trauma. Juro. Hoje em dia eu prefiro não saber de nada! rs

Beijinho!

Lee Holloway disse...

LAAH: tempos atrás eu tb teria usado a história de "sou amiga do vizinho". rs

Lee Holloway disse...

VANILLA: MÁFIA! É que tem tudo a ver comigo! Não sou da máfia, claro, mas isso se encaixa no contexto da minha vida. Não sei se expliquei, mas enfim...rs

Beijo, querida!

Lee Holloway disse...

BRID: o galego!!! rs

Na verdade, era um booooom galego.

Eu tb acho que eu era uma boa detetive, viu? Minhas técnicas combinadas com minha intuição sempre me davam resultados certeiros. Se eu não fosse tão boa nisso eu não teria abandonado essa vida.

Hoje acredito muito naquela famosa frase: "a ignorância é uma bênção". Amém.

Beijovaiatrásdogaleguinho!

Lee Holloway disse...

RAH: todo dia é dia de nos tratarem como nós merecemos. ;-)

Mas feliz dia internacional das mulheres (atrasadinho) pra todas vocês!

Lee Holloway disse...

MULHER PARAENSE: concordo e ainda acrescento que, às vezes, nem o tempo presente do homem é bom a gente conhecer.

Beijinho!

Lee Holloway disse...

NADA COMPLICADA: eu tb sou superencanada com gente aparecendo do nada na minha vida. Mas confesso que eu brinco muito com o perigo também. :D

Beijo!

Lee Holloway disse...

LOO: ahahahaha! Essa historinha a gente conhece há muito tempo, né? E a gente cai nela quando quer.

Lee Holloway disse...

DOLORES HAZE: mentalize, reflita, respire fundo e continue que você conseguirá romper a barreira dos três dias.

Mas se eu fosse você, se me deixassem falando de novo eu corria atrás também. Porque ninguém pode fazer isso comigo! :D

Lee Holloway disse...

LUIZ: é bem provável que vc esteja sendo seguido mesmo.

Tome cuidado com as informações sobre sua vida que estão disponíveis na internet. A dica é clichê, mas é de ÔRO.

Lee Holloway disse...

NÃO TAVA ASSIM: sushi man! rs. Medo, medo, medo.

Moças e rapazes: só façam surpresa quando tiverem certeza de que a outra pessoa vai achar a surpresa boa. Serião.

Lee Holloway disse...

SANDRA: claro que pode! Volte e compartilhe suas experiências neste consultório. Todo mundo já teve um doido na vida. ;-)

Beijos pra todos!

Páginas da minha vida disse...

kkkkkkkkkkk que medo desse doido!
eu não sei se era para mim, não sei, mas já teve uma época que aqui em casa, todos os dias, alguém ligava de um número restrito, e ficava quieta quando eu falava "alô".fiquei apavorada!

imagina alguém me perseguindo...

corajosa vc. eu nem saía com ele!

bjs

Lee Holloway disse...

PÁGINAS DA MINHA VIDA: isso é comum, né? Acho que esses mudos do telefone, além de doidos são tarados. rs

Mas que dá medo, dá!

Beijinho!

Gabrielle disse...

ah minha querida Brid se eu te conto do meu ex doido...
em um projeto da facul eu trabalhava com 20 idosos e ele simplesmente ia na casa de todos a fim de saber se eu estava no bairro ou havia passado por la e onde porventura estaria... certa feita eu, doida como tbm sou fui fazer visita domiciliar as 13 da tarde sob o sol simplesmente desumano e caudaloUso de Manaus, tipo assim, uns 43 graus sem vento e úmido como so nossa terrinha é, em um esgoto a céu aberto chamado sucupira procurando velhinhos desamparados, doentes e carentes, quem eu encontro??? pois é, quase cai no alagado nojento e fedegoso de susto e terror e medA... qq dia te conto a estória deste, beira o ridículo o fim desta... me identifiquei a beça... sempre passo por aqui a pesar de nem sempre comentar, saudades dos tempo de parceria do para raio com o antigo equilibrador de pratos; eram contos maravilhosos que nao esqueço... um queijo meninas...

Dayne S. disse...

'De qualquer forma, ainda acho que ele era um stalker. Maníaco. Insano...
Mas encontrá-lo, do nada, num canto escuro da balada underground me deixou realmente com medo.'


Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk!
Chega, Jesus!
Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk!

Saudades dos posts *-*

iaiá disse...

olha, doido stlaker, nunca tive. eu já fui stalker ligeira quando tinah 15 anos e era xonada num cara da escola. mas amo amigas que nos defendem e dizem que nossos namorados são da máfia, faixa preta de karatê, judô ...o escambau. acho digno

Henrique Haddefinir disse...

Lee, um doido stalker faz parte da vida de todo mundo. Ser um pouco assim também. Eu mesmo já conheci um cara nua noite de boate que depois de dez minutos estava me convidando pra ir pra Bahia com ele. Me ligou 34 vezes no dia seguinte. E eu mesmo já passei da medida. O seu caso é raro porque o doido em questão já foi vítima da sua maluquice. Eu acho que vc estava meio paranóica mesmo e derepente o rapaz não tinha culpa no cartório. Mas tambe´m há a possibilidade de ele ser um maluco antigo que na época em que vc o perseguia estava perseguindo outra pessoa. Deve ter sofrido uma medida cautelar e então voltou as atenções pra vc.
Saudades de vocês.

Mara Modesto disse...

Quanto a bisbilhotar via Orkut - ou qqr outra rede social onde o fulano esteja cadastrado: concordo que a ignorância seja uma bênção! Também parei com essa droga. Ok, to parando. Amanhã eu paro, juro!
Adorei o blog, vou virar leitora assídua pelas próximas 2 semanas e dps vou perder a vergonha na cara e ficar com preguiça de abrir a página.
beijosmeajudemamatarumdanielcleaver, sim? hihihi
Mara

Lee Holloway disse...

GABRIELLE: vou responder pela Brid, tá? Eu tenho certeza de que ela nem lembra dessa parceria! rs. Brid sempre escreveu melhor sozinha. :D

Fique à vontade pra contar todos os detalhes da sua história pra gente. Fiquei curiosa pra saber do final. Se quiser mandar por e-mail...

Lee Holloway disse...

DAYNE: a gente tá tentando voltar com a regularidade dos posts, viu? Apesar da correria diária, faremos o possível.

;-)

Lee Holloway disse...

IAIÁ: amigos cúmplices são raros, mas são tão importantes! E essa amiga, ao dizer que “meu marido” era da máfia italiana, procurou ser verossímil. :D

Lee Holloway disse...

HENRIQUE HADDEFINIR: gosto tanto dessa tua foto!

Bahia? E vc não foi? rs

Quanto ao meu doido, são muitas as possibilidades, né? Eu pensava realmente que era paranoia minha, mas encontrá-lo tantas vezes me deixou desconfiada. Apesar de eu ter conversado com ele, essa história nunca ficou totalmente esclarecida.

De qualquer forma, espero que ele continue com medo da máfia italiana! :D

Lee Holloway disse...

MARA: pare logo com o Orkut. Sério. O não-saber é libertador! :D

Espero que vc continue entrando aqui. De qualquer forma, se precisar de um Mark Darcy pra dar um corretivo no seu Daniel Cleaver, com direito a puxão de cabelo e dedo no olho, avise-nos. ;-)

***

Beijos pra todos!

Ai que doida! disse...

Quem nunca perseguiu alguém que atire a primiera pedra! Toda mulher é meio doida, não é à toa que fundei o Brogue da Doida. Mas quando o doido não somos nós, sempre parece mais grave, né? ahahaha Bjo!
http://broguedadoida.blogspot.com/2010/03/levantando-moral.html

Lee Holloway disse...

AI QUE DOIDA: todo mundo é um pouco doido, mas tem aqueles que não têm censura nenhuma e acabam se destacando.

Beijinho!

MaraLú disse...

Eu já fui uma perseguidora,mas assim de leve, nada tão dramático....

Nunca persegui alguém em um canto escuro da balada underground (ri muito com esta parte.

Meninas,vocês tem o dom de alegrar meu dia,SEMPRE!

Beijosmilminhaslinduxas!

Mulherzinha Sim! disse...

Aff! Detesto gente que me persegue. Primeiro, porque fico com raiva. Segundo, porque acho logo que a pessoa é maníaca.

Meu ex-namorado está assim... Na minha cola! Só essa semana já enviou flores duas vezes e me ligou, pelo menos, umas seis. Eu mereço por cinco anos de namoro!

www.mulherzinhasim.blogspot.com
www.formspring.me/mulherzinha

Lee Holloway disse...

MARA LU: awn, que fofa! Obrigada por estar sempre por aqui! ;-)

Beijinhos!

Lee Holloway disse...

MULHERZINHA SIM: teu ex chegou a te mandar flores durante o namoro? É uma informação importante! De qualquer forma, apesar da perseguição você merece muitas flores por ter aguentado o doido por tanto tempo.

Eu funciono mais ou menos como você. Começo gostando da perseguição porque, né? Adoro que afofem meu ego. Mas depois tenho raiva. E se continuar, fico com medo.

Beijinho!