Esta semana é meu aniversário. Minha idade, não importa, de fato é o de menos. O que importa é como me sinto, o que é desastrosamente mais difícil de descrever do que simplesmente dizer quantos anos estarei completando e ponto final. Eu poderia simplesmente ignorar o fato, mas o papai Jones sempre disse que é melhor colocarmos nossos medos diante de nós. E "diante de mim" é em frente ao meu rosto, no monitor do meu PC.
Eu sempre fui uma pessoa complicada e hoje em dia, começo a entender a razão de ser um pára-raio de doido. Começou aos seis anos, com Lúcio. Lúcio era um menininho lindo, parecido com o "pequeno príncipe". Loirinho, olhinhos claros, sabia escrever e fazer continhas de adição e subtração aos 6 aninhos. Um prodígio! O exato perfil dos caras pelos quais me interesso até hoje – bonitinho na medida certa e inteligente.
Eu nunca disse que gostava dele, simplesmente porque eu já agia como ajo hoje em dia, mas só hoje em dia eu me dei conta disso: eu simplesmente não demonstro meu afeto. Eu espero que demonstrem. Minha sábia irmã diz que é "necessidade de segurança e medo de rejeição". Eu acho que é orgulho. A Lee acha que é charme e Jung acha que é "Inconsciente Coletivo". Com tanta gente querida me analisando, fica difícil não ser meio confusa. Mas eu estou tentando justificar minhas maluquices e não é este o objetivo deste post.
Parei de gostar de Lúcio em dois minutos, quando o vi conversando com Camila, uma menina loira, com os cabelinhos cacheados. Ela era bonita, mas nem sabia distinguir as "famílias" de letras. E não era um atraso natural, pois ela era adiantadinha o suficiente para passar batom da Moranguinho e pintar as unhas de rosa bebê. Eu a desprezava. E naquele exato momento, eu o desprezei também, por gostar dela (ela também tinha o dentinho da frente meio marrom, mas seria maldade demais citar o fato, então, façam de conta que não leram isso, beijos).
Eu era sábia aos seis anos. Sinplesmente mudei o foco. E aprendi a tocar flauta doce.
Lúcio me ensinou que eu sabia olhar para mim (e que talvez eu fosse uma criança megalomaníaca).
Aos 14, me apaixonei pelo Tico (este a Lee lembra bem). Ele tocava numa banda (os músicos – sempre eles) cover do Nirvana e era parecidíssimo com o Kurt Cobain. Inclusive na pseudo-vontade de morrer e na tendência para a depressão. Ainda assim, ele era o cara mais inteligente da escola. Ele era meu melhor amigo e ficamos juntos uma única vez, porque eu dizia que não era "menina de ficar".
Tico me trocou por uma japonesa lindíssima (que era "menina de ficar") e me ensinou que eu era sim, "menina de ficar"!
Aos 18 conheci meu primeiro namorado firme. Foi meu noivo. Aos 21 eu percebi que queria ser livre. Com ele aprendi que é bom ser livre.
Aos 21 aprendi a ser mulher. E a partir daí passei a descobrir coisas.
Descobri que quando a gente sofre por amor, este sofrimento é diferente para cada pessoa que passa na nossa vida. O mesmo acontece quando a gente gosta. Este é o clichê mais certo de todos. Mas nunca admitimos. Sempre achamos que um amor é maior do que o outro. É mentira. Só é único. A palavra certa seria "peculiar". Descobri também, que eu posso ser covarde e corajosa em uma mesma situação, tomando a mesma decisão. Perceber isso, dói. E a gente chora de dor, não chora? Eu choro. E fui descobrindo coisas e mais coisas. Nos livros, nos discos, nos versos exagerados do Neruda, (Leiam meu preferido Aqui) e nos casos doidos de cada doido. (Talvez eu seja a única pessoa formada em Letras que não gosta de poetas. Eu gosto simplesmente de Neruda. E Neruda é mais que isso.)
E hoje, quando eu olho para trás, eu percebo o quanto é difícil crescer. Aliás, crescer nem tanto, porque eu nunca fui lá muito grande. Mas amadurecer é um processo difícil e leva tempo. Tempo este que eu imaginei que já tivesse perdido demais. De qualquer forma, é delicioso perceber que eu me orgulho das minhas atitudes infantis tanto quanto das maduras. E mesmo estando com medo de entrar nesta nova fase da minha vida, eu não tenho medo de ser infantil. Simplesmente porque eu sou uma mulher que erra, mas que acerta também.
É a primeira vez em alguns anos que eu vou passar o meu aniversário sozinha, no sentido romântico da palavra. Mas é também a primeira vez, em anos que eu me sinto completa. Este ano, não me dei ao trabalho de organizar nenhum tipo de comemoração especial. Não precisa.
Eu tenho tudo o que eu preciso neste momento.
Tempo.
Para ler ouvindo Silent Lucidity do Queensryche. Quem me conhece sabe o quanto esta música é importante para mim. A letra é linda, a melodia é perfeita. E sim, eu choro quando ouço (principalmente quando eu lembro do episódio da "Lobismuié" da série Supernatural, que eu amo!), mas se me perguntarem, eu nego! Update: O meu aniversário na verdade, é apenas na sexta feira, viu? Voltem todos por aqui para felicitar-me! Mas podem sijogar nos comentários sobre a minha "Midlife Crisis". Eu e Mike Patton agradecemos de todo coração!