Hoje vou contar a história da nossa leitora Tati, que pediu pra não ser identificada já que o doido desta história (ainda) é seu namorado.
Homem, 27 anos, oriental, analista de sistemas. Tati é a segunda namorada séria do nosso paciente. Estão juntos há quatro anos.
Eles se conheceram por meio de um amigo em comum e desde a primeira vez em que se viram, Tati achou o rapaz muito... fofo. Fofo = carinhoso, atencioso, preocupado com ela, interessado pela vida dela e sério. Sério = para casar.
Pois bem, logo no início Tati achou que ele seria o cara certo pra construir uma família, ter filhos e envelhecer ao lado. Tudo parecia muito lindo e perfeito na vida de Tati até que certa incompatibilidade começou a incomodar a nossa leitora.
Digamos que a tal seriedade do doido passou a afetar as relações prazerosas-sem-fins-reprodutivos do casal. Tati diz que ele sempre foi muito meigo durante o ato. Ele se preocupa com o prazer dela, em agradá-la, mas sempre faz isso de maneira bastante... fofa.
Falando bem a verdade, o cara não tem pegada. Nenhumazinha. Quer dizer, ele até tinha nos primeiros anos de namoro, mas com o tempo parece que ele foi se acomodando ou enxergando a namorada de maneira diferente. Típico de homem que acha que já está com a vida ganha.
Só que além do cara ter se transformado em um banana, ele passou a desenvolver um comportamento extremamente pudico.
Se antes ele e Tati viviam “se pegando forte” (ui!) nas baladas, hoje o doido a repreende quando ela quer beijá-lo apaixonadamente em público. Beijar apaixonadamente = beijo de língua. Pior! Os beijos apaixonados estão ficando cada vez mais raros.
Se antes eles viviam tendo ideias para deixar as relações-prazerosas mais interessantes, comprando “coisinhas” na séquis-shop, hoje o doido tem piti quando a Tati mostra uma algema de couro comprada numa lojinha ótima da Consolação (super-recomendo, beijos!).
Tati tinha ido a Belo Horizonte a trabalho, deixando o doido aqui em São Paulo. Não se viam havia dez dias.
Tati: (...) estou com muitas saudades de você!
Doido: ah é? Saudades de quê? S2
Tati: de estar com você... Faz dez dias que a gente não tem relações-prazerosas-sem-fins-reprodutivos. Estou com saudades dos seus carinhos... Queria estar aí com você agora, te beijando (...)
Bom, eu reescrevi e cortei parte do diálogo, pois a Tati foi bem mais explícita com relação ao que ela sentia saudade: sexo. Muito sexo. Sexo a valer.
Querido(a) leitor(a), se você tivesse dito isso para seu(sua) namorado(a), esperaria que tipo de resposta?
Pense...
Pois bem, eis a resposta que Tati obteve:
Doido: Poxa, Tati. Dez dias que a gente não se vê e você só pensa nisso? Você só sente falta de sexo? E de mim?
Juro que essa parte do diálogo eu não reescrevi.
Tati garante que se sentiu a menina mais homem deste mundo. Ela pensou que ele ia terminar o diálogo dizendo que ela era uma canalha, que só estava com ele por causa do sexo e que ela não prestava. Eu também pensei. Mas não, ele apenas saiu do MSN (do demonho, só pra lembrar [2]) covardemente.
Ah, ele foi buscá-la de cara feia no aeroporto.
Diagnóstico inicial:
Mal de Sandy (MS).
O doido da Tati me pareceu saído diretamente de um romance da Jane Austen, quando, na verdade, nossa leitora torcia por estar namorando um personagem de Milo Manara (Opa! Menores de idade, não joguem no Google). Ou, no mínimo, um personagem saído daqueles romances de banca de jornal, da coleção Julia-Sabrina-Bianca. Nada contra Jane Austen, mas ser um gentleman sempre deixa a coisa (ui!) monótona demais, na minha humilde opinião.
Acho provável que o doido também sofra de Carência Crônica (CC). Imaginei até que ele fosse parente do meu Doido EMOtivo (aqui).
Mas acho que o principal problema dele é a ideia de união fraternal que ele tem com a Tati. Quase uma Síndrome do Amor Fraternal (SAF), que deveria se desenvolver depois que eles completassem as Bodas de Ouro.
Tratamento recomendado:
Eu sugiro que o Doido Pudico faça um intensivão com o amigo mais pegador que ele tiver. Intensivão teórico, que fique bem claro, para depois treinar somente com a Tati. E aí vale tudo: filmes, dicas de produtos de séquis-shop, livros (oi, já falei do Manara?). Ele pode até ter umas aulas com o Doido Assoprador (aqui), desde que o paciente da Joana já esteja curado.
E depois que a meiguice passar, eu sugiro Erotica (aqui) , da Madonna. ;-)
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