segunda-feira, 26 de outubro de 2009

O caso do doido pudico

Hoje vou contar a história da nossa leitora Tati, que pediu pra não ser identificada já que o doido desta história (ainda) é seu namorado.


Caso clínico:
Homem, 27 anos, oriental, analista de sistemas. Tati é a segunda namorada séria do nosso paciente. Estão juntos há quatro anos.

Eles se conheceram por meio de um amigo em comum e desde a primeira vez em que se viram, Tati achou o rapaz muito... fofo. Fofo = carinhoso, atencioso, preocupado com ela, interessado pela vida dela e sério. Sério = para casar.

Pois bem, logo no início Tati achou que ele seria o cara certo pra construir uma família, ter filhos e envelhecer ao lado. Tudo parecia muito lindo e perfeito na vida de Tati até que certa incompatibilidade começou a incomodar a nossa leitora.

Digamos que a tal seriedade do doido passou a afetar as relações prazerosas-sem-fins-reprodutivos do casal. Tati diz que ele sempre foi muito meigo durante o ato. Ele se preocupa com o prazer dela, em agradá-la, mas sempre faz isso de maneira bastante... fofa.

Falando bem a verdade, o cara não tem pegada. Nenhumazinha. Quer dizer, ele até tinha nos primeiros anos de namoro, mas com o tempo parece que ele foi se acomodando ou enxergando a namorada de maneira diferente. Típico de homem que acha que já está com a vida ganha.

Só que além do cara ter se transformado em um banana, ele passou a desenvolver um comportamento extremamente pudico.

Se antes ele e Tati viviam “se pegando forte” (ui!) nas baladas, hoje o doido a repreende quando ela quer beijá-lo apaixonadamente em público. Beijar apaixonadamente = beijo de língua. Pior! Os beijos apaixonados estão ficando cada vez mais raros.

Se antes eles viviam tendo ideias para deixar as relações-prazerosas mais interessantes, comprando “coisinhas” na séquis-shop, hoje o doido tem piti quando a Tati mostra uma algema de couro comprada numa lojinha ótima da Consolação (super-recomendo, beijos!).

Se antes eles faziam sexo por telefone, hoje o doido fica enfurecido com o seguinte diálogo pelo MSN (do demonho, só pra lembrar).

Tati tinha ido a Belo Horizonte a trabalho, deixando o doido aqui em São Paulo. Não se viam havia dez dias.

Tati: (...) estou com muitas saudades de você!

Doido: ah é? Saudades de quê? S2

Tati: de estar com você... Faz dez dias que a gente não tem relações-prazerosas-sem-fins-reprodutivos. Estou com saudades dos seus carinhos... Queria estar aí com você agora, te beijando (...)

Bom, eu reescrevi e cortei parte do diálogo, pois a Tati foi bem mais explícita com relação ao que ela sentia saudade: sexo. Muito sexo. Sexo a valer.

Querido(a) leitor(a), se você tivesse dito isso para seu(sua) namorado(a), esperaria que tipo de resposta?

Pense...

Pois bem, eis a resposta que Tati obteve:

Doido: Poxa, Tati. Dez dias que a gente não se vê e você só pensa nisso? Você só sente falta de sexo? E de mim?

Juro que essa parte do diálogo eu não reescrevi.

Tati garante que se sentiu a menina mais homem deste mundo. Ela pensou que ele ia terminar o diálogo dizendo que ela era uma canalha, que só estava com ele por causa do sexo e que ela não prestava. Eu também pensei. Mas não, ele apenas saiu do MSN (do demonho, só pra lembrar [2]) covardemente.

Ah, ele foi buscá-la de cara feia no aeroporto.

Diagnóstico inicial:

Mal de Sandy (MS).

O doido da Tati me pareceu saído diretamente de um romance da Jane Austen, quando, na verdade, nossa leitora torcia por estar namorando um personagem de Milo Manara (Opa! Menores de idade, não joguem no Google). Ou, no mínimo, um personagem saído daqueles romances de banca de jornal, da coleção Julia-Sabrina-Bianca. Nada contra Jane Austen, mas ser um gentleman sempre deixa a coisa (ui!) monótona demais, na minha humilde opinião.

Acho provável que o doido também sofra de Carência Crônica (CC). Imaginei até que ele fosse parente do meu Doido EMOtivo (aqui).

Mas acho que o principal problema dele é a ideia de união fraternal que ele tem com a Tati. Quase uma Síndrome do Amor Fraternal (SAF), que deveria se desenvolver depois que eles completassem as Bodas de Ouro.

Tratamento recomendado:

Eu sugiro que o Doido Pudico faça um intensivão com o amigo mais pegador que ele tiver. Intensivão teórico, que fique bem claro, para depois treinar somente com a Tati. E aí vale tudo: filmes, dicas de produtos de séquis-shop, livros (oi, já falei do Manara?). Ele pode até ter umas aulas com o Doido Assoprador (aqui), desde que o paciente da Joana já esteja curado.

E, claro, sugiro também que a Tati converse com jeito com seu namorado meigo porque, né? Se eles se gostam, ainda tem jeito de tentar ajustar essas coisas. Ela pode dar diquinhas aos poucos pra ele.

Para ler ouvindo: Tangle with your mind (aqui), do Scott Weiland, que é uma música meiga como o doido da Tati. S2

E depois que a meiguice passar, eu sugiro Erotica (aqui) , da Madonna. ;-)

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Continuem mandando suas histórias pra gente: drabridgetjones@gmail.com e draleeholloway@gmail.com. Estamos lendo, respondendo e publicando conforme conseguimos.

Vocês aguardam até mais tarde? Gractas!

Ontem foi o dia Internacional das doutorettes aqui brincarem de pseudo-cults. O que foi de fato divertido e animador. Fomos ver filminhos da "Amostra" Internacional de Cinema e acabou que não terminamos de praparar o post que iria ao ar hoje.

Pois então, vai ao ar amanhã! (Vai "ao ar" parece algo assim tão, tão "flutuante", né?)

Quer dizer, hoje a noite - pode ser?

Então tá! Vemos todos vocês por aqui amanhã, "sijogando" nos comentários, hein?

Beijos

BRID & LEE

domingo, 18 de outubro de 2009

O caso do Doido Empalhado

Preciso contar isso!

Vez ou outra na semana, eu, como boa proletária que sou, tenho que vir de "trem" trabalhar. Não é um "trem" sarcástico para merecer aspas, mas poderia ser. Nem vou explicar esta frase. É um conceito muito profundo e só saberá mesmo o real valor destas aspas quem um dia pegar este trem. Feito este comentário, devo dizer que não citarei a linha e nem a empresa de trens com medo de algum tipo de retaliação. É um trem da máfia. Imaginem então que eu moro na Sicilia e que não dá para chegar lá de carro. Só de trem. Este trem. O "expresso do medo". Talvez neste caso, não precisasse das aspas. Expresso do Medo.

Vinha eu, de volta para casa quando me deparei com um rapazinho, muito alto e bem feito de corpo. Não repararia no moço se ele não medisse uns três metros e meio e viesse andando na minha frente. Parou na plataforma, entrou no trem e sentou-se. Sobrou-me o lugar em frente ao moço. Em pé.

Para quem não sabe, eu tenho uma mania estúpida de achar pessoas comuns parecidas com gente famosa. Também tenho uma teoria de que todo mundo tem um sósia, e acreditem: este moço era o sósia perdido de Alex Kapranos. Não sou destas que estipulam "padrão de beleza", mas quem me conhece sabe: Kapranos é meu ponto de referência (Aqui). Não sou destas que paqueram em coletivos e também não recomendo esta prática, mas admito que admirei o moço. E ele estava bem na minha frente, oras! Kapranos. Na minha frente. No trem.

Não cheguei a mencionar que ele portava (adoro este verbo: "portar") uma mochila. Destas de transportar notebooks. Gigantesca e com vários compartimentos. Eis que, do compartimento maior, ele retira um famigerado e imperioso pacote de salgadinhos FOFURA, sabor queijo. Não, ele não apenas tirou o pacote para fora (sem trocadilhos infames? Gracta!), mas também abriu, fazendo espalhar-se pelo ar, uma explosão de fragrâncias e aromas quem nem Eça de Queiroz, com sua habilidade descritiva conseguiria transformar em palavras. Eu aqui, descrevo em apenas uma: Futum.

Começou a comer. A cena era horrenda. Era triste. Era quase dramática. Juro, que se fosse um filme, eu teria chorado.

Não satisfeito, ele abriu outro compartimento da mochila demoníaca e tirou de lá um destes sucos vagabundos que tem nos sabores "Azia" e "Queimação". Meio litro de suco. 500 mililitros de líquido tóxico, ingeridos em 15 segundos. E ele continuava a colocar mais e mais salgadinho naquela enorme bocarra, auxiliado por sua mão gigantesca (ou seria uma pá?). E ele foi comendo, enchendo-se de isopor aromatizado, fazendo o trabalho de taxidermista do próprio corpo. O rapaz tentava a todo custo, colocar o máximo de serragem na boca. O som lembrava um grunhido, mas na verdade, ficava entre um ruminante comendo uma cerca de madeira e um triturador de lixo. E ele lá, colocando cada vez mais e mais fofuras sabor chulé com toque de azeite em sua nada delicada boca, fazendo uso de sua retro-mão-escavadeira para alocá-las lá dentro. Devo admitir que o sistema era eficiente. Porém, algo acontecia comigo naquele momento.

Eu tive o impulso imaginário de pular em cima dele, arrancar aquele pacote de Fofura da mochila e gritar: "Você é bonito, porra! Pare de comer esta merda! Você não precisa ser inteligente, mas sendo repugnante, desperdiça todo um recurso que a natureza colocou a disposição!" histericamente, enquanto despejava o isopor sobre sua cabeça. Acho que eu entoaria cânticos de alguma seita de fanáticos também, para ver se ajudava. Outra alternativa de Tratamento seria prendê-lo numa cadeira (?), nu (??) e fazê-lo comer Fofura, Torcida, Ebicen e Cheetos Bolinha até ele perder o paladar. Terapia de choque mesmo!

Perdida em meus pensamentos, percebi que chegávamos à minha estação. Eu teria de descer e mentalmente eu me despedi do Kapranos, agora quase empalhado. Não sem antes perceber que ele abria novamente a bolsa do Gato Félix e tirava de lá de dentro um pacotinho pardo, igual ao do Dr. Chapatin. Desci.

Pelo vidro da porta do trem, houve tempo de reparar que o pacote misterioso estava repleto de Dadinhos de amendoim.

E eu nunca mais o vi.

Para ler ouvindo “You’re the reason I’m leaving” do Franz Ferdinand, que eu achei (Aqui) com um clipezinho do Dr House. Achei phynno!

Notas da Autora:

1. Acabei de ler Juliet Naked”, o romance novo do Nick Hornby. Querem saber minha opinião? Alimenta e faz crescer, viu? Enredo relâmpago: Imagine que você tem uma namorada e que seu ídolo na música se apaixona por ela. Para quem curtiu “High Fidelity” eu asseguro: é mais ácido, mais engraçado e bem mais profundo, sem ser denso – o que não deixa de ser um elogio. É uma delícia. E tem também o nome da “mocinha” que eu, por motivos pessoais e secretos achei muito propício.

2. Quem souber de alguém que faça camisetas com os dizeres “Obrigada por facilitar o desembarque! igual a da “menina adesivo” nas portas do metrô me avisem. Eu PRE-CI-SO de uma camisetcheenha daquelas. Gracta!

3. Queria agradecer e convidar todos para darem uma passadinha lá no “Dentistas Online”, blog do Dr. Maikel e da Jaqueline. Ele leu o “Doido Cepacol” e resolveu fazer um post sobre a historinha. Eu achei o post uma gentileza sem tamanho. Thanks Doc!
4.
A gente falou de Nick Hornby e agora o Rob Gordon do Championship Vynil pergunta: Como seria o FIM DO MUNDO para você? Corra lá, comente e seja co-autor da história final! Ah, diga que viu aqui no "Para-raio de doido" e ganhe um salgadinho Fofura sabor queijo (brincadeirinha)!

Terminou de ler? Então corra pro Twitter e divulgue o nosso post (se curtiu, é claro!).
Beijo da BRID

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

O caso das Doidas Atrasadas

Um pouquinho atrasada na postagem, né?

Feriado prolongado é uma loucura e do mesmo jeito que provavelmente vocês estavam por aí dando (ui!) seus passeios, eu também dei (opa!) minha escapadinha do mundo real. A Lee ficou namorando e acabamos nem nos falando (ela e eu) neste feriadão. Aí o que acontece? Blog abandonado, culpa no nosso coração e...

... post tardio, porém relembrando histórias.

Para os leitores antigos que querem reler e para quem ainda não leu nossas primeiras histórinhas.


Nota da Autora: Semana que vem tem um post fresquinho da Dra. Bridget, que sente falta do Twitter. Muita! Portanto, fazemos o mesmo pedido de sempre: Divulguem!


O caso do Doido Cepacol : (Homenagem a Andrea, Maikel, Doutor Rod e Danielly Garcia - dentistas que estão sempre por aqui) - Autora: BRID

O caso do Doido Arrogante - Autora: BRID

O caso do Doido Chat - Autora: LEE

O caso do Doido Fetichista - Autora: LEE

Para ler ouvindo o que vocês acharem adequado. E deixem suas impressões nos comentários, tá?

domingo, 4 de outubro de 2009

O caso do doido que tinha muito fôlego

Pelas histórias que recebi dos leitores, parece que as patologias dos doidos andam se manifestando, principalmente, na hora do sexo. Assim, hoje contaremos o caso clínico da Joana*, que pediu pra não ser identificada.
Caso clínico:
Homem, 27 anos, olhos verdes, cabelos castanhos, 1m78, um pouco acima do peso. Advogado.
Recebemos a história da Joana quase como um desabafo. Ela e o doido em questão namoraram por 3 anos. Segundo ela, o relacionamento era bastante tranquilo, sem muitas emoções, mas satisfatório. O único quesito em que não era satisfatório era o sexo. O doido era bem tradicional nesse assunto: sabia cumprir os passos fundamentais, mas não tinha pegada. E ela sentia falta de algo mais sexy, hot, excitante, forte... Enfim, da tal pegada.

Para completar, o problema do doido era justamente na parte sexual. Como foi dito, eles namoraram por 3 anos, durante os quais seguiu-se o sexo padrão sem grandes novidades. Depois de dois anos juntos, quando o sexo já era mais tranquilo do que o habitual, o doido começou a querer inovar:

-
Algemas: ok, boa ideia.
-
Fantasia de go-go boy: eu, particularmente, não gosto, mas sempre tem quem ache legal.
-
Assistir a filmes pornô-eróticos: ok.
-
Striptease dele: não, grata (mas tem quem goste, então acho válido).
-
Uso de brinquedinhos: ok.
-
Visitas mais frequentes aos motéis: acho que isso já devia ser padrão, mas como para alguns casais não é, ok, superválido.
Tudo isso agradava a nossa leitora. Tirando a fantasia de go-go boy. Mas o doido introduziu (opa!) outro tipo de inovação. Durante o sexo oral nela, o mancebo passou a assoprá-la. A S S O P R Á – L A. Ele já não era um talento nato para aquele serviço, então podia inventar mil outras coisas para animar a menina. Mas não, ele optou por assoprar a menina. ASSOPRAR! Como velas num bolo de aniversário.

Joana diz que, de repente, ele parava o trabalho lingual, tomava fôlego, enchendo plenamente seus pulmões e mandava ver, assoprando freneticamente o seu clitóris e com cara de quem achava estar arrasando. Felizmente, nunca tentou assoprar dentro.
Pessoas, nunca assoprem dentro. Além de ser algo nada a ver, é perigoso (/utilidadepublica).
Pausa dramática 1: eu, eu mesma, Lee Holloway, acho que sopro nessas horas pode ser bem-vindo se associado a outras cositas. Contexto, tudo é questão de contexto. E fetiches. Não me julguem, beijos.
Mas uma assoprada, ou pior, várias assopradas ali naquela região sem nenhum motivo aparente além do querer agradar, na opinião da Joana, e na minha também, não funcionam. É quase um efeito contrário.
Pois nossa leitora logo na primeira vez em que o namorado fez isso não achou legal a inovação. E ela tentou fazer com que o doido entendesse com frases de efeito do tipo:

- O que você tá fazendo?
(cara de espanto)
- Tá achando que estou com febre?
(cara de sarcarmo)
- Tem um cisco aí?
(cara impaciente)
Disse também a ele que aquele arzinho gelado não era necessário. Pedia pra ele fazer outras coisas no lugar de assoprar. Mas vez ou outra o doido voltava a lançar uma assopradela polar em nossa leitora.

Certo dia, enquanto o rapaz enchia seus pulmões e soltava o ar em cima de Joana, ela, já de saco cheio daquilo, mandou-o parar tudo, gritando:

- Pára com isso! Você vai me deixar mais seca ainda, porra!

MAIS-SECA-AINDA. PORRA.

Pausa dramática 2: porque, né? “Mais seca ainda” pressupõe que a situação, mesmo sem o assopro, já não era das melhores.
Momento tenso.
Diagnóstico inicial:

Inexperiência Sexual (IS) ou Quase-Virgindade (QV), Insistência por Inexperiência Sexual (IIS) e Excesso de Ar nos Pulmões (EAP), associados a um quadro grave de Falta de Pegada (FP).
Tratamento aplicado:

Eu sou a favor de tratamentos de choque quando os tratamentos tradicionais, tais como diálogo e expressões faciais, não são muito claros ao paciente. Então, acho que Joana agiu corretamente quando pediu com toda a finesse que o doido parasse de sabotar sua lubrificação.
Anotações posteriores:

O doido ficou bravo, muito bravo com nossa leitora depois da ordem dela. Mas ainda namoraram por mais alguns meses. Terminaram por incompatibilidade sexual, digo, de interesses.
Para ler ouvindo Madonna, com
Like a Virgin (aqui).