Considerações finais de LEE HOLLOWAY:
Somos muitos. Apesar de os doidos terem começado a aparecer em nossas vidas já na adolescência, Bridget e eu descobrimos isso, que somos muitos, na faculdade, quando fizemos um trabalho de Literatura Brasileira para um professor que admirávamos muito. Eu me lembro bem da frase do Rimbaud que usei para abrir o ensaio que escrevi sobre um romance de José de Alencar: "Je est un autre", que, traduzida literalmente, seria "eu sou um outro".
Somos muitos. Apesar de os doidos terem começado a aparecer em nossas vidas já na adolescência, Bridget e eu descobrimos isso, que somos muitos, na faculdade, quando fizemos um trabalho de Literatura Brasileira para um professor que admirávamos muito. Eu me lembro bem da frase do Rimbaud que usei para abrir o ensaio que escrevi sobre um romance de José de Alencar: "Je est un autre", que, traduzida literalmente, seria "eu sou um outro".
Foi pensando nisso que escrevi minhas histórias neste blog e cheguei a incríveis 40 casos clínicos. Eu sou um outro. Sou uma outra pessoa, sou muitas pessoas ao mesmo tempo ou uma pessoa apenas dependendo da situação. Posso ser romântica, ciumenta, tímida, um pouco possessiva, doce, apaixonada, impulsiva, contida... A combinação dessas características depende de alguns fatores: o doido da vez e a situação que estou vivendo naquele momento.
Como a Bridget disse no post anterior, 40 homens dignos de post não condizem com a realidade da minha vida afetiva. Não sou tão rodada assim! Nem a Brid! Mas se pensarmos que cada doido pode ter sido ao mesmo tempo emotivo e inseguro, liberal e fetichista, arrogante e comedor, ou até emotivo, fetichista e comedor (who knows?), chegaremos ao número exato de homens significativos que passaram pelas nossas vidas de para-raios de doidos.
Em algum momento da vida deste blog eu achei que nós deveríamos esclarecer isso a vocês, mas achei também que estava mais ou menos implícito nas histórias. Talvez tenha faltado oportunidade para falar sobre o que é este blog para nós, mas agora, que queremos mudar um pouco a carinha dele, é o momento certo para isso.
Sinceramente, não sei o que aprendi escrevendo aqui. Sei que estou mais tranquila com relação à minha vida sentimental e isso é muito bom. Os conselhos que me foram dados, as broncas, os ombros para chorar, os comentários todos, enfim, tudo que aconteceu aqui me ajudou a digerir as histórias. E esse era um dos meus objetivos quando comecei a escrever os casos clínicos.
Somos muitos e teremos várias faces sempre. E, pensando assim, continuaremos a escrever nossas histórias, conforme elas forem acontecendo.
Considerações Finais de BRIDGET JONES:
Certa vez, eu tinha aproximadamente uns 17 anos, achava que meu inglês era o melhor inglês que se podia esperar de uma adolescente desta idade. Determinada a explorar os ambientes misteriosos da literatura contemporânea, peguei para ler um "crássico" moderno de Nick Hornby chamado "High Fidelity". Versão original. Inglês britânico, não vitoriano, coloquial e com o maior número de "fucking whatever" que eu já tinha visto na vida. No segundo capítulo, desisti da empreitada. Eu não "sei" ler em inglês – pensei! Lembro-me de ter comentado com a Lee na época (a Lee tem o inglês mais nobre, perfeito e aristocrático da face da terra), que apenas disse: "Tenta de novo! O cara vale a pena."
Considerações Finais de BRIDGET JONES:
Certa vez, eu tinha aproximadamente uns 17 anos, achava que meu inglês era o melhor inglês que se podia esperar de uma adolescente desta idade. Determinada a explorar os ambientes misteriosos da literatura contemporânea, peguei para ler um "crássico" moderno de Nick Hornby chamado "High Fidelity". Versão original. Inglês britânico, não vitoriano, coloquial e com o maior número de "fucking whatever" que eu já tinha visto na vida. No segundo capítulo, desisti da empreitada. Eu não "sei" ler em inglês – pensei! Lembro-me de ter comentado com a Lee na época (a Lee tem o inglês mais nobre, perfeito e aristocrático da face da terra), que apenas disse: "Tenta de novo! O cara vale a pena."
Mas eu nunca acho que os caras valem a pena. Desisti.
Tal inépcia me motivou a ser obstinada. Eu li desde Jane Austen até Hemingway, passando por Truman Capote, Sophie Kinsella, roteiro do Seinfeld, peças de Shakespeare, folder de companhia aérea, enfim – tudo o que eu pudesse ler em inglês, mas eu tinha medo do "High Fidelity". Cheguei ao ponto de escondê-lo, para não precisar enfrentá-lo.
Mas sábado eu olhei para ele. Lá estava, na estante, a lombada me fitando, exatamente onde eu o havia enclausurado anos atrás. O livro desafiou-me e, pela primeira vez em anos, eu aceitei o desafio, cheia de confiança propocionada por um outro livro do mesmo autor chamado "A Long Way Down", que tem bem menos "fucking things", mas que me deu coragem suficiente para "vencer" o tão temido "High Fidelity". Eu passei o sábado e parte do domingo não numa luta, como pensei, mas sim num embate digno e deliciosamente equilibrado com o livro. Ao terminar, não me senti vitoriosa como num duelo. Senti-me exaurida e ao mesmo tempo renovada, como se acabasse de fazer o melhor sexo do mundo (não estou dizendo que leitura é melhor do que sexo. Também não estou dizendo o contrário), e em vez de dizer "Touchè", como imaginei que faria, eu respirei fundo, fechei os olhos, mordi os lábios e aproveitei o meu momento orgasmático.
Considerações gerais de BRID and LEE:
Qual a razão de tudo isso? "Ei, meninas, este é o ‘Sou para-raio de doido’ e não um blog em que vocês colocam suas memórias e crônicas." Sabemos disso! Mas hoje não vamos falar de nenhum doido. Vamos falar da nossa loucura. Do meu medo de tentar. Tentar e falhar, como falhei em "High Fidelity" da primeira vez. E do medo que eu tenho de falhar e nunca mais ter coragem. Vamos falar do medo que a Lee tem de não deixarem que ela tente. Às vezes é muito mais cruel privar alguém da tentativa de ser feliz, com medo de que ela sofra (ou de sofrer), do que de tentar só para ver no que dá, aleatoriamente. Lee e eu somos o côncavo e o convexo. Eu me privo.
Este é provavelmene o nosso último post falando de nós, e achamos que compartilhar algumas coisas seria de bom tom, já que vocês só conheceram nosso lado saudável. Afinal "somos para-raios de doido" e não o contrário. Mas, como diria Flaubert, "Madame Bovary sou eu!" e aprendemos (com este blog, acreditem) a tentar de novo. A aceitar desafios e sermos menos covardes (eu principalmente – a Lee é corajosa). E agradecemos a todos vocês por isso. Todas as vezes que abrimos nossa caixa de e-mails e havia um conselho, uma história ou um pedido de análise. Aprendemos muito com todos vocês. Aprendemos e descobrimos, entre outras coisas:
1. Que algumas vezes, as decisões equivocadas são as que nos levam ao caminho certo. (provérbio Bridgetiano)
2. Chorar por alguém que a gente curte não é fraqueza, é coragem. (clichê)
3. Nick Hornby em inglês é mais fácil do que Jane Austen. (Touchè!)
4. Por mais interessante que eu seja, um dia você se cansa, a menos que você me ame. (regra geral l)
5. Por mais que você me ame, um dia você se cansa. (regra geral 1.1)
6. Por mais que você esteja cansado de mim, sempre teremos Paris. (regra geral 1.2)
Tem mais algumas máximas, mas este post todo é apenas para ilustrar o que nós precisamos neste momento. Foram-se nossas histórias. Não foram todas, mas ao menos aquelas que superamos de forma absoluta e completa. Neste momento, então, peço a ajuda de todos aqueles que nos leem, seja você homem, mulher ou ser vivente! É a sua história que nós queremos analisar. Não precisa ter vergonha, pois como você bem sabe, vergonha nós não temos. Mande sua história, escreva do jeito que você achar melhor, exorcize seus fantasmas! Prove para o mundo que você também é "pára-raio de doido". Se não quiser ser identificado, é só dizer, mantemos sua identidade, mas se quiser divulgação do seu Blog, do seu Twitter (mediante publicação da sua história, lógico) também tá valendo. O importante é você mandar seu caso, para que este blog sobreviva! E ele vai sobreviver! Por Santa Madonna Ciconne, por São John Lennon! Amém.
O espaço não está aberto apenas para histórias a serem analisadas, não! Podem continuar mandando suas dúvidas emocionais, seus medos quanto aos relacionamentos, pois nós continuaremos respondendo como sempre fizemos (nossas desculpas, pois nem sempre dá tempo de responder tudo), mas agora, algumas coisas selecionaremos e farão parte das histórias de doidos! Não temos autoridade nenhuma para aconselhar, que fique claro! Mas a verdade é que nosso diagnóstico é sempre uma alternativa e o delicioso de tudo isso é ver as coisas se movimentando nos comentários, numa dinâmica genial que só vocês conseguem nos proporcionar.
Tanto eu quanto a Lee queremos saber a opinião de vocês quanto a essas mudanças e queremos sugestões também! A frequëncia dos posts, o esquema de resposta dos nossos comentários, e tudo o mais. Esta reformulação na estrutura do blog é nossa! É da Lee, é minha e é de vocês que nos leem. E que nos dão motivação para continuar escrevendo sobre o tema. Podem deixar comentários, podem mandar e-mail, mas interajam para que nós possamos cada dia mais servi-los (ui!) melhor!
Nota das autoras: À medida que nossas vidas forem se movendo (prometo que quando a Lee decidir se casar de vez eu conto a vocês) e nós formos achando graça nas historinhas que ainda nos restam, nós postamos aqui. Prometemos mesmo! Sabemos que o post está gigante, mas não tinha como ser diferente. E parece que ficou faltando tanta coisa...
Nossos contatos são:
drabridgetjones@gmail.com
draleeholloway@gmail.com
No Twitter:
www.twitter.com/pararaiodedoido