Caso clínico:
Homem, 28 anos, olhos azuis, cabelo castanho claro, adEvogado.Tinha um papo até interessante, mas eu havia me interessado realmente pela bela face da criatura. Bonito e com o corpo todo trabalhado na BioRitmo.
Nós nos conhecemos por meio de minha querida Brid que, na época, saía com outro adEvogado. Foi quase um blind date, mas daquela vez, felizmente, minha amiga tinha acertado meu gosto: uma mistura de Josh Holloway com Clive Owen. Nós quatro saímos pra jantar num restaurante japonês. Conversamos, rimos, bebemos saquê, ele me levou pra casa e me beijou. Eu estava recém-solteira e recém-carente, então o beijo foi tão bom que, claro, despertou expectativas de minha parte. E não é que o doido me ligou dois dias depois?
Bom, saímos pra jantar no fim de semana seguinte pra nos conhecermos melhor. Ele logo percebeu que um bom vinho me deixava mais sociável e me fez beber bastante. Mais simpática fiquei e acabei aceitando ir ao apartamento dele.
Digamos que ele era afoito. Fomos da porta da sala direto para o quarto dele. Roupas voando, alguns beijinhos, poucas preliminares e a relação-prazerosa-sem-fins-reprodutivos começou. Foi então que minha história com o sósia de Sawyer (/Lost) começou a desandar.
O cara era realmente bem empolgado e eu tentei acompanhar o ritmo. Só que, de olhos fechados, minha audição passou a ficar mais sensível. Percebi que aquele doido seria quase tão estranho quanto o Doido Salamandra de Brid. Abri os olhos devagar pra ver de onde vinha o som gutural que invadia o quarto. Sim, vinha das cordas vocais do meu adEvogado. Nada de linguinha de dragão de komodo pra fora e olhos arregalados. Ele simplesmente gemia bem alto com os olhos fechados. Tanto que nem percebeu que, por alguns segundos, eu olhava pra ele meio incrédula tentando compreender a cena.
Acho que “gemia bem alto” foi um eufemismo de minha parte. O rapaz berrava “ahhhhhhhhhhhhhhhh” e “uhhhhhhhhhhhhhh” o tempo todo. Brid disse que ele devia se inspirar no “Hooooooooo” da abertura dos Thundercats (aqui). É, era muito parecido mesmo.
Bom, e ele ficou lá naquela espécie de transe. Eu ainda tentei fechar os olhos novamente e me concentrar pra, pelo menos, conseguir aproveitar razoavelmente o momento. Só que ele não parava com aquilo. Juro que não consegui pensar em outra coisa. O berro do doido foi tomando conta da minha cabeça de um jeito que eu queria acabar logo com aquilo. Cheguei a fazer um “ahhhhhhhhhhhhhh” bem alto na tentativa de competir com ele pra chamar a atenção e dizer que eu já estava... satisfeita. Não adiantou. E fiquei lá pensando em como eu poderia detê-lo.
Diagnóstico inicial:
Síndrome de Tyrannosaurus Rex (STR) combinada a uma Retenção de Energia (RE) e a Cordas Vocais Superpotentes (CVS).
Tratamento aplicado:
Como meu orgasmo fake não surtiu efeito, apelei para o meu método primitivo preferido: mordida dolorida no ombro direito do Doido Berrão. Deu resultado, pois meus dentes trouxeram o doido de volta à nossa dimensão. Os berros cessaram imediatamente e ele me perguntou indignado:
- Pô, precisava me morder assim?!?
E eu ainda era a inconveniente! Phynna, respondi:
Homem, 28 anos, olhos azuis, cabelo castanho claro, adEvogado.Tinha um papo até interessante, mas eu havia me interessado realmente pela bela face da criatura. Bonito e com o corpo todo trabalhado na BioRitmo.
Nós nos conhecemos por meio de minha querida Brid que, na época, saía com outro adEvogado. Foi quase um blind date, mas daquela vez, felizmente, minha amiga tinha acertado meu gosto: uma mistura de Josh Holloway com Clive Owen. Nós quatro saímos pra jantar num restaurante japonês. Conversamos, rimos, bebemos saquê, ele me levou pra casa e me beijou. Eu estava recém-solteira e recém-carente, então o beijo foi tão bom que, claro, despertou expectativas de minha parte. E não é que o doido me ligou dois dias depois?
Bom, saímos pra jantar no fim de semana seguinte pra nos conhecermos melhor. Ele logo percebeu que um bom vinho me deixava mais sociável e me fez beber bastante. Mais simpática fiquei e acabei aceitando ir ao apartamento dele.
Digamos que ele era afoito. Fomos da porta da sala direto para o quarto dele. Roupas voando, alguns beijinhos, poucas preliminares e a relação-prazerosa-sem-fins-reprodutivos começou. Foi então que minha história com o sósia de Sawyer (/Lost) começou a desandar.
O cara era realmente bem empolgado e eu tentei acompanhar o ritmo. Só que, de olhos fechados, minha audição passou a ficar mais sensível. Percebi que aquele doido seria quase tão estranho quanto o Doido Salamandra de Brid. Abri os olhos devagar pra ver de onde vinha o som gutural que invadia o quarto. Sim, vinha das cordas vocais do meu adEvogado. Nada de linguinha de dragão de komodo pra fora e olhos arregalados. Ele simplesmente gemia bem alto com os olhos fechados. Tanto que nem percebeu que, por alguns segundos, eu olhava pra ele meio incrédula tentando compreender a cena.
Acho que “gemia bem alto” foi um eufemismo de minha parte. O rapaz berrava “ahhhhhhhhhhhhhhhh” e “uhhhhhhhhhhhhhh” o tempo todo. Brid disse que ele devia se inspirar no “Hooooooooo” da abertura dos Thundercats (aqui). É, era muito parecido mesmo.
Bom, e ele ficou lá naquela espécie de transe. Eu ainda tentei fechar os olhos novamente e me concentrar pra, pelo menos, conseguir aproveitar razoavelmente o momento. Só que ele não parava com aquilo. Juro que não consegui pensar em outra coisa. O berro do doido foi tomando conta da minha cabeça de um jeito que eu queria acabar logo com aquilo. Cheguei a fazer um “ahhhhhhhhhhhhhh” bem alto na tentativa de competir com ele pra chamar a atenção e dizer que eu já estava... satisfeita. Não adiantou. E fiquei lá pensando em como eu poderia detê-lo.
Diagnóstico inicial:
Síndrome de Tyrannosaurus Rex (STR) combinada a uma Retenção de Energia (RE) e a Cordas Vocais Superpotentes (CVS).
Tratamento aplicado:
Como meu orgasmo fake não surtiu efeito, apelei para o meu método primitivo preferido: mordida dolorida no ombro direito do Doido Berrão. Deu resultado, pois meus dentes trouxeram o doido de volta à nossa dimensão. Os berros cessaram imediatamente e ele me perguntou indignado:
- Pô, precisava me morder assim?!?
E eu ainda era a inconveniente! Phynna, respondi:
- Cada um extravasa (/claudinhaleitte) como quiser, né, doido?
Fim da noite. Fim do contato com esse doido.
Anotações posteriores:
Nada contra os doidos que falam, que gemem, que sussuram no ouvido. Eu adoro e tenho certeza de que muitas mulheres gostam também. Doidos silenciosos nas relações-prazerosas-sem-fins-reprodutivos são muito chatos. Parece até que não estão gostando e tal. Agora, os berrões incomodam muito também. Fora que parece que estão fingindo alguma coisa. Como diz a sabedoria popular, tudo tem limite.
E é preciso ter cuidado com o que se diz também nessas horas. Uma vez eu estava num motel e ouvi o cara do quarto ao lado gritar: “ai, mããããããe...” (?!?)
Portanto, rapazes, tentem achar o meio termo. Ficadicadeouro.
Para ler ouvindo “Roots Bloody Roots”, do Sepultura. O Doido Berrão me lembra muito o Max Cavalera nesse vídeo.