domingo, 28 de junho de 2009

O caso do doido berrão

Caso clínico:
Homem, 28 anos, olhos azuis, cabelo castanho claro, adEvogado.Tinha um papo até interessante, mas eu havia me interessado realmente pela bela face da criatura. Bonito e com o corpo todo trabalhado na BioRitmo.

Nós nos conhecemos por meio de minha querida Brid que, na época, saía com outro adEvogado. Foi quase um blind date, mas daquela vez, felizmente, minha amiga tinha acertado meu gosto: uma mistura de Josh Holloway com Clive Owen. Nós quatro saímos pra jantar num restaurante japonês. Conversamos, rimos, bebemos saquê, ele me levou pra casa e me beijou. Eu estava recém-solteira e recém-carente, então o beijo foi tão bom que, claro, despertou expectativas de minha parte. E não é que o doido me ligou dois dias depois?

Bom, saímos pra jantar no fim de semana seguinte pra nos conhecermos melhor. Ele logo percebeu que um bom vinho me deixava mais sociável e me fez beber bastante. Mais simpática fiquei e acabei aceitando ir ao apartamento dele.

Digamos que ele era afoito. Fomos da porta da sala direto para o quarto dele. Roupas voando, alguns beijinhos, poucas preliminares e a relação-prazerosa-sem-fins-reprodutivos começou. Foi então que minha história com o sósia de Sawyer (/Lost) começou a desandar.

O cara era realmente bem empolgado e eu tentei acompanhar o ritmo. Só que, de olhos fechados, minha audição passou a ficar mais sensível. Percebi que aquele doido seria quase tão estranho quanto o Doido Salamandra de Brid. Abri os olhos devagar pra ver de onde vinha o som gutural que invadia o quarto. Sim, vinha das cordas vocais do meu adEvogado. Nada de linguinha de dragão de komodo pra fora e olhos arregalados. Ele simplesmente gemia bem alto com os olhos fechados. Tanto que nem percebeu que, por alguns segundos, eu olhava pra ele meio incrédula tentando compreender a cena.

Acho que “gemia bem alto” foi um eufemismo de minha parte. O rapaz berrava “ahhhhhhhhhhhhhhhh” e “uhhhhhhhhhhhhhh” o tempo todo. Brid disse que ele devia se inspirar no “Hooooooooo” da abertura dos Thundercats (aqui). É, era muito parecido mesmo.

Bom, e ele ficou lá naquela espécie de transe. Eu ainda tentei fechar os olhos novamente e me concentrar pra, pelo menos, conseguir aproveitar razoavelmente o momento. Só que ele não parava com aquilo. Juro que não consegui pensar em outra coisa. O berro do doido foi tomando conta da minha cabeça de um jeito que eu queria acabar logo com aquilo. Cheguei a fazer um “ahhhhhhhhhhhhhh” bem alto na tentativa de competir com ele pra chamar a atenção e dizer que eu já estava... satisfeita. Não adiantou. E fiquei lá pensando em como eu poderia detê-lo.

Diagnóstico inicial:
Síndrome de Tyrannosaurus Rex (STR) combinada a uma Retenção de Energia (RE) e a Cordas Vocais Superpotentes (CVS).

Tratamento aplicado:
Como meu orgasmo fake não surtiu efeito, apelei para o meu método primitivo preferido: mordida dolorida no ombro direito do Doido Berrão. Deu resultado, pois meus dentes trouxeram o doido de volta à nossa dimensão. Os berros cessaram imediatamente e ele me perguntou indignado:

- Pô, precisava me morder assim?!?

E eu ainda era a inconveniente! Phynna, respondi:
- Cada um extravasa (/claudinhaleitte) como quiser, né, doido?

Fim da noite. Fim do contato com esse doido.

Anotações posteriores:
Nada contra os doidos que falam, que gemem, que sussuram no ouvido. Eu adoro e tenho certeza de que muitas mulheres gostam também. Doidos silenciosos nas relações-prazerosas-sem-fins-reprodutivos são muito chatos. Parece até que não estão gostando e tal. Agora, os berrões incomodam muito também. Fora que parece que estão fingindo alguma coisa. Como diz a sabedoria popular, tudo tem limite.

E é preciso ter cuidado com o que se diz também nessas horas. Uma vez eu estava num motel e ouvi o cara do quarto ao lado gritar: “ai, mããããããe...” (?!?)

Portanto, rapazes, tentem achar o meio termo. Ficadicadeouro.

Para ler ouvindo “Roots Bloody Roots”, do Sepultura. O Doido Berrão me lembra muito o Max Cavalera nesse vídeo.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

O Caso do Doido Lestat



Em tempos de "Crepúsculo", vampiros e Stephanie Meyer, Lee e eu, num almoço despretensioso nos lembramos de um caso da minha vida, no mínimo curioso (para não dizer bizarro). Como sempre pedirei que não me julguem. Acreditem, eu já tive muito tempo para remoer os disparates por mim cometidos no período de faculdade.

Caso clínico: Homem, 23 anos (na época), alvo mais que a neve, de cabelos longos e lisos, olhos pretos e dentes simetricamente bem arranjados. Ele tinha uma beleza excêntrica, vestia-se num estilo meio vitoriano e estava sempre lendo. Eis que eu reparei no moço. Dentre tantos rapazes descolados da Poli, eu tinha que reparar no "maluco fantasiado da Faculdade de História" que era como a Lee carinhosamente o chamava no início. Como toda boa jogadora, matriculei-me numa optativa (Historia da Arte I) que eu sabia que o moço freqüentava e em dois dias já estávamos íntimos, trocando impressões sobre Anne Rice e a Rainha dos Condenados. Ah, o amor!

Fiquei sabendo que ele tinha família em Novo Hamburgo e morava sozinho pelos arredores de um bom bairro ali perto. Parecia normal. No começo ele até era normal (nota mental: no começo, eles sempre são.) e eu estava numa fase que precisava ouvir "suas lágrimas virarão cristais e blá, blá, blá" de alguém no mínimo parecido com o Gary Oldman (porque Bridget Jones pode estar na fossa, mas mantém o nível sempre, beijos!). E ele dizia tudo isso. Na segunda pessoa ("tu" pra lá, "tu" pra cá). E conjugado corretamente. Eu achava aquilo um tanto esquisito, mas "normalidade" não é meu segundo nome.

As conversas eram malucas, mas me divertiam, ele era atencioso, inteligente (falava russo), viajado (tinha morado em Praga), mas tinha uns amigos e umas manias um tanto estranhas. As relações-prazerosas-sem-fins-reprodutivos eram um tanto comedidas, o que me entediava, mas naquela época eu não tinha muita noção do que me entediava. Mas este não era o problema. O problema é que elas tinham dia (no caso, noite) AND hora para acontecer. Era algo sazonal, ritualístico e pouco natural onde eu vestia um vestido verde musgo de cetim e ficava parecida com a Fiona Schrek (meus cabelos na época eram ruivos). Quando eu digo "ritualístico" vocês podem imaginar uma partida de RPG, onde um dos Nosferattu tenta "acasalar" e ele dizendo coisas estranhas (eu tentava abstrair, então não me lembro ao certo as palavras). Exagero meu? Não, eu não vou detalhar o resto. É humilhante.

Aí vocês pensam que eu, na flor da imaculada perversão juvenil de meus 19 anos, tivesse um apetite sexual voraz, né? Coitado do moço, só queria algo mais místico, reservado, mágico, apropriado, teatral e blá, blá, blá. Então direi um último detalhe: Essa noite "mágica" acontecia UMA vez por mês. Não serei hipócrita, meuzamigo. Contanto que fosse algo mais "freqüente", eu não me importaria de me vestir de Rapunzel, com os uniformes coladinhos dos tripulantes da Enterprise, Princesa Léia, Ninja Tsunade ou até mesmo de Tempestade (todos estes já foram cogitados em algum momento da minha vida). Mas era UMA única e miserável vez por mês. E o detalhe maior era que eu nunca sabia quando o "Vampiro Lestat" estaria com ganas de...ah, vocês entenderam!

Diagnóstico Inicial: Imaginei que eu não fosse atraente. Não era o caso. Ele tinha reações "normais" aos estímulos físicos desencadeados por...ah, vocês entenderam! Então cheguei a conclusão que ele era maluco. Doido de pedra, sabe? Porque vampiro, ele não era. Já que saía comigo sob a luz do sol, tinha pavor de sangue, e usava All Star. Alguém aí consegue imaginar um vampiro usando All Star? Eu não.

Tratamento Efetuado: Numa destas noites em que eu parecia apta (muito, muito, muito apta) e ele falava de "retenção do prazer", minha libido se transformou em ódio e eu canalizei em apenas uma frase. Uma frase longa, mas que me tirou um grande fardo:

- Escuta aqui seu maluco do %$#@& (sim, pessoas, eu falo palavrões em situações específicas). O seu precioso material genético não vai dar origem a um ser com vida eterna. E ainda que fosse dar, nós usamos camisinha (imagine Bridget surtada, jogando uma daquelas embalagens econômicas de camisinha na cara do doido) e eu tomo remédios (imagine a Bridget jogando uma embalagem de contraceptivos na cara do doido). Ou seja, ainda que você fosse assim tão especial, estaríamos desperdiçando TODO o seu potencial. O que seria uma pena. Portanto, acho melhor você procurar uma vampira, uma freira, uma virgem...

Naquele momento eu me dei conta do surto. Peguei de volta os valiosos pertences que havia jogado na cara dele, coloquei-os na minha bolsa de mão e fui para casa, sem olhar para trás. Ele tentou algumas vezes falar comigo, mandou-me e-mail explicando suas teorias, me dizendo o quanto eu era um "vício pesado, que o satisfazia e a cada dia tirava-lhe um pouco da vida". Tive medo. Não preciso nem dizer que eu não terminei História da Arte I. E que depois disso namorei um doido da Politécnica. Destes bem comuns que moram com os pais, tem um carro popular e ouvem música eletrônica. E demorei um certo tempo para voltar a me interessar por alguém de humanas novamente.

NA: Estes dias, conversando com um amigo, ele me disse que blá, blá, blá, vivia escrevendo coisas pra namorada e tal. Eu já tive namorado jornalista, paquerinha escritor, rolo poeta, mas nenhum deles escreveu uma só linha para mim. Já escreveram SOBRE mim (eles não estavam em cima de mim, o assunto era eu – sem trocadilhos, please), mas nunca PARA mim. Decidi pesquisar o motivo, porque sou destas. Se de fato sou um fracasso como namorada, rolo, paquerinha e afins, quero saber a razão. Consegui 2 respostas de doidos que ainda são meus amigos. Melhor do que nada...

Doido 1: "Bridget, você é indescritível, impublicável, indecifrável. Como escrever você?" (Não preciso dizer que este era o poeta, né? Mentiu, mas enfim...mentiras sinceras me interessam, beijos!)

Doido 2: "Qualquer coisa que eu escrevesse para você, voltaria para mim cheio de marca-texto e anotações em caneta vermelha de como você acharia que ficaria melhor. E talvez você acabasse com minha auto-confiança para sempre. Eu te conheço." (Foi sincero. E depois desta resposta, acho melhor parar de mexer no vespeiro. Eu nunca faria uma coisa destas, inclusive. Injusto!)

NA2: Fomos ao show do Kooks. Temos algumas coisas a dizer:

1. Gente jovem AND bela. Pessoas extremamente educadas. Muitos pais acompanhando as filhas. Achei digno. Senti-me com 20 anos novamente (não que eu tenha muito mais que isso).
2. O vocalista deu uma canja sozinho. Uma música gigante que a Lee patrióticamente designou como "tão comprida quanto o hino nacional". Não sei se pelo teor do álcool em nosso sangue, esse comentário foi seguido de 15 minutos de espasmos de riso descontrolado.
3. O vídeo postado mostra Lee e eu um pouco alteradas, cantando desafinadas e dançando alegremente (veja aqui e também Aqui) Não é recomendado para pessoas com labirintite.
4. Gastamos meio salário cada uma e bebemos muito menos do que beberíamos no Bar Opção que eu vivo xingando por ser caro. Ficadica.

Para ler ouvindo Paramore na trilha do filme"Crepúsculo" que segundo as línguas (boas? más?) vai vir com Drew Barrimore dirigindo sua sequência. E bebendo uma caipirinha Tropical de Sagatiba no Bar Opção por R$ 10,00. Dérreais!

domingo, 14 de junho de 2009

O caso do doido estepe

Bridget diz que tenho vivido um romance digno de filme. É verdade (bate na madeira, 1, 2, 3). Mas nem sempre tive um doido quase normal pra passar o dia 12 de junho com os mimos e os carinhos que eu mereço, beijos!

Já tive meus Dias dos Namorados passados com me, myself and Bridget, saindo pra caçar um ficante de última hora ou pra tomar um vinho e esquecer o lado amargo da vida. Mas lembro-me também de uma data especial em que tive companhia. E a companhia não era bem um namorado.


Caso clínico:
Homem, 25 anos, estudante de Economia. Bonito, loiro, olhos verdes, corpo todo trabalhado na academia. A parte intelectual não deixava a desejar.

12 de junho de um ano desses. Eu tinha acabado de terminar um namoro e a famosa data consumista insistia em me cercar por todos os lados. No metrô, na rua de casa, na livraria, no café, na porta do trabalho. Infelizmente, Kassab ainda não tinha proibido os outdoors. Todo esse clima de corações nas vitrines combinado com o meu recente término de relacionamento me fez chegar a casa decidida a arrumar alguém naquela noite. Ou melhor, para aquela noite. Peguei o celular e fui passando nome por nome da agenda até chegar o do Doido Estepe.
Flashback
: nós nos conhecemos numa festa da faculdade dele. Depois de algumas cervejas, estávamos sozinhos na sala do Diretório Acadêmico para ele me ensinar a jogar sinuca. Taco aqui, taco ali e... fomos ao que interessava. Pegação intensa até que algum chato chegou pra jogar aquela merda (sorry, frase carregada de frustração). Trocamos telefones, mas depois daquele dia não nos vimos mais porque ele foi passar uns meses em Santa Catarina.
Achei que era tempo de ver se ele tinha voltado pra São Paulo e imaginei que ele era a companhia que eu estava querendo. Eu estava com as unhas, os cabelos e a depilação em dia (se não estivesse, eu não sairia de casa, juro). Liguei pra ele e, oh, ele se lembrava de mim. Como eu estava cega atrás do meu objetivo, sugeri que eu fosse até a casa dele pra que pudéssemos conversar e blá, blá, blá. Desliguei o telefone, tomei um banho de leite de camela e fui louca atrás daquela lingerie preta que eu ainda não tinha usado. Resolvi ir de vestido e, pra completar o modelito “cara, me coma”, eu coloquei uma cinta-liga leenda, meias 7/8 e um bota de salto altíssimo.

Ele me recebeu com um sorriso aberto e uma taça de vinho na mão. Vinho! Conversamos nos primeiros quinze minutos e nos pegamos nas horas seguintes na sala mesmo. Tudo bem objetivo. Mão aqui, mão ali, botas num canto, meias no outro, boca ali, boca aqui, rosto colado na parede, mãos presas, puxões de cabelo, mordidinhas e... enfim. Sim, foi bom pra mim, foi bom pra ele, e depois ficamos olhando um pra cara do outro num silêncio meio constrangedor.

Então o Doido Estepe me surpreendeu. Arrumou o quarto dele, me levou pra lá, colocou Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças pra gente assistir e pediu pra eu colocar minha cabeça no peito dele. E ele passou a noite brincando com os meus cabelos, dando beijinhos no meu rosto e nos meus olhos, dizendo que eu era leenda e me abraçando de verdade. Sim, porque existem abraços de mentira.

Diagnóstico inicial:
Na verdade, este doido não tinha nenhuma doença grave. Pelo contrário, ele conseguiu detectar aquilo que eu realmente queria naquela noite. Mais do que sexo, eu estava precisando de alguém que me fizesse sentir importante e querida, nem que fosse por apenas algumas horas.

Tratamento aplicado:
Ele fez bem o papel de namoradinho naquele dia 12 de junho. Não ganhei nenhum presente (na verdade, nunca acho que presente é importante), mas acho que foi como se eu tivesse recebido algo muito especial. No outro dia, saí do apartamento dele mais feliz.

Anotações posteriores:
Nosso caso nunca virou namoro por vários motivos dele e meus, mas nós dois nos enganamos muito bem naquele dia. Houve uma troca de carências e de tentativas de supri-las. Por isso, ele é um doido pelo qual sempre terei bastante carinho.

Para ler ouvindo Every you, every me, do Placebo.

E para Mr. Holloway (S2), Everybody’s gotta learn sometime.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

O Caso do Doido Egocêntrico


É sabido que estou solteira. É sabido que eu já tentei voltar para os tempos de paquera deliberada (Aqui). É sabido que Dra. Lee vive um romance digno de filme e que estou sozinha na berlinda.

Como decisão sensata, uma resolução mais do que pertinente. Abstinência sexual. Pelo menos por um tempo. Até que algum dos doidos que eu tenho saído tenham feito tudo certinho, já que tenho aceitado até convite de quermesse na Benedito Calixto. Afinal, quanto mais tentativas, maiores as chances de acerto.

Caso Clínico: Homem, 29 anos, cabelos do Tom Cruise em "Cocktail" (não riam, podia ser com qualquer um de vocês), 1,85m, publicitário. Eis que dia desses, num famigerado fim de semana qualquer, eu decidi aceitar o convite despretensioso deste homem, um dos grandes amigos do namorado da Lee. Visto que o casal Holloway é um exemplo de casal, coloquei algumas fichas na mesa e olhei meu jogo. Não era um Full House, mas também não era uma das minhas piores cartadas.

Arrumei-me como o de costume quando vou encontrar-me com alguém. Só não fui até a Any Any, pois achei que o conjunto de calcinha e soutien de cotton/lycra cor da pele já era constrangedor o bastante para manter-me no propósito de abstinência. Ainda assim, achei melhor ir com um casaco de trespassado e calça com botão interno. Para dificultar qualquer tipo de investida descontrolada no caminho para... enfim, no caminho. Sejá lá para onde for.

Agora, começam os sucessivos erros do gajo. Chegou em casa para me pegar vinte minutos após o combinado. Não moro no local mais movimentado do mundo. Inclusive, se ele me dissesse que uma charrete havia bloqueado o caminho dele, eu teria achado a desculpa esclarecedora e sincera (só para deixar claro, meu vizinho vende pôneys, beijos.). Ou seja, "trânsito" não foi convincente.

Entrei no carro, logo avistei o Halls Preto-Extra-Forte-Plus-Advanced-Concentrate-Maxi-Mint no guarda-trecos. Minha mente associativa, imediatamente ligou o produto a uma necessidade de manter o hálito fresco. Mas, se ele não fuma, qual a razão de ser Halls PRETO? Ou ele tem halitose crônica (por que eu, meu deus?) ou ele é destes tarados que usam Halls preto para... bem, eu já ouvi muitas histórias com Halls preto. Vocês, não?

A escolha do local também não não foi das mais felizes. Para provar sua virilidade, um homem não precisa levar a mulher no Rubayat, e para provar sua sensilbilidade, não precisa levá-la ao espetáculo de "Lord Of The Dance" (meio termo é tudo nesta vida, meninos. Leve-a a um lugar em que você já esteja familiarizado, e que você saiba que haverá lugares. Ficadica!). Após esperar algum tempo por uma mesa, um lugar no balcão ou ao menos um canto para morrer, decidimos ir ao MEU bar preferido, o Finnegan’s. Fomos incrivelmente bem tratados e o músico da noite (meu amigo de longa data) ofereceu-me uma canja (Creedence). Eu e Doido Egocêntrico conversamos muito como amigos. Foi divertido, até. Mas não tive vontade de beijá-lo. Sequer de repetir o encontro.

Eu tenho vinte e sbrubbles anos. Não é possível que eu tenha que "ficar" com algum gajo apenas pelo fato de ter saído com ele. Encontros são apenas "tentativas", certo? Os dois tem de querer, certo? Somos adultos para entender isso, certo? Assim, eu achava. Despedi-me dele com um beijo no rosto, entrei em casa e fui preparar-me para dormir (eu estava levemente alcoolizada, beijos.). Não contei 10 minutos, toca o meu celular e era ele. Seguiu-se o seguinte diálogo:

Ele: Blá, blá, blá foi uma noite incrível e eu entendo que você tenha problemas.

Eu: Que tipo de problemas?

Ele: Ah, você sabe. Dificuldade de "se amarrar" em alguém. Mas olha, eu tenho paciência. Eu vou te esperar! Você vai acabar entendendo o que é melhor para você neste momento.

Diagnóstico: Arrogantis Estupiduum Cronicus (AEC). Digam para mim, o que faz um homem de quase trinta anos imaginar-se tão completamente galante e conhecedor da arte da sedução que não tem a fineza de imaginar que eu não tive estímulo suficiente para querer beijá-lo? Ou melhor ainda: imaginar que para que isso fosse possível a única explicação plausível era a de que "eu tenho problemas"?

Tratamento Efetuado: Continuei o diálogo.

Eu: Neste momento, o melhor para mim é ir dormir. E, quer sinceridade? Não me espere. Eu nunca vou mudar (ok, aquele estereótipo de "Garota Interrompida" me divertiu na hora e eu não resisti e dei corda para o moço. Podem me crucificar!).

Ele: Vou te esperar por que é o certo a se fazer. Eu te ligo esta semana.

Resultado Obtido: Sim, ele ligou. Sim, ele insistiu. E querem saber? Aposto os meus dentes da frente que se eu tivesse dado um bitoca amiga no rapaz, ele ia achar que eu estava apaixonada e não me ligaria mais. E acreditem, teria sido mais eficaz no propósito de afastá-lo. A última vez que ele ligou me chamando para sair, eu quase cantei "I told I was trouble and You know that I’m no Good", mas esta piadinha eu só faço com os rapazes que eu tenho algum tipo de interesse (nem sempre é boa idéia. Ficadica!). Nasce aqui, o começo de uma teoria que tende a render muitas histórias por aqui. Só preciso mesmo é de mais material para concluir minhas pesquisas de campo.

Podem até discordar de mim, afinal, eu também não tenho muita experiência e minhas preferências para um encontro legal podem divergir de muita gente. Portanto, "sijoguem" nos comentários.

Para ler ouvindo Proud Mary com Creedence Clearwater Revival, comendo uma tábua de queijos com Honey Mustard no Finnegan’s da Cristiano Viana em Pinheiros, servido pela fabulosa garçonete Solange.

Nota: Lee e eu, ganhamos camarotes para o show do Kooks. Exatamente quando eu imaginei que mais uma vez, meus 1,60m fariam com que eu não visse nada além de cabeças, deus prova que existe e nos dá camarotes com muita "champã" e petiscos. Contamos tudo depois.