Fiquei pensando sobre que caso escrever esta semana e cheguei à conclusão de que queria falar sobre uma primeira vez minha também (Brid sempre lança temdemsyas). Mas essa primeira vez não foi das mais agradáveis, não. Lembro bem do dia em que recebi meu primeiro "não". Acho que dói um pouco até hoje, senão não estaria lembrando disso agora. Aliás, não foi o primeiro, mas foi a primeira bota que me fez perder o rumo de verdade.
Pelos e-mails que recebo dos leitores do blog, tenho a impressão de que alguns acabam achando que nossos relacionamentos sempre terminam por uma vontade maluca nossa. Não posso dizer que isso é mentira, mas é sempre bom lembrar que o blog é feito dos casos fail DELES, não tanto dos nossos (porque dos nossos erros nós já sabemos, beijos). Mas pra provar que temos outros tipos de história também e que já fizemos parte da mendicância, aqui está o post de hoje.
Caso clínico: homem.
Este foi o típico caso de alguém (eu) que gostava de outro alguém (ele) que não gostava de alguém (eu). E que terminou quando alguém (ele) se apaixonou por outro alguém (a outra).
Desde sempre tinha ficado combinado entre mim e ele que nosso relacionamento seria baseado em relações-prazerosas-sem-fins-reprodutivos, o que pra esta doutora aqui não foi muito satisfatório logo no início. Explico: a tal primeira relação-prazerosa com ele não tinha sido lá tão incrível. Mas eu sou dessas insistentes, sempre acho que o mancebo pode melhorar. Enfim, continuei saindo com ele nos meses seguintes sempre com a desculpa de que eu queria testemunhar a performance máxima do rapaz. E essa desculpa eu dava para os amigos e para mim mesma na tentativa de esconder aquilo que eu não queria reconhecer de maneira alguma: que ele tinha me levado no papo, que eu estava totalmente de quatro (uia!) por ele e que eu acreditava quando ele dizia que eu era a única na vida dele. Aham. De qualquer forma, o sexo continuava meia-boca, mas nossas conversas tinham mudado de tal forma que parecíamos dois namoradinhos. Eu achava.
Essa situação durou 8 meses. E muitos vão me perguntar: "SÓ 8 meses?!?" Sim, SÓ. Mas nos víamos praticamente todos os dias, o que foi tornando tudo intenso demais pra mim. Ele começou a fazer parte da minha vida, da minha rotina. E eu sentia falta quando não podia vê-lo, pois eu tinha me tornado dependente de tudo o que eu gostava nele: da inteligência, do bom humor, do jeito carinhoso comigo, do interesse pela minha vida, dos pequenos desabafos diários que ele ouvia, da intimidade. Poxa, pra mim isso tudo era namoro. Pra ele não. E quando ele percebeu que eu estava envolvida demais pra quem tinha aceitado sexo puro, ele me disse que era melhor a gente não se ver mais. Assim mesmo, sem muita cerimônia.
Fiz a japonesa nesse dia, fui educadíssima e fui pra casa conversar com meu travesseiro. Não sou de chorar por homem. Não que eu não sofra. Mas sempre acho que não vale muito a pena verter lágrimas por alguém que não pensa duas vezes antes de me magoar. Só que nesse dia, quando cheguei em casa, chorei por umas 4 horas seguidas; e nesse meio tempo eu liguei pra Brid, que ficou deveras preocupada comigo. Dormi, acordei, chorei. E esse ciclo se repetiu por mais alguns dias. Até que, em razão do meu pânico de histórias mal-resolvidas, comecei a fazer a mendiga mais miserável do mundo.
Liguei pra ele, mandei e-mail, mandei torpedo, tentei falar com ele pelo MSN. Nada. Pensei até em mandar telegrama, mas achei meio ridículo.
Fui até a casa dele. Fui até o trabalho dele. Liguei pra irmã, liguei para o melhor amigo, falei com a secretária dele. Nada. Pensei até em contratar aqueles serviços de mensagens por telefone. BRINCADEIRA!
Ele entrou em férias e foi visitar a família em Ubatuba. Mesmo odiando praia, fui até lá pra fingir que a gente tinha se encontrado por acaso, afinal, Ubatuba é cidade turística, né? Ele me cumprimentou rapidamente num restaurante e foi embora. Pensei em ir bater na porta da família dele, mas achei que minha sogra poderia não gostar. E desagradar sogra é fatal. Finalmente, passei a forjar coincidências em festas de amigos, eventos profissionais e afins.
Reconheço que eu fiz a Heloísa em vários momentos e que sinto vergonha por várias atitudes minhas. Eu não estava no meu estado normal. No entanto, essa história serviu de parâmetro pras outras que passaram pela minha vida. Nunca mais fiz essas coisas de novo, mesmo se o doido da vez valia a pena, porque dignidade é pra ser usada.
Diagnóstico inicial: Mendicância Pura (MP) da minha parte.
Tratamento aplicado: descobri que ele estava saindo com a vizinha dele. E que estavam namorando, vejam só. Cheguei a ligar pra ele quando soube da novidade e tive de ouvir que, sim, eles estavam juntos AND muito felizes, obrigado.
Voltei para o meu travesseiro. Chorei de raiva de mim por ter sido tão ridícula. Chorei de arrependimento por ter caído na conversa dele. Chorei de mágoa por ele ter me ignorado completamente quando eu quis entender o que tinha acontecido. Chorei por ter achado que a culpa de ele não me querer era toda minha. Chorei de ciúmes da outra e por ter achado que ele tinha me trocado por uma piriguete (discurso carregado de rancor, não liguem). Chorei como uma criança mimada que ganha um jogo pega-varetas no lugar do Playstation 3. Chorei porque me senti usada (sim, ele tinha meu consentimento parcial para isso, mas e daí?!?). Chorei porque nunca ninguém tinha sido tão ruim para mim e me magoado tanto. E chorei porque eu gostava muito, muito dele e achava que tudo poderia ter sido diferente.
Depois dessa noite não chorei mais por ele nem por doido nenhum. Tá, uma lagrimazinha ou outra, mas coisa pouca.
Não adiantou virem me dizer que "tinha sido melhor daquele jeito", que "ele tinha me feito um favor ao terminar comigo", que eu "ia achar coisa muito melhor ainda", ou qualquer outro conselho desse tipo que as pessoas (me included) adoram dar pras pessoas chutadas. Porque até hoje eu acho que nossa história teria sido muito legal, apesar de todas as outras, melhores ou piores, que vivi depois. Afinal, uma história nunca substitui outra.
Como nem sempre dá pra gente ser feliz no final, esse caso acabou assim mesmo. Cada um seguiu seu rumo, conheceu outras pessoas e... the end subindo.
Para ler ouvindo "All I need", com o Radiohead em São Paulo (Brid e eu estávamos lá cantando a plenos pulmões, beijos), com "Lost", do Coldplay, na sequência (desconsiderem a dança da chuva de Chris Martin no vídeo), e tomando um chocolate quente da Ofner. Porque de amarga já basta a vida (/sabedoriapopular).
*Peço desculpas pelo post longo, mas levem em consideração o fato de eu não escrever aqui há um mês praticamente. :D
Pelos e-mails que recebo dos leitores do blog, tenho a impressão de que alguns acabam achando que nossos relacionamentos sempre terminam por uma vontade maluca nossa. Não posso dizer que isso é mentira, mas é sempre bom lembrar que o blog é feito dos casos fail DELES, não tanto dos nossos (porque dos nossos erros nós já sabemos, beijos). Mas pra provar que temos outros tipos de história também e que já fizemos parte da mendicância, aqui está o post de hoje.
Caso clínico: homem.
Este foi o típico caso de alguém (eu) que gostava de outro alguém (ele) que não gostava de alguém (eu). E que terminou quando alguém (ele) se apaixonou por outro alguém (a outra).
Desde sempre tinha ficado combinado entre mim e ele que nosso relacionamento seria baseado em relações-prazerosas-sem-fins-reprodutivos, o que pra esta doutora aqui não foi muito satisfatório logo no início. Explico: a tal primeira relação-prazerosa com ele não tinha sido lá tão incrível. Mas eu sou dessas insistentes, sempre acho que o mancebo pode melhorar. Enfim, continuei saindo com ele nos meses seguintes sempre com a desculpa de que eu queria testemunhar a performance máxima do rapaz. E essa desculpa eu dava para os amigos e para mim mesma na tentativa de esconder aquilo que eu não queria reconhecer de maneira alguma: que ele tinha me levado no papo, que eu estava totalmente de quatro (uia!) por ele e que eu acreditava quando ele dizia que eu era a única na vida dele. Aham. De qualquer forma, o sexo continuava meia-boca, mas nossas conversas tinham mudado de tal forma que parecíamos dois namoradinhos. Eu achava.
Essa situação durou 8 meses. E muitos vão me perguntar: "SÓ 8 meses?!?" Sim, SÓ. Mas nos víamos praticamente todos os dias, o que foi tornando tudo intenso demais pra mim. Ele começou a fazer parte da minha vida, da minha rotina. E eu sentia falta quando não podia vê-lo, pois eu tinha me tornado dependente de tudo o que eu gostava nele: da inteligência, do bom humor, do jeito carinhoso comigo, do interesse pela minha vida, dos pequenos desabafos diários que ele ouvia, da intimidade. Poxa, pra mim isso tudo era namoro. Pra ele não. E quando ele percebeu que eu estava envolvida demais pra quem tinha aceitado sexo puro, ele me disse que era melhor a gente não se ver mais. Assim mesmo, sem muita cerimônia.
Fiz a japonesa nesse dia, fui educadíssima e fui pra casa conversar com meu travesseiro. Não sou de chorar por homem. Não que eu não sofra. Mas sempre acho que não vale muito a pena verter lágrimas por alguém que não pensa duas vezes antes de me magoar. Só que nesse dia, quando cheguei em casa, chorei por umas 4 horas seguidas; e nesse meio tempo eu liguei pra Brid, que ficou deveras preocupada comigo. Dormi, acordei, chorei. E esse ciclo se repetiu por mais alguns dias. Até que, em razão do meu pânico de histórias mal-resolvidas, comecei a fazer a mendiga mais miserável do mundo.
Liguei pra ele, mandei e-mail, mandei torpedo, tentei falar com ele pelo MSN. Nada. Pensei até em mandar telegrama, mas achei meio ridículo.
Fui até a casa dele. Fui até o trabalho dele. Liguei pra irmã, liguei para o melhor amigo, falei com a secretária dele. Nada. Pensei até em contratar aqueles serviços de mensagens por telefone. BRINCADEIRA!
Ele entrou em férias e foi visitar a família em Ubatuba. Mesmo odiando praia, fui até lá pra fingir que a gente tinha se encontrado por acaso, afinal, Ubatuba é cidade turística, né? Ele me cumprimentou rapidamente num restaurante e foi embora. Pensei em ir bater na porta da família dele, mas achei que minha sogra poderia não gostar. E desagradar sogra é fatal. Finalmente, passei a forjar coincidências em festas de amigos, eventos profissionais e afins.
Reconheço que eu fiz a Heloísa em vários momentos e que sinto vergonha por várias atitudes minhas. Eu não estava no meu estado normal. No entanto, essa história serviu de parâmetro pras outras que passaram pela minha vida. Nunca mais fiz essas coisas de novo, mesmo se o doido da vez valia a pena, porque dignidade é pra ser usada.
Diagnóstico inicial: Mendicância Pura (MP) da minha parte.
Tratamento aplicado: descobri que ele estava saindo com a vizinha dele. E que estavam namorando, vejam só. Cheguei a ligar pra ele quando soube da novidade e tive de ouvir que, sim, eles estavam juntos AND muito felizes, obrigado.
Voltei para o meu travesseiro. Chorei de raiva de mim por ter sido tão ridícula. Chorei de arrependimento por ter caído na conversa dele. Chorei de mágoa por ele ter me ignorado completamente quando eu quis entender o que tinha acontecido. Chorei por ter achado que a culpa de ele não me querer era toda minha. Chorei de ciúmes da outra e por ter achado que ele tinha me trocado por uma piriguete (discurso carregado de rancor, não liguem). Chorei como uma criança mimada que ganha um jogo pega-varetas no lugar do Playstation 3. Chorei porque me senti usada (sim, ele tinha meu consentimento parcial para isso, mas e daí?!?). Chorei porque nunca ninguém tinha sido tão ruim para mim e me magoado tanto. E chorei porque eu gostava muito, muito dele e achava que tudo poderia ter sido diferente.
Depois dessa noite não chorei mais por ele nem por doido nenhum. Tá, uma lagrimazinha ou outra, mas coisa pouca.
Não adiantou virem me dizer que "tinha sido melhor daquele jeito", que "ele tinha me feito um favor ao terminar comigo", que eu "ia achar coisa muito melhor ainda", ou qualquer outro conselho desse tipo que as pessoas (me included) adoram dar pras pessoas chutadas. Porque até hoje eu acho que nossa história teria sido muito legal, apesar de todas as outras, melhores ou piores, que vivi depois. Afinal, uma história nunca substitui outra.
Como nem sempre dá pra gente ser feliz no final, esse caso acabou assim mesmo. Cada um seguiu seu rumo, conheceu outras pessoas e... the end subindo.
Para ler ouvindo "All I need", com o Radiohead em São Paulo (Brid e eu estávamos lá cantando a plenos pulmões, beijos), com "Lost", do Coldplay, na sequência (desconsiderem a dança da chuva de Chris Martin no vídeo), e tomando um chocolate quente da Ofner. Porque de amarga já basta a vida (/sabedoriapopular).
*Peço desculpas pelo post longo, mas levem em consideração o fato de eu não escrever aqui há um mês praticamente. :D
** Este doido não é Mr. Holloway, o doido namorado. Só pra esclarecer! :D