segunda-feira, 30 de março de 2009

O caso da doida doutora

Caso clínico:

Homem, 31 anos, 1 metro e 70 e poucos, uma barba cultivada. Também conhecido por aqui como o meu caso mais antigo ou o Doido de Chuí. Já falei das muitas facetas dele em diferentes posts e contei o seu caso clínico como se todo o quadro fosse como capítulos da novela da minha vida. Se não fosse a preguiça e a pressa, eu colocaria o link de todas as histórias dele, mas se quiserem ler uma delas vejam o último caso de "Os preferidos da Lee".

Bem, daí que minha história com ele é dessas cíclicas. Por mais que eu tenha tentado tirá-lo da minha vida, tenho a impressão de que mesmo velhinha ele ainda estará de alguma forma perto de mim. Eu gostaria, mas não sei explicar o porquê de ele sempre querer manter contato comigo, seja por telefone, por e-mail ou por MSN.

Fiquei vários meses sem falar com ele porque sempre que eu percebia que ele me fazia mal eu dava um jeito de sumir. Não atendia ao telefone, não respondia aos e-mails e, como toda pessoa adulta (ironia mode ON), eu o bloqueava no MSN. Mas ao contrtário do que fiz com outros casos clínicos sem chance de cura, nunca tive coragem de excluí-lo da minha vida. Excluir é jogar fora, não? É achar que aquela pessoa é um lixo na sua vida e que você tem de descartá-la de qualquer maneira. Não sou assim com pessoas das quais eu gosto ou já gostei um dia, não as trato dessa forma. Obviamente isso não quer dizer que eu não revide quando fazem isso comigo porque eu não sou uma pessoa boazinha. Aliás, ontem a Brid me disse que tem gente que tem medo de mim. Sinceramente? Não quero fazer o mínimo esforço para mudar isso. De certa forma, é um escudo meu.

Voltando ao doido, embora eu não entenda o motivo de ele ainda querer falar comigo, eu sei muito bem por que eu sempre permito que ele ache uma brecha para voltar para a minha vida. Tenho consciência de todos os problemas que ele tem e que, infelizmente, ele é dodói da cabeça. Não bate bem mesmo. E é por isso que me magoou tantas vezes. Mas ele não é uma pessoa ruim, não toma atitudes pensando em machucar ninguém (tem uma piada pronta aqui, um doce para quem descobrir). Até porque eu tenho certeza de que o maior prejudicado é ele. Sempre. E é por saber que ele é assim que eu volto a falar com ele numa boa, como se nada tivesse acontecido.

Dra. Bennet teria uma síncope ao ouvir isso. Mas o fato é que, por mais que eu tenha motivos (gentem, fui até Chuí atrás dele para ser dispensada sem dó!), não consigo ter raiva dele ou alimentar um sentimento ruim por mais de uma semana.

Este blog serve também de registro das minhas raivas e mágoas momentâneas, mas eu garanto para vocês que eu adoro esse doido e não guardo nada de ruim dele. Meus dedos coçam para mandar o link do Pára-Raio, mas, como eu disse na semana passada pra ele, não vou fazer isso porque "quero manter a amizádji". Conhecendo-o tão bem, sei que ele ficaria chateado com algumas coisas que eu escrevi. Eu ficaria se ele eu fosse.

Mas alguns de vocês devem estar se perguntando:

- Mas por que raios a Dra. Lee resolveu falar de novo sobre esse caso antigo? Que post mais estranho...

Eu respondo dizendo que, apesar de o doido da história sempre ter sido ele, quem precisava de tratamento era eu, não há a menor dúvida disso. Eu tinha de entender que, por mais que eu gostasse muito dele, eu precisava sublimar isso porque nada do que eu imaginava era plausível de acontecer. E para os que acompanharam essa novela, tanto de perto quanto aqui no blog, um dia eu deveria falar que, finalmente, eu havia me curado.

E aconteceu, gatchenhos!

Diagnóstico inicial:
Dra. Lee foi vítima de Passiones Cronicas (PC) pelo doido em questão por alguns longos anos.

Tratamento aplicado:
Foram tantas as medidas adotadas que eu não sei dizer qual delas fez efeito, embora o tempo tenha sido, sem dúvida, fator determinante.

Resultado obtido:
Cura definitiva com probabilidade zero de rescidivas. Somos amigos hoje. Ele me chama de branquela, eu o chamo de tranqueira e assim la nave va.

Com ele aprendi algumas coisas que sempre vou aplicar nos meus relacionamentos:

- Bom humor é fundamental (acho que essa foi a vez de nº 4873 que repeti isso aqui). Ter alguém constantemente emburrado ao nosso lado é uma forma de tortura (e não é desse tipo de tortura que eu gosto, beijos!).
- Se a indiferença dói em mim, quase sempre dói no outro também.
- Ir atrás para tentar resolver algo mal-resolvido nem sempre é o mais indicado.
- Algumas pessoas devem entrar na nossa vida e ficar, outras nunca deveriam ter tido essa chance. Porque, oi?, eu sou legal demais pra elas.
- O mundo fica rodando, rodando (/leilinhalopes) e um dia tudo se resolve e fica bem.

Ai, que eu me senti o Bial agora fazendo filosofia barata em discurso de eliminação do BBB.

Chega.

Alta para Dra. Lee Holloway.

Para ler ouvindo "Off he goes", do Pearl Jam (veja aqui), que eu amo e fala assim: "(...) and now he's home and we're laughing like we always did, my same old, same old friend..."



MERCHAN:
Hoje é dia de eu escrever para o Toca uma pra mim, vai! também. Mas como eu ainda tenho um trabalho da faculdade pra terminar e eu sou uma boa aluna (awn!), vou resolver minha vida acadêmica primeiro e depois escrevo para o blog. Quem tiver interesse em ler minhas baboseiras musicais, acesse o TUPMV! mais tarde que eu devo continuar falando de "Off he goes".
FAIL. Fiquem com os textos de minhas amigas enquanto eu tento colocar minha vida acadêmica em dia.

UPDATE:
Brid e eu gostaríamos de agradecer ao Fabricio Dolci pelo banner novo do blog (dentro da reforma ortográfica e do entendimento do Seu Houaiss) e por ele ter atendido aos nossos insistentes pedidos pra colocar um doido gatchenho nele pra gente. Ficou leendo, leendo!


terça-feira, 24 de março de 2009

O caso do Doido Professor


Caso Clínico: Homem, caucasiano, cabelos claríssimos, olhos verdes gigantescos, estatura mediana, professor de História num destes cursinhos preparatórios. Já havia morado na Grécia, tinha um delicioso gosto musical e, obviamente, era o homem mais aplicadamente inteligente que eu já tinha conhecido até aquele momento em toda minha vida (eu tinha 18 anos). Lembro-me dele falando de Paul Jonhson. Era mágico (/Regina Duarte).

Eu era sua aluna. E como boa aluna que eu era (sim, eu matava aulas para beber no bar da frente. Gracta!), eu assistia às aulas dele completamente encantada (sim, só as dele. Gracta). Aos dezoito anos, eu já era uma mocinha feita, com ares joviais, mas muito madura para minha idade e já fazia planos de ser escritora (sim, eu tinha um diário. Gracta!). Doido Professor era sempre muito atencioso, muito receptivo, muito respeitador (o que, aos 18, eu achava uma qualidade).

Eis que um de nossos professores de Literatura ia dar uma festinha em sua casa. Todos foram convidados para a "Grande Orgia de Baco" regada a vinho de quinta (sem ofender os vinhos vindos das quintas portuguesas que eu adoro. Gracta!). Chegando na festa, eu fui ver e ser vista, porque sou destas que mapeiam o ambiente à procura da presa (aos 18 anos eu era a presa. Gracta!). Avistei (adoro esta palavra: "avistei") Doido Professor chegando em seu boooooom carro, com seus óculos escuros e seus cabelos ao vento, como num clipe do NSync. Quando eu tinha 18 anos era tão fácil me fazer feliz...

Preciso dizer que bebi todas? Não. Preciso dizer que dei em cima (descaradamente) do professor? Não. Preciso dizer que ele foi suficientemente prudente para não ficar comigo? Queria dizer. Mas não posso. Doido Professor e eu tivemos tórrida noite de relações-prazerosas-sem-fins-reprodutivos. Uma das primeiras da minha vida, então pode-se considerar que foi ótima. E antes que os mais moralistas venham me achincalhar, comprem um gato que tem sete vidas para cuidar e parem de cuidar da minha. Gracta! No mais, tenho em meu favor o fato de que eu estava apaixonada por ele. E aos 18 anos isto é quase amor. Eu teria me casado com ele se...

...ele não fosse casado. E não tivesse acabado com os sonhos adolescentes de pelo menos umas 5 meninas maduras que sonhavam em passar no vestibular naquele mesmo ano. E sabe-se lá quantas mais nos anos anteriores.

Diagnóstico: "Corpus Discentis Sexus Addictus", ou seja, tinha tara pelas meninas com sainhas de colegial, de preguinhas, e as meias três quartos que usávamos no cursinho. Um momento... Usávamos? Não. Mas isso não vem ao caso. Safado de marca maior.

Tratamento Efetuado: De alguma forma, eu e as outras meninas que tinham sido avaliadas na prova de resistência do moço não queríamos prejudicá-lo. Apenas decidimos (faltando dois dias para os meus 19 anos) que seríamos maduras e não daríamos mais (ui!) este gostinho ao elemento (ui!).

Terminamos o cursinho (cerca de um mês depois), passamos todas na faculdade que queríamos, nos tornamos amigas de boteco e até hoje revivemos nossos primeiros passos na vida pré-acadêmica de forma carinhosa. Foi uma das primeiras surpresas que eu tive com os homens e me preparou para as seguintes que seriam, com certeza, bem mais cheias de ação.
Um brinde aos professores que ensinam. Cheers!

Para ler ouvindo "To Sir With Love" da Lulu. Só pra não deixar de ser clichê. Adoro clichês!
PS
: Como é sabido, Lee e eu fomos ao show do Radiohead neste ultimo dia 22 (loosho e esplendor), e como agora participamos do "Toca uma pra mim, vai?" fizemos um post sobre os momentos marcantes do show. Não somos críticas de música, não fazemos resenha e nem nada. Está lá o post, que fala de um jeito bem humano de um momento (mais um) legal que passamos juntas. Deem uma olhadinha e comentem. Adoramos! E respondemos tudo porque como eu sempre digo: Adoro Interação (ui!).

segunda-feira, 16 de março de 2009

O caso do doido subcelebridade

Caso clínico:
Homem, 1m85, moreno, olhos verdes, ator e garoto-propaganda. Bonito, tipo italiano com aquele nariz bem desenvolvido, peso em dia, malhadinho.

Estávamos Brid e eu na Livraria Cultura fazendo nossa reunião semanal de pauta quando nos vimos no meio de um coquetel de lançamento do livro do Dr. Malcolm Montgomery, o ginecologista das "estrelas". Nós estávamos sentadas, lindas e tranquilas, nos sofás ao lado na mesa de autógrafos e, de repente, começaram a aparecer subcelebridades e atores de produções tipo B por todos os lados. Resumindo, as "personalidades" mais famosas presentes eram a Suzy Rêgo (who?) e a Luiza Tomé, que conversavam animadamente com um pseudoator, garoto-propaganda de alguma marca de margarina, o doido deste caso clínico.

Tentei achar no Google o nome dele, mas "ator + olhos verdes + comercial margarina" é uma pequisa muito ampla e nas notinhas que saíram sobre o coquetel nada consta sobre o moço.

Anyway, estávamos lá no meio daquele bando de puxa-sacos simplesmente para beber o prosecco e comer alguns canapés quando o doido se aproxima. Detalhe: Brid carregava um caderno de anotações e nós duas usávamos aqueles óculos (os óculos, sempre os óculos!) típicos de jornalistas. Imaginamos, portanto, que ele havia deduzido que éramos da imprensa (coisa meio rara por ali) e estava tentando ser entrevistado, o que ficou evidente pela conversa que ele teve comigo:

Doido: Tudo bem?
Eu: Bem e você?
Doido: Também. Sabe quem eu sou? (Mas hein?)
Eu: Ator de comercial de margarina.
Doido: É, também. Sabe, achei genial a idéia que o Malcolm teve pra fazer esse livro.
Eu: Genial por quê?
Doido: Acho interessante essa mistura de coisas. (adoro gente que não sabe falar sobre livro que nem leu ainda - tem toda uma técnica, poxa -, não é, Brid?)
Eu: Que mistura de coisas?
Doido: Música dos Beatles e relacionamento entre pais e filhos. O Malcolm está de parabéns.
Eu: É, deve ser interessante pra quem gosta de livros assim, não é verdade?
Doido: É sim. Sabe... Você tem olhos lindos.

(e ele olhava para o meu decote ou para os meus faróis acesos pelo ar-condicionado congelante, mas NÃO olhava para os meus olhos)

Eu: Não é nada original elogiar meus olhos (eu apontando para os meus olhos DO ROSTO), mas eu agradeço.
Doido: Hehehe! (sem graça). Pra que jornal vocês trabalham?
Eu: Trabalho para o *Sbrubles* (insira aqui o nome do jornal mais importante do Brasil) e a Brid trabalha para o *Sbbrubbles* (insira aqui o nome do segundo jornal mais importante do Brasil).
Doido: Se você quiser tomar um vinho comigo hoje, posso te dizer outras coisas originais sobre os teus olhos e ainda te dar um depoimento sobre o livro do Malcolm pra você publicar com a tua matéria sobre o lançamento.

Diagnóstico inicial:
Mal de Subcelebridade Decadente (MSD), Tentativa Desesperada de Sobrevivência na Mídia (TDSM), Xaveco Furado nº 05 (XF-05).

Tratamento aplicado:

Eu: Seria uma honra ter a sua declaração no jornal. O problema é que, provavelmente, minha notinha sobre o livro vai ter apenas 3 linhas. Porque, né? Tem coisa mais importante pra gente publicar. Bom, vou ali pegar mais um prosecco. Beijomeliga.

Se a essa altura da conversa a Brid não estivesse toda faceira conversando com o Içami "Quem Ama, Educa!" Tiba, eu poderia jurar que ela teria continuado a conversa com o ator da margarina (e descoberto o nome dele). Ah, e ela pegaria o moço, gentem. Certeza!

Anotações posteriores:
Antes dessa cantada barata, enquanto Brid e eu ainda estávamos nos sofazinhos, uma repórter de programa de fofoca (desses bem medíocres) sentou-se ao nosso lado e ficou até a hora de entrevistar as "estrelas". Depois das entrevistas, ela voltou pra procurar o celular dela no sofá. Virou, mexeu, remexeu, perguntou pra gente se tínhamos visto e tal. Saiu, deu uma olhada no local todo e voltou. Virou, mexeu, remexeu e olhou pra gente. E depois que nós levantamos, ela foi virar, mexer e remexer os sofás onde NÓS estávamos sentadas. Tipos, IN-CON-FOR-MA-DA!

Bom, eu só queria dizer que vou mandar esse post pra ela pra esclarecer:

Gata: não foi a gente que pegou teu celular, tá?

Para ler ouvindo Beatles, Yellow Submarine, que me dá vontade de sair dançando sempre que eu escuto.

segunda-feira, 9 de março de 2009

O caso do Doido Matinê

Caso Clínico:

Homem, caucasiano, cabelos castanhos, lisinhos, 30 anos, olhos castanhos amendoados e dentes encantadores. Um sorriso tão diabólico quanto hipnótico e um jeito de manipular os outros que até hoje nunca vi igual. Eu trabalhava numa vídeo-locadora e el era representante de vendas de uma famosa distribuidora. Todos os meses ele ia me repassar os lançamentos, levar os banners, displays, brindes e, lógico, me passar aquela cantada engraçadinha e sacana do tipo: “Comprando mais de uma cópia do “A Dama do Lotação” você ganha um milk shake e um beijo de despedida! Imperdível, hein?” No que eu respondia docemente: “Sou diabética. E não preciso de beijo de despedida, já que você volta mês que vem, não volta?” E voltava, lógico.

Certa vez, por insistência das outras meninas que trabalhavam lá eu acabei cedendo e deu-se o inesperado. Ele era, além de incrivelmente bem treinado no quesito “papo envolvente” um expert na arte de... bem, ele era muito bom no tal beijo de despedida. Mas era ainda melhor no que vinha antes. O que acarretou uma série de novos encontros. Novos milk shakes e novos beijos de despedida.

Ele nunca saía comigo aos fins de semana (dizia ser a trabalho). Tinha uns horários esquisitos e mesmo a Lee o achava um tanto hipnótico e diabólico, apesar de ser um gentleman, engraçado (juro, ele me divertia!) e boa pinta (gente, adoro gíria velha!). Algo nele me fazia ser relapsa, distante e eu nunca cheguei a gostar de fato dele. Mas, como diria Jair Rodrigues: “eu não to fazendo nada, você também...”, mas ficávamos um pouquinho além do “papo assim gostoso”.

Um dia, do nada, após prazerosa cópula, ele (que não era destes) decide que tem algo a dizer e quer conversar. Oi? Eu já cheguei a dizer que tenho o sono da morte após o “Ininterruptus Coitus”? Pois é. Deitei de ladinho olhando para ele e disse:

Eu:
- Vai falando aí, Doido Paris Filmes. Eu estou de olhinhos fechados mas to ouvindo tudo. Vai falando... (lógico que eu tava meio cochilando, já quase entrando em R.E.M)

Ele:
- Então BRID, é que eu tenho q te confessar um negócio. Eu sou noivo (na hora eu arregalei os olhos, feito uma morta-viva acordando do sono eterno). Mas estou apaixonado. Estou apaixonado por você e vou terminar meu noivado de NOVE ANOS pra ficarmos juntos!

(Neste momento, eu estava catatônica. Mas tive forças pra tomar um banhão de 40 minutos, vestir minhas roupinhas, secar o cabelo, maquiar-me e ficar parada em frente ao jovem doido, esperando ser levada para minha casa.)

Diagnóstico:

Esta doença eu diagnostiquei como “Cinematographicus addictuum”, ou seja, de tanto ver filmes, ficou pirado! Além de me enganar, enganou a noiva, e ainda achava que eu iria acreditar na história do “eu vou largar dela e ba, blá, blá” pra ficar comigo. Fora o fato de que eu não queria isso, meu pai! Se ele estivesse mesmo apaixonado, aí sim seria um problema! Querem saber? Até hoje eu não sei se estava. O caso é que eu não quero ser responsável nem pela felicidade e nem pela infelicidade de ninguém, oh Geovah! Alguem dê juízo para estes meninos de hoje em dia, amém! Precisava criar esta presepada toda? Quando o cara se apaixona por outra e depois vai em busca da felicidade, vá lá. Afinidade, química, isto tudo pode acontecer, com outra pessoa, mesmo quando estamos namorando. Mas o rapaz me cantava sem nem saber se eu curtia a merda do Midnight Oil (ok, eu adoro Midnight Oil, mas ele não sabia) que ele também tanto gostava! Não tinha química, não tinha afinidade, não tinha nada! Ele começou a sair comigo pelo simples prazer de trair gratuitamente a noiva, que depois de NOVE ANOS já devia estar com gosto de feijoada enlatada. Sempre igual.

Tratamento Efetuado:

Fiz-me de vítima que não perdoa mentiras (né?). Dei uma de indignada, cheia de moral e bons costumes, (não que eu não seja, mas o buraco (ui!) era mais embaixo – eu não tava afim do cara!) e o fiz jurar que aquilo seria esquecido e ele seria feliz com a noiva. Para sempre. Caso eu estivesse querendo algo com o moço, ainda assim, acho que ficaria bem desapontada pela mentira inicial. E se eu soubesse que ele tinha uma noiva de NOVE ANOS (ela não tinha nove anos... vocês entenderam!), eu seguramente não teria ido experimentar o milk shake ao som de Midnight Oil, seguido por todos os outros elementos do combo! Que fique claro.

(Corta a câmera para meus olhos, cheios de lágrimas. Dizendo a ele o quanto eu lametava tomar aquela decisão! Depois, Kubrick grita "Corta!" e eu dou um sorrisinho de escárnio.)

Por fim, liguei para a Paramount (Paris, Paramount, Warner , Sbrubles Filmes – whatever), e solicitei a troca do representante da minha região. Fui atendida prontamente pelo supervisor do moço. Nunca mais o vi. Deve ter sido devorado pela culpa, porque eu sou destas, que também tem talento para o drama (quando quer).

THE END!

Para ler ouvindo "I hate to say I told you so" do Hives. Porque eu sabia que não daria certo! Eu sabia! I hate to say I told ME so! (clipe aqui)

E aproveitando a deixa, acho que seria super digno vocês darem (ui!) uma (opa!) lidinha no primeiro post da Lee lá no "Toca uma pra mim, vai?", que está super looshuóza, fetichenta e esplendorosa. Só pra dar agua na boca, o marcador da postagem é "Soft Porn". Sentiram o drama? Eu ja fui lá comentar porque eu sou destas, que não perde tempo. Vocês sabem, né?

segunda-feira, 2 de março de 2009

O caso do doido clássico

Caso clínico:
Homem, 28 anos, 1m78, peso compatível, moreno, olhos verdes, engenheiro civil (para acabar com minha crença de que homem de Humanas não presta e de que de Exatas ainda tem jeito).

A história aconteceu com uma amiga que chamarei de Dra. Anna Cameron. Nossa colega psicanalista mantinha uma relação estável como o doido em questão havia cinco anos. Suas famílias eram muito amigas, eles se amavam muito e faziam mil planos de um futuro digno da típica classe média brasileira feliz. Eles se completavam, brigavam pouco e sentiam que o relacionamento tinha tudo para dar certo. E depois de tanto tempo de namoro, decidiram marcar o casamento.

Fizeram tudo como manda a regra dos casamentos planejados: uma linda festa para comunicar a futura união à parentada, uma poupança gorda para a lua-de-mel, enxoval e um apartamento comprado na planta, que eles foram vendo se tornar realidade a cada dia. Os noivos acompanhavam a construção de perto e Dra. Cameron nem acreditou quando, finalmente, o ninho de amor foi entregue a eles. Começou então a fase de pintar e mobiliar para deixar o local com a cara dos pombinhos.

Em um desses dias de acompanhamento de obras é que Dra. Cameron viu se manifestar, de uma hora para outra, a patologia do doido. Aproveitando uma folga no trabalho, a nobre psicanalista foi toda feliz ao apartamento para verificar a pintura do quarto de casal, afinal, o casamento seria em pouco mais de um mês e ela queria finalizar o lar doce lar o mais rápido possível.

Chegando lá, ela deu uma olhadinha na cortina da sala, na instalação da cozinha, no espelho do banheiro, até que chegou ao seu futuro quarto. Paralisada, ela olhou o piso do quarto e o jornal sujo de tinta no chão. E em cima do piso e do jornal sujo estavam o noivo dela e a melhor amiga dela na maior relação-prazerosa-safada-sem-fins-reprodutivos que ela já teve conhecimento. Estavam num papai-mamãe bem básico, mas eram tão ruidosos e empolgados que não notaram a presença de Dra. Cameron. Até que nossa psicanalista pegou a chave do apartamento e jogou na cabeça do, até então, noivo. Os dois, em choque, pararam o ato e depois de alguns segundos ele disse:

- Não é nada disso que você está pensando.

Diagnóstico inicial:
Cafajestagem Clássica (CC) agravada pela Síndrome do Pau Desgovernado (SPD). Eu teria que dar o diagnóstico da melhor amiga também, afinal, a Dra. Cameron foi traída duas vezes por duas das pessoas que ela mais gostava na vida, mas peço que os leitores analisem a amiga doida por mim.

Tratamento aplicado:

- Não estou pensando nada. Eu estou vendo!... E fotografando.

Admiro o sangue frio de Dra. Cameron. No clímax da história, ela conseguiu fazer uma foto da cópula; foto esta que foi devidamente encaminhada mais tarde às famílias dos dois doidos. O noivo foi pra cima da nossa psicanalista, mas foi impedido por um prego (um prego!!!) deixado ali no chão por Nossa Senhora da Vingança Imediata. Então, Dra. Cameron pegou as roupas, os documentos e os celulares dos dois e saiu correndo do apartamento tendo plena consciência de que, naquele prédio novinho, poucos apartamentos estavam ocupados para que alguém ajudasse o casal de traíras. Ela saiu do prédio, jogou tudo no meio da rua e ficou esperando os dois que, depois de trinta minutos, saíram como Adão e Eva pra pegar os seus pertences diante de olhares horrorizados de transeuntes (mais fotos tiradas por Dra. Cameron).

Depois disso, famílias chocadas com o fato. Noivado desfeito. Brigas pelo apartamento. Quatro anos de terapia para Dra. Cameron.

O caso de cafajestagem é tão clássico que parece roteiro de filme B, parece capítulo de folhetim da Senhora Sílvio Santos, parece uma nova novela da Thalía, mas não é. É a vida como ela é [/nelsonrodrigues].

Para ler ouvindo: "Song to Say Goodbye", do Placebo.
*****

MERCHAN:

E para quem acha que somos apenas doutoras em relacionamentos, agora demos (ui!) para acreditar que podemos falar de música também. Estamos agora com mais 3 amigas nossas, Dras. Keenan, Adams e Bennet, escrevendo sobre as músicas que marcaram nossas vidas. Falaremos de situações explicitamente ou subliminarmente, contaremos casos musicados e seremos expectadoras (ou ouvintes?) das histórias de vocês também, pois o que mais queremos com este novo blog é interação. Deem uma espiadinha [/Bial] e comentem. Queremos sugestões, pois é apenas o começo de algo que curtimos muito realizar. E curtiremos ainda mais com cada um de vocês palpitando por lá, como já fazem aqui! Gractas.