terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

O caso da Doida Insegura: EU!

É Carnaval. E no Carnaval, temos de escancarar nossas paixões, desmascarar os sentimentos, blá, blá, blá...

Façamos o seguinte: Deixemos os casos de doidos por apenas alguns dias. A Lee está totalmente voltada para suas comemorações carnavalescas a dois com o Mr. Holloway, e por sinal, não me chamarão para nenhum programa mais elaborado. Sim, eu trabalho no Carnaval. Esta é a questão! Eu trabalhei hoje. E nem estou reclamando... Acho digno.

Falemos de Doido Atual. Aquele que me fez re-ouvir Maxïmo Park (veja aqui) por ser fisicamente idêntico ao vocalista da bendita banda (veja aqui). O que definitivamente não significa que ele seja bonito... Muito pelo contrário, inclusive (reparem nos dentes!). Mas eu sou destas que acha todas as pessoas parecidas com alguma celebridade ou pseudo-celebridade. Já houve um tempo que a Lee era adepta desta mania estúpida e me achava parecida com a “Reneé Zelvéguer” (veja aqui) e daí vem meu pseudônimo. É, caros leitores – eu não tenho uma personalidade parecida com a de Bridget Jones. Eu de fato pareço com a tal, com cara de quem está chupando (ui!) limão e tudo! Agora ela tem me chamado de Lily Allen (veja aqui), mas enfim, meus hábitos alcoólicos não vêm ao caso agora.

Não sou uma entusiasta do amor eterno e isso não é novidade. “Até que o tédio nos separe. Ou algum sentimento menos nobre, amém!” Nada contra aqueles que amam intensamente, acho ótimo [/Leila Lopes]! Que fique claro que também não sou destas que ama um dia e no outro acha que não ama mais (OK, eu sou destas , sim – podem me chamar de volúvel. Mea culpa. Mea máxima culpa.), mas quem não é assim que jogue a primeira pedra no telhado de vidro de alguém! Porque, oi? Até a Amy se perguntava “Will you still love me tomorrow?”, why not meus doidos? Ou eu mesma? E o legal disto tudo é recomeçar o dia curtindo alguém. Ou não.

Assim como Lee, falarei de mim, de minha situação atual e de meus devaneios recentes. Porque sou destas, que as vezes precisa admitir coisas (a menos que me perguntem algo sobre a cor real dos meus cabelos. Isso não conto mesmo!).

Falarei de Doido Atual, contrariando um pouco minhas regras de “tentar” não falar de doidos atuais. Doido Atual é tão doido quanto eu. É tão “engraçadinho” quanto eu, é tão “enciclopédico” quanto eu e o que é pior: É tão volúvel, confuso e desfocado quanto eu. Isto me assusta, pois definitivamente, pela primeira vez eu me sinto INSEGURA! Já dizia um grande amigo meu sobre relacionamentos:

“A sua Insegurança é a minha Segurança!” Assim mesmo, com maiúscula, pra enfatizar o efeito da coisa. A verdade é bem essa. Quanto mais seguros nos sentimos, mais inseguros ficam nossos parceiros. E vice-versa. Isso é uma constatação. Sábio amigo Billy Corgan!

Doido Atual já dirigiu para mim (o que eu considero um grande passo). Um boooooooooom carro, diga-se de passagem! Nosso primeiro beijo demorou 19 dias para acontecer. Nossa Prima Nocte, quase um mês e meio (sim, foi uma árdua espera!). Tudo isso recheado com um maravilhoso drama de uma Ex-Namorada-Exu-que-se acha-a-Dona-do-meu-bofe!

Eu não estou apaixonada. Não estou amando (longe disso!). Mas estou insegura. Se me perguntarem, eu nego, porque sou destas. E também, porque provavelmente ele também está inseguro, mas assim como eu, sabe disfarçar bem. Ou não.

Sinto-me mais leve agora. Conto com sua compreensão, leitor!
E fico gracta pela paciência!

Para ler ouvindo “I’m Your Villain” (veja a performance aqui) do Franz Ferdinand que eu não consigo mais parar de ouvir. Ficadica do “Tonight”, o álbum novo. E quem quiser as músicas que nós sempre citamos aqui, é só mandar um e-mail para drabridgetjones@gmail.com se for citação minha, ou draleeholloway@gmail.com se for da Lee. Teremos prazer em enviar-lhes as musiquetas! ADORAMOS!

E lembrando que atendendo a pedidos, desbloqueamos os updates do Twitter. Não entendemos bem o porquê dos pedidos, mas enfim... Ta lá, aberto pra quem quiser!

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

O caso do doido namorado

Nossos leitores, às vezes, nos perguntam meio indignados: "mas vocês não acertam nunca?"

Acertamos. E o post de hoje é para mostrar que a vida de uma pára-raio de doido também pode ser meio cor-de-rosa.

Caso clínico:

Homem, 26 anos, jornalista, 1m78, olhos castanhos e irresistíveis, meu namorado. Lindo, bem-humorado, inteligente, com mil idéias na cabeça (e uma câmera na mão) e um entusiasmo invejável. Ele é a típica pessoa que não consegue deixar a vida caminhar monotonamente. Ele precisa da tal montanha-russa, quebrar a rotina, inventar e mudar para que as coisas façam algum sentido e tragam boas novas para ele. Comodismo e conformismo foram as duas palavras que ele riscou do dicionário quando ainda era um girininho.

Eu o conheço há tantos anos que já me perdi no tempo, mas nossa história começou mesmo só há alguns meses. Ele me diz que desde que me conheceu sabia que eu seria dele. E ele não mediu esforços para isso, me pediu em namoro três vezes. Eu neguei três vezes. Mas sempre com muita paciência e carinho, ele foi me conquistando. Até que ele me deu de presente uma viagem com ele para Cochabamba, lugar pelo qual sou apaixonada. E nessa viagem todas as minhas defesas caíram por terra; e me deixei ser guiada por ele. Por trás dessa minha cara de mulher mandona e decidida, também sou uma menina precisando que, às vezes, alguém me pegue pela mão e me mostre o que deve ser feito (todo mundo tem problema, não é?). Bom, foi o que ele fez. Fez a menina Lee parar de ter tanto medo e aceitar todo o amor que estava nos olhos dele.

Ele me ouve, me faz rir, pede minha opinião, se preocupa comigo, lembra de mim nos meus desaniversários, é querido pelos meus amigos e pelo meu cão feroz, tem sacadas geniais, escreve pra mim, elogia e critica meus textos com imparcialidade, me incentiva, diz que sou teimosa e ciumenta, me ensina e aprende comigo. Cuida de mim. Tem mãos quentes que me fazem feliz pelo mais suave toque. Tem um instinto dominador forte, mas não esconde que gosta de me ver no controle das situações de vez em quando. E... e eu cortei o resto deste parágrafo quando fui publicar o post para que vocês não dormissem lendo e para preservar nossa intimidade (ui!).

Enfim, tudo isso é o que de melhor aconteceu comigo desde que eu percebi que o Gavin Rossdale (clique aqui para ver essa diliça) seria um amor impossível (/amorplatônicoadolescente).

Diagnóstico inicial:
O doido namorado está apaixonado por uma doida que escreve histórias em um blog que ele desconhece e a doida que escreve histórias em um blog está apaixonada por um doido namorado que precisa saber deste consultório virtual.

Tratamento aplicado:
Desde que fizemos este blog, Brid e eu sempre quisemos preservar as pessoas citadas aqui, mas, principalmente, queríamos nos autopreservar. Por isso o anonimato, tão questionado nos e-mails que recebemos ou em alguns comentários deixados, é tão importante para nós. Condição sine qua non. Queremos ter a liberdade de escrever as nossas histórias sem a preocupação com o que nossos vizinhos, familiares ou colegas de universidade vão pensar. Tendo isso em mente, poucos amigos sabem da existência deste blog e pouquíssimos outros, leitores, sabem quem são Bridget Jones e Lee Holloway.

Assim, tirando dois ou três doidos que, por motivos diversos, ficaram sabendo das histórias deles, eu não queria que meu namorado soubesse deste blog. Não que eu escreva coisas terríveis aqui. É óbvio que não. Mas o que eu escrevo aqui é o que eu sinto, é o que eu penso, é o que eu faço e é o que eu sou. E estar tão exposta às vezes me assusta um pouco. Mas decidi que não quero esconder nada dele. Não DELE. Quero que ele saiba de todos os doidos que eu conheci, dos meus pontos fortes, dos meus fetiches (ele já sabe de vários, é verdade), das minhas fraquezas e, principalmente, que tudo o que eu escrevi aqui não tem a mínima importância perto do que ele é para mim hoje. Quero que ele saiba que, apesar de eu ter demorado tanto para deixá-lo entrar em minha vida definitivamente, eu o amo da forma mais sincera que possa existir.

Por tudo isso, aí vai o tratamento: estou colocando o link deste post em um e-mail e enviando para ele agora.

Vamutorcê!

Peço desculpas por mais um post meloso, mas alguns textos pedem urgência em ser escritos. E algumas coisas que acontecem nos fazem parar pra pensar um pouquinho e perceber o que realmente é relevante. Ah! Além disso, comi chocolate demais ontem e eu precisava canalizar o açúcar para algum lugar.

Este, de longe, é o meu post preferido. E não tem como não ser neste momento tão feliz da minha vida.

Para ele ler ouvindo “Creep” (aqui), do Radiohead, e “Superstar” (aqui), na versão do Sonic Youth, músicas que falam por mim.

UPDATE: Brid e eu escolhemos nossos casos clínicos preferidos para facilitar um pouco a vida dos novos leitores. Quem quiser ver, a tag está aqui ao lado.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

O caso do Doido Salamandra


Algumas pessoas marcam a nossa vida de uma forma indelével e outras deixam apenas histórias para serem lembradas. Tenho muito mais histórias para lembrar (e rir) do que gente que me marcou de fato. Talvez pela minha apatia natural, talvez pelo fato de eu nem ser alguém indelével na vida de alguém (e nem querer ser, at all). Sei que a cada dia os doidos me surpreendem mais. Alguns deles não tiveram a mínima importância na minha vida, mas figuram nas minhas memórias de um jeito peculiar...

Caso clínico: Homem, caucasiano, olhos claros (verdes? castanhos? whatever!), 29 anos (30? 31?), 1, 87m – 1,90m (não tenho muita certeza, eu tenho memória seletiva), um senso de humor terrivelmente encantador e uma perspicácia notável. Ele reparava em tudo o que eu curtia e era extremamente atencioso com detalhes, o que me impressionou a priori. Não que eu seja descrente com relação a esse tipo de habilidade masculina, muito pelo contrário. Mas é sempre bom encontrar um espécime sem nenhum tipo de defeito no memory card. Ficadica, meninos!

Saíamos todos os sábados, íamos ver bandinhas tocar ao vivo (sim, eu sou destas que vai criticar os músicos em seu habitat natural), comíamos fondue (eu disse "fondue") e eu a cada dia enrolava mais para que tivéssemos a Prima Nocte, não por ânus adocicadus (patologia catalogada em mulheres que transformam a primeira relação-prazerosa-sem-fins-reprodutivos em um prêmio para o doido em questão, o que, além de gerar expectativas muito elevadas, pode gerar irritação da parte do doido e consequentemente uma substituição de parceira) e sim por uma razão bem menos simples...
O fato é que eu não tinha conseguido desenvolver desejo suficiente para manter uma relação-prazerosa-sem-fins-reprodutivos até o fim com tal doido. Não que ele não fosse atraente (ele era), não que ele não fosse inteligente (ele era), mas eu havia percebido que não havia "afinidade" suficiente. Porém sou brasileira e não desisto até ter dado um vexame homérico ou até que a outra parte tenha esta fineza – o que vier primeiro.

Estávamos nós no "entrecurso" do "ato" quando eu definitivamente percebi que algo estava para vir. Havia sido uma boa relação-prazerosa-sem-fins-reprodutivos e eu me preparava para arrematar o momento, puxando a respiração até o fundo, mordendo de leve meu lábio inferior, fechando os olhos e soltando um leve ruído peculiar do momento ao pé do ouvido do doido. Mas neste momento eu (sei lá por que cargas d’água) resolvi ficar com os olhos abertos um instante mais. Maldito momento. Malditos olhos que a terra há de comer que viram tal cena. O Horror! O Horror!

Ele, exatos instantes antes de "finalizar" o evento, não agia como mandava o decoro. Não fechava os olhos e "pressurizava" seu corpo contra o meu, apertando de leve minha mão e soltando ruídos baixinhos ao meu ouvido. Não. O que ele fazia? Ele mordia a língua, com o olhão aberto, feito uma salamandra faminta, ou aqueles lagartos do deserto de Atacama, sabem? O dragão de Komodo? A língua para o lado da boca, pontuda e gangrenada pela falta de sangue da mordida involuntária do mancebo. Juro, tive medo!

Diagnóstico: Particularis Trejeitus Especificuum. Cada pessoa tem seu jeitinho particular e único de "demonstrar" as sensações instintivas, eu até entendo. Mas leitores, era medonho! Tive medo, frio e outras sensações indescritíveis agora.

Tratamento Efetuado: Óbvio que fingi estar bem. Tranquila, plena e satisfeita, afinal, é o que esperam de nós sempre. Homens ou mulheres. Segui toda a sequencia de passos de sempre. Olhinhos fechados, ruídos baixinhos ao pé do ouvido e... That's all, folks! Pensei em dizer a ele o que havia me incomodado, mas percebi que se as coisas realmente tivessem se encaixado (sem trocadilhos infames, please) eu teria adorado vê-lo imitando um Gnu da Somália ou um leprechal na hora de finalizar o "ato". Percebi que talvez eu devesse desistir antes que as coisas ficassem mais sérias e eu tivesse mais uma vez que dizer que o amor da minha vida chamava-se Mia Couto e que eu provavelmente iria para Moçambique ter 23 filhos com ele. Fui fina e três dias depois, soltei o tão manjado "não é você, sou eu!" que sempre funciona! Afinal, se eu tivesse seguido meu instinto e deixado pra lá antes de chegar ao ponto da "interação", tudo estaria bem e eu nunca teria me traumatizado, já que até hoje eu tenho pânico de salamandras e lagartos...
Para ler ouvindo "I Want You" dos Beatles na versão de Across The Universe (
clicando aqui), que eu acho muito ruim. Afinal, eu tenho memória auditiva também.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

O caso do doido emotivo

Caso clínico:
Homem, 26 anos, jornalista e poeta nas horas vagas, 1m76 (uia!), o melhor sósia de Johnny Depp que eu já conheci (leendo, meninas, leendo). Ele era um... fofo! Carinhoso, sempre presente e muito sensível. Além disso, fazia Letras e gostava de meninas.

Eu o conheci no segundo ano da faculdade, quando eu cursava Literaturas de Língua Espanhola. Ele sempre ficava me olhando durante a aula e eu vez ou outra retribuía porque, né? Johnny Depp. Até que um dia ele me mandou um bilhete que dizia assim:

“Mas se amo os teus pés é só porque andaram sobre a terra e sobre o vento e sobre a água até me encontrarem.” (Pablo Neruda)

Romântica que sou, achei tão querido, tão doce, tão lindo e tão PODÓLATRA (Lee com cara de quem adorou; deve ter sido nessa época que eu comecei a me interessar pelo assunto)! Eu estava de sandálias, com as unhas vermelhinhas, e parecia que ele olhava para os meus pés o tempo todo. Fiquei ouvindo na minha mente a galera gritando “já ganhou, já ganhou”. De fato, eu já tinha ganhado, mas depois o doido me explicou que o tal verso nada tinha a ver com podolatria. Humpf. Ele só queria dizer que estava “totalmente encantado” (so fifties!) por mim e que estava “feliz por ter finalmente encontrado a mulher que cabia nos versos de Neruda” (so old-fashioned!). Com essas palavras, parecia que ele tinha saído de algum romance do século XIX.

Ele foi um tanto exagerado para um primeiro contato, não? Ou então eu sou muito cética para paixões instantâneas. Mas mentalizei Johnny Depp e relevei tudo o que tinha sido meio over. A sensibilidade dele também foi devidamente arquivada e, assim, tivemos alguns bons meses juntos.

Até que a sensibilidade dele começou a me incomodar. Frequentemente ele fazia beicinho pra alguma coisa que eu dizia, uma carinha triste que, em vez de me comover, me dava uma vontade imensa de dar uns tapas nele pra ver se ele acordava pra vida. E, claro, a carinha triste sempre vinha acompanhada de algumas frases de efeito:

“Queria tanto que você me abraçasse e me beijasse mais. Fico chateado com isso...” (mais?!? Gentem, um dos meus apelidos é Felícia!)

“Você tem vergonha de mim.” (porque eu não tinha apresentado o doido para um amigo que eu encontrei na rua)

“Quando você me olhou daquele jeito na festa, você quis dizer que não queria que eu te abraçasse?” (eu estava bêbada, não me lembro de ter olhado diferente pra ele e, além disso, eu gosto de abraço... Felícia, né?)

“Você me magoa muito agindo desse jeito”. (depois de ele reclamar pela 18ª vez que eu não queria beijá-lo de língua durante o filme, mas, poxa, eu realmente queria ver o filme!)

“Cheguei em casa e chorei porque você disse que não queria sair comigo hoje.” (eu só não queria ficar naquele grude eterno com ele, queria ver meus amigos também)

Até que o ápice foi:

“Você não me ama mais”.

Diagnóstico inicial:
Emotivo. EMOtivo. Dramático. Ele tinha sensibilidade ultra-super-hiper-mega exacerbada, insegurança crônica e carência terminal.

Tratamento aplicado:
“Não é verdade que eu não te amo mais. Eu nunca te amei”.

Fim da história pra sempre. Ele nunca mais me procurou. Fui grossa e cruel, mas ele encheu o saco que eu não tenho. Nós NÃO estávamos namorando e eu NUNCA tinha dito que o amava. Eu gostava dele. Gostava muito até. Mas não era amor e eu não tinha enganado o doido a respeito disso. Poderia ter durado mais, poderia ter virado namoro, mas só se ele não fosse esse poço de mágoa e drama.

Homem tem que ser sensível, claro, mas não pode ser chato. Pelo menos comigo não adianta ficar fazendo cara de coitado, isso me irrita profundamente. Não gostou de algo que eu disse? Então me fale, discuta comigo, me enfrente. Se não fizer isso, um dia eu me canso e mando um “beijo, tchau”.

Para ler ouvindo “No You Girls”, do Franz Ferdinand (clique aqui).