segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

O Caso do Doido Maestro


Caso Clínico: Homem, 34 anos, olhos castanhos claros, cabelos rareando (mas castanhos bem claros), dentes meio tortinhos (os de baixo), mãos com 20 cm de comprimento cada, baixista profissional e professor numa renomada escola de música aqui de São Paulo. Especializado em Berkeley. Um orgulho, o moço!

Nós nos conhecemos num fórum da internet que discutia música. Conversa vai, conversa vem, uns dois meses de papinho mole, "eu já toquei com fulano (sem trocadilhos infames, gracta!), eu já regi cicrano, blá blá blá", até que ele me chama, como quem não quer nada, para tomar uma Fanta nos arredores do instituto em que ele dava aula. Naquela época eu era louca e aceitei (mas já tinha especulado sobre o moço, o que na verdade também não era garantia de nada). Mas confiei e decidi encarar o "almost blind date" como se não houvesse amanhã, já diria Renato Russo.

Decidimos nos encontrar no saguão da recepção da escola, eu iria até lá, aproveitava e comprava cordas novas para meu banjo e tal. A aula dele acaba e lá vem o moço. Imaginem Bridget Jones desconcertada. Multipliquem por mil. Ele era muito alto, usava um boné da Gibson e se vestia super bem. Saímos de lá e fomos a um barzinho famoso onde ele conhecia até a moça substituta da chapelaria. Trocamos cifras de músicas (ahãm – claro, claro), descobrimos vários amigos em comum (este mundo de bares é uma caixinha de surpresas), trocamos mais cifras de músicas, tablaturas, cifras, cifras e mais cifras e quando meus lábios e língua já não aguentavam mais trocar cifras de músicas e tablaturas com os lábios e língua dele, fui para casa, leve e feliz.

Resumão da história: Gostei do cara por 2 anos, nossa história foi linda, legal e...

...ele tinha um pequeno problema. Era músico. Profissional. Normal? Na verdade, quem já teve um caso com músicos (e eu já tive alguns) vai saber que isso quase quer dizer "womanizer" ou mulherengo. Bem, adicione aqui o adjetivo que mais lhe agradar para o termo "polígamo".
Eu aguentava tudo. E fingia não ver. Afinal ser "a oficial" nos dá um certo status. Uma espécie de falsa segurança, o que é confortável. Nossa relação era incrível. Eu o chamava de "Bunda de Babuíno" (não perguntem o motivo, ok? Gracta!) e ele me chamava de Courtney Love, devido a uma certa preferência que eu tinha para calçados e... não importa! Sem sombra de dúvidas, o cara mais divertido que eu já conheci em toda minha vida. Porém, polígamo!

Numa destas em que eu aguentava tudo, ele decidiu que eu era uma boa motorista (eu já atropelei um motoboy, nenhum seguro renova comigo) e resolveu beber mais um pouquinho (ele era destes, que enchia a lata), mas por ser gente boa, todo mundo achava legal e relevava. Ainda mais porque ele ficava ainda mais brilhante nas sacadas e ainda mais engraçado (no bom sentido) quando estava bêbado.

E foi aí que começou meu martírio. Neste dia ele decidiu que iria contar uma de nossas relações-prazerosas-sem-fins-reprodutivos para a galera da mesa, quiçá do bar. Eis que ele começa a contar e...ops! Não era bem de mim que ele estava falando. Não era uma relação-prazerosa-sem-fins-reprodutivos entre ele e eu (não que eu fosse deixá-lo contar. Na hora eu enfiaria (ui!) um pão italiano na boca dele e pronto! Porque sou destas, discreta!). E ele citou nomes. E tinha sido ontem. E ontem eu não estava com ele. E era o fim!

Diagnóstico: Polígamo. Polígamo, bêbado, cabeça de babuíno, degenerado, desgraçado. Bêbado, filadumaégua! Descaraaaaaaaaaado, filadumaégua! E como eu não sei nenhum palavrão em latim, filhus di putibuum. Com todo respeito as putibuum.

Tratamento Aplicado: Após humilhação pública, levantei-me, tomei um táxi (com gelo e limão, please!) e fui para minha casa. Não chorei, porque sou destas que aceitam com dignidade o fardo que Deus lhe dá. Eu aceitei. Eu me submeti. Eu tomei na cara. É o justo. Podem tripudiar!

Foi difícil esquecê-lo. Mas eu nunca mais o procurei. Ele sim me procurava para acertarmos tudo e eu só conseguia rir. Até que ele desistiu. Acreditem se quiser, somos amigos e muito amigos. Ele me ensinou a gostar de Jazz, me ensinou a assoviar em shows, a afinar banjo sem diapasão, e também me ensinou o valor que eu tenho! Ensinou-me a nunca aceitar menos do que eu mereço. E se eu merecer um simples beijo na boca, que seja. Mas sempre respeitando minhas exigências internas, que às vezes são rígidas e às vezes não. Porque eu sou destas, que muda de idéia de um dia para o outro sem culpa!

Nota da Doutora: Sim, este post está longo devido à importância do doido. Nem sempre a intensidade de uma relação está na forma como ela começou ou no tempo em que ela durou. Já tive relações que começaram de forma ortodoxa ou que duraram décadas, mas que nem de longe se compararam ao Doido Maestro.

Para ler ouvindo: Girls Who Play Guitars do Maxïmo Park (Veja aqui o clipe), que eu estou amando no momento.

O álbum Tonight do Franz Ferdinand me fez ficar com TOC musical. Quem ainda não ouviu, ouça. Lembrei-me da época do Resumo da Ópera (uma antiga danceteria aqui de São Paulo em que eu mijogava quando tinha uns 14 anos). Quem curte Franz Ferdinand vai curtir. Quem curte dançar, vai curtir muito. Mas isso é opinião pessoal, conheço gente que não gostou at all. E eu continuo preferindo o Julian Casablancas ao Alex Kapranos. Sópassabê!
UPDATE:
O jornalista Ricardo Noblat publica diariamente dicas de sites, blogs e fotologs interessantes e hoje ele indicou o Sou Pára-Raio de Doido (uhu!). Quem não viu ainda, clique
aqui.
Obrigada ao Noblat e ao nosso leitor André pela sugestão! Brid e eu estamos muito, muito felizes (quase insuportavelmente felizes)!
Beijo,
Lee

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

O caso do Doido Nu


Caso Clínico: Homem, 32 anos, caucasiano, olhos castanhos e cabelos castanhos. Para simplificar, eu posso seguramente dizer que foi o cara mais bonito que eu já fiquei até hoje, sem sombra de dúvidas. Dentista (sim, mais um), inteligente, educado, de boa família, enfim – perfeito! Ele era amigo dos meus primos, mas nos conhecemos numa destas festinhas de odontólogos em que eu me metia (ui) com meu ex, também dentista e também doido (veja aqui a história do outro dentista doido).

Estávamos ficando e tudo era incrivelmente perfeito. Ele morava sozinho num apartamento muito aconchegante. Tinha algumas manias estranhas, mas até aí quem não tem? Uma destas manias era a de ficar me observando enquanto eu dormia. Óbvio que eu não durmo de pijama de flanela, então até entendo ele me olhar, mas se vocês vissem a cara que ele fazia, ficariam com medo! Medo AND frio. Então eu olhava para ele, via o quanto ele era lindo, fazia a egípcia e fingia que dormia, sempre atenta aos atos do mancebo. Nunca se sabe.

Fora isso e o narcisismo (ele olhava em todos os espelhos que pudesse olhar) achei que ele fosse normal. Mas qual o quê? Eu ainda não sabia o que me esperava.

Certa noite, ele foi me buscar na faculdade e eu iria dormir na casa dele. Fazíamos isso toda sexta-feira. Aquela não seria diferente. Restaurante japonês, conversa deliciosa (sakê opera milagres e lá no restaurante não tinha Sagatiba), fomos para o apartamento dele. A relação-prazerosa-sem-fins-reprodutivos daquela noite foi fenomenal (tanto que tive de parar uma duas vezes escrevendo esta frase, só recordando do evento) e ele parecia mais animadinho do que o normal. Relaxei e dormi o sono dos justos (pode me chamar de insensível, mas eu durmo o sono da morte depois de fazer "sbrubles" all night long. Até já pensei em aposentar o Alprazolan e arrumar um namorado só para as noites de insônia - Ficadica!).

Eis que as 3:15 da madrugada, o doutor me acorda dizendo que tem uma surpresa. Surpresa para mim é passagem para Londres/Los Angeles/Dubai e eu sabia que aquilo não era, pois ele tinha uma cirurgia de extração de siso as 15:00h. A não ser que eu fosse sozinha e ele estivesse me levando até o aeroporto. Perdida em minha divagações ouço ele me dizendo:

D.N.: - BRID, vc conhece um tal de Spencer Tunick? (eu conhecia. Era o tal que tirava fotos de pessoas peladas. Multidões peladas em locais publicos)
BRID:
- O que tem ele? (eu já temia pelo pior)
D.N.:
- Vamos posar para ele! Você não acha legal estar presente numa obra de arte histórica (?????) ?
Nota da Autora: Para quem não sabe este artista (Spencer Tunick) veio ao Brasil fazer um "trabalho fotográfico" dos paulistas peladinhos (para quem quisesse participar, era algo voluntário. Aparecia por lá, se cadastrava, recebia uma pulseirinha VIP e pronto. Era artista tambem) lá no Obelisco (ui!) do Ibirapuera. As 5:00 da matina de um sábado qualquer! Foi um trabalho que ele fez em várias capitais do mundo inteiro. Coisa Phynna AND cult...

Diagnóstico: Até hoje eu não sei o nome técnico do que este homem tinha (ou tem). Exibicionista, com certeza. O que não chega a ser um defeito, mas eu sou uma menina de reservas (ou pelo menos era).

Tratamento Efetuado: Concordei na hora (porque é lógico que eu fiquei curiosa para ver a muvuca pelada, né?). Esperei chegarmos até lá e depois de ver algumas pessoas nuas em pêlo (incluindo vários jornalistas) quando chegou a minha vez de tirar as roupichas eu dei uma desculpa sobre "vou fazer um pipizinho ali na moitinha e blá, blá, blá" (estávamos no Parque Ibirapuera), peguei um táxi e fui para casa.

Resultado Obtido: Ele ficou meio chateado comigo. Eu fiquei meio assustada com esta história toda de art-nouveau/moderna/pornográfica e nunca mais consegui olhá-lo com os mesmos olhos. Não conseguia mais dormir ao lado dele. Podem chamar de preconceito, mas eu não curti essa arte. Terminamos umas semanas depois (ele era tão lindo que eu ficava com receio de terminar toda vez que olhava para ele). Acontece, né?

O engraçado de tudo isso, é que para que eu entrasse no cordão de isolamento junto com os outros pelados, eu tive que me cadastrar para poder depois receber a foto. Nem me preocupei com isso. Certo tempo atrás, descobri que ele não tinha recebido a tal da foto. Mas eu sim. E até reconheci a bundinha dele no meio de todas. Ele tinha uma pinta linda na "banda" esquerda.

Para ler ouvindo Being Boring do Pet Shop Boys (veja o clipe da Pool Party deles aqui), lembrando que eu adoraria ser convidada para alguma Pool Party onde tivessem pessoas peladas e muita espuma (não que eu vá ficar pelada também, mas minha verve de voyeur está latente!).

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Fim de férias

Estamos voltando aos poucos, mas a partir da semana que vem já teremos os casos clínicos de 2009. Enquanto isso, resolvemos escrever bobagens, coisinhas sobre nossas férias.

Por Bridget Jones

Fim de ano é um porre. E, dando muito valor a este tipo de declaração, foi que eu passei o fim de ano quase todo meio de pilequinho só pra festejar, não é mesmo, minha gente? Eu que não sou boba nem nada (vibe Solange Couto). No Natal aconteceu uma das coisas mais esquisitas da minha vida. Um dos melhores amigos do meu quarteto de primos-irmãos terminou o namoro (que já durava 7 anos) com a Catherine Deneuve e nós começamos a ter certo contato (ui!). Imagino que ele seja a grande promessa de "Doido 2009". Isso veio antes do tempo, mas, de qualquer modo, acho melhor ir curtindo a fase "Amigos para Sempre" e não colocar tudo a perder até que seja a hora. Ainda não tivemos primeiro beijo (mas, depois de proveitoso encontro, ele desligou o carro, ensaiou um beijinho de despedida - que eu, ogra que sou, desviei -, e depois sorriu sem graça. Achei bonito e esforçado!). Ele tentará de novo. Sei que tentará!

Não houve este primeiro beijo por um motivo muito simples (antes que me chamem de puritana, hipócrita, blá, blá, blá): quero curtir cada momento que vier antes disso. E se ultrapassarmos a barreira do primeiro beijo (que Santa Madonna ilumine minhas decisões e que eu não desvie o rosto na próxima vez), que eu continue curtindo o momento e evoluindo em vontades e desejos (uhu!) naturalmente. E que o sentimento continue crescendo. E que eu não me canse dele e nem ele de mim. Amém!

Rapidinhas de fim/começo de ano da Brid:

1. Doido AdEvogado voltou a toda na minha vida. Queria poder dizer que isso não me abalou em nada. Não posso. Desta vez, ele está solteiro AND disponível. O que de certa forma me faz ficar receosa AND amedrontada. Coisas de quem tem medo de compromisso. Não é o meu caso. Com certeza não é [mode *assustada* ON].

2. Provável "Doido 2009" curte carros. Booooooooons carros. E não tem nada contra os Fusquinhas, o que já é um grande começo.

3. [Momento Futilidade ON] Mudei novamente a cor dos cabelos. Tenho cabelos "mel". Seja lá qual for esta cor! Uma coisa meio Serena on Gossip Girl (a cor, meus leitores, a cor). [Momento Futilidade OFF]

4. Meu melhor amigo (e de Lee) está namorando. Nada contra ele namorar, acho ótimo (vibe Leila Lopes), mas ele não poderia ter escolhido uma garota que não fosse assim, tão "receptiva"? Ela é meiga demais, risonha demais, feliz demais e nosso amigo Billy Corgan é o sonho de consumo da galerë (eu não sou ciumenta!!!).

5. Seguindo o exemplo de Lee, dei um tempo em Wittgentstein, Hegel, Jung e Freud, e acho que talvez a Candace Bushnell (Lipstick Jungle) nos ajude a diagnosticar melhor os doidos este ano.

6. Doido Workaholic quis voltar e eu quase quis voltar com ele. Mas parece que minhas decisões quando eu estou de pilequinho são mais acertadas do que quando estou lúcida e sã. Um brinde à Sagatiba!

Por Lee Holloway

Cheguei de Cochabamba há poucos dias e está sendo difícil voltar à rotina de não ter nada pra fazer. Todos voltaram a trabalhar, o que me obriga a inventar coisas para fazer de 5 em 5 minutos. Já fiz uma faxina em todas as minhas coisas pra me livrar do que não é mais importante, já organizei meus livros, já xinguei metade dos atendentes incompetentes da Telefonica e já fui pra Liberdade-25 de março-Centro Velho-Paulista pra ver o que tem de novo nesta cidade. Descobri que o Carnaval já está quase aí e senti arrepios. Pior ainda foi me deparar com esse sol medonho estragando meu bronzeado do leste europeu.

Apesar disso, o ócio não é de todo ruim, mas me faz pensar mais nas (poucas) coisas que acontecem. Meu caso mais antigo resolveu dar sinais de vida novamente. Além de me mandar uma mensagem simpática de “Feliz Ano Novo”, eu o encontrei, por acaso, tomando um café em um dos lugares que passei. São Paulo é uma cidade grande. Chuí é uma cidade muito longe. Qual é a probabilidade de se encontrar uma pessoa que mora em Chuí, ao acaso, em SP?!? Santa Madonna aprontou comigo, só pode. Não tive como escapar e lá fui eu bater um papo com ele. Foi agradável. Depois disso, o ócio me fez perceber que não consigo ter nenhum sentimento ruim por ele, mas que ele não pode chegar agora, do nada, e bagunçar minha vida. Se alguém conhecer uma benzedeira boa, me avise.

Rapidinhas de fim/começo de ano da Lee:

1. Comecei 2009 lendo romances bobinhos sem culpa nenhuma. Depois de anos lendo Kant, Pirandello e Brecht, quero entretenimento puro por algum tempo.

2. Meu projeto “Inverno” começa amanhã. Fiz a matrícula na academia e paguei por 3 meses para que eu possa bater meu recorde de um mês “malhando” e chegar em julho toda boa.

3. Meu melhor amigo (e de Brid) está namorando uma menina efusiva, que escreve errado palavras básicas, inventa apelidinhos ridículos, força intimidade e é enjoativa de tanto que me abraça. E o pior: me chama de MI-GU-XA. Chama a Brid de miguxa! Miguxa não, porra! Isso me dá engulhos. Estou em crise, mas gosto é gosto, né?

4. O Doido Casado me mandou um e-mail e forçou uma conversa comigo. Fez questão de me dizer que teve dois filhos lindos e está feliz. Bom pra ele, não é mesmo? Sai, exu, senão eu psicotizo!

5. Os doidos pululam agora que tenho uma relação-estável-sem-fins-reprodutivos. Parece que não faltarão casos clínicos.

Por Brid e Lee

1. Para ler ouvindo Juicebox do Strokes. Fique (aqui) com o videoclipe (junto? separado?) softporn (junto? separado?) que a Brid adora! E viva a sacanagem ponderada!

2. Nós nos recusamos a trocar o nome do blog para “Sou PARARRAIO de doido” ou qualquer outra bizarrice similar porque, como boas crias da nossa querida universidade, somos tradicionalistas. E até 2012 tem tempo para aderirmos às novas regras ortográficas. Portanto, leitor que me enviou e-mail reclamando do nome do blog: sossegue o facho.
UPDATE:
Leitores, só queria esclarecer que o possível "Doido 2009" que eu citei no texto NÃO É meu primo! Ele é um dos melhore amigos dos meus primos. Eu digo quarteto lá em cima pois são 4 irmãos. Pronto, agora minha identidade secreta pode se resumir a alguém que tem 4 primos que são irmãos um do outro (um deles solteiro e gatchinho, hein, meninas!). São meus primos-irmãos (nem sei se esse plural tá certo at all) pois são primos de primeiro grau. Em todo caso, não tenho nada contra quem dá "uns peguinhas" na primaiada, acho ótimo! Afinal a vida tá aí e a gente só tem uma não é mesmo, minha gente?
Gracta a todos.
Love,
BRID