Como muita gente sabe, no sábado os paulistas puderam rever o Faith No More no Maquinária Festival. Brid e eu estávamos lá, num clima de pura magia e sedução na área VIP. Quase pudemos tocar naquele ser bizarro e gostoso chamado Mike Patton quando ele desceu do palco pra gritar bad words com a galera. Ok, eu sei que “quase” não vale nada, mas, enfim, fiquei a um metro daquele que foi meu ídolo na adolescência. E fã se contenta com pouca coisa mesmo. Até com um beijinho, muá, jogado de longe. :D Bem, mas eu disse tudo isso porque durante o show do FNM eu acabei me lembrando de uma história, e me deu vontade de contá-la aqui.
Caso clínico:
Homem, 21 anos, estudante, cabelos e olhos castanhos, fã de Faith No More.
Mulher, 19 anos, estudante, cabelos loiros e olhos castanhos, fã de Faith No More.
Eles se conheceram nos corredores da faculdade, no dia em que ele usava uma camiseta do Faith No More. Conversar sobre a banda foi só um pretexto pra ela se aproximar dele. Ela sempre o via na faculdade e o achava estranho. Um estranho interessante. Tímida, ela precisou recorrer ao Mike Patton e a Epic quando o viu sozinho no corredor. Não, ele não parecia o Mike Patton (pena...). Mas ele se lembrava do vídeo de Epic que passava todo dia no Clip Trip, da TV Gazeta.
Ao contrário do que ela imaginou, o doido não era tão estranho, mas demorou algumas semanas até convidá-la para sair. Enquanto isso, continuaram as conversas de corredor, agora não mais só sobre o Faith No More, mas sobre as várias coisas que tinham em comum. Não sabiam muito bem precisar o que sentiam, mas eles se gostavam em algum nível entre gostar-pra-conversar e gostar-pra-beijar.
Um dia ele convidou a doida para conversar enquanto tomavam algumas cervejas, e ela, feliz, aceitou. Eles se beijaram no bar, conversaram, se beijaram, e ela dormiu na casa dele. Depois desse dia, começaram um jogo que até hoje não se sabe quem ganhou.
Ele não queria namorar. Ela queria namorar, só que nunca disse isso pra ele porque tinha medo de assustá-lo, já que ele não queria namorar. As conversas continuaram, mais frequentes até do que antes, mas os dois jogavam na defensiva. Difícil saber qual dos dois era melhor zagueiro.
Vez ou outra ficavam juntos, mas os dias seguintes sempre eram preenchidos pelo distanciamento de quem não queria que o outro achasse que as coisas estavam ficando sérias. Então voltavam a se falar como bons amigos. E eles funcionavam bem como bons amigos.
Às vezes ela tinha vontade de dizer que sentia saudades dele nos fins de semana, mas essa vontade sempre passava quando o doido dizia a ela que havia conhecido uma menina incrível no sábado.
Às vezes ela dizia a ele que tinha um carinho grande por ele, mas ele retribuía com um “eu também” e um beijo no rosto.
Um dia, cansada de esperar algo do doido, ela começou a sair com outro rapaz. Quando o doido soube, disse que ficava feliz por ela. Mas ela não ficou feliz por ele ficar feliz por ela.
Quando ele contou a ela que estava saindo com outra menina da faculdade, a doida disse que achava “legal” e que torcia para que o relacionamento deles desse certo. À noite, em casa, ela chorou baixinho no ombro do seu travesseiro.
Enquanto as conversas de corredor continuavam, os relacionamentos de ambos com outras pessoas começaram a ficar sérios. Feliz, o doido apresentou a namorada à doida. Não querendo ficar por baixo, a doida também apresentou o namorado ao doido e se mostrou, também, muito feliz. Existia praticamente uma disputa entre eles pra ver qual felicidade era maior.
Até que chegou a formatura e o fim das conversas no corredor. Eles tentaram ainda continuar os diálogos pelo telefone e pela internet, mas saber que ele estava bem ao lado da namorada deixava a nossa doida egoísta muito triste. Então, ela preferiu se afastar sem dizer que um dia tinha gostado dele e que esse gostar, numa escala que ia do gostar-como-amigo ao gostar-como-namorado, sempre tinha ficado no grau máximo.
*****
Anos depois, ela descobriu que, na época, o doido também gostava muito dela e tinha vontade de tê-la não só como amiga. Mas quando ela soube disso o mundo já havia girado demais.
Diagnóstico inicial:
Os dois sofriam de Covardia Aguda e Terminal (CAT), Excesso de Autopreservação (EA) e Fobia de Rejeição (FR), associados ao desenvolvimento de uma Síndrome do Não-Quero-Ficar-Por-Baixo (SNQFPB).
Tratamento indicado:
Se na época eu pudesse ter indicado um tratamento a eles, eu teria recomendado a Sinceridade Kamikaze (SK).
Não gosto de coisas não-ditas, embora hoje eu ainda tenha uma porção delas.
Anotações posteriores:
Ela não encontrou o doido no show do Faith No More, mas tem certeza de que ele estava lá com uma camiseta da banda.
*****
Para ler ouvindo Faith No More, claro, em São Paulo. Os vídeos não são nossos porque a chuva e a multidão não nos deixaram gravar nada. Mas dá pra ter uma ideia do que vimos de pertinho.
Música para os doidos deste post: Epic (aqui).
Alguns dos momentos incríveis do show:
- Reunited (aqui);
- Easy (aqui);
- Stripsearch (aqui); e
- Digging the Grave (aqui).
Caso clínico:
Homem, 21 anos, estudante, cabelos e olhos castanhos, fã de Faith No More.
Mulher, 19 anos, estudante, cabelos loiros e olhos castanhos, fã de Faith No More.
Eles se conheceram nos corredores da faculdade, no dia em que ele usava uma camiseta do Faith No More. Conversar sobre a banda foi só um pretexto pra ela se aproximar dele. Ela sempre o via na faculdade e o achava estranho. Um estranho interessante. Tímida, ela precisou recorrer ao Mike Patton e a Epic quando o viu sozinho no corredor. Não, ele não parecia o Mike Patton (pena...). Mas ele se lembrava do vídeo de Epic que passava todo dia no Clip Trip, da TV Gazeta.
Ao contrário do que ela imaginou, o doido não era tão estranho, mas demorou algumas semanas até convidá-la para sair. Enquanto isso, continuaram as conversas de corredor, agora não mais só sobre o Faith No More, mas sobre as várias coisas que tinham em comum. Não sabiam muito bem precisar o que sentiam, mas eles se gostavam em algum nível entre gostar-pra-conversar e gostar-pra-beijar.
Um dia ele convidou a doida para conversar enquanto tomavam algumas cervejas, e ela, feliz, aceitou. Eles se beijaram no bar, conversaram, se beijaram, e ela dormiu na casa dele. Depois desse dia, começaram um jogo que até hoje não se sabe quem ganhou.
Ele não queria namorar. Ela queria namorar, só que nunca disse isso pra ele porque tinha medo de assustá-lo, já que ele não queria namorar. As conversas continuaram, mais frequentes até do que antes, mas os dois jogavam na defensiva. Difícil saber qual dos dois era melhor zagueiro.
Vez ou outra ficavam juntos, mas os dias seguintes sempre eram preenchidos pelo distanciamento de quem não queria que o outro achasse que as coisas estavam ficando sérias. Então voltavam a se falar como bons amigos. E eles funcionavam bem como bons amigos.
Às vezes ela tinha vontade de dizer que sentia saudades dele nos fins de semana, mas essa vontade sempre passava quando o doido dizia a ela que havia conhecido uma menina incrível no sábado.
Às vezes ela dizia a ele que tinha um carinho grande por ele, mas ele retribuía com um “eu também” e um beijo no rosto.
Um dia, cansada de esperar algo do doido, ela começou a sair com outro rapaz. Quando o doido soube, disse que ficava feliz por ela. Mas ela não ficou feliz por ele ficar feliz por ela.
Quando ele contou a ela que estava saindo com outra menina da faculdade, a doida disse que achava “legal” e que torcia para que o relacionamento deles desse certo. À noite, em casa, ela chorou baixinho no ombro do seu travesseiro.
Enquanto as conversas de corredor continuavam, os relacionamentos de ambos com outras pessoas começaram a ficar sérios. Feliz, o doido apresentou a namorada à doida. Não querendo ficar por baixo, a doida também apresentou o namorado ao doido e se mostrou, também, muito feliz. Existia praticamente uma disputa entre eles pra ver qual felicidade era maior.
Até que chegou a formatura e o fim das conversas no corredor. Eles tentaram ainda continuar os diálogos pelo telefone e pela internet, mas saber que ele estava bem ao lado da namorada deixava a nossa doida egoísta muito triste. Então, ela preferiu se afastar sem dizer que um dia tinha gostado dele e que esse gostar, numa escala que ia do gostar-como-amigo ao gostar-como-namorado, sempre tinha ficado no grau máximo.
*****
Anos depois, ela descobriu que, na época, o doido também gostava muito dela e tinha vontade de tê-la não só como amiga. Mas quando ela soube disso o mundo já havia girado demais.
Diagnóstico inicial:
Os dois sofriam de Covardia Aguda e Terminal (CAT), Excesso de Autopreservação (EA) e Fobia de Rejeição (FR), associados ao desenvolvimento de uma Síndrome do Não-Quero-Ficar-Por-Baixo (SNQFPB).
Tratamento indicado:
Se na época eu pudesse ter indicado um tratamento a eles, eu teria recomendado a Sinceridade Kamikaze (SK).
Não gosto de coisas não-ditas, embora hoje eu ainda tenha uma porção delas.
Anotações posteriores:
Ela não encontrou o doido no show do Faith No More, mas tem certeza de que ele estava lá com uma camiseta da banda.
*****
Para ler ouvindo Faith No More, claro, em São Paulo. Os vídeos não são nossos porque a chuva e a multidão não nos deixaram gravar nada. Mas dá pra ter uma ideia do que vimos de pertinho.
Música para os doidos deste post: Epic (aqui).
Alguns dos momentos incríveis do show:
- Reunited (aqui);
- Easy (aqui);
- Stripsearch (aqui); e
- Digging the Grave (aqui).
58 psicanalistas diagnosticaram:
AMO FAITH NO MORE E NÃO PUDE IR AQUI EM PORTO PORQUE DEU VOMITOS NA NOITE ANTERIOR, E VOMITOS ATE AS 9 HS DA MANHA ACABA COM QUALQUER VONTADE, ATE MESMO DE VER MEU IDOLO MOR, MIKE PATTON, O QUAL EU BEIJEI SIM E FUI BEIJADA, CLARO QUE NO ROSTO, EM 1991 OU 2 QUANDO VIERAM AQUI.
ELE É LINDO. EU ACCHO QUE PRECISO DESTE TRATAMENTO AI PRO CASO QUE CONTEI NOS PARTICULAR PRA BRIDGET
QUE TU ACHA BRID? SÓ TE ANTECIPO, O ICEBERG AINDA NAO FUNCIONOU....CRUZES
BEIJÃO
Como sempre, texto sensacional. Tive uma história parecida, de covardia de ambos os lados. E depois quando tentamos, deu tudo errado. E hoje ela nada quer ser de mim.
Já tive um caso parecido.. só que nos gostamos em épocas diferentes da vida... ele teve coragem de me falar e eu o rejeitei, depois eu quis, mas não tive coragem de dizer...
Por que somos assim?
Gostaria de ter coragem de me expor mais...
Só sei que agora eu não guardo mais nada, digo tudo.
EU SOU O GOOGLE: poxa, que pena que vc não pode ir! Mas se vc já conseguiu um beijinho do Mike Patton antes, já pode se considerar uma sortuda! ;-)
E vamos esperar a resposta da Brid para o seu caso...
Beijo!
BRENO: não tem mesmo que guardar nada. Eu, que sou bobona, é que ainda guardo! rs
Uma pena que sua história não tenha dado certo também. Mas pelo menos vocês tentaram.
Beijo!
CRYSTAL: eu também já passei pela mesma situação que você. E, não sei se é uma tendência, mas minhas histórias nunca acabam muito bem. rs
Somos complicados, gostamos de certezas que muitas vezes não podemos ter. Então acabamos ficando covardes mesmo.
Beijo!
Muito bom o post de hoje. Estou vivendo agora uma situação parecida. No caso houve falta de coragem e comunicação pq as vezes as "indiretas" não dão certo. Como não entendi as indiretas acabei perdendo pra uma amiga... Agora não sei mais o q pensar, é tudo tão confuso... Acho q vou apelar pro Kamikaze, parece um bom tratamento.
Arigatô Doutoras
DOLORES HAZE *INGÊNUA*: eu acho que no seu caso você tem que se jogar com tudo no tratamento de Sinceridade Kamikaze. Mas, claro, deixe que seu doido fale também. Acho que as chances de vocês se entenderem são grandes.
Indiretas são melhor compreendidas por mulheres, viu? Porque a gente tem essa vibe de deixar coisas subentendidas. Pra homem não funciona muito bem.
Quanto à amiga (amiga?), acho que você pode resolver com ela depois. Melhor ser sincera primeiro com você e com ele.
Beso!
Amei o texto,aliás, sempre amo.
Somos complicados né?Na verdade nunca se tem certeza de nada, principalmente na lida com o outro!
Por isso prefiro sempre falar as coisas que sinto, porque no minimo a duvida acaba, sai-se do estado de torpor e tudo vira uma história fantástica pra ser contada numa mesa de bar, ou num blog.Isso é viver.Sinceridade Kamikaze sempre é bom,sou do time que odeia ficar em cima do muro me perguntando: "E, SE?"
Tentemos sempre, até onde for saudável para todos!
grande beijo!
Nossa, assim vcs acabam comigo!
O meu doido tb ama FNM e tb estava no show. Eu não consegui ir, depois de 1 ano e meio resolvi apelar para a sinceridade Kamikase e não foi legal, ou foi, sei lá, ainda to repensando.
BTW, adoro isso aqui e juro que me mato de rir sozinha a cada post de vcs. Se bem que esse eu me identifiquei tanto, mas tanto, que me deu vontade de voltar para o meu cantinho.
Beijos
por isso sou adepta do sincericídio...
mas não foi pq não ear pra ser. simples assim.
Uma pena, né?!
Saudade moças.
Beijas
JOSÉ ANTONIO: você tem toda a razão! "E se?" não é uma dúvida muito saudável. Melhor ter uma história pra contar do que um monte de dúvidas na cabeça.
Beijo!
NA ESTRADA: às vezes eu sinto necessidade de dramar um pouquinho e aí acabam saindo textos como este, que também me fazem ficar no cantinho.
Bom, não sei o que aconteceu com vc e seu doido, mas se vc já disse a ele o que sente é um bom começo! ;-)
Beijo!
IAIÁ: adoro sua praticidade, viu?
Beijinho!
NINAH: acontece, né?
Beijinho pra vc!
"Anos depois, ela descobriu que, na época, o doido também gostava muito dela e tinha vontade de tê-la não só como amiga. Mas quando ela soube disso o mundo já havia girado demais." = Sempre tive medo disso, então sempre dxo claro meu interesse pelas pessoas, apesar de ser uma escorpiana bem orgulhosa...aff...
Ai gurias,me imaginei com meus meus atuais 1.9 nessa situação.Eu depois de um tempo,teria tiro uma crise madrugadora no msn,e falado tudinho.Claro que depois eu me sumiria,mas as vezes que fiz isso,os caras viraram meus melhores amigos.
E sabe,vai ver tinha motivo de não ter dado certo essa história.Acho que é melhor assim.Todos temos na vida a listinha de paixões recolhidas.
Beeeeeijos!
AHEEHHEAHAEHEHEAHEAHEH
Muito divertido!! Me identifiquei muito com o post!! Acho que sou um pouco assim também. Gosto de estar entre o dito e o não dito até nada ser dito e eu poder me esconder atrás das verdades. É muito prático!! E covarde... claro... Mas funciona muito bem pra nós, Nerds.
Ahh que triste... juro que achei que depois da formatura eles tinham ficado juntos (tá tá sei que é muito romantismo da minha parte... mas poxa teria sido lindo rs). Mas adorei o texto de hj.
Sobre o Mike Patton... ai ai adoro o clip de Small Victory ele tá lindo... em Epic... hummm não curto mto (tá tá deu pra perceber que FNO não é das minhas bandas preferidas)
Bjoooo!
JOSYÊ: às vezes é bom deixar o orgulho de lado pra não ver o tempo passar e perceber que tem coisas que não voltam. ;-)
Beijo!
KÁH: gata, abafa o caso, mas naquela época MSN não era muito usado não! ICQ sim! hahahahaha
Mas, claro, hoje eu acho válido, ainda que o MSN seja do demonho.
Acho que vc teve sorte por seus doidos terem virado amigos. Isso é positivo.
E vc tem razão, todo mundo tem sua listinha de amores que não aconteceram. De alguma forma, também são histórias para contar.
Besitos!
Lee,
Como dizia o poeta
Quem já passou por essa vida e não viveu
Pode ser mais, mas sabe menos do que eu
Porque a vida só se dá pra quem se deu
Pra quem amou, pra quem chorou, pra quem sofreu
Ah, quem nunca curtiu uma paixão nunca vai ter nada, não
Não há mal pior do que a descrença
Mesmo o amor que não compensa é melhor que a solidão
Abre os teus braços, meu irmão, deixa cair
Pra que somar se a gente pode dividir
Eu francamente já não quero nem saber
De quem não vai porque tem medo de sofrer
Ai de quem não rasga o coração, esse não vai ter perdão
Quem nunca curtiu uma paixão, nunca vai ter nada, não.
(Vinícius de Moraes)
LUIZ: o drama alheio é engraçado mesmo, né? :O
Olha, eu gosto de nerds, mas, de fato, eles se escondem bastante.
É prático, mas deve ser um tanto frustrante também. Ou não?
Beijo!
AKEMI: eu também adoro filmes românticos, mas esse acabou parecido com "O casamento do meu melhor amigo". rs
Mas fico feliz que tenha gostado do texto.
Mike Patton está gostoso em muitos, muitos vídeos (Ashes to Ashes talvez seja o melhor), mas, realmente, em Epic ele tá colorido demais.
Beijinho!
VANILLA: os poetas têm percepção aguçada da vida. Vinícius é mais romântico, Drummond é mais árido, mas ambos percebem o amor e o desamor com grande sensibilidade.
Pra vc, em troca, deixo o poema do Drummond então:
AMAR
Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
amar e esquecer,
amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados, amar?
Que pode, pergunto, o ser amoroso,
sozinho, em rotação universal, senão amar o que o mar traz à praia,
e o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?
Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o áspero,
um vaso sem flor, um chão de ferro,
e o peito inerte, e a rua vista em sonho, e uma ave de rapina.
Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor a procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.
Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa
amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita.
(Carlos Drummond de Andrade)
P.S.: eu já disse hoje que amo poesia?
Essa história me fez lembrar do meu primeiro namorado, eu tinha oito anos e gostava muito de um menino fofinho que usava gel no cabelo, enfim... eu achava que ele não gostava de mim e convidei outro pra dançar quadrilha comigo na festa junina. Gente o rapaz me odeia até hoje rsrsrs...
Pior é que ainda tenho a tendência de fazer isso, mas juro que tento me conter...
Gostei mesmo deste caso
Bjocas
NADA COMPLICADA: algumas histórias começam quando temos 8 anos e se repetem, com pequenas variações, em muitos anos seguintes.
Eu já fiz o mesmo que você. Não querendo mostrar para o cara que eu tava a fim, eu me jogava em outro amigo. Puta estratégia horrível! Mas a timidez faz coisas incríveis com a gente.
Beijo!
Tá Lee ,asdpaosdpoas eu sou uma guria geração msn.Antes nem era tão ligada nessa coisa viciante chamada internet.
Mas lendo os comments,eu refleti sobre minha mini lista de paixões,os namorados,os ficantes atuais.
Sem essas histórias assim,meus últimos 5 anos de vida,teriam sido tão sem gracinha.
Viva a lista de paixões recolhidas e as histórias que elas deixam pra contar.
Beijos!
Eu acho muito triste estas coisas, sabe? Apesar de ser arriscado, eu acho sempre melhor deixar bem claro o que a gente sente, sem medo. Depois de um tempo, a gente percebe q a rejeição (se for o caso) é bem melhor absrovida se for anunciada logo.
Eu prefiro.
E se não for o caso, a gente vive uma coisa legal, com muito sexo de qualidade (a gente sempre espera, né?) ou beijocas gostosinhas!
E qto oa FNM, eu ja vou dizendo q a cara de perturbado no Mike Patton é a coisa mais sexy do mundo! Ele faz um olho de demônio destruidor de vidas que acaba com qq um.
Sinceridade Kamikase faz jus ao nome. Já vi amizade acabar, e já vi amores eternos começarem por causa dela. Já aplicaram em mim (daquelas que fazem você parar de andar e deixar a casquinha cair no chão), mas eu mesmo não tenho coragem de aplicar.
Mas eu acho que pra quem tem coragem, é super válido. Não qualquer um que consegue viver com os "E se?" na cabeça XD
Sinceridade Kamikaze de mais faz mau? Pq se faz to ferrado
Lee,
Parabéns pelo texto!!!
Acabei me lembrando de uma historia parecida que aconteceu comigo. A gente perde oportunidade por complicar as coisas.
Adoro os casos engraçados de voces, mas esse mais tristinho ficou demais.
Beijo, doutora!
KÁH: sempre fica alguma coisa de cada história. E é melhor ter vivido essas 5 histórias do que não ter nada pra contar, né?
Beijinho!
BRID: cara de perturbado e de diabão, né? Esqueçamos a parte bizarra dele e vamos nos concentrar no olhar. O-l-h-a-r.
Ah, eu confesso que às vezes prefiro a dúvida à rejeição. Sei lá, sou muito dramática.
ATILAS: sei bem como é esse negócio de ouvir, parar e deixar a casquinha cair no chão. rs
Cada vez mais eu tenho tentado aplicar a SK, mas ainda é difícil.
:-(
CADU: se vc conseguir ouvir “não” com a mesma facilidade com que ouve “sim”, acho que não faz mal não.
AMANDA: Obrigada! Fico feliz que tenha gostado de um texto dramado também.
Beso!
Lee - Realmente, a covardia é pratica, mas é frustrante em alguns casos.
LUIZ: a covardia é a pior coisa, tanto para quem é covarde quanto para quem sofre as consequências da covardia alheia. É prática quando nos acostumamos com ela, mas não deveríamos nunca chegar a esse ponto.
Beijinho!
"Mas quando ela soube disso o mundo já havia girado demais."
Nossa, essa frase foi bem profunda. Mas acho que todos tem alguma história assim. E só asism pra aprender que deve-se sempre dizer o que sente. É a velha história, antes um não do que a eterna dúvida...
Adoro os textos de vcs ;D
Beijão Lee, beijão Brid (ta sumida...)
Ai meninas, sorry pelo sumiço!!!!
EU SOU O GOOGLE: Geladeira sempre funciona qdo tem de funcionar. Quando a geladeira não dá jeito, amiga, é pq tá na hora de degelar e esquecer o bofiscândalo. Parte pra outra, fia! Vc é linda!
JAQUE: Semana que vem tem historinha minha, poxa! Não sumi não, é que sou relapsa as vezes. Mea culpa. Mea maxima culpa.
Não te quero senão porque te quero,
e de querer-te a não te querer chego,
e de esperar-te quando não te espero,
passa o meu coração do frio ao fogo.
Quero-te só porque a ti te quero,
Odeio-te sem fim e odiando te rogo,
e a medida do meu amor viajante,
é não te ver e amar-te,
como um cego.
(PABLO NERUDA)
É isso aí, minha gente!
LEE, este é aquele poema q eu vivo falando...
Em espanhol agora, pq isto é lindo. LINDO!
No te quiero sino porque te quiero
y de quererte a no quererte llego
y de esperarte cuando no te espero
pasa mi corazón del frío al fuego.
Te quiero sólo porque a ti te quiero,
te odio sin fin, y odiándote te ruego,
y la medida de mi amor viajero
es no verte y amarte como un ciego.
(PABLO NERUDA)
Ai, to romântica.
Que triste...
Mas que quase todo mundo passa por isso, daí a gente cresce, né?
Mas faz parte pra gente aprender, às vezes é bom ser sem noção e falar tudo, pq a gente vai aprendendo a dose...
beijos
Timidez e orgulho são coisas que não servem pra nada...se ambos tivessem se jogado na época, quem sabe não teriam ido juntos ao show do FNM semana passada, né??
to de volta...ou tentando voltar de vez....
beijocas! visita pra entender o que houve....
Lee... adorei a poesia!
Viva os poetas ;)
bjooo
Eita!
Não tinha visto o poema de Neruda...
Que perfeitooooooo !
Tb tô romântica kkkkk
bjooo meninasSs
Éhh. O medo muitas vezes atrapalha bastante as coisas não é mesmo?
Por isso que o melhor mesmo é chegar e dizer na sinceridade o que está sentindo.
Beijos moças!!
Bom final de semana!
JAQUE: que bom que gosta daqui! :D
Às vezes a gente aprende que deve dizer tudo o que sente. Às vezes a gente finge esquecer que deve ser sincero.
Então algumas dúvidas ainda surgem, mas elas não são boas mesmo.
BRID: amei seu surto poético!
Achei que o poema de que vc sempre fala fosse este aqui:
PUEDO ESCRIBIR LOS VERSOS...
Puedo escribir los versos más tristes esta noche.
Escribir, por ejemplo: "La noche está estrellada,
y tiritan, azules, los astros, a lo lejos".
El viento de la noche gira en el cielo y canta.
Puedo escribir los versos más tristes esta noche.
Yo la quise, y a veces ella también me quiso.
En las noches como ésta la tuve entre mis brazos.
La besé tantas veces bajo el cielo infinito.
Ella me quiso, a veces yo también la queria.
Como no haber amado sus grandes ojos fijos.
Puedo escribir los versos más tristes esta noche.
Pensar que no la tengo. Sentir que la he perdido.
Oir la noche inmensa, más inmensa sin ella.
Y el verso cae al alma como al pasto el rocio.
Qué importa que mi amor no pudiera guardarla.
La noche está estrellada y ella no está conmigo.
Eso és todo. A lo lejos alguien canta. A lo lejos.
Mi alma no se contenta con haberla perdido.
Como para acercarla mi mirada la busca.
Mi corazón la busca, y ella no está conmigo.
La misma noche que hace blanquear los mismos árboles.
Nosotros, los de entonces, ya no somos los mismos.
Ya no la quiero, es cierto, pero cuanto la quise.
Mi voz buscaba el viento para tocar su oído.
De otro. Será de otro. Como antes de mis besos.
Su voz, su cuerpo claro. Sus ojos infinitos.
Ya no la quiero, es cierto, pero tal vez la quiero.
Es tan corto el amor, y es tan largo el olvido.
Porque en noches como ésta la tuve entre mis brazos,
mi alma no se contenta con haberla perdido.
Aunque éste sea el último dolor que ella me causa,
y éstos sean los últimos versos que yo le escribo
(Pablo Neruda)
ÉRICA: pois é, acho que todo mundo acaba passando por situação semelhante.
Adorei teu comment. A gente tem de aprender a dose certa.
Beijo!
BEM RESOLVIDA: quem sabe não teriam ido juntos ao show, né? Rs
Que bom que está de volta! Sentimos sua falta. Já passei no teu blog e deixei um comment.
Não suma de novo!
Beijo!
VANILLA: oi, te dou um Doido Poeta? rs
RAFHITCH: o medo e a covardia só empatam nossa vida.
Beijos pra todos!
Eu também já tive sintomas de medo de rejeição aguda! Eu tinha uns 12 anos... Por um lado foi bom sofrer tudo nesta época, pois aprendi a ministrar pequenas doses de sinceridade kamikaze na minha vida.
Postar um comentário