segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

O caso do Doido que não teve caso.


Primeiro post (meu) do ano. Eu teria um milhão de coisas para escrever aqui. Sentei umas 20 vezes, escrevi, escrevi e nada saiu como eu queria. Eu queria não ser melancólica, mas Lars Von Trier parece ter baixado por aqui e não quer voltar ao seu corpo de origem.



Em primeiro lugar, eu tinha prometido falar do Doido Remanescente. Eu vou falar. Preciso falar. Mas não do jeito que eu esperava.



Acabou.



Não foi por causa das crianças, não foi por causa da ex-mulher-que-veio-de-brinde, não foi por causa de discussões, nem de planos diferentes de vida futura, nem de ciúmes, nem de desacordo financeiro, nem de ritmos sexuais diferentes.



Nenhum destes fatores implicou no fim.



Acabou por minha causa.



Nem eu saberia explicar quando acabou. Nem eu saberia explicar como começou de novo e onde eu estava com a cabeça de tentar mais uma vez. Talvez porque minha vida não tem sido nada além de uma grande sucessão de déjà vu’s (desculpem minha ignorância, nem sei qual o plural desta palavra e também não encontrei uma similar em português). Uma seqüencia sem fim de acontecimentos que se repetem, causando danos às vezes mais graves, às vezes menos.



Numa determinada tarde, olhei para ele e não precisei dizer nada. Ele sabia que não havia mais como tentar. Não havia "como", nem "porque" continuar tentando. Ele sabia que não era por causa das crianças, ele sabia que não era por causa da situação, ele sabia que não era por causa dele. Era por minha causa. O clichê se confirmava.



O problema, sou eu. E foi o fim.



O fim mais tranqüilo de todos. Aquele fim que não tem sofrimento. Eu tive vontade de fazer dar certo, mas não consegui me empenhar como deveria, a vida é assim. Tentativas e erros. Tentamos, tentamos, tentamos, e um dia, funciona.



Não acho que eu consiga escrever mais sobre isso, pois é triste descrever o fim, e este espaço está se tornando a filial do Muro das Lamentações aqui no Brasil. Só achei que seria importante dar a vocês o desfecho deste caso, já que nunca eu tinha recebido tantos e-mails e tanta torcida. O Doido Remanescente realmente foi uma surpresa para mim. Mas não deu...



Eu tentei. O grande problema, talvez tenha sido o fato dele não gostar de Monty Python.



Nunca saberei.



Nota: Siga-nos no Twitter (www.twitter.com/pararaiodedoido) , eu sempre estou por lá!



Um ótimo 2012 para todos vocês. Prometo este ano, atualizar o blog com mais freqüencia (eu de fato terei como fazer isso este ano, devido a uma otimização do meu tempo, que andava escasso) e colocar os casos em dia, porque tem MUITOS, viu?



Um beijo,



BRID

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Este não é um caso clínico

Nem um post de fim de ano. Muito menos um post revelador. Vou falar de algo que vocês já sabem ou já notaram de alguma forma em suas vidas. 
 
Sabem quando dá aquela vontade de escrever algo para você mesmo? Pois é, quis escrever este texto pra mim e compartilhar com vocês porque assim as coisas ficam mais amenas. Pra mim.

Enquanto eu aproveitava um dia das minhas férias pra fazer uma limpeza no meu armário das bagunças, já que em alguns meses estarei de mudança, tive essa vontade de me escrever.

Devo dizer que é impressionante a minha capacidade de guardar papéis em grande quantidade. Destruí toneladas de contas, anotações e bobagens.

Olhei as caixas com lembranças antigas e notei que eu tinha o hábito (inútil) de fazer listas de pessoas. A lista dos amigos de faculdade, dos colegas de trabalho, da escola de inglês, e por aí vaí. Tudo com nome, email e telefone. É, eu não sabia utilizar muito bem as maravilhas da internet. Mas não é sobre a minha falta de habilidade com a tecnologia que eu quero falar. Quero, na verdade, registrar quão surpreendente é perceber que muitas coisas e muitas pessoas já não me dizem mais nada. Elas tiveram um tempo exato na minha vida: o tempo do curso, da experiência de trabalho, de me ensinar alguma coisa ou de aprender comigo.

Separando os papéis, fui lembrando de momentos vividos e das pessoas que foram importantes para mim naqueles períodos. Algumas dessas pessoas eu tive vontade de procurar novamente. Usando toda a minha habilidade tecnológica atual, abri o Facebook e comecei a procurá-las e fiquei feliz quando a busca me dava exatamente quem eu procurava. 
 
Na hora, quis adicioná-las pra retomar o contato, mas eu não conseguia clicar no botão  <adicionar aos amigos>. Por que? Porque eu parei 2 segundos pra pensar, o que não é um hábito meu, confesso, e cheguei à conclusão de que hoje elas não fazem mais parte da minha vida e que não há mais espaço para elas. Elas pertencem à minha história, sim. Tenho lembranças ótimas e gosto delas, sim. Mas elas estão no meu passado e não precisam me aceitar como amiga (virtual) só para fazer volume no número de amigos. Então rasguei os papéis e os contatos e os emails. E elas continuaram a ser uma lembrança.

Essas pessoas de quem eu estou falando não são somente homens ou casos clínicos, não. 
 
Se bem que eu cheguei a procurar um namoradinho da faculdade e me assustei quando eu vi a foto dele com os TRÊS filhos no parquinho. Gente, deu tempo de ter TRÊS filhos? É, deu. Eu é que não quis até o momento ter nenhum, não é? Mas isso deve ser assunto para o próximo post.

Bem, mas no meio dessas pessoas estavam amigos, amigas, colegas de trabalho e de faculdade, e gente que eu achava que ficaria para sempre comigo. Mas a vida, que gosta tanto de brincar com a gente, não deixou. Então era hora de enfrentar todas essas perdas e praticar o desapego.

Para me ajudar, coloquei minhas músicas preferidas no modo aleatório. Logo tocou High and Dry, do Radiohead, que, por incrível que pareça, não me faz lembrar de um caso clínico, mas de uma ex-amiga. Depois veio Silent Lucidity, que me lembrou alguém que ficou na minha vida por vários anos e que desapareceu da mesma forma que as palavras quando voam com o vento. E então veio Happiness is a warm gun, que eu amo tanto e que nos últimos meses eu passei a associar com alguém que eu amei (amei?) muito e saiu da minha vida por minha culpa.

E por culpa também fiquei furiosa comigo por ficar associando músicas a pessoas. Porque eu não sou uma pessoa saudável como vocês que quando ouvem uma música que lembra alguém sentem aquela saudade, mas querem ouvir mil vezes a música. Não. Eu sofro horrores sempre que ouço os primeiros acordes e sinto um mal-estar que não é só psicológico, não. Daí o que eu faço? Passo a evitar a música.

Bem, mas no meio dessa confusão de papéis e recordações, me lembrei de uma conversa que tive com a Brid. Falávamos justamente sobre esse meu sofrimento descomunal com as músicas e ela, sabiamente, me deu uma bofetada:

- Lee, as músicas são maiores do que as lembranças. Você não pode deixar que uma lembrança ruim seja mais importante do que a própria poesia contida na letra.

E foi a essa frase da Brid que eu me apeguei. Continuei rasgando os papéis e ouvindo as MINHAS músicas. As músicas que ninguém pode tomar de mim por causa de uma lembrança, de uma saudade ou de uma dor. E cantei as minhas músicas, me divertindo com elas, como se depois de muito tempo elas voltassem de viagem e me dessem um abraço cheio de carinho, voltando pra minha vida.

Agora, meu armário tem um espaço enorme. E é com esse espaço que eu quero começar 2012.

Um ano novo muito lindo pra vocês, queridos leitores!

Beijos,

Lee ;-)

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

O caso do Doido Insistente (ou Um Fim e Um Começo)

2011 foi um ano complicado, assim como havia sido 2010. Porém, 2011 já começou meio complicado. Eu estava numa relação com o dentista de sempre, aquela mesma relação enjoativa, exaustiva e tediosa de anos, em que a gente percebe que não vai nunca fazer o outro feliz, sabem? Terminei e resolvi não fazer mais tentativas inúteis de gostar de alguém sem afinidades comigo. Eu estava completamente exausta.



Pessoas exaustas acabam não se importando muito com o coração alheio e eu estava nesta vibe. Acreditem, eu mal me importava com o meu próprio sentimento, como iria pensar no sentimento de outrém. E foi nesta levada que eu conheci o Doido em questão. Doido Insistente.



Nós nos conhecemos no pátio da PUC, numa tarde ensolarada em que eu vestia um shortinho jeans com bota de camurça e regatinha. Estava lá para obter informações sobre o bendito mestrado em "Quiproquó Rococolado" que eu tanto queria desde o ano passado, mas que eu não encontrava em lugar nenhum. Ele estava sentadinho em um dos bancos, compenetrado numa leitura misteriosa e eu, claro, estava perdida, procurando a tal da Secretaria de Pós-Graduação ou algo do tipo. Parei em frente a ele, pedi licença e disse:



- Oi, desculpa, mas você estuda aqui?



Antes que ele dissesse "não, eu gosto de entrar aqui para ficar lendo, e fingir que sou um deles", eu me adiantei e perguntei onde ficava a tal da secretaria secreta. Neste instante, ele levantou os olhos, me olhou de cima a baixo, parou no meu rosto e sorriu. Não sei se eu estava meio xarope por causa do sol ou whatever, só sei que eu parei nos olhos dele também e reparei nos cílios da criatura. Pessoas, sem brincadeira, eram os cílios mais lindos que eu já tinha visto na vida. Longos, emoldurando uns olhos divertidos e tal.



- Vou com você até lá. (ele disse, e levantou-se prontamente, fazendo com que eu reparasse nos seus 1,90m.)



Perguntou meu nome, perguntou minhas intenções lá, perguntou sobre o que eu estudava, perguntou se eu gostava de música, perguntou se eu tinha namorado e, por fim, perguntou se poderia me esperar. Respondi que sim; mais pela indelicadeza que seria se eu dissesse não, mediante a gentileza do rapaz, do que por "interesse" mesmo, confesso. Ele era legal, mas eu sabia que eu não era. Eu sou um problema e não queria causar problemas a mais ninguém por algum tempo.



Depois de pegar todas as informações que eu precisava, ele estava li, me esperando. Lembro-me de ter ficado sem graça, agradeci e disse que meu pai passaria para me pegar, assim que eu ligasse. Ofereceu-me carona (o que neguei veementemente, afinal, não sou destas) Ele perguntou se poderia me ligar um dia destes.



Pausa para reflexão:


Não, não poderia. Tal e qual Amy Winehouse, maconha com orégano, Coca Cola com Menthos e paçoquinha com Dolly, eu causo problemas. Quase cantei "I’m troube and you will know that I’m no good" para ele, mas ainda não sabia se ele gostava de meninas vocalistas (gosta). Não sou saudável para as pessoas e a questão é que eu só iria deixar acontecer se insistissem muito, mas saberiam sempre os danos que eu causo. Como numa embalagem de cigarros, onde você paga sabendo os males a que está sujeito.


Fim da pausa para reflexão.



Dei meu telefone mas disse que eu era confusa e ele não iria gostar de me conhecer melhor. Achei que ele não iria ligar.



Ele ligou.



Chamou para tomar café. Eu disse não.



Chamou para tomar um vinho. Eu disse não.



Chamou para ouvir um CD na casa dele. Eu disse não, mas perguntei que tipo de musica ele curtia. Ficamos algumas horas no telefone falando de música. Só isso. Música.



Chamou para comer profiterole de Nutella no Ruella Café & Bistrô. Como negar? Como negar, meu povo? Como negar, oh Jeovah? Fui.



Expliquei para ele toda a minha inépcia. Não nasci para ser mãe, não serei boa esposa, tenho queda de cabelo, duas restaurações de amálgama muito feias, gosto de uma banda maluca chamada "We are from Barcelona" (que ele conhecia), enfim. Fiz o que pude. Ele riu e fez com que eu me sentisse "apropriada". Eu não fiz promessas, eu apenas deixei que ele entrasse na minha vida, sem precisar fazer parte dela. Só para estar por perto. Foi este o trato. Eu não queria ninguém na minha vida. Não ainda.



Ficamos amigos, nos beijamos, transamos, saímos muitas vezes e eu nunca fiz promessas, repito. Era bom tê-lo ali. Era bom ser considerada "apta" para um cargo de confiança, porém, eu sabia que não era apta. Eu não estava pronta. Eu ainda precisava de tempo.



Conheci mãe, pai e a iguana. Conheci a irmã mais velha, conheci o sobrinho, conheci todo mundo. Nunca, em momento algum eu disse a palavra tão temida: "namorada". Algumas vezes, discutimos (feio) sobre o lance de "exclusividade". Eu não queria estar com outras pessoas, mas também não queria ser privada do direito de estar com outras pessoas se eu quisesse e a pior forma de querer me manter por perto é me prendendo.



Eis que uma sexta-feira qualquer, o Doido Remanescente me liga. Com toda a confusão que pairava na minha mente, eu nem pensei duas vezes. Saímos e passamos praticamente toda a noite conversando. Meu telefone tocava desesperadamente, mas eu havia avisado o Doido Insistente que eu passaria a noite fora. Antes que venham me crucificar, não houve nada nesta noite que passei com Doido Remanescente. Não houve beijo, não houve troca de olhares, não houve sequer intenção de nada. Houve apenas cumplicidade. Eu o entendi, ele me entendeu. Doido Remanescente estava de volta na minha vida e eu não tinha como fugir daquilo.



O problema veio no dia seguinte.



Doido Insistente: Onde você foi ontem.



Eu: Saí.



Doido Insistente: Com quem?



Eu não ia esconder nada dele. Ele sabia de toda a história anterior a ele, e não merecia que eu mentisse ali, naquela altura do campeonato. Contei toda a verdade, inclusive o fato de que talvez eu fosse ver o Doido Remanescente de novo. Afinal de contas, era o Doido Remanescente. Tudo bem que ele voltava ao jogo com um par de gêmeos (redundância) de 4 anos, um maiorzinho de 5, e uma caçula de 1 ano e 8 meses (e uma ex-mulher de bônus), mas não era esse o caso. O caso é que eu tinha que fazer uma escolha e minha escolha foi ser honesta, e jogar limpo.



Ele terminou comigo.



Não xinguei, não pedi para reconsiderar, não contestei. Aliás, eu sequer entendi o termo "terminar", afinal, não estávamos namorando. Mas enfim, amigavelmente combinamos que não sairíamos mais juntos.



(o post está longo e admito que sem muitos pontos de enfoque cômico, mas de qualquer forma, não vejo ainda muitas coisas engraçadas nesta história – pelo menos, não ainda. Quem tiver fôlego, que siga!)



Mas a vida é uma caixinha de surpresas e tal e qual como fez com Joseph Klimber, o destino quis rir da minha cara. Doido Insistente e eu tínhamos comprado ingressos para o Festival Planeta Terra. Eu iria ver os Strokes, minha gente! Só que agora, não havia sentido ele e eu irmos juntos ao evento, concordam? Pois é. O que eu não imaginava é que o Playcenter estivesse tão drásticamente diminuto. Pessoas, é impossível se esconder de alguém ali. Não que eu quisesse me esconder, mas nem preciso dizer que antes das dez da noite eu já tinha topado com o Doido Insistente umas 30 vezes, né? Na primeira vez, cumprimentei. Na segunda sorri. Na terceira aceno de cabeça e dali em diante, ignorei porque né? Desnecessário.



Deu-se que numa destas vezes, lá pelas tantas, ele (com sua turminha) passam por mim (com minha turminha) e ele me chama. Queria "conversar um minuto". Concordei. Eu usava o mesmo (sim, minhas roupas duram) shortinho jeans do dia em que o conheci no pátio da PUC. Nem mais longo, nem mais curto. Regatinha com camisete xadrez por cima e botinha. Cinquenta porcento das meninës naquele lugar estavam fazendo a linha indie-grunge e eu não destoava a não ser pelo corte de cabelo esquisito a lá Bettie Page. Ele disse as seguintes palavras doces, em tom inacreditavelmente alto:



(é bom que as crianças saiam da sala agora, porque contem palavras de baixo calão)



- Caralho BRID! Mal terminamos e você já sai por aí vestida feito uma vadia querendo caçar homem! Tá foda não olhar para você com esta roupa de menina fácil. Aliás, isto tá muito vulgar. Como eu pude gostar de você?



Calada estava. Calada fiquei. Virei as costas, tomei uma Neosaldina, um remédio para Labirintite e tal e qual Vanusa, fui! Fui cantar meu hino chamado "You only live once" no palco principal, já que Julian Casablancas não me julga.



Acham que já acabou? Tem a cereja do bolo, amigos!



No dia seguinte, meu telefone não pára de tocar e advinhem vocês quem era? O Casablancas perguntando se eu tinha gostado do show? O meu professor dizendo que eu tinha ganhado a bolsa integral na PUC? Minha cabeleireira adiando minha escova progressiva? Não. Era ele, Doido Insistente, dizendo que estava bêbado, e que havia falado todas aquelas coisas apenas para que eu "reagisse de alguma forma, nem que fosse dando um tapa na cara dele". Atendi porque queria entendê-lo. Eu sempre quero entender as pessoas. Meu mal é querer analisar o mundo inteiro, sendo eu a mais propensa à loucura. BRID, teu nome é Van Gogh e aqui está minha orelha cortada!



Não sei analisá-lo. Não sei ME analisar. Foi complicado fazê-lo entender que não havia desculpa para aquele comportamento infantil. Também não há desculpa pelo meu comportamento irresponsável, já que de certa forma, eu não me importei se ele se apaixonaria. Mas eu entendo que somos responsáveis pelos nossos sentimentos. Saint Exupéry nunca teve alguém na cola dele, por isso que disse que somos responsáveis por aquilo que cativamos. Cada um sabe do seu próprio sentimento, nunca responsabilizei ninguém pelo meu sofrimento e sempre encarei cada desafio amoroso sabendo onde estava me metendo (ui!).



Podem me julgar, eu não sou a pessoa mais certa deste mundo. Estou longe de ser sequer aceitavelmente correta. Eu ainda causo danos e continuo não escondendo isso de quem quiser pagar para ver.



Sei que este é o fim da minha pequena história com o Doido Insistente e o começo da minha saga com o Doido Remanescente. Aqui começa uma história que já tinha um começo, não teve nem meio e nem fim. Ou será que tem fim?



Vamos acompanhar?






terça-feira, 29 de novembro de 2011

O caso da doida Inapropriada

Alguém aqui já foi preterido na vida de outra pessoa? Não vale ser preterido por motivos graves, do tipo, ser stalker, ligar na casa do cara/moça as 3 da manhã dizendo que ama ou cozinhando o coelho dela em banho maria – me refiro a ser preterido sem ter feito nada, simplesmente por ser "inapropriada". Bem, pessoas são inapropriadas e eu descobri que sou. Não me perguntem a razão, eu simplesmente sou.



Tendo eu, sido preterida por ser inapropriada (não sei se esse seria o termo exato, mas de qualquer forma, foi o mais cabível até o momento), resolvi falar com a pessoa mais inapropriada que eu conheci na vida, um ex-namorado que eu preteri da minha vida por razões mais do que justas (que hoje nem acho assim tão graves). Além do pacote básico "Traição/Filhadaputagem/Canalhice", ele ainda me disse que não tinha vocação para ser bom pai, sequer bom marido. Eu, nos meus 21 anos, achei aquilo perturbador e decidi tocar a vida. Continuamos amigos, ele é um músico explêndido, bom colega, companheiro de bourbon, mas continua o mesmo. Inapropriado. Eu o classifiquei assim e olhe como são as coisas: hoje em dia, a inapropriada, sou eu.



Marcamos um encontro, depois de quase um ano sem nos vermos, no mesmo bar onde eu fui vê-lo no dia em que ele me disse todas as verdades que eu precisava ouvir (e a gente sempre precisa ouvi-las, para poder tocar a vida) para considerá-lo inapropriado e, após pedir um mojito de Sagatiba, comecei o diálogo com a esclarecedora e estimável frase:



- Eu não sirvo para ninguém. Só sei bagunçar a vida dos outros, é só o que eu sei fazer.



E é tão somente o que eu sei fazer, acho.



Eu não sei exatamente o que eu faço ou tenho de errado, mas eu nunca consegui ter essa força, esse ânimo, essa altividade de me fazer presente de forma concreta na vida de alguém. Eu sempre preferi que as pessoas se concretizasem na minha vida, sem cobranças, sem obrigações, sem pedidos incoerentes, sem amarras. Só que hoje em dia, eu acho que falhei. Perdi todas as batalhas e ainda fui considerada inapropriada. Inadequada, por ser livre demais e dar aos outros a liberdade de escolher estar comigo apenas por opção.



A sociedade nos impõe valores. Estes valores são absorvidos por nós. E a insutentável leveza do ser se torna pesada. Torna-se impossível carregar um fardo tão leve. Eu me tornei uma insustentável leveza.



Eu não desisti de ser leve, eu ainda sou. Não há forma de mudar esta minha característica.



Eu apenas desisti de tentar ser apropriada, porque eu nunca serei. Talvez eu nunca consiga ser boa esposa, nem boa mãe e me dói no fundo da alma dizer isso. Mas eu sei que eu consigo ser leve. Minha leveza, pode não agradar a todos, pode não ser suficiente para alguns e pode ser inapropriada para a maioria, mas eu escolhi ser leve e é assim que serei.



Leve e apaixonada por Monty Python. Sempre.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

O caso da Ausência

Olá pessoas todas que ainda nos lêem. Vocês todos, leitores fiéis. Antes de tudo, obrigada por ainda entrarem no blog, por ainda nos mandarem e-mail (que respondemos todos, um a um, apesar de demorar um pouquinho às vezes) perguntando sobre como estamos e quando vamos voltar a escrever e obrigada por estarem sempre presentes.




Vocês merecem uma explicação por mais uma ausência nossa.




Não seria tanto falta de tempo e sim um turbilhão de coisas acontecendo ao mesmo tempo em nossas vidas amorosas, que faz com que seja difícil transcrever isso. Falo aqui, por mim, mas acredito que a Lee concorde comigo quando digo que é mais fácil descrever o marasmo do que a tempestade, apesar da tempestade ter muito mais elementos descritivos. E o fato é esse: vivo um momento, não de tempestade, mas de escolhas, acontecimentos, decisões que eu deveria ter tomado antes, mas que voltaram à tona e agora, só Berenice para segurar a onda!




Sim, eu estou falando do Doido Remanescente (Leia Aqui) , mas também falo de outros doidos que, ou surgiram, ou reapareceram para me deixar em situações em que Minerva teria inveja, se soubesse as escolhas que tive de fazer. Não está sendo fácil, já "gerundizaria" Kátia Cega, lá nos anos 90.




E sabem quando também falta um pouquinho de tempo também? É chefe por perto, é trabalho que exige um pouco mais de concentração, é fim de semana mais agitado que o normal, shows, amigas vindo da Irlanda que querem ferver a semana toda, livros interminados. Uma gama de coisas que também tem me impedido de ter aquele tempinho básico para poder postar as histórias que vocês me mandam (uma melhor do que a outra, gente – continuem assim!).




Portanto, quero pedir desculpas por não ter post esta semana, mas já adianto que estou organizando uma saga que conta direitinho o que estou passando e todas as doidices que tem me acontecido. Já adianto que não são poucas e que a ajuda de vocês na resolução dos meus dilemas, será de grande valia.




Um beijo gigante! Obrigada por nos acompanharem, nunca vou me cansar de agradecer por isso.




BRID

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

O caso da Leitora - Parte I


Hoje, excepcionalmente, vocês lerão um relato não meu, nem da Lee e sim da nossa leitora e amiga Camila. Ela conta aqui sua história (uma delas, acredito) e tenho certeza que muita gente vai se identificar. Cer-te-za. Se você também tem uma história boa para nos contar, envie para drabridgetjones@gmail.com ou para draleeholloway@gmail.com. Uma vez por mês, postaremos uma história de vocês para que fique claro que nesta vida TODO MUNDO é para-raio de doido.

E os meninos, por favor, não se acanhem. Enviem também suas histórias. Não importa seu credo, sua cor, sua orientação sexual, seu time de futebol ou seu fetiche favorito. Tem espaço para todo mundo!

E comentem muito no post da Cá. Tenho certeza que ela vai adorar responder a todos.

Quem quiser segui-la no Twitter é só clicar aqui! Ela atende por @camicap.

O caso do Doido Mentiroso

Caso clínico:
Homem, 24 anos, alto, moreno, estudante de administração. Fomos apresentados em um jogo de futebol, pois éramos aficionados pelo mesmo time. Naquele dia, conversamos pouco e nos despedimos com a promessa de “nos vermos por aí”.


Porém, na mesma semana, o Doido me achou no Orkut. Começamos a conversar mais, nos encontramos em outros jogos e logo estávamos saindo. Ele era do tipo que faz piada de absolutamente tudo sem ser inconveniente e eu adorava isso. Eu, uma moça ingênua de dezenove anos, me divertia deveras.


Foi o Doido Mentiroso que me apresentou várias bandas que eu não conhecia. Foi ele que me induziu ao vício dos seriados americanos. Foi ele que me ensinou muitas coisas. Tudo era motivo para passarmos horas conversando e encontrando pontos em comum. Isso é piegas, eu sei, mas àquela altura eu já estava apaixonada e dali em diante era ladeira abaixo.


O Doido Mentiroso parecia corresponder o que eu sentia. Volta e meia surgiam mensagens declarando saudade ou exigindo um encontro. Mas sempre há um “até que”, e nessa história isso não demorou a chegar.


Estávamos namorando há um tempo quando, de repente, o Doido Mentiroso muda completamente. Assim, da água para o vinho. Começou a desmarcar encontros, dar desculpas do tipo “tenho que trabalhar até mais tarde” e mentir. Eu, sempre muito atenta, logo percebi que havia algo errado. Tentei conversar, mas o Doido sempre arrumava uma desculpa diferente – ele começou a me evitar completamente.


Foi então que um dia, após ter desmarcado um encontro pela 18ª vez, ele pediu para que eu entrasse no MSN, pois “precisávamos conversar”. Previ que daquela conversa não sairia boa coisa, mas mesmo assim resolvi acatar o pedido. O diálogo começou e não demorou muito para que minhas suspeitas fossem confirmadas.


Doido Mentiroso: Você sabe por que eu pedi para você entrar no MSN, né?


Eu: Sei.


Doido Mentiroso: Então, Cá, você sabe que eu gosto muito de você, mas em setembro eu estou indo passar minhas férias na França e acho injusto deixar você aqui.


O que o Doido não mencionou na conversa – e é extremamente importante citar aqui – é que ele passaria somente quinze dias na França. É relevante também dizer que estávamos em março quando essa conversa aconteceu.


Vou passar quinze dias na França. Estamos em março, mas viajarei em setembro. Acho injusto te deixar aqui. Ok.


Claro que eu não caí nessa conversa fiada. Apesar de apaixonada, eu não havia sido acometida pela passio stupidi (paixão estúpida) e conseguia perceber claramente que ele queria terminar, mas não havia encontrado um motivo plausível. Fingi compreender tudo o que o Doido me dizia e não esbocei reação alguma.


Seja grosso comigo, esqueça meu aniversário, não queira me ver, mas não minta para mim. Nunca, jamais, never. Não pense em me enganar. Não se fie em sua incrível habilidade de maquiar mentiras, porque eu descubro e é pior. Se há algo que eu não suporto é mentira. Como posso confiar em alguém que não tem coragem para me dizer a verdade?


O que se esperar de uma garota de dezenove anos? Fiquei arrasada. Desliguei o computador e chorei horrores sentada no quarto escuro. O sentimento de abandono era muito maior do que a indignação pelo o que havia acontecido. Durante algum tempo ele havia sido a melhor coisa que poderia ter acontecido em minha vida, mas ser rejeitada daquela maneira doía mais que tudo.
A confirmação de minhas suspeitas quanto às inverdades contadas pelo Doido Mentiroso veio meses após o término, quando descobri que ele estava com outra, a mesma garota que se tornaria esposa dele um ano depois.

Diagnóstico:
Mentira Deslavada (MD) desencadeada por uma crise de Babaquice Incurável (BI), Falta de Tato (FT) e Covardia Crônica (CC).


Tratamento aplicado:
O tratamento só seria efetivo se aplicado em mim. Excluí qualquer possibilidade de contato. Apaguei de redes sociais, deletei número da agenda, evitei contato com amigos em comum. Resumindo, sumi do mapa. Litros de lágrimas e doses alcoólicas depois, tudo foi superado. Quando o encontrei na rua em outra oportunidade, mantive minha classe e só permiti small talk. Ele deveria ser esquecido e realmente foi.


Para ler ouvindo: Blue Eyes Blue, do mestre Eric Clapton.

domingo, 9 de outubro de 2011

O caso do doido vício


O que acontece quando a gente espera muito tempo por alguém? 

Eu desenvolvi um tipo de dependência durante a longa espera. Ele parecia uma droga, um vício que eu precisava tirar de mim e não conseguia. Eu tinha necessidade de falar com ele e de sempre buscar alternativas para saciar essa vontade, apesar da distância entre nós.

Fiz algumas loucuras por conta dessa dependência, algumas boas e outras que eu considero grandes bobagens, mas meu impulso não podia ser contido. Isso já demonstrava que eu estava numa espécie de dependência psicológica. Eu precisava dele para não me sentir mal. Dos meus hábitos, ele fazia parte. Meu organismo tinha se adaptado à presença dele na minha vida.

Nos períodos ruins, quando nos afastávamos, eu tinha aquela fase de “delirium tremens”. Com a abstinência, eu entrava num profundo estado de angústia, que demorava a passar. Em todas as vezes que me reergui, meu vício voltava a aparecer na minha vida e tudo recomeçava.

Tive pouquíssimos momentos bons com ele. E, considerando que nossa história durou anos, só dá pra concluir que os momentos ruins dominavam nosso relacionamento. Assim como uma droga que te dá aqueles segundos de euforia e bem-estar e depois te deixa devastado.

Nunca tive overdose dele porque ele se escondida de mim algumas vezes, por mais que eu o procurasse. Ainda assim, ele era meu vício latente.

Durante anos, tentei fazer com que ele se apaixonasse por mim e, a cada negativa que a vida me dava, eu ficava mais forte e mais determinada a lutar pelo que eu queria. Mas a longa espera por ele ao meu lado foi minando a minha vontade e o meu desejo, ainda que eu tenha lutado tanto tempo por aquele relacionamento.

Nos últimos meses, fui me tratando sozinha. Aceitei os nãos, aprendi a não idealizar ninguém e parei de procurá-lo. O tempo me tratou e, felizmente, não precisei de ajuda para sair dessa dependência.

Já no final desse tratamento, ele me ligou. Escutei, pelo telefone, ele dizer pela primeira vez que me amava e que sentia minha falta. Só que já tinha passado tempo demais desde que nossa história tinha começado. Então, depois que ele se apaixonou por mim, desisti dele. E, juro, não foi de propósito.

Não desisti porque tinha, enfim, conseguido meu objetivo, mas porque passei a enxergar os defeitos dele de outra maneira. Tudo aquilo que não me incomodava antes, começou a me dar ojeriza. Saí do mundo dos meus sonhos, no qual eu construí uma imagem dele que era exatamente tudo o que eu buscava num homem, e passei a ver como ele realmente era: um vício.

Quem não tem defeitos, não é mesmo? Tenho muitos. Sou um ser humano completo, com a parte boa e com a parte ruim. Talvez meus defeitos sejam toleráveis para alguns homens e insuportáveis para outros, mas eles têm a liberdade de escolher se ficam comigo ou não.

Eu tenho essa liberdade também. Percebi que os defeitos dele eram insuportáveis para mim. Eu não conseguia lidar com um menino de 32 anos e não tinha a menor vontade de ensiná-lo a ser adulto. Meu impulso em direção a ele virou repulsa.

Como uma droga, ele continuou a me procurar e a me tentar, mas hoje eu tenho certeza de que não o quero mais. Ele não cabe na minha vida, ele não é a pessoa que me estimula a viver e a fazer planos. Gostei de uma pessoa que só existiu na minha imaginação.

Já me disseram aquela frase clássica: “todas as experiências são válidas”. Bullshit. Ele é apenas alguém que eu nunca deveria ter conhecido. Só isso.

*****
Para ler, ouvindo “Breaking the girl”, do RHCP: aqui.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

O caso do Doido Sem Nome


Estou solteira até segunda ordem. Já fazia algum tempo que eu não me aventurava pelos caminhos tortuosos da solteirice e tinha me esquecido que junta com grandes poderes (no caso, o da solteirice) vem grandes responsabilidades (o de arranjar novamente alguém). O caso é que eu, meio que esqueci deste detalhe desde que terminei com meu último doido (um dia conto – é dramático). Nunca mais freqüentei baladinhas específicas, destas em que a gente vai para ver, ser vista, escolher e pegar na vitrine.



Deu-se que minhas amigas (incluindo a Lee, fuzilem-na!), decidiram que era dia de me levar para o abatedouro. Não estou recuperada ainda do final da minha relação mal-acabada e também ainda não me decidi a quantas anda meu revival com o "Doido Remanescente". Confusão: este seria meu nome no dia de hoje. Estou tão cheia dúvidas e perguntas para mim mesma que mal sei exatamente como me chamo.



O dia todo do sábado foi aquele ritual sagrado que há tempos eu não vivia. Com entusiasmo forçado, me vi escolhendo entre os visuais de sempre. Saia curta (nem tão curta, ok?) e bota (O fato de eu medir menos que um hobbit não favorece este look) e vestido preto básico com salto agulha. Os dois fizeram sentir-me uma mercadoria exposta para apreciação. Escolhi o vestido por ser mais confortável. Sensação estranha, muito estranha. Não sou feminista nem nada, como pode estar parecendo, adoro me arrumar. Mas arrumar-se para uma pessoa específica é bem mais gostoso. Os cuidados, as peculiaridades, o perfume nos lugares certos, a escolha da lingerie... tudo isso é bem mais prazeroso quando estamos pensando num doido em especial. Aquele que tem nome, sobrenome, profissão e cheiro. Mas enfim, perdi o foco. Onde estávamos?



Ah, sim. Fomos para a baladinha. Som eletrônico, ambiente cheio de luzes hipnóticas, fumaça, drinks coloridos e os rapazes todos numa vibe "sou lindo", cheios de auto-confiança. Achei peculiar.



Eu gosto de dançar, mas aquele salto não estava favorecendo a minha performance de Lady Gaga. Avisei as meninas e fui para o balcão pegar uma Sagatiba pura. Enquanto eu tentava, com o auxílio do alcool, me desvencilhar dos pensamentos práticos sobre minha vida amorosa, arruinada e cheia de histórias sem final, um rapazinho se aproxima de mim e coloca a mão na minha cintura.



Mão. Na. Cintura.



Dei aquela reboladinha estratégica, meio que tentando me enfiar embaixo do balcão para que ele retirasse a mão biônica da minha circunferência, mas o moço fingiu que não reparou minha manobra e foi logo me olhando nos olhos, como se fosse me interrogar. Depois virou um olhar esquisito que se dividia entre cachorro faminto no quintal da vizinha e psicótico alucinado. Ele disse no meu ouvido:



- Você é linda.



Agradeci o elogio com um aceno de cabeça e ele veio de novo fungar no meu pescoço dizendo algo que eu decodifiquei como:



- A gente pode conversar?



Eu estava ali, sem nada para fazer além de gemer (ui) pelos meus pobres dedinhos do pé, esmagados pelo sapato de salto Luis XV, meia pata. Também poderia ficar lamentando meu pouco talento na escolha de homens disponíveis para relacionamento sério. Ou poderia dar uma chance ao mancebo e conversar com ele. Vai que ele gosta de Monty Python?



No exato instante em que eu disse "sim", o rapaz já veio com aquela boca entreaberta, cheia de dentes, língua e saliva, aproximando-se de minha cavidade bucal, neste momento também aberta, mas de espanto. Ele já veio pronto para matar Napoleão, sem ao menos ter enfrentado (e derrotado) meu exército. Neste momento, ativei meus mecanismos de defesa, afastei o gajo de forma delicada e disse:



- Mocinho, você nem sabe meu nome!



Ele respondeu, de forma pedante e tristemente natural:



- E o nome importa?



Naquele momento, eu o deixei ali, parado. Saí do balcão com aquela pergunta na minha cabeça.



Nome importa, sim.



Aí eu percebi uma coisa: toda boca, não é mais qualquer boca. Eu preciso antes, gostar do dono da boca e o dono da boca precisa ter nome. Esta boca, tem que ter dito coisas legais, que tenham me impressionado, caso contrário, ela é só uma boca. Uma boca cheia de dentes, língua e saliva, que não me atrai, que não me interessa, que não me faz bem como fazia antes. Eu não fiquei moralista, nem romântica, nem me tornei uma sonhadora, nada disso. O que aconteceu é que eu, agora, não consigo mais pensar numa boca sem contexto.



O moço era bonito. Mais tarde, soube que se chamava Flávio, tinha 26 anos, era engenheiro civil e gostava de cinema. Ele veio se desculpar mais para o final da noite, já acompanhado, porém gentil. Entendi, desculpei e até disse meu nome (o verdadeiro, mas apenas o primeiro – tenho um nome composto, incomum e meio ultrapassado).



Eu tive a minha época de provar todas as bocas, sem contexto. Algumas pessoas vão entender que eu agora só transo por amor, só beijo com paixão e só fico com quem eu já conheça. Na verdade, é um pouco mais complicado que isso. O fato é que agora, a atração não acontece por acaso, e atração, nada tem a ver com amor, paixão ou "já conhecer alguém".



Acho que hoje em dia, a "quimica" tem uma fórmula um pouco mais complexa que envolve Monty Pyhton, bom humor e um ingrediente secreto que eu nem sei o nome ainda. Vocês sabem?



Para ler ouvindo: As time goes by – do filme Casablanca.



Nota da autora: Divulguem se curtirem.



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terça-feira, 20 de setembro de 2011

O caso do Doido Intolerante - Um post "Desabafo"

Sexo.

Cada um de nós, começou a praticá-lo em algum momento da vida, alguns mais tardiamente, outros precocemente. A vida sexual de cada um é uma propridade intrasferível e não há como generalizar ou julgar alguém pelo seu comportamento entre quatro paredes. A conduta sexual de cada pessoa é única. Fim da história.

Quando começamos a escrever um blog sobre os nossos relacionamentos, achamos que seria muito tranquilo falarmos de nossas vidas sexuais, já que por uma razão natural, as experiências sexuais fizeram parte destas relações. Somos adultos, não somos?

Sexo sempre foi um assunto muito natural para mim e, como crescemos juntas, partilhando das mesmas dúvidas, dos mesmos dilemas e às vezes, dos mesmos gostos, também sempre foi um assunto muito natural para a Lee. Fetiches, climas, momentos, posições, formas de encontrar o prazer e proporcioná-lo à pessoa que está junto da gente – essas coisas todas – sempre foram assuntos que nunca nos causaram constrangimento nenhum, afinal, é a felicidade amorosa da gente que está em jogo e, na minha opinião, o sexo tem um peso gigantesco no quesito "fazer dar certo" das relações amorosas.

Ontem, recebemos o seguinte comentário num post antigo:

(Clique aqui para ler o comentário e o post- trata-se do ULTIMO comentário da pagina, com a data de ontem)

Lógico que vocês podem dizer que não tem nada demais, que é só provocação, que deveríamos ignorar e tal, mas eu sinceramente fiquei bem triste por saber que existem pessoas deste tipo, com esta mentalidade pequenina e toda esta limitação.

Sim, sexo tem de ser especial e é especial para mim. Não é pelo fato de não ser ortodoxo que não é especial. Não é pelo fato de não ser com o "grande amor da minha vida" (se é que isso existe) que não é especial. Não é pelo fato de não ter lágrimas pos-coito que não é especial. Não é pelo fato de não ter pétalas de rosas nos lençóis que não é especial. Não é pelo fato de não ser com a sua esposa/namorada/noiva que não é especial.

Eu posso dizer aqui, com toda a propriedade (e tenho certeza de que a Lee compartilha da minha opinião), que cada "relação-prazerosa-sem-fins-reprodutivos" das quais fiz parte (tenham sido elas, ortodoxas ou não) foram especiais. A razão disto, é que cada uma delas foi (e ainda é) uma busca. Uma busca pela felicidade e pelo prazer pleno.

Não quero aqui ser panfletária. Sei que a maioria arrasadora das pessoas que nos lêem tem uma mentalidade aberta e tranquila com relação a qualquer tipo de amor, qualquer forma de encontrar a satisfação, mas eu precisava desabafar. Fico indignada quando alguém age pelo impulso da intolerância, sem conhecer as argumentações do lado atacado.

Eu respeito quem acha que "sexo especial" é aquele, básico, datado, rotineiro, com fins específicos, com uma pessoa em especial, afinal, eu também tenho meus momentos alencarianos. Eu também já desejei alguém mais que tudo e o sexo com ela seria considerado mais do que especial. Mas somos humanos e como humanos, somos diferentes uns dos outros. Cada um tem uma forma de achar cada coisa especial e o que é especial para mim, não é para o outro, por mais que sejamos parecidos em personalidade.

O comentarista anônimo, que se identificou como "Jota", disse que a Lee deve achar tudo "normal", inclusive sexo. Bem, nós achamos mesmo. Normal, natural, bonito, algumas vezes maluquinho, outras vezes engraçado, outras picante, e muitas vezes, fetichento também!

Adoramos a forma como o ser humano lida com suas fantasias, é fascinante! E, a cada nova experiência, achamos cada vez mais compensador. Fica aí uma dica valiosa para o Jota: Ver o sexo de forma natural, faz bem para a vida e praticá-lo com mais frequência, faz com que cada dia ele se torne mais e mais especial, natural e inerente.

É engraçado, pois a priori, eu achei que ele estaria achando a atitude de rejeitar o "Doido Fetichista", brochante (Leia o post em questão AQUI), mas depois, percebemos que ele achou brochante, a atitude da Lee de ter ficado a noite toda com os sapatos, obedecendo ao fetiche. Nas duas versões, é definitivamente um caso de indignação, pois como eu disse, ninguém é obrigado a ser como os outros ou aceitar algo que não lhe dê prazer. Assim como gostar do Van Gogh, não é um fator excludente para que eu não goste de Delacroix. Gosto dos dois. Talvez não com a mesma paixão, mas todos temos preferências, não?

E assim, a vida continua – cada dia mais saborosa, porque as diferenças fazem toda a diferença. E as novas experiências e sensações são os elementos que me fazem acordar a cada manhã.

Nota das Autoras: Desculpem a todos por este desabafo. Acho que eu precisava disso, aliás nós duas precisávamos, afinal, estamos aqui já faz alguns anos, interagindo quase todas as semanase adorando cada comentário, seja ele concordando ou não com nossas atitudes. Mas é complicado ler um comentário ofensivo, julgador e de mau gosto, por mais que estejamos expostas a isso. Quem discordar, tem todo o direito de se manifestar, respeitaremos todas as opiniões, e quem concordar também.

Agradecemos a todos aqueles que nos lêem e nos divulgam em seus twitters, facebooks, blogs e que tornam a experiência de escrever este blog cada dia mais estimulante.

Um beijo a todos!

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

O caso da Doida sem Pinô Noar

Olá, seus lindos!




Dei uma passadinha por aqui para avisar que hoje não tem post, mas é por um motivo muito nobre! Eu escrevi o post no notebook do meu pai (em minha casa) e "misqueci" completamente de enviar por e-mail, passar para o pen drive ou qualquer outra solução prática e óbvia. Podem me chamar do que quiserem, já que ando numa vibe doida, em que acho que devo ser punida (ui!) por todos os males do universo.




Toda esta distração tem uma razão, sempre tem. No meu caso, chama-se "falta de álcool". Sim, estou em abstinência alcoólica e só Deus e a Santa Madonna Ciconne podem me julgar pelos meus atos neste período.




Não é promessa religiosa, não é recomendação médica, não é regime. É tentativa de conquistar um equilíbrio mental, minha gente. Tava foda, com o perdão da palavra.




Estou passando por um período meio sabático e pretendo tirar todas as conclusões vitais para uma vida amorosa sadia, completamente sóbria. Nada de fitoterápicos, nada de absinto, nada de ervas medicinais.




Amanhã, estarei aqui, com o post da semana e espero que todos vocês compareçam para prestigia-lo, comentá-lo e divulgá-lo. É uma história recente, então já podem esperar uma dose de nostalgia nele, afinal, ando nostálgica até a raiz do terceiro molar que eu ainda conservo em minha boca cheia de dentes.




De quaqlquer forma, agradeço a todos pelo carinho nos e-mails! Vocês são todos uns lindos mesmo! Algumas pessoas, escreveram perguntando o desfecho do meu caso com o "Doido Remanescente (Clique Aqui e Leia)" e várias delas estão até torcendo por um final feliz. Fiquei über emocionada com a participação de vocês e agradeço cada um que se dispôs a entrar em contato. Este carinho é incrível! Prometo escrever um post com o desfecho, sim. Assim que tiver um desfecho, porque né? Tô toda desviada dos caminhos do bem. Oremos!




Um beijo e até amanhã!